Depois de lançar o primeiro disco com vocais, Vox Populi, no meio do ano, a banda instrumental Nomade Orquestra agora faz o jogo de volta – e relê as mesmas músicas que compôs ao lado de Russo Passapusso, Juçara Marçal, Siba e Edgar sem os vocais. Vox Machina chega às plataformas digitais nesta sexta-feira e o grupo antecipou em primeira mão a faixa “Pinga Fogo”, que trazia Juçara na primeira versão do disco.
“O Vox Machina é o fechamento do primeiro volume da série Vox Populi / Vox Machina. Se no primeiro disco, através dos encontros com Russo, Juçara, Siba e Edgar, tínhamos a voz do povo, chegamos no desdobramento com a voz da máquina, uma imersão e um redescobrimento de nosso modus operandi revelados em oito faixas instrumentais”, explica o baixista Ruy Rascassi. “Foi desafiador chegarmos a esse resultado, pois desde o começo da concepção do Vox Populi com os cantores já estávamos certos que dali precisaria nascer um lado B, e foi aí que descobrimos um novo método de composição, onde fizemos versões instrumentais de nós mesmos”, ri. O grupo mostra seu novo disco domingo agora, dia 27, no Sesc Dom Pedro (mais informações aqui).
Dois dos maiores produtores de todos os tempos, o papa do dub Lee “Scratch” Perry e o pai do ambient Brian Eno se encontram na faixa “Here Come The Warm Dreads”, um trocadilho com o título do primeiro disco solo de Eno, Here Come the Warm Jets, que é uma reconstrução de “Makumba Rock”, que o jamaicano apresentou no disco que lançou este ano, Rainford. A versão vem em Heavy Rain, o disco de dub que saiu deste primeiro trabalho, supervisionado pelo mítico Adrian Sherwood, da gravadora On-U-Sound.
Olha que maravilha: os Flaming Lips vão lançar uma versão orquestrada – com coral! – para seu clássico de 1999, The Soft Bulletin (também conhecido como seu melhor disco). O disco, batizado de The Soft Bulletin: Music and Songs by The Flaming Lips featuring the Colorado Symphony with conductor André de Ridder, será lançado no final de novembro, já está em pré-venda e o grupo antecipou a faixa de abertura, “Race for the Prize”, só pra dar um gostinho…
Bicho…
O encontro de Gilberto Gil com o BaianaSystem vai acontecer de graça e em Salvador, imagina só! O show faz parte da série Encontros Tropicais e acontece no dia 3 de novembro, no Parque de Exposições e terá abertura de Ministério Público e Luedji Luna (mais informações aqui).
“Quem gravou o disco foi eu e Benke, não há participações: eu gravei vozes, baixo e teclado, ele gravou guitarras e beats. A gente tinha liberdade pra gravar e parar a hora que quisesse. Então dormindo, comendo, curtindo junto, isso nos deu uma sensação muito grande de bem estar. Influenciou diretamente no mood do resultado final”, me explica o pernambucano Paes, que lança seu EP Wallace nesta sexta-feira, mas que o antecipa já em primeira mão para o Trabalho Sujo. Feito em parceria com o guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz, que produziu e tocou no disco, o EP desconstrói a sonoridade que o cantor e compositor apresentou em seu disco de estreia, Mundo Moderno.
A colaboração com Benke surgiu quando Paes estava começando a cogitar um disco em parceria com o ex-Mombojó Marcelo Campello, que assina algumas das composições do EP. “Ana Garcia, quando tava fazendo a assessoria do Mundo Moderno, meu disco anterior, falava muito que a gente precisava se conhecer e trocar ideia, porque tinha interesses parecidos relacionados a áudio, música, fita cassete etc.”, explica o pernambucano, mencionando a participação ativa da fundadora do festival Coquetel Molotov como ponte crucial do encontro com o guitarrista. “Já havia encontrado ele algumas vezes em Recife mas nunca trocado uma ideia de fato. Mas no Coquetel Molotov do ano passado, a gente se encontrou e eu dei uma Cassete do Mundo Moderno e meses depois, em outra festa ele me deu uma do Boogarins, A Casa das Janelas Verdes, junto com uma revista que saiu pela Void. Eu adorei a fita e ficamos trocando ideia por internet.”
“Ele me pareceu ser a pessoa mais indicada no momento pra tentar tirar outro som, me ajudar a sair da zona de conforto em relação à sonoridade, instrumentação e vibe das músicas. As coisas aconteceram de uma forma bem natural”, continua. “Quando o convidei pra produzir, no outro dia já tava almoçando com eles e pensando como fazer a coisa toda. Levei as cifras, baixo e amp pra lá e já começamos a tirar as harmonias dessas três canções. Depois de dois encontros onde já se criou as bases no Ableton Live e harmonias fomos pro estúdio por dois dias e gravamos. Lá compusemos juntos outras duas faixas ‘8 bit Blues’ e ‘Espelhos’. Ele se envolveu no processo desde o início, desde os arranjos até a finalização do trabalho. Além de produzir ele tocou as guitarras, beats e mixou as nossas parcerias. O nome do álbum surgiu de uma brincadeira nossa com o título de ‘4 Paredes’: Four walls, for Wallace, por Wallace até enfim chegar no Wallace, que reflete muito o clima familiar que a gente construiu na pré, durante as gravações e na pós. Foi-se criando uma amizade bem massa e uma facilidade de decidir as coisas juntos talvez pela forma parecida de pensar música e de filosofia de vida.”
“A diferença é em relação à sonoridade, porque a instrumentação é bem diferente”, me explica. “Não tem bateria, apenas beats eletrônicos. O Mundo Moderno é mais diversificado de timbres e a formação em cada faixa. Tem músicas eletrônicas, outras com violão e piano, outra com banda. O Wallace é rock alternativo, eletrônico, pop e mais lisérgico. É experimental e mais maluco. Em uma faixa gravamos uma jam de baixo e guita encima do beat do Casiotone, depois ele processou no Live e deixou ela com cara de videogame, por isso dei o nome de ‘8 Bit Blues’. Outra surgiu de um áudio de WhatsApp que Benke ouviu, processou e picotou, criando um beat, synth e baixo. Eu criei a melodia e letra e já gravei rapidamente em cima.”
Se o disco é tão diferente do anterior, o mesmo não pode se dizer em relação ao tema. “As questões que abordamos nas letras é uma continuidade do que tá presente no álbum anterior: reflexões sobre a contemporaneidade, das formas de relações que a gente tem nos tempos atuais, tecnologias, formas de comunicação e como isso influencia diretamente no jeito que a gente se socializa, como se relaciona com o outro através da internet e de toda facilidade que isso traz. Tem seu lado positivo de mil possibilidades mas também cria problemas desse nosso tempo que é a sensação de isolamento, muitas vezes estamos conectados com tanta gente mas nos sentimos muito solitários. É uma coisa muito comum isso que acomete quase todos que convivo, uns menos outros mais. Vejo muita gente tendo sofrendo com depressão, ansiedade, pânico e quase sempre relacionando esses pontos levantados como cruciais pra entender o que ta acontecendo no nosso mundo. E eu acho importante falar disso abertamente, nos ajudar, ouvir e tentar encontrar um equilíbrio sabe? Porque temos que estar juntos, se ajudar. É uma coisa muito comum pra nós que vivemos nesse modelo capitalista, de trabalho, cobrança pessoal, da sociedade, do sistema, essa correria louca do dia a dia onde as horas não são suficientes pra a demanda que criamos e aos mesmo tempo passa tudo tão rápido, A vida tá passando por a gente como um vagão de metrô. E nós estamos todos no mesmo carro.”
Agora o desafio é transpor essa sonoridade para o show: “Como virou eletrônico, tanto as novas como as do anterior que serão rearranjadas pra esse formato, a banda é bem reduzida, para um formato duo, em que canto, toco baixo e synth em alguma faixas e com o amigo João Bento, que toca guitarra, backing vocal e maschine, que é basicamente um equipamento com vários pads, onde podemos samplear todos os sons do álbum, não só rítmicos mas também hamônicos e melódicos e tocar ao vivo isso. Mas também temos a formação trio, com Benke completando o time tocando guitarra enquanto João fica nas bases eletrônicas, e eventualmente baixo e sintetizador. Nessa eu tenho mais liberdade pra só cantar em algumas músicas e ficar mais livre em relação a performance.”
A voz de Grace Slick isolada no maior hit do Jefferson Airplane, “White Rabbit”, dá ao hino psicodélico contornos ainda mais dramáticos, saca só:
Uma das grandes revelações de 2019, a produtora e MC gaúcha Saskia mostra seu primeiro disco Pq ao vivo nesta quinta-feira, no Centro Cultural São Paulo, a partir das 21h – e é de graça (mais informações aqui).
Tudo indica que o fenômeno pop adolescente Billie Eilish foi para um outro patamar e fará dois shows no Brasil em 2020 – um num estádio! É o que apurou o Lucio Ribeiro – Billie teria negado a ida ao Lollapalooza do ano que vem para realizar dois shows, um no Rio (dia 30 de maio, na Jeunesse Arena) e o outro em São Paulo (no dia seguinte, no estádio do Palmeiras!). Não é fraca não…
Thurston Moore volta a dar notícias lançando não apenas mais um disco solo, mas um disco triplo, reunindo três apresentações ao vivo livremente improvisadas. Spirit Counsel apresenta, portanto, três obras de microfonia elétrica suspensas a partir de três pontos de partida distintos. O primeiro disco, Alice Moki Jayne, contempla a influência sonora que três grandes primeiras damas do free jazz, Alice Coltrane, mulher de John Coltrane, Moki Cherry, mulher de Don Cherry, e Jayne Cortez, mulher de Ornette Coleman, tiveram no trabalho do guitarrista do Sonic Youth, numa sessão gravada na Bélgica, este ano. O segundo disco, 8 Spring Street, foi batizado a partir do endereço em Nova York em que Thruston conheceu um de seus maiores faróis sonoros, o guitarrista no wave Glenn Branca, e foi gravado na Inglaterra, também este ano. Spirit Counsel encerra com o disco Galaxies, em que rege uma orquestra de 12 guitarristas, inspirada em um poema do mestre do space jazz Sun Ra de mesmo nome, e foi gravado ao vivo em Londres, no ano passado. Os três discos vem acompanhado de um livro que registra, em textos e fotos, o processo de criação, composição e apresentação das três peças sonoras – que podem ser ouvidas abaixo.
O disco já está à venda.
O terceiro disco da banda potiguar Luísa e os Alquimistas, batizado de Jaguatirica Print, será lançado nesta sexta-feira, mas a banda antecipa o disco em primeira mão para o Trabalho Sujo. Reforçando a conexão da tradição musical jamaicana com o nordeste brasileiro, ela costura subgêneros das duas regiões em um disco pesado, sexy e esfumaçado, com participações de várias mulheres da região norte do país, como Jessica Caitano, Catarina Dee Jah, Doralyce, Sinta A Liga Crew, Luê, entre outras. Bati um papo com a vocalista Luísa Nascim sobre o próximo lançamento.
A banda começa a lançar o disco com uma turnê que começa no mês que vem, com shows em João Pessoa (dia 4), Recife (dia 5, com Boogarins), São Paulo (dia 11, no MIS), São Carlos (dia 19, no Festival Sonora), Manaus (dia 26) e segue por novembro em Porto Alegre (dia 1°), no Rio de Janeiro (dia 2) e Natal (dia 23, no Festival DoSol).












