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Loki

Como se fosse 1995

pavement1995

O Pavement preparava-se para fazer mais shows este ano – a princípio nas duas edições, a lusitana e a catalã, do festival Primavera -, mas, como todos os artistas, teve que segurar as pontas, cancelar os shows e repensar seu futuro próximo. E como 1995 marca o 25° aniversário de seu clássico Wowee Zowee, sua gravadora Matador inventou um item colecionável para atiçar os ímpetos consumistas de seus fãs e criou um compacto em vinil em formato de balão – como o nome do grupo originalmente aparece no disco – reproduzindo a pintura da capa em um picture disc que traz duas músicas que ficaram de fora do álbum, “Sensitive Euro Man” e “Brink of the Clouds/Candylad”. As duas faixas já haviam sido reveladas quando o grupo revisitou o álbum na edição Sordid Sentinels em 2006, mas este formato é uma novidade para o grupo:

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O disco já está à venda no site da gravadora Matador – e tem edição limitada.

rita-lee-saude

Nossa Senhora do Rock Brasileiro deu notícias neste sábado de aleluia: Rita Lee, que cada vez tem se tornado mais reclusa, usou seu Instagram para dar uma mensagem de otimismo e pra mostrar que, apesar de tudo, ela está ótima, cantando a clássica “Saúde” acompanhada do marido Roberto de Carvalho.

“Enquanto estou viva e cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz” – esse “talvez” é pura modéstia, diz aí…

thenational2020

O grupo norte-americano The National estava preparando o lançamento da edição de aniversário de dez anos de seu disco de 2010 High Violet e pretendia começar a aquecer a expectativa do público lançando online o registro que os documentaristas D.A. Pennebaker e Chris Hegedus fizeram do show que o grupo fez para lançar o disco na suntuosa Brooklyn Academy of Music, em Nova York, quando a pandemia obrigou todo mundo a mudar seus planos uma vez que apresentações ao vivo tinham sido riscadas da programação do planeta. Aproveitando o material que tinha na agulha, o grupo lançou o show de 2010 na última segunda de março e estabeleceu o dia da semana como o dia do lançamento das íntegras de seus shows em seu canal no YouTube.

A sacada do grupo foi participar da primeira transmissão, fazendo os fãs do grupo assistirem ao show na hora em que ele é lançado, pois seus integrantes estariam online em suas casas comentando o show em tempo real. Batizaram o evento de An Exciting Communal Event e toda segunda, às 18h, eles comentam apresentações ao vivo de outras fases da banda. Baita ideia – simples e eficaz.

Como se não bastasse isso, o grupo ainda anunciou que reverteria todo o lucro de sua loja online para os doze integrantes de sua equipe ao vivo. “Nossa equipe é a alma das nossas turnês e se tornou uma família ao longo dos muitos anos em que trabalhamos juntos”, explicou o grupo em um anúncio. Belo gesto, ainda mais que a própria edição de dez anos do High Violet (que já está em pré-venda) também entra nesta conta. Muito bem.

pipo

O músico e produtor paulista Pipo Pegoraro começou o ano lançando seu ótimo Antropocósmico, disco de jazz funk instrumental que passeia pela música eletrônica, o pop do inicio dos anos 80 e pelo trip hop em uma viagem pesada ao lado do baterista Daniel Pinheiro, do trombonista Victor Fão e do percussionista Ricardo Braga. Pilotando sintetizadores e baixo, o músico e produtor lança o primeiro clipe deste trabalho em primeira mão no Trabalho Sujo, uma versão visual para a faixa-título em que o animador Vital Pasquale transformou o groove repetitivo da faixa em uma jornada retrô e psicodélica, misturando o espaço sideral, a geometria e o corpo humano como elementos de uma viagem intergalática – para dentro.

neonindian

O mexicano Alan Palomo, o nome por trás do Neon Indian, encontrou uma forma bondosa de prestar seu débito à italo house ao ser convidado para fazer um set para o festival italiano Ortigia Sound System. Dedicou sua hora de mixagem a esse delicioso subgênero da disco music que caminha entre o épico e o cafona, o romântico e o robótico e decidiu que os fundos arrecadados com esta colaboração iriam para ajudar às vítimas do coronavírus na região do festival, em Siracusa. E ele viaja bonito, mostrando uma faceta desconhecida para seus fãs.

Risque – “Starlight”
Spanish Crash – “Life is Now Pt. 2”
Gang – “KKK (Club Mix)”
Mito – “Unit (Incl. Toccata E Fuga in Re Minore)”
Radiators – “I am Sure”
Gaznevada – “Special Agent Man (Female Version)”
B.W.H. – “Stop”
Talko – “The Hustle (Instrumental)”
Silvie Stone – “Charming Prince ”
The Creatures – “Machine’s Drama”
S.C.O.R.T.A. – “Pertini Dance (1984 Italo Mustache Edit)”
M-Basic – “OK Run”
La Bionda – “I Wanna Be Your Lover”
Evo – “Din Don”
Domina – “You’ve Got my Soul”
Frank Tavaglione – “Tumidanda (Italian Diversion)”
Lowell – “No Matter”
Maurice Mcgee – “Do I Do (Edit)”
Peter Richard – “Marlene”
Clio – “Faces”
Fabio Xeno – “It’s Droad Day Light”
Plustwo – “Melody”
Patrizia Pellegrino – “Il Mondo Di Una Nuovola”
Videoclub – “Lost Time”
The Immortals – “Ultimate Warlord”
Casco – “Cybernetic Love”

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O guitarrista do Sonic Youth, Thurston Moore, aproveitou o período estranho da pandemia e quarentena para desenterrar uma música antiga e inédita do grupo Chelsea Light Moving, que inventou com os músicos que o acompanham em sua carreira solo, Keith Wood na guitarra, Samara Lubelski no baixo e John Moloney na bateria. A música “Sunday Stage” é de 2014 e a foto de divulgação, com a banda usando máscaras, foi tirada quando o grupo tocou no Japão. O resultado é o bom e velho noise melódico que esperamos de Thurston.

O grupo também lançou a brusca faixa “No Go”, esta gravada em 2013.

Foto: José de Holanda

Foto: José de Holanda

Mais que o pulmão do Metá Metá, Thiago França está intimamente ligado ao sistema circulatório da música em São Paulo, seja capitaneando sua Espetacular Charanga ou tocando com gente de todas as vertentes musicais, do improviso livre ao choro, da gafieira ao free jazz, da marchinha de carnaval ao rap, do samba rock à música de terreiro. Mestre do sopro, interliga saxes, flauta e pedais para criar climas tensos, atmosferas bucólicas, melodias familiares, ataques frontais, mas pôs-se ao desafio de torear seu próprio instrumento num disco dedicado apenas a ele, gravado todo em takes únicos e sem outros instrumentos ou efeitos de pós-produção.

O resultado é Kd Vcs, um disco que soa ao mesmo tempo ermo e populoso, contemplativo e agressivo, abstrato e pé no chão. Embora o lançamento do disco em abril já estivesse na agenda de Thiago desde o final do ano passado, o disco afina em vários níveis com a estranha sensação que estamos passando nestes dias de isolamento social. E não é apenas o título que remete a esta sensação solitária, pela extensão de menos de meia hora das sete canções, o instrumentista nos conduz a uma paisagem alienígena para que possamos olhar para dentro e nos reconhecer, como se o Doutor Manhattan de Watchmen pudesse levar cada um de nós para Marte e poder ver o que estamos fazendo com nosso planeta – e, portanto, com nós mesmos. Dá para ouvir ecos de samba, jazz e funk na forma que o saxofonista conduz seu timbre, mas ele abandona rótulos e sensações reconhecíveis numa queda livre em que, várias vezes, perdemos a noção da gravidade. Sem noção de onde é o chão, estamos soltos no espaço profundo explorado por Sun Ra, mas sem nenhum planeta nem a nave-mãe de George Clinton no horizonte, e a flutuação torna-se voo com o norte magnético apontado para o free jazz espiritual. Inspirado no livro Cujo, de Nuno Ramos (que também é autor da imagem da capa do disco), Kd Vcs é um mergulho pra cima em uma densidade desconhecida. O disco pode ser baixado no site do Thiago e eu conversei com ele por email sobre este gesto solitário.

Quando você percebeu que tinha de registrar este momento com seu instrumento e que teria que fazer isso sem outros músicos?
A vontade de ter um formato solo sempre me instigou, pelo quão inusual é prum saxofone, mas não queria que fosse algo só por fazer. Por volta de 2016 eu comecei a fazer as primeiras experiências, ainda como “ato de abertura” de algum show meu com banda. No começo era mais improvisação livre e algumas músicas já do meu repertório, e de cara eu senti que o mais interessante seria compor especificamente pra esse formato, um repertório pra existir assim, que fosse só o saxofone e não ficasse faltando nada, achei um bom desafio. Eliminei também os pedais porque saquei que seria um lance óbvio demais porque eu acabaria por emular a função dos outros instrumentos criando harmonias, padrões rítmicos, etc, e fui me envolvendo cada vez mais com a idéia de estar “nu” no palco. do No final de 2018, senti que tinha chegado nas músicas com o propósito que eu queria, fiz mais alguns shows no começo do ano seguinte e em setembro de 2019 (dia 10) gravei o disco. Mas a primeira centelha de fazer um disco mesmo foi quando eu gravei um solo de tenor na trilha do “Gira”, espetáculo do Grupo Corpo que o Metá fez a trilha.

O disco tem alguma inspiração direta, um disco em que também traga apenas um músico e seu instrumento?
Tem um saxofonista fodão chamado Collin Stetson, que toca sax baixo (que é mais grave ainda que o barítono), e com certeza vai rolar essa associação. Mas o lance do Collin é mais “completão”, ele usa mais camadas, ele canta as notas com a garganta enquanto toca, ele microfona o pescoço, as chaves do instrumento, então você ouve vários sons, tem hora que parece que tem percussão junto. Uma das músicas do meu disco, “Tarrasque”, foi bem inspirada nesses sons do Collin, onde eu também uso esse recurso de cantar com a garganta. Mas fora isso, muita coisa me instigou durante a vida toda. Há uns vinte anos atrás eu ia muito nos shows do Nenê (baterista) e achava incrível quando ele fazia os solos, dum jeito super melódico, uns momentos grandes durante o show. O próprio Hermeto tem sempre uns momentos que fica só ele. Ou mesmo que não fosse uma música inteira só uma pessoa, mas um trecho que tá só um cara tocando, fosse o Roscoe Mitchell, Pharoah Sanders, Eric Dolphy ou o Mingus…

Fale da influência do Nuno Ramos no disco, da capa ao livro Cujo.
Bom, foram uns anos até resolver o repertório, e depois que as músicas estavam todas compostas, os shows já tavam rolando no formato que seria o disco, obviamente me bateu uma nóia: legal, é um disco de saxofone solo, mas porra! é um disco de saxofone solo! eu comecei a achar chato, repetitivo, porque é só o saxofone, é só aquele mesmo som. Tudo bem, tem seus momentos distintos, mas no fim das contas, é só saxofone. E eu lembrei duma passagem do livro do Nuno onde ele descreve os materiais, pedra, argila, terra, e ele diz que dentro da pedra só tem pedra, dentro da terra, por mais que ele cave, só tem terra. A princípio me pareceu monótono, mas depois eu comecei a entender de outra forma, das coisas que são rigorosamente o que são, da beleza e do poder de sustentar uma idéia como profissão de fé, o comprometimento ritualístico com a essência das coisas – a pedra é pedra até o último grão. O mar vai ser sempre o mar e vai estar onde sempre esteve, é maravilhosamente acalentadora essa idéia, essa verdade, que o mar é mar até a última gota, é um porto seguro do nosso imaginário, do nosso sagrado. Num momento onde o mundo está a mentira é uma tática de guerra aceitável (fake news), acho muito essa imagem muito forte. O sax tenor é o meu porto seguro, é o meu “voltar pra casa”. E depois desse giro enorme, fui entrando em paz com a idéia materializar o disco. O nome vem de um disco do saxofonista Peter Brotzman, que em português é: “Eu estou aqui, aonde estão vocês?” e eu realmente “estou aqui”, o disco é um apanhado de idéias de quase 30 anos de saxofone, estou nu, meio que contando aqueles pensamentos mais malucos que a gente só abre quando tá meio bêbado pra quem a gente confia muito.

O disco está muito ligado ao conceito de respiração circular, quando você aprendeu essa técnica e como começou a usá-la?
Em 2001 eu tava na faculdade de música da UFMG – que eu larguei no começo – e o professor de saxofone, Dilson Florêncio, é um verdadeiro monstro, seguramente o saxofonista mais técnico que eu conheço no mundo, nunca ouvi ninguém tocando com a perfeição e excelência dele. E um dos folclores que circulavam na época é que ele tocava o Moto Perpétuo, do Paganinni no sax, originalmente um concerto pra violino que não tem pausa, e o Dilson tocava com respiração circular. E tocava mesmo, eu assisti isso ao vivo, umas das coisas mais impressionantes que eu vi na vida. Então tinha esse dado aí. Ele me explicou como fazia e é uma mecânica bem simples, só leva tempo pra limpar e fazer direitinho. O lance mesmo era o que fazer com isso. O saxofone é um instrumento melódico, é como se imitasse a voz. Imagina conversar com alguém que não para de falar nem pra respirar? Fui começando aos poucos, usando em alguns choros que tinham frases muito longas, só como um auxílio. Tentei tocar alguns choros usando a respiração na música inteira, tipo o “Voo da Mosca” do Jacob do Bandolim, mas no fim das contas ficava chato, me sentia mais executando um truque de mágica do que uma música, um virtuosismo barato. Também usei muito nos arranjos do Metá também, porque eu precisava soprar forte pra equiparar o som da guitarra e do baixo e acabava faltando ar, fui usando só pra completar as idéias. Mas foram quase vinte anos até chegar nessas sete músicas do disco e usar essa técnica aonde realmente tinha um propósito, incorporando a respiração como parte das composições.

Você antecipou o lançamento do disco por conta da pandemia? Como fará para trabalhar este disco nesta época nesta época estranha?
Pior que não. Eu tinha na cabeça que lançaria o disco em abril mesmo, quando baixasse a poeira do carnaval – o disco tá pronto desde novembro, com capa e tudo. O que eu não sabia mesmo era como trabalhar, porque é um show de 25 minutos, eu não seguro uma noite sozinho, sempre que eu faço divido a noite com alguém, e esse formato não-ortodoxo significa procurar lugares fora do roteiro convencional de shows. Tudo bem que é um disco super introspectivo, pra ouvir sozinho em casa mesmo, mas não precisa duma quarentena dessa pra isso, né? Daí quando começou o isolamento eu até pensei em não lançar, pra não ficar parecendo oportunismo nem entrar nessa paranóia de “quarentena de alta performance” que todo mundo se cobra de produzir, fazer mil coisas. Mas depois desencanei, porque convenhamos, mercadologicamente falando nunca é um momento propício pra se lançar um disco esquisito de saxofone solo.

thiagofranca-kdvcs

“Aguiã, Alufã”
“Ngoloxi”
“Dongô”
“Pescoço Curto”
“Tarrasque”
“Maercúria”
“Dentro da Pedra”

tanino

Quando a YB perdeu sua clássica sede na Vila Madalena, em São Paulo, um de seus sócios, o músico, produtor e compositor Maurício Tagliari deu a sorte de encontrar uma outra casa prontinha pra receber um estúdio de gravação no bairro de Higienópolis. Depois de transferir o equipamento para o novo imóvel, era hora de testar a acústica do local e no final do ano passado, Tagliari convidou alguns amigos para sessões de improviso no novo endereço. “Na sessão número 1 eu queria ouvir o resultado dos timbres de bateria e sopro, por isso reservei uma tarde e chamei o Thomas Garres e o Guizado. Chamei mais gente, mas como era final de ano, muita gente não podia. E eu não pensava em lotar a sala, até para entender melhor a acústica. O propósito era meramente técnico, mas com esses parceiros a probabilidade de sair algo muito bom era altíssima”, conta o guitarrista, que além de Harres e Guizado, também convidou o baixista pernambucano Pedro Dantas. Gravaram duas sessões com o nome de Tanino, trabalho que vem a público na próxima sexta. Uma destas, “Romã”, você ouve em primeira mão no Trabalho Sujo.

Não hove planejamento nem regras pré-estabelecidas. “Foi passar o som e gravar. O que acontece é que houve uma confluência enorme de referências e uma capacidade de audição de cada um que foi bem mágica”, continua Maurício. “Você percebe que não tem ego, as notas vêm e vão, os timbres dialogam. um inspira o outro. E o Thomas é o grande motor da dinâmica. Eu me concentrei em timbres, o Pedro acha as pulsações escondidas e o Guizado borda as melodias. Tudo muito intuitivo.”

Comento que há uma tendência recente a se registrar em discos sessões de improviso, algo que, mesmo em pequena escala, tem tornado-se comum em São Paulo. “É um tipo de música para poucos. infelizmente. só tem rolado em espaços pequenos e alternativos. Fora disso não vejo muita gente aqui no Brasil apostando nisso. No Centro da Terra, no Leviatã, Estúdio Bixiga e um poucos em outros lugares, os malucos se encontram. Mas é algo restrito. Pra mim é mais um exercício estético do que uma onda. Cresci musicalmente ouvindo free jazz. mas tem um ponto: improvisação muitas vezes é um enorme prazer para quem toca mas nem sempre para quem ouve! há vários tipos de som que podem entrar nessa categoria. Sou muito influenciado por Miles Davis e Art Ensemble of Chicago. Toquei e produzi muita coisa na vida, mas só de uns tempos para cá tenho projetos de improvisação lançados. Já tinha feito isso na Universal Mauricio Orchestra e mais recentemente no projeto Dúvidas da Juliana Perdigão. Eu gosto muito do resultado, queria que essa onda chegasse em mais gente. Mas somos os mais underground dos independentes.”

O trabalho são apenas duas músicas, “Romã”, de oito minutos, e “Cravo”, com dezesseis. “Não gastamos mais do que duas horas no estúdio, entramos para brincar. Passamos o som, gravamos a primeira, fomos ouvir e gravamos a segunda. Dali foi sair para comemorar o resultado. Inicialmente era só um teste mas gostamos tanto que decidimos lançar.” E agora fica a dúvida sobre o futuro próximo do grupo, que ainda não tocou ao vivo com público. “Um pouco antes da pandemia atacar a gente se reuniu para uma sessão de fotos de divulgação e decidiu que iria tentar uma residência semanal em algum lugar. Pelo simples prazer de tocar. Mas agora tudo parou, vamos nos contentar em ouvir o disco, por enquanto. É um som muito orgânico. Não dá vontade, ao menos para mim, de tentar algo online ou seja la o que for. tem que ser olho no olho.”

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O rapper baiano Baco Exu do Blues pegou todo mundo de surpresa ao adiar o álbum que lançaria este ano para antecipar um disco-relâmpago, Não Tem Bacanal na Quarentena, gravado há poucos dias. O disco é curto e funciona também como uma vitrine para os MCs do selo de Baco, 999 – mas o foco está todo nele, que fala da epidemia e da quarentena (“Tudo Vai Dar Certo”), das dores do autoconfinamento (“Preso em Casa Cheio de Tesão”), apoia o jogador Babu na atual edição do Big Brother (“Tropa do Babu”) e dispara contra Jair Bolsonaro ao som das panelas (“Amo Cardi B e odeio o Bozo”). Mas não o disco que ele me mostrou no final do ano passado que, pelo jeito, deve se chamar Bacanal mesmo.

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Engrossando o coro para manter todo mundo em casa, o grupo nova-iorquino Sonic Youth começou a abrir seu baú de shows ao vivo e vem desovando discos piratas de apresentações de toda a história da banda em seu Bandcamp, em todos os lugares do mundo: do CBGB’s em Nova York a Moscou, passando por Paris, Berlim, Glasgow e Moscou. O grupo já liberou 15 shows de todas as fases da banda – o mais antigo até agora é de 1983 e o mais novo de 2009. Clássico!