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Loki

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O compositor, músico e produtor paulista Pipo Pegoraro apresenta seu mais novo trabalho, o disco instrumental Antropocósmico, lançado no primeiro dia de 2020, em que flerta com o jazz funk, o rock progressivo e a MPB instrumental dos anos 70, na última edição de fevereiro da Sexta Trabalho Sujo, neste dia 28 de fevereiro, no Estúdio Bixiga, a partir das 21h (mais informações aqui). Vamos lá?

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A produtora venezuelana Arca, queridinha de titãs do pop atual como Björk, Kanye West, Frank Ocean e FKA Twigs, deu um xeque ao lançar seu novo single. Batizado com o incomum nome de “@@@@@”, sua nova obra de sessenta e dois minutos que enfileira diferentes climas e atmosferas sonoras cujo fluxo musical caminha entre um DJ set autoral, uma mixtape ou até mesmo um álbum sem as pausas entre as faixas. Mas ele preferiu chamar o novo material de single e com isso propõe subliminarmente uma discussão sobre formatos no pop atual.

Em um tempo em que artistas discutem o fim do formato álbum, a aposta em singles, a obrigatoriedade do clipe ou a ascensão dos EPs e mixtapes, “@@@@@” expande esta questão para todos os horizontes possíveis, mostrando como a retenção de atenção do ouvinte (e telespectador) por parcos minutos é uma briga apenas mercadológica e propõe uma canção enorme dividida em trinta partes – que ela chama de “quantum” -, cada uma dela com seu título específico, nomes como “Diva”, “Construct”, “Travesti”, “Amputee”, “Avasallada”, “Pacifier”, “Chipilina”, “X”, “Murciélaga” e “Bebé”. O próprio fato de ter sido lançado como um vídeo, traz a imagem pós-apocalíptica com a produtora nua e plugada sobre um carro em um ferro-velho em chamas, com sua própria imagem dançando em uma tela holográfica ao fundo, uma imagem única, em constante movimento e repetição, mas que se estende por toda a duração do clipe, como uma capa de disco em uma outra dimensão.

E é claro que não se trata apenas de formatos – e o som de Arca é um sobrevôo por paisagens que transcedem a imagem distópica do clipe. Ela passeia por horizontes alienígenas de todas as matizes possíveis, da intensidade noise industrial a um ricochete pós-techno de beats eletrônico, passando por planícies ambient, samples de risadas e acidentes de carro, enxames de breakcore, fogs de ruído elétrico, drill’n’bass, reggaton picotado e padrões repetitivos de glitches eletrônicos às vezes sobrepondo duas – ou mais – destas realidades musicais ao mesmo tempo. A sensação é de desprendimento da realidade, como se estivéssemos sonhando um sonho de outra pessoa – o da própria artista. Que, por sua vez, canta nas próprias faixas pela primeira vez.

O single estrou na semana passada na rádio NTS e logo depois a própria Arca explicou a temática deste trabalho: “‘@@@@@’ é uma transmissão enviada para este mundo a partir de um universo ficcional especulativo em que a forma fundamentalmente analógica da rádio FN pirata continua uma das poucas formas de se escapar da vigilância autoritária alimentada por uma consciência refém gerada por uma inteligência artificial pós-singularidade. A apresentadora do programa, conhecida como DIVA EXPERIMENTAL vive em múltiplos corpos no espaço devido à sua perseguição – e para matá-la, é preciso primeiro encontrar todos seus corpos. Os corpos que hospedam seus fetiches malucos por paralinguística quebram a quarta parede e nutrem uma fé mutante no amor em frente ao medo.”

Pesado. E como ela quis deixar claro: é um single.

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A dupla de Los Angeles Classixx pegou a baladaça “Silly Love Songs” dos Wings e trouxe para a pista de dança. E desceu bem…

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George Eveyln já misturava funk, soul, reggae, hip hop e jazz em suas discotecagens na noite inglesa e arriscou levar aquela mistura em composições próprias no ótimo A World of Science, que lançou em 1991 sob o nome artístico Nightmares on Wax, num dos primeiros discos lançados pela gravadora Warp. Quatro anos depois, ele aperfeiçoou aquela mistura e ao lado de uma banda composta por Chris Dawkins na guitarra, Robin Taylor-Firth nos teclados, Hamlet Luton no baixo e Shovell na percussão e lançou um dos principais discos da história do trip hop, desbravando uma fronteira que misturava jazz funk com maconha que o Massive Attack abandonou logo após seu disco de estreia.

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Smokers Delight, lançado em 1995, é dessas obras-primas atemporais, a principal abordagem hip hop do gênero iniciado em Bristol pelo Massive Attack e pelo Portishead. Ao trabalhar com samples e trechos de outras músicas como pontos de partida de suas faixas, Evelyn ampliava o horizonte do mundo do rap para além do texto, conversando imediatamente com outros DJs que faziam isso em outros pontos do planeta no fim do século vinte, como DJ Shadow em Los Angeles, DJ Cam em Paris, o Company Flow em Nova York, Q-Bert e Dan the Automator em São Francisco, Rob Swift na Inglaterra e os Avalanches na Austrália, pioneiros que cultivaram o terreno que, na década seguinte, viu nascer carreiras de nomes como J Dilla, Madlib, RJD2, Flying Lotus, K Def, The Alchemist, entre muitos outros.

Pois o disco ressurge 25 anos depois em versão comemorativa em vinil que será relançada em abril (já em pré-venda) e que traz faixas extras inspiradas no disco original, reunida sob o nome de Sonic Buds. Além de duas músicas inéditas (“Aquaself” e “Let’s Ascend”, ouça esta a seguir), ainda há uma versão remixada para “Dreddoverboard” bem como uma versão ao vivo para “Nights Introlude” gravada em Chicago, nos EUA, em 2014.

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“Nights Introlude”
“Dreddoverboard”
“Pipes Honour”
“Me + You”
“Stars”
“Wait a Minute/Praying For A Jeepbeat”
“Groove St.”
“Time (To Listen)”
“(Man) Tha Journey”
“Bless My Soul”
“Cruise (Don’t Stop)”
“Mission Venice”
“What I’m Feelin (Good)”
“Rise”
“Rise (Reprise)”
“Gambia Via Vagator Beach”

‘Sonic Buds’
“Aquaself”
“Let’s Ascend”
“Dreddoverboard (Funk Mix)”
“Nights Introlude (Live In Chicago)”

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Outros dois trailers apareceram nesta semana apontando os novos rumos que a terceira temporada de Westworld deve dar à série, uma das melhores deste século. Mais do que nos apresentar ao personagem Caleb, vivido pelo Aaron Paul de Breaking Bad, a nova safra de episódios parece mostrar para a Dolores de Evan Rachel-Wood que a separação moral entre seres humanos e robôs não é dicotomicamente biológica, como o seriado fazia parecer até aqui. O encontro entre os dois personagens abre a possibilidade para a protagonista de que nem todos os seres humanos são vilões, fazendo-a ir atrás dos verdadeiros antagonistas da série – e um deles parece ser o novo personagem vivido por Vincent Cassel. Este, por sua vez, colocou a Maeve vivida por Thandie Newton como sua arma, fazendo-a ir de encontro à Dolores, como mostra o final do trailer. Mas em se tratando de Westworld, tudo pode ser jogo de cena para que desviar a atenção.

Há tantas outras perguntas: e o Homem de Preto que agora descobriu que é um robô? E quem fugiu dentro do corpo da Charlotte Hale vivida por Tessa Thompson? Seria o Teddy de James Mardsen (que nem está creditado na nova temporada)? E esse robô gigante? E o Bernard de Jeffrey Wright? E esse parque temático de segunda guerra mundial que aparece num relance? Um segundo trailer, escondido nas entranhas do site da empresa fictícia Incite (criado para mostrar que boa parte da nova temporada se passa fora dos parques temáticos que conhecemos nas duas fases anteriores), mostra que a temporada não vai ser nem um pouco tranquila…

Westworld recomeça no dia 15 de março.

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Além da inevitável provocação à paranoia privatizante e antiintelectual que acompanha a escalada da extrema direita ao topo do poder no mundo, a biblioteca pública online que o Radiohead abriu no começo do ano também é uma ótima oportunidade autobiográfica para o grupo, que pode usá-la como uma forma de tornar todo seu acervo disponível gratuitamente para todos na internet. Nesta sexta-feira, o grupo incluiu pra três itens em sua coleção, versões de músicas já conhecidas lançadas em épocas diferentes e que ainda não estavam em suas plataformas de streaming. O primeiro deles, uma versão estendida para a glacial “Treefingers”, peça central do inóspito Kid A, o disco mais ousado do grupo, lançado no ano 2000:

Outra versão que apareceu nesta sexta foi porta de entrada para muitos que não conheciam o grupo ainda nos anos 90, quando o remix feito por Nellee Hooper para “Talk Show Host” apareceu na trilha sonora do clássico teen Romeu + Julieta, que lançou a carreira do cineasta australiano Baz Luhrmann em 1996:

Fechando a trinca de novas aquisições, vem o remix de “The Gloaming” feito pelo produtor da banda Nigel Godrich no ano de lançamento do disco Hail to the Thief, em 2003, e o batizou de (The 33.33333 Remix) devido à duração do remix:

Nada mal.

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Publiquei outro dia o áudio com a íntegra do primeiro show que Chico Science e a Nação Zumbi fizeram no festival de jazz suíço em Montreux, em 1995, e esbarrei com todo o primeiro show que Gilberto Gil havia feito no festival, em 1978, um dos meus registros ao vivo favoritos de todos os tempos. O show foi a primeira noite brasileira do festival e ainda teve participações de nomes como Ave Sangria, A Cor do Som e Airto Moreira. Mas o que me deixou de queixo caído foi que não era só o áudio do show – que inclusive foi lançado oficialmente por Gil, naquele mesmo ano, mas sua versão em vídeo. Que noite! Gil talvez no auge de sua carreira escudado por uma banda formada por conterrâneos de primeríssima linha: Pepeu Gomes na guitarra, Jorge Gomes na bateria, Rubens Silva no baixo, Maurício Carvalho (o Mu, do A Cor do Som) e o percussionista Djalma Correa. Que delírio!

“Chuck Berry Fields Forevers”
“Chororô”
“São João, Xangô Menino”
“Respeita Januário”
“Ela”
“Bat Macumba”/”Exaltação à Mangueira”
“Procissão”/”Atrás do Trio Elétrico”/”Mamãe Eu Quero”

O único problema é que o vídeo não registra a jam session do final do show, quando o A Cor do Som subiu ao palco ao lado de Ivinho, guitarrista do Ave Sangria, e Patrick Moraz, tecladista do Yes, para conduzir a elétrica “Triolê” ao lado da bandaça de Gil. Pelo menos esse momento tá no disco!

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O DJ norte-americano RJD2 anuncia disco novo para 2020: The Fun Ones é focado em instrumentais de funk, mas ele preferiu começar os trabalhos com uma das poucas faixas com vocais no disco. “Pull Up On Love” é uma groovezeira pesada e traz os MCs STS e Khari Mateen como convidados.

Pesado! A capa do disco e o nome das músicas vem a seguir – e o disco, que sai em abril, já está em pré-venda.

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“No Helmet Up Indianola”
“Indoor S’mores”
“20 Grand Palace”
“One of a Kind”
“High Street Will Never Die”
“Pull Up On Love”
“All I’m After”
“Flocking To The Nearest Machine”
“And It Sold For 45k”
“The Freshmen Lettered”
“A Genuine Gentleman”
“Itch Ditch Mission”
“My Very Own Burglar Neighbor”
“A Salute To Blood Bowl Legends”

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Toda carreira do recém-falecido Andrew Weatherall pode ser resumida num único momento, sua grande contribuição para a história da música: quando transformou o arremedo stoneano que o Primal Scream lançou como single após seu segundo disco como um épico gospel funk psicodélico que resumia as transformações que a acid house britânica estava introduzindo na música do planeta. Ao remixar “I’m Losing More Than I’ll Ever Have” e transformá-la em “Loaded”, o DJ deu um salto quântico na música pop mundial ao permitir que o remix pudesse ser entendido como um momento criativo, mais que um acessório de marketing.

Bobby Gillespie, vocalista e fundador do Primal Scream, já conhecia o DJ da noite inglesa, que vivia uma era de ouro no final dos anos 80, mas resolveu aproximar-se de Weatherall deppos que o DJ havia resenhado o segundo disco da banda, batizado apenas com seu nome, no fanzine que fazia. Bobby ofereceu a Andrew a possibilidade de remixar um single da banda – e foi bem preciso quando ele disse o que queria: “Just fucking destroy it”.

Andrew não se intimidou. Originalmente, a música era assim:

Aí ele pegou um diálogo de um filme com Peter Fonda…

…um trompete de um disco de John Hawkins…

…vocais de um hit das Emotions…

…em cima de um loop da base uma versão pirata de uma música de Edie Brickell…

…além de pedaços da música original – assim nasceu “Loaded”:

O remix resumia também as referências musicais daquela nova cena de dance music: discos obscuros de jazz, hits menores da disco music, músicas de outros gêneros que podiam fazer dançar e samples de todo o tipo de obra usados em um novo contexto. Mais do que simplesmente filtrar estas referências, sublinhava a importância de transgredir estilos musicais numa época de separações estéticas tão rígida como os anos 80, usando a dança como elemento químico básico e a psicodelia como seu mais forte tempero. Não por acaso este período também foi conhecido como o segundo verão do amor.

Mas antes de “Loaded”, essa cena, mesmo movendo multidões, era tratada como um underground inatingível, algo entre a clandestinidade e um segredo bem guardado. Aquele remix mostrou para o mundo pop que aquelas referências poderiam ser absorvidas pelas massas ao redor do mundo, abrindo caminho para toda a cena de dance music inglesa do início dos anos 90 (que ganhou o mundo com os Chemical Brothers, Prodigy e a trilha sonora do filme Trainspotting) e para a reinvenção do hip hop norte-americano no final daquela década, além de implodir as barreiras entre o indie rock inglês e a pista de dança e transformar o Primal Scream numa banda relevante até hoje (servindo como a semente que floresceu no estarrecedor Screamadelica). Num único gesto, Andrew Weatherall pariu parte considerável dos anos 90 e determinou uma realidade em que vivemos até hoje.

Abaixo, um pequeno clipe sobre a criação deste remix definitivo:

E de quebra, uma longa entrevista com o DJ na Red Bull Music Academy, em 2017:

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Ao mostrar o segundo single de seu próximo álbum, It Is What It Is, o ás baixista declara todo seu amor ao anime Dragonball Z, batizando inclusive a faixa de “Dragonball Durag”:

Groovezinho manhoso classudo, uma das vertentes favoritas deste soulman virtuoso, que tem até uma tatuagem do anime protagonizado por Goku. No início do ano, ele havia anunciado o sucessor do ótimo Drunk ao apresentar o single “Black Qualls”, além de mostrar a capa e a ordem das músicas do novo disco, que sai em abril e já está em pré-venda. E a versão do álbum do primeiro single, que ainda conta com Steve Lacy e Steve Arrington, ainda terá a participação de Childish Gambino – e é aí que o clima Funkadelic do single vai pro espaço de vez.

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“Lost in Space / Great Scott / 22-26”
“Innerstellar Love”
“I Love Louis Cole” com Louis Cole)
“Black Qualls” (com Steve Lacy, Steve Arrington e Childish Gambino)
“Miguel’s Happy Dance”
“How Sway”
“Funny Thing”
“Overseas” (com Zack Fox)
“Dragonball Durag”
“How I Feel”
“King of the Hill”
“Unrequited Love”
“Fair Chance” (com Ty Dolla $ign & Lil B)
“Existential Dread”
“It Is What It Is”