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O produtor canadense Dan Snaith, o dono do Caribou, segue deschavando o disco que lançou no começo do ano, o ótimo Suddenly, dando faixas na mão de alguns conhecidos para que eles possam dar seus tratos ao disco. E depois de passar “Never Come Back” na mão do produtor norte-americano Morgan Geist, agora ele passa a mesma faixa para o chapa Kieran Hebden. E o remix que Four Tet faz para a faixa, a mantém no mesmo plano musical, mas a leva para uma estratosfera sônica, enquanto a transforma num sobrevoo noturno… Bem foda.

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Não tinha visto Star Wars Origins, curta inglês dirigido pelo fã Phil Hawkins e lançado no fim do ano passado, antes do catastrófico nono episódio de Guerra nas Estrelas. Filmado no Marrocos com efeitos especiais do estúdio Flipbook, o filme se passa na Segunda Guerra Mundial e mostra como um pequeno incidente pode ter inspirado duas das maiores sagas da história do cinema.

Não grile se seu olho começar a lacrimejar…

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A primeira vez que Tatá Aeroplano me falou sobre Delírios Líricos, no segundo semestre do ano passado, o disco ainda não tinha nome e tinha acabado de ser gravado – e as novas canções já carregavam uma qualidade ao mesmo tempo solene e solitárias. Meses depois daquele primeiro papo – depois de ele ter mostrado algumas destas novas canções no espetáculo Um Brinde à Mãe da Lua, que fez em novembro no Centro da Terra, e depois de lançar o primeiro single “Alucinações” em março aqui no Trabalho Sujo, dias antes de entrarmos em quarentena -, o mister saca o novo álbum quase que de surpresa e chega a impressionar como a atmosfera do disco conversa com o clima estranho e introspectivo desses dias de quarentena que estamos atravessando.

“É delírio meu valorizar assim a solidão”, cantarola triste o refrão de “Trinta Anos Essa Noite”, reforçando, na faixa-título, que “quando o tempo parou fazia silêncio”, enfileirando canções melancólicas que olham para dentro. “Sinto que algumas músicas conversam com o momento que estamos vivendo, talvez pelo fato de terem sido criadas num momento que eu mergulhei fundo na introspecção”, ele me conta por email. “Semanas antes de lançar o disco eu fiquei lembrando de algumas letras que batem com esse momento atual, são muitos sentimentos juntos. Quando entramos em quarentena eu fiz essa conexão com as canções logo de cara.”

É seu quinto álbum solo e o sexto que grava com a mesma formação de músicos que o acompanha desde o início da década, com Junior Boca na guitarra, Dustan Gallas no baixo e sintetizadores e Bruno Buarque na bateria e percussão (o outro álbum com o grupo foi Vida Ventureira, que dividiu com Bárbara Eugenia), sempre no estúdio Minduca, deste último. “Viramos uma banda, começamos o primeiro álbum em dezembro de 2011 e de lá pra cá nos tornamos amigos, parceiros de discos, de histórias e de estrada”, ele lembra, elencando também um quinto elemento. “O mister Lenis Rino grava com a gente desde o álbum Na Loucura & Na Lucidez, fazendo percussões, capturando o som dos discos e tá colado com a gente nos shows ao vivo.”

Ele conta como o disco começou a tomar forma. “Antes de gravar Delírios Líricos, tivemos a ideia de trazer algumas sonoridades, sensações e viagens dos discos anteriores, não foi uma coisa muito pensada, mas jogamos essa semente”, continua. “Os discos são gravados em uma semana, então é um mergulho intenso no material, buscamos manter o astral lá em cima e fazer tudo com calma. Gravamos as bases ao vivo, eu aproveito pra colocar os vocais. O Bruno Buarque sempre traz novidades pro estúdio, instrumentos e equipamentos novos que acabam entrando no disco. Essa intimidade faz com que a gente muitas vezes nem se dê conta do que estamos fazendo, flui num tipo de loucura boa.” O disco ainda conta com vocais de Bárbara Eugenia e da companheira de Tatá, Malu Maria, que ainda toca flauta na faixa “Cabeças Cortadas”, além do acordeon da gaúcha Biba Graeff em “Amoras Na Beira Do Rio” e do trompete de boca de Beto Lanterna em “O Silêncio das Serpentes”.

Pouco antes da gravação, Tatá começou a compor outras músicas além das que havia trazido originalmente para o estúdio – destas dez primeiras escolhidas, só três acabaram no álbum. “As novas músicas apareceram com muita força, mais introspectivas, mais misteriosas”, lembra-se. “Uma semana antes da gravina, me debrucei nesse novo material e fui arredondando, colocando sentimento, entortando. “Cabeças Cortadas” foi composta dentro do estúdio Minduca, durante a semana de gravação. O disco tomou uma dimensão mais solene, um pouco mais soturna, eu estava escutando muito Nick Cave, Arnaldo Batista e também rolou o fato de que quatro músicas surgiram na mesma madruga. Eu ganhei uma garrafa de pisco do amigo Carlos, integrante da banda Macabea. Numa sexta de julho, lá pelas 23h, lembrei que tinha essa garrafa de Pisco e animei tomar uma dose, peguei o violão e saiu “Alucinações” e “O Silêncio Das Serpentes”, registrei elas no gravador do celular e fui dormir. Quando deu cinco da manhã acordei cantando a melodia de “Amoras Na Beira Do Rio”, fui pra sala, peguei o violão, escrevi ela e quando terminei, veio na sequência, “Réquiem Para Um Sonho”, já era sábado, dia 20 de julho, dia que fizemos um show memorável com a banda toda na Casa do Mancha”.

No repertório, apenas uma música não é de sua autoria, “Alucinações”, de Jorge Mautner. “Eu pirei com o álbum Revirão, escutei demais e “Ressurreições” me acompanhou por infinitas caminhadas. Incluí ela nos meus sets, quando era residente nas noites de sábado no Studio SP nos anos 2008, 2009, 2010 e sempre sonhei em fazer uma versão para ela. Em 2014 eu tirei ela no violão, comecei a tocar nos shows que eu faço no formato voz e violão, e foi uma realização gravar ela pra esse novo álbum.”

Recolhido há dois meses, ele conta sobre como soube da seriedade do drama que estamos atravessando. “Tô em casa desde o dia 12 de março, depois que eu vi uma live do Torturra. Se não engano, foi no dia que foi decretada a pandemia. Me dei conta da gravidade da coisa e me preparei com a Malu Maria para esse período. A gente decidiu não sair mais”, conta. “Nas últimas semanas consegui organizar melhor as ideias, passar cada dia por vez, estabeleci uma rotina, tempo para parcerias, para escutar lançamentos, continuo lendo bastante e escutando muita música. Como eu te falei, tenho acompanhado o Climatias logo pela manhã e curtindo pacas, me dá energia e ânimo pra seguir legal pelo resto do dia. Tive um pouco ansiedade no início e para conseguir manter a cabeça no lugar estabeleci com alguns amigos, trocas de mensagens diárias, com alguns troco emails como se fosse cartas, filosofamos, falamos de música, política e várias coisas, são momentos onde deixo o inconsciente agir.”

Mas apesar dos dias enclausurados, Tatá não para. “Delírios Líricos é um álbum de canções, e já temos uma ideia para o próximo disco, que é fazer algo totalmente fora do que fizemos até agora. Já temos uma parte do material, uns anos atrás começamos a criar coletivamente no estúdio, junto com o DJ Marco, então vamos voltar nesse material que começamos a gravar com ele para produzir um material novo.”

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Quem está acompanhando o CliMatias já sabe que eu comecei um programa de entrevistas semanal no fim de semana passado – que a princípio fica online primeiro para quem contribui com o meu trabalho (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com). Mas na terça-feira abro o programa pra todo mundo, portanto, olha aí a primeira edição, em que eu continuo o papo com o Bruno Torturra, desta vez puxando mais pras suas principais áreas de atuação: jornalismo e psicodelia. E é claro que isso se mistura com vários outros assuntos… Saca só:

E quem você quer que eu entreviste nos próximos programas? Diz aí…

Dreampop da ilha

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Que alegria descobrir que as meninas do quarteto catarinense La Leuca transformaram o show que fizeram no ano passado no Centro Cultural São Paulo, quando eu era curador de música de lá, em um disco ao vivo, lançado em plena quarentena. Em Ao Vivo @ CCSP elas exibem sua doce e frágil psicodelia indie ao mesmo tempo em que nos hipnotizam com riffs e solos de guitarra.

Abaixo, o vídeo que fiz desta mesma apresentação:

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Participo nesta terça, às 16h, de um papo com o baterista Theo Cecato da banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo no Instagram da banda. Vamos conversar sobre shows históricos da minha vida, seja lá o que isso queira dizer. Confere lá.

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Um dos personagens mais importantes dos bastidores da história do rock, o jornalista, DJ e radialista inglês John Peel estava sempre buscando novidades na música pop a partir de seu programa na emissora Radio 1, da BBC. Desde o final dos anos 60, ele foi um dos primeiros a dar atenção a fenômenos musicais como o rock psicodélico, o rock progressivo, o punk, o pós-punk, o dub e o indie rock, entre outros e desde o início dos anos 70, apresentava estes novos artistas em gravações ao vivo nos estúdios da rádio que, aos poucos, ficaram conhecidas como Peel Sessions, chegando a se tornar inclusive discos oficiais de vários grupos clássicos, lançados como EPs pelo selo Strange Fruit, do próprio Peel.

Foram mais de quatro mil sessões em 37 anos, com mais de dois mil artistas diferentes, incluindo nomes como Bob Marley, Syd Barrett, Kinks, Thin Lizzy, Nick Drake, Roxy Music, T-Rex, Buzzcocks, Can, David Bowie, Roxy Music, Joy Division, Gang of Four, Specials, Slits, Wire, New Order, Elvis Costello, Cocteau Twins, XTC, Cure, Smiths, The Fall, Big Black, Echo & The Bunnymen, Nirvana, Jesus & Mary Chain, Sonic Youth, Fairport Convention, Happy Mondays, Pulp, Elastica, Mogwai, Galaxie 500, Breeders, Four Tet, Mercury Rev, Pavement, Ween, PJ Harvey e muito mais.

Como boa parte destas sessões estava no YouTube, o blogueiro inglês Dave Strickson deu-se ao trabalho de reunir o link para quase mil delas em seu site. É música que não acaba mais – um senhor trabalho, que o próprio Strickson promete seguir alimentando… Eis algumas pérolas:

Tudo lá no site do Strickson.

cutcopy2020

Lançando o primeiro single em dois anos, a bela e tranquila “Love Is All We Share”, o grupo australiano Cut Copy tira o pé da pista de dança e se joga numa introspecção quase ambient que acaba conversando – e bem – com esses dias de reclusão forçada.

Foto: Julio Benedito (Divulgação)

Foto: Julio Benedito (Divulgação)

Leandro gigante, fez história de novo. Na apresentação ao vivo que fez no dia das mães e ameaçava tocar cinco horas seguida, Emicida ficou mais que oito horas ao vivo – SEM SENTAR -, tocou mais de cem músicas e arrecadou quase um milhão para a iniciativa Mães da Favela, organizado pela Cufa.

Sinistro. Um líder. Vale ver tudo de novo.

“Intro – É Necessário Voltar ao Começo”
“E.M.I.C.I.D.A.”
“Sozim”
“Rotina”
“Pra Mim (Isso é Viver)”
“Ainda Ontem”
“Pra Não ter Tempo Ruim”
“Só isso”
“Vô Buscar Minha Fulô”
“Por Deus, Por Favor”
“Preciso (Melô do Mundiko)”
“A cada Vento”
“Cidadão”
“Soldado sem Bandeira”
“Vai ser rimando”
“Um, Dois, Três, Quatro”
“Fica mais um Pouco Amor”
“Outras Palavras”
“Hey Rap!”
“Essa é Pra Você Primo”
“Eu tô Bem”
“É Como um Sonho”
“Quer Saber”
“Vacilão”
“E Agora?”
“Cê lá faz idéia?”
“Rinha”
“Isso Não Pode Se Perder”
“Então Toma”
“Emicidio”
“Santa Cruz”
“Rua Augusta”
“I Love Quebrada”
“Só Mais uma Noite”
“De Onde Cê Vem?”
“Novo Nego Véio”
“Avua Besouro”
“Beira de Piscina”
“Intro (Shiuuu)”
“Licença Aqui”
“Cacariacô”
“Viva! (Melô dos Vileiro)”
“Num é só Ver”
“Pequenas Empresas”
“Sorrisos e Lágrimas”
“9 Círculos (remix c/ Styles P & Fredddie Gibs)”
“Dedo na Ferida ”
“Nóiz”
“Zóião”
“Crisântemo”
“Sol de Giz de Cera”
“Hino Vira Lata”
“Samba do Fim do Mundo”
“Ubuntu Fristaili”
“Salve Black”
“8”
“”Casa”
“Amoras”
“Sodade”
“Trabalhadores do Brasil”
“Mufete”
“Aos Olhos de uma Criança”
“Inácio da Catingueira”
“Ordem Natural das Coisas”
“Chapa”
“Amigos (Língua Franca) + Velhos Amigos”
“Quem Tem um Amigo Tem Tudo”
“Pequenas Alegrias da Vida Adulta”
“Oásis”
“Cananéia, Iguape e Ilha Cumprida”
“Passarinhos”
“Ela Diz”
“Eu Gosto Dela”
“Sei Lá”
“Não Vejo a Hora”
“Alma Gêmea”
“Volúpia”
“Baiana”
“Madagascar”
“Pipa Avoada”
“9nha”
“Paisagem”
“Hoje Cedo”
“AmarElo”
“Bang”
“Gueto”
“A Chapa é Quente”
“Boa Esperança”
“Pantera Negra”
“Zica”
“Yasuke”
“Avua”
“Eminência Parda”
“Todos os Olhos em Nóiz”
“Ismália”
“Canção pros Meus Amigos Mortos”
“Mandume”
“Triunfo”
“Oooorra”
“Papel, Caneta e Coração”
“Levanta e Anda”
“Um Final de Semana”
“Mãe”
“Principia + Santo Amaro da Purificação”

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A passagem de Little Richard – autoproclamado “o arquiteto do rock’n’roll” – fez toda a geração do rock clássico dos anos 60 vir a público reverenciá-lo. Dois gigantes, Paul e Dylan, escreveram textos emotivos saudando sua importância em suas contas no Twitter. Disse Paul:

“De ‘Tutti Frutti’ a ‘Long Tall Sally’, de ‘Good Golly, Miss Molly’ a ‘Lucille’, Little Richard entrou gritando na minha vida quando eu era adolescente. Devo muito ao que faço a Little Richard e seu estilo; e ele sabia disso. Ele dizia: “Ensinei a Paul tudo o que ele sabia”.

Tenho que admitir que ele tem razão. No começo dos Beatles, tocamos com Richard em Hamburgo e pudemos conhecê-lo. Ele nos deixava ficar em seu camarim, onde testemunhávamos seus rituais antes do show, com a cabeça debaixo de uma toalha sobre uma tigela de água quente fumegante e de repente, ele levantava a cabeça em direção ao espelho e dizia: ‘Não posso evitar, porque sou muito bonito’. E era. Um grande homem com um adorável senso de humor e alguém que fará falta pela comunidade do rock and roll e muito mais.

Agradeço a ele tudo o que ele me ensinou e a gentileza que demonstrou ao me deixar ser seu amigo. Adeus, Richard e a-wop-bop-a-loo-bop”

Depois disse Dylan:

“Acabei de ouvir as notícias sobre Little Richard e estou muito triste. Ele era minha estrela brilhante e a luz que guiava de volta quando eu era apenas um garotinho. O espírito dele era o que me levou a fazer tudo o que fiz.

Fiz alguns shows com ele na Europa no início dos anos 90 e ficava muito tempo com ele em seu camarim. Ele sempre foi generoso, gentil e humilde. E ainda era explosivo como intérprete e músico, você ainda pode aprender muito com ele.

Na presença dele, ele sempre foi o mesmo Little Richard que eu ouvi pela primeira vez e fiquei impressionado ao crescer e eu sempre fui o mesmo menino. Claro que ele viverá para sempre. Mas é como se parte de nossas vidas fosse embora.”

Veja outras homenagens de nossos ídolos ao seu ídolo:

https://twitter.com/BrianWilsonLive/status/1259138765420990464

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Without a doubt – musically, vocally and visually – he was my biggest influence. Seeing him live in my teens was the most exciting event in my life at that point. Goosebumps, electricity and joy came from every pore. His records still sound fresh and the opening few seconds of “Tutti Frutti” are the most explosive in music history. I was lucky enough to work with him for my “Duets” album in 1993. He was shy and funny and I was SO nervous. The track we recorded “The Power” is a favourite in my catalogue. We also played live at the Beverly Hilton and I felt like I’d died and gone to heaven. He influenced so many and is irreplaceable. A true legend, icon and a force of nature. #RIP Little Richard Love, Elton x #LittleRichard

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