Leandro gigante, fez história de novo. Na apresentação ao vivo que fez no dia das mães e ameaçava tocar cinco horas seguida, Emicida ficou mais que oito horas ao vivo – SEM SENTAR -, tocou mais de cem músicas e arrecadou quase um milhão para a iniciativa Mães da Favela, organizado pela Cufa.
Sinistro. Um líder. Vale ver tudo de novo.
“Intro – É Necessário Voltar ao Começo”
“E.M.I.C.I.D.A.”
“Sozim”
“Rotina”
“Pra Mim (Isso é Viver)”
“Ainda Ontem”
“Pra Não ter Tempo Ruim”
“Só isso”
“Vô Buscar Minha Fulô”
“Por Deus, Por Favor”
“Preciso (Melô do Mundiko)”
“A cada Vento”
“Cidadão”
“Soldado sem Bandeira”
“Vai ser rimando”
“Um, Dois, Três, Quatro”
“Fica mais um Pouco Amor”
“Outras Palavras”
“Hey Rap!”
“Essa é Pra Você Primo”
“Eu tô Bem”
“É Como um Sonho”
“Quer Saber”
“Vacilão”
“E Agora?”
“Cê lá faz idéia?”
“Rinha”
“Isso Não Pode Se Perder”
“Então Toma”
“Emicidio”
“Santa Cruz”
“Rua Augusta”
“I Love Quebrada”
“Só Mais uma Noite”
“De Onde Cê Vem?”
“Novo Nego Véio”
“Avua Besouro”
“Beira de Piscina”
“Intro (Shiuuu)”
“Licença Aqui”
“Cacariacô”
“Viva! (Melô dos Vileiro)”
“Num é só Ver”
“Pequenas Empresas”
“Sorrisos e Lágrimas”
“9 Círculos (remix c/ Styles P & Fredddie Gibs)”
“Dedo na Ferida ”
“Nóiz”
“Zóião”
“Crisântemo”
“Sol de Giz de Cera”
“Hino Vira Lata”
“Samba do Fim do Mundo”
“Ubuntu Fristaili”
“Salve Black”
“8”
“”Casa”
“Amoras”
“Sodade”
“Trabalhadores do Brasil”
“Mufete”
“Aos Olhos de uma Criança”
“Inácio da Catingueira”
“Ordem Natural das Coisas”
“Chapa”
“Amigos (Língua Franca) + Velhos Amigos”
“Quem Tem um Amigo Tem Tudo”
“Pequenas Alegrias da Vida Adulta”
“Oásis”
“Cananéia, Iguape e Ilha Cumprida”
“Passarinhos”
“Ela Diz”
“Eu Gosto Dela”
“Sei Lá”
“Não Vejo a Hora”
“Alma Gêmea”
“Volúpia”
“Baiana”
“Madagascar”
“Pipa Avoada”
“9nha”
“Paisagem”
“Hoje Cedo”
“AmarElo”
“Bang”
“Gueto”
“A Chapa é Quente”
“Boa Esperança”
“Pantera Negra”
“Zica”
“Yasuke”
“Avua”
“Eminência Parda”
“Todos os Olhos em Nóiz”
“Ismália”
“Canção pros Meus Amigos Mortos”
“Mandume”
“Triunfo”
“Oooorra”
“Papel, Caneta e Coração”
“Levanta e Anda”
“Um Final de Semana”
“Mãe”
“Principia + Santo Amaro da Purificação”
A passagem de Little Richard – autoproclamado “o arquiteto do rock’n’roll” – fez toda a geração do rock clássico dos anos 60 vir a público reverenciá-lo. Dois gigantes, Paul e Dylan, escreveram textos emotivos saudando sua importância em suas contas no Twitter. Disse Paul:
“De ‘Tutti Frutti’ a ‘Long Tall Sally’, de ‘Good Golly, Miss Molly’ a ‘Lucille’, Little Richard entrou gritando na minha vida quando eu era adolescente. Devo muito ao que faço a Little Richard e seu estilo; e ele sabia disso. Ele dizia: “Ensinei a Paul tudo o que ele sabia”.
Tenho que admitir que ele tem razão. No começo dos Beatles, tocamos com Richard em Hamburgo e pudemos conhecê-lo. Ele nos deixava ficar em seu camarim, onde testemunhávamos seus rituais antes do show, com a cabeça debaixo de uma toalha sobre uma tigela de água quente fumegante e de repente, ele levantava a cabeça em direção ao espelho e dizia: ‘Não posso evitar, porque sou muito bonito’. E era. Um grande homem com um adorável senso de humor e alguém que fará falta pela comunidade do rock and roll e muito mais.
Agradeço a ele tudo o que ele me ensinou e a gentileza que demonstrou ao me deixar ser seu amigo. Adeus, Richard e a-wop-bop-a-loo-bop”
Depois disse Dylan:
“Acabei de ouvir as notícias sobre Little Richard e estou muito triste. Ele era minha estrela brilhante e a luz que guiava de volta quando eu era apenas um garotinho. O espírito dele era o que me levou a fazer tudo o que fiz.
Fiz alguns shows com ele na Europa no início dos anos 90 e ficava muito tempo com ele em seu camarim. Ele sempre foi generoso, gentil e humilde. E ainda era explosivo como intérprete e músico, você ainda pode aprender muito com ele.
Na presença dele, ele sempre foi o mesmo Little Richard que eu ouvi pela primeira vez e fiquei impressionado ao crescer e eu sempre fui o mesmo menino. Claro que ele viverá para sempre. Mas é como se parte de nossas vidas fosse embora.”
Veja outras homenagens de nossos ídolos ao seu ídolo:
— Mick Jagger (@MickJagger) May 9, 2020
So sad to hear that my old friend Little Richard has passed. There will never be another!!! He was the true spirit of Rock’n Roll! pic.twitter.com/yU1EJmjejU
— Keith Richards (@officialKeef) May 9, 2020
RIP Little Richard, a very sad loss. My thoughts are with his loved ones.
It’s Little Richard’s songs that pioneered rock’n’roll. I got to hear him and his band at the Newport Lounge in Miami and boy were they good. pic.twitter.com/JXgahhJAfk— Jimmy Page (@JimmyPage) May 9, 2020
https://twitter.com/BrianWilsonLive/status/1259138765420990464
God bless little Richard one of my all-time musical heroes. Peace and love to all his family. 😎✌️🌟❤️🎵🎶💕☮️ pic.twitter.com/H2lzKbX3tm
— #RingoStarr (@ringostarrmusic) May 9, 2020
MESSAGE FROM IGGY: „Dear Little Richard, thank you, RIP”
— Iggy Pop (@IggyPop) May 9, 2020
Little Richard changed everything for me. When he came over the airwaves the world was never the same.
— Robbie Robertson (@r0bbier0berts0n) May 10, 2020
Rest in Peace, Little Richard
love, yoko pic.twitter.com/VKa6bdsNxo— Yoko Ono (@yokoono) May 9, 2020
#LittleRichard
Rest in peace and power. pic.twitter.com/6rVEwF5AEd— Carole King (@Carole_King) May 9, 2020
Absolutely heartbroken this morning at also hearing the news of the passing of my bro & friend, the great Little Richard. From our connection through our mutual mentor, Bumps Blackwell, to recording “Money Is” & “Do It To It” for the $ soundtrack, to…https://t.co/jeHNYYobEP pic.twitter.com/aEJEQVuNN9
— Quincy Jones (@QuincyDJones) May 9, 2020
The loss of a true giant. My sincerest condolences go out to his family and friends. https://t.co/nzTDmQtLm7
— Nile Rodgers (@nilerodgers) May 9, 2020
https://twitter.com/SpikeLeeJoint/status/1259148330128424960
Little Richard was a performer so riveting, so extraordinary, that #JimiHendrix was his sideman and #JamesBrown his opening act. THANKYOU for everything. THANKYOU for rock n roll. https://t.co/9AiUcBaOhk
— Tom Morello (@tmorello) May 9, 2020
https://twitter.com/KristNovoselic/status/1259144051460157440
“Wasn’t I wonderful?!” — Little Richard, after telling him I loved his show when I met him in the ‘90s. Yes. Yes, you were. Long live Little Richard! pic.twitter.com/ziiVNo4Phh
— Jeff Tweedy (@JeffTweedy) May 9, 2020
Trancafiado em seu apartamento, como todos que podem, Rincon Sapiência escreve, rima, produz e dirige o clipe de seu single-relâmpago, a ótima “Quarentena (Verso Livre)”.
Voltando de carro de um show de São Paulo, em fevereiro do ano passado, o Oruã, do herói indie Lê Almeida, passou por Piraí, no interior do Rio de Janeiro, e finalmente realizou um encontro que vinha adiando há tempos – um dia de improviso com a dupla Kartas, velha conhecida da banda. Depois de mais de um ano debruçado sobre as fitas daquele encontro, Lê finalmente lança o registro daquele dia, batizado de Conjugations, em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Nos meses que antecederam essa gravação, a gente fazia intensas tours de carro com o Oruã – fomos até Natal, Goiânia e até o Uruguai – e em todas as vezes que passávamos por Piraí eu combinava de parar pela casa do Zozio e da Marcela, que tocam o Kartas. Me identifico muito com eles, não só musicalmente como artisticamente e na amizade”, lembra Lê. “Mas nunca rolava, porque as viagens eram sempre corridas. Mas nessa viagem especifica pra São Paulo, em fevereiro de 2019, o carro do Vini que sempre usávamos emprestado estava com a documentação atrasada e em cima da hora de viajar eu optei por trocar pelo carro do meu pai, sabendo que ele era mais velho e nunca tinha feito uma viagem desse porte e totalmente cheio.”
“Nós chegamos em cima da hora de tocar, recebemos uma multa por parar em lugar indevido, mas fora isso tudo correu bem”, Lê continua. “Em todas as viagens que fazíamos sempre viajava alguns amigos além de nós três e nessa viagem foi o David e o Bigú. O Bigú ficou lá em SP e trouxemos a Laura na volta. Chegamos num domingo à noite em Piraí e na segunda de manhã começamos a montar um esquema totalmente diferente de gravação do que costumávamos fazer, ao invés de gravarmos os instrumentos, gravamos o som da sala, posicionando os mics em lugares específicos.”
O encontro mistura o spoken word da vocalista Marcela com o improviso noise de uma formação diferente da que o Oruã costuma tocar, principalmente com a entrada do segundo Kartas, Zozio, na formação instrumental. “A Marcela canta, eu toco guitarra, Phill toca uma das baterias, Zozio toca a outra e alguns circuit bend, João Luiz toca o baixo e o David toca algumas percussões”, lembra Lê. “Tudo foi gravado num mesmo dia, mas em momentos diferentes, pela manhã, a tarde e a noite. As letras da Marcela guiaram muitos movimentos e algumas coisas a gente ia formando caminho”, continua.
“Foi um dia inteiro de improvisos, combinações de temas, banhos de piscina e muita troca de idéia”, ele prossegue. “Durante esse dia o pai da Marcela iria fazer uma cirurgia e o meu faria um ano de morto dali um pouco mais de um mês, as nossas energias harmonizavam em algum lugar.” Lê diz que a ideia não era criar uma banda nova, embora houvesse a possibilidade de repetir o encontro ao vivo, a partir de uma turnê com as duas bandas. “Agora nosso mundo já é outro”, explica, lembrando que sua casa de shows no Rio de Janeiro, o Escritório, segue fechado por conta da pandemia. “Nosso último evento, que seria a volta acabou, sendo o último. Ele continua depois da pandemia, fizemos um acordo no aluguel e vamos passar a soltar uns discos ao vivos gravados lá no bandcamp e vez ou outras vamos passar a soltar umas playlist no spotify e no mixcloud.”
No final de 1969, Frank Zappa encerrou as atividades de sua banda The Mothers of Invention, alegando ter tomado um prejuízo de dez mil dólares na turnê do grupo pelos EUA naquele ano. Mas os ex-integrantes dos Mothers – alguns deles inclusive voltaram a tocar com ele nos anos seguintes – acusavam-no de ser muito exigente e autoritário em sua liderança. O fato é que pouco tempo depois ele ressuscitou a banda com uma formação completamente diferente – começando os ensaios em maio de 1970, há exatamente meio século atrás. A nova formação – que agora chamava-se apenas The Mothers – contava com de Zappa na guitarra e vocais, os tecladistas George Duke e Ian Underwood, o baixista e guitarrista Jeff Simmons, três integrantes dos Turtles – o baixista Jim Pons e os vocalistas Mark Volman e Howard Kaylan, que não podiam se apresentar com seus nomes por razões contratuais e assinavam como The Phlorescent Leech and Eddie ou apenas Flo & Eddie – e o baterista inglês Aynsley Dunbar.
Essa formação, hoje considerada uma das mais clássicas na biografia do compositor norte-americano, é o centro da recém-anunciada caixa The Mothers 1970, que em quatro CDs, disseca o breve período em que ela esteve em atividade, até o início do ano seguinte, quando ela começou a se transformar à medida em que Zappa se envolvia com seu filme 200 Motels, lançado em 1971. Esse curto ano de atividade no entanto rendeu uma turnê que passou pelos Estados Unidos e Europa, além da gravação do clássico disco duplo Chunga’s Revenge, e a caixa traz os registros oficiais da época, incluindo apresentações ao vivo, sobras de estúdio e demos, em quase cinco horas de material inédito. Um aperitivo para a caixa, que vê a luz do dia no dia 26 de junho e já está em pré-venda, é o single “Portuguese Fenders”.
Disco 1
Trident Studios, London, England June 21-22, 1970
“Red Tubular Lighter”
“Lola Steponsky”
“Trident Chatter”
“Sharleena” (Roy Thomas Baker Mix)
“Item 1”
“Wonderful Wino” (FZ Vocal)
“Enormous Cadenza”
“Envelopes”
“Red Tubular Lighter” (Unedited Master)
“Wonderful Wino” (Basic Tracks, Alt. Take)
“Giraffe” Take 4
“Wonderful Wino” (FZ Vocal, Alt. Solo)
Disco 2
Live Highlights Part 1 – “Piknik” VPRO June 18, 1970 / Pepperland September 26, 1970
“Introducing…The Mothers” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“Wonderful Wino” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“Concentration Moon” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“Mom & Dad” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“The Air” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“Dog Breath” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“Mother People” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“You Didn’t Try To Call Me” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“Agon” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“Call Any Vegetable” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“King Kong Pt. I” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“Igor’s Boogie” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“King Kong Pt. II” (Live on “Piknik” June 18, 1970)
“What Kind Of Girl Do You Think We Are?” (Live at Pepperland September 26, 1970)
“Bwana Dik” (Live at Pepperland September 26, 1970)
“Daddy, Daddy, Daddy” (Live at Pepperland September 26, 1970)
“Do You Like My New Car?” (Live at Pepperland September 26, 1970)
“Happy Together” (Live at Pepperland September 26, 1970)
Disco 3
Live Highlights Part 2 – Hybrid Concert: Santa Monica August 21, 1970 / Spokane September 17, 1970
“Welcome To El Monte Legion Stadium!” (Live)
“Agon” (Live)
“Call Any Vegetable” (Live)
“Pound For A Brown” (Live)
“Sleeping In A Jar” (Live)
“Sharleena” (Live)
“The Air” (Live)
“Dog Breath” (Live)
“Mother People” (Live)
“You Didn’t Try To Call Me” (Live)
“King Kong Pt. I” (Live)
Igor’s Boogie” (Live)
King Kong Pt. II” (Live)
“Eat It Yourself…” (Live)
“Trouble Every Day” (Live)
“A Series Of Musical Episodes” (Live)
“Road Ladies” (Live)
“The Holiday Inn Motel Chain” (Live)
“What Will This Morning Bring Me This Evening?” (Live)
“What Kind Of Girl Do You Think We Are?” (Live)
Disco 4
Live Highlights Part 3 – FZ Tour Tape Recordings
“What’s The Deal, Dick?”
“Another M.O.I. Anti-Smut Loyalty Oath” (Live)
“Paladin Routine #1” (Live)
“Portuguese Fenders” (Live)
“The Sanzini Brothers” (Live)
“Guitar Build ’70” (Live)
“Would You Go All The Way?” (Live)
“Easy Meat” (Live)
“Who Did It?”
“Turn It Down!” (Live)
“A Chance Encounter In Cincinnati”
“Pound For A Brown” (Live)
“Sleeping In A Jar” (Live)
“Beloit Sword Trick” (Live)
“Kong Solos Pt. I” (Live)
“Igor’s Boogie” (Live)
“Kong Solos Pt. II” (Live)
“Gris Gris” (Live)
“Paladin Routine #2” (Live)
“King Kong – Outro” (Live)
Giancarlo Ruffato segue sua série de EPs gravada durante a quarentena lançando o segundo volume de suas Canções de Distanciamento Social. Desta vez, além da inédia “Hey, Este é o Meu Jeito de Suportar os Nossos Dias”, ele faz versões para Cascavellettes (“Lobo da Estepe”) e Roxette (“It Must Have Been Love”).
Com a morte de Little Richard, morre a alma do entretenimento moderno – sem ele não tinha Madonna, Michael Jackson, Rolling Stones, Beatles, James Brown, Prince… Mais do que um dos pais do rock’n’roll, ele – ao lado de outro santo, Chuck Berry – tingiu a música pop com a cor negra que a fez ganhar o planeta. A causa da morte ainda não foi revelada.
Formada para acompanhar o rapper BNegão em seu primeiro disco solo – Enxugando Gelo, de 2003 -, a banda Seletores de Freqüência está prestes a lançar seu primeiro álbum. Astral será lançado em junho deste ano, consolida o grupo como uma banda instrumental e o grupo descolou o primeiro single, “Piloto de Fuga (N° 2)”, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo. Aproveitei para conversar com o trompetista Pedro Selector, único integrante da formação original, que contava com o saudoso Fabio Kalunga no baixo, Pedro Garcia na bateria e Gabriel Muzak na guitarra em sua primeira formação, sobre esta nova fase da banda.
A capa e o nome das músicas do disco estão no final da entrevista.
Quando vocês começaram a entender que os Seletores são uma banda para além do trabalho do Bernardo?
Teve uma apresentação em São Paulo, em 2012, na Sala Funarte, que o Bê teve que sair no final do show porque tinha que pegar um vôo pro Rio pra tocar com o Planet Hemp, deu alguma confusão de agenda e os shows foram marcados no mesmo dia. Pra não cancelar, ficou combinado que ele tocaria o tempo que desse e ia correndo pro aeroporto. A gente seguiu o show, tocando umas versões instrumentais do repertório do BNSF e aproveitamos e colocamos uns temas que a gente estava compondo e que estavam sem letra ainda. Foi muito bom, a galera que tava lá adorou e reagiu superbem. Acho que o peteleco inicial foi aí. Lá pra 2014, a gente tava bolando mesmo um disco instrumental, que seria produzido pelo Bê, mas acabou que veio o Transmutação e mudou tudo, já que o foco passou a ser esse disco, que saiu em 2015. No ano seguinte, eu peguei quatro sons que a gente começou a gravar e tinham ficado de lado por conta do Transmutação e botei pilha na galera pra finalizar e lançar como Seletores de Frequência. Esse foi o EP SF. Foi legal poder mostrar que a gente não era somente a banda do Bê, que a gente também compunha e que representávamos total o sentimento de ser uma banda. Nisso, conseguimos engrenar alguns shows só nossos, chegamos a tocar no palco instrumental da Virada Cultural de São Paulo em 2018.
Quem é a banda hoje? Desde quando vocês mantém essa formação?
A banda hoje sou eu, Pedro Selector, no trompete, Robson Riva na batera, Sandro Lustosa na percussão, Nobru Pederneiras no baixo, Gilber T na guitarra e Marco Serragrande no trombone. É a mesma formação que acompanha o Bê nos shows. O Nobru já tinha entrado pra tocar com no BNSF no lugar do Kalunga, porque o Kalunga tinha resolvido sair da banda, isso foi antes dele falecer, tipo um ano antes. Fica registrado aqui tb que esse disco todos nós dedicamos a ele, nosso amigo e irmão, Fabio Kalunga.
Então, o Nobru já vinha tocando com a gente e tal, e rolou o convite do Dado Villa-lobos e do produtor Estevão Casé pra gravar o disco e lançar pela Rockit!, isso em 2017. Só que durante a pré-produção, antes mesmo de ir pro estúdio da Rockit! o Fabiano Moreno, que era o guitarrista resolveu sair da banda. A gente conversou e como o Bruno também toca guitarra decidimos que ele ia gravar as guitarras do disco. Daí o Estevão sugeriu chamar o Pedro Dantas pra gravar os baixos, tocando da maneira dele as linhas de baixo que o Nobru tinha criado. Ficou animal. Tivemos ainda as participações fundamentais do Bidu Cordeiro, no trombone, do Thiago Queiroz no barítono, do Rodrigo Pacato na percussão e do Roberto Pollo no Hammond. Foi muito importante ter essa galera somando com a gente, no momento que a banda tava se re-inventando e prestes a começar uma nova etapa. O último a entrar foi o Gilbert, camarada de longa data, tocamos em outros projetos juntos, justamente porque pintou o show da Virada e a gente precisava definir a formação da banda. Das deu super certo e seguimos até hoje.
Por que vocês escolheram em se manter como uma banda instrumental e sobre como você vê a tradição de grupos de música instrumental no Brasil.
Essa escolha foi natural, muito pq as letras do Bê são um referência muito forte pra tanta gente e pra nós também, acho que se a gente quisesse escrever ia ser impossível seguir como Seletores de Frequência, né? Mas como unidade sonora, acredito que nós temos um DNA bem definido do nosso som, que flui por todo o trabalho junto com o Bê, que diz muito o que a gente é pela música, somente. E pelo prazer mesmo que temos em tocar junto e da liberdade também que a música instrumental proporciona, de não direcionar o sentimento de quem ta escutando com palavras, e sim só com as melodias; Aqui no Brasil, acredito que a gente dialoga com os grupos contemporâneos que fazem música instrumental sem ser aquele velho clichê do músico que sola pra caramba. Tem a Nômade Orquestra que curto muito, o Bixiga 70, a Abayomi, tem a turma do Beach Combers. Em termos de tradição, eu vou puxar pro lado da Banda Black Rio, do Fogo nos Metais do maestro Portinho, daquele suíngue esperto do Azymuth, do samba-no-prato do Edison Machado, J.T. Meirelles a gente vai bebendo nessas fontes. Tem aquele disco do Wilson das Neves também, O Som Quente, referência total.
Que outras influências musicais vocês têm?
Além das que citei, tem uma influência brutal pra nossa maneira de tocar que são os instrumentais dos Beastie Boys. Acho aquela essência ali muito foda, porque todos tocam pra música e acho que a gente tem essa mesma pegada. Não ser só uma gastação de onda. Ser um som verdadeiro ali, natural e sem estrelismos.
Como vocês vão fazer para lançar um disco durante a quarentena?
A gente levou quase dois anos pra terminar o disco, entre idas e vindas no estúdio, muito também por conta de outros compromissos, por vezes a gente ficava meses sem mexer em nada e dali a pouco andava mais um cadinho com a gravação. O disco ficou pronto em novembro do ano passado, mas achamos melhor esperar pra lançar depois do carnaval, aquele clássico. Daí veio a pandemia, todo mundo ficou meio desmotivado. Foi o Bê que me ligou um dia botando pilha, falou algo do tipo – “mano, o disco de vocês tá pronto? Lança essa parada que vai ajudar muita gente nesse momento bizarro que estamos passando”. Fiquei com isso na cabeça e realmente não tinha porque segurar mais. Sei que não temos ideia de quando iremos poder apresentar o disco ao vivo, num show, mas pelo menos saber que ele vai estar sendo escutado nesse momento que tá todo mundo bolado, que ele possa talvez ajudar a trazer algum conforto sonoro pra pessoas já vale tudo.
“Piloto de Fuga (No 2)”
“Tony Árabe”
“Só Pra Salvar”
“Boca Maldita”
“Riva Doobie”
“Trem do Cão”
“Biza”
“Sambatido”
“…E Segue o Baile!”
“Fumaça”
“Leva Fé (Lá)”
No clipe de “Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo)”, canção feita em homenagem ao grande Wilson das Neves, Emicida transforma-se numa versão brasileira do super sayajin Goku, herói da infância do rapper que ele já havia citado em várias letras, e com isso seus parceiros de canção – Zeca Pagodinho, a banda Tokyo Ska Paradise Orchestra e os Prettos – também se metamorfoseiam em personagens do anime do estúdio Toei.
“Desde que eu ouvi o disco pela primeira vez – e que disco! -, ‘Veneno’ chamou a minha atenção”, me explica Carlos Costa, sobre o edit que fez em cima de uma das músicas mais marcantes do segundo disco solo de Kiko Dinucci, o ótimo Rastilho. “Ela tem um pulso que é quase mágico: o riff do Kiko na parte do verso é praticamente um loop e o flow do Ogi é meio percussivo. Toda vez que eu ouvia, eu só conseguia imaginar era um bumbo 4×4 em cima desse pulso. Primeiro tinha pensado em fazer uma coisa mais do zero, só pegar a parte do “o rapaz é belzebu” – que tá ali na versão final – e construir uma música em torno desse sample, meio inspirado nos remixes do Soulwax. Mas eu gosto tanto da letra que fui por esse caminho do edit e uso a faixa quase inteira, colocando bateria e percussão em cima. Diminui um pouco o andamento, botei um baixo e o synth que é a coisa mais outsider do caminho orgânico que a faixa tem.” Carlão publicou com seu pseudônimo Cacos, ficou demais:
O edit sai junto com o minidocumentário que o diretor pernambucano Luan “Casinha” Cardoso fez durante as gravações do disco no ano passado. Bem foda:











