
Pouca festa? Pois neste sábado tem mais, quando eu, Camila e Clarice baixamos no Bubu com a benção do mister Claudinho pra mais um Desaniversário: você sabe, nossa festa para adultos que começa cedo e acaba cedo pra todo mundo dançar até não aguentar mais e ainda ter disposição para encarar domingo. Prepare as solas dos pés e os quadris porque é dia de dançar sem parar!

Tem coisas que só no Inferninho Trabalho Sujo… No meio do showzaço que a Grand Bazaar fez nessa sexta-feira do Picles, alguém da plateia chega nos saxofonistas João Barisbe e Fernando Sagawa. Conversa vai, conversa vem, o sujeito parece se entender com os dois e sai da frente do palco. Logo depois surge com um case, puxa um sax de dentro e rasga um solo no meio da folia balcânica do sexteto, que dominava a plateia sem a menor dificuldade, fazendo todo mundo agachar e pular, terminando a apresentação botando o público do Picles numa roda que tomava conta de todo o lugar. Depois da banda, eu e a Fran botamos a casa abaixo, como de praxe (ainda mais quando a festa cai na sexta, afff). E fica aqui o registro das ideias que brotaram no camarim: o show Grand Bazaar toca Skank (me chama que eu dirijo hahahah) e o bloco carnavalesco Grand Blooco. Pra ninguém dizer que esqueceu, hein.
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Será que o segundo ato da Beyoncé pós-pandemia está vindo aí? O rumor sobre a continuação de seu disco de 2022 estava contido no título, quando a maior estrela do planeta atualmente batizou o melhor disco do ano passado de Act I: Renaissance. As especulações sobre um movimento de três atos – a divisão clássica das peças de teatro – e sobre quando os outros capítulos viriam surgiram logo em seguida do lançamento súbito daquele discaço. E como Beyoncé batizou o disco com o título uma das fases da história da arte, a Renascença, logo começaram as especulações que o segundo ato viria com o título do movimento seguinte, o Iluminismo (e o terceiro seria o Romantismo, o Modernismo ou a Revolução – de acordo com o exercício de imaginação dos fãs até aqui). Acontece que nesta quinta-feira, o jornalista José Roberto Flesch antecipou a vinda da nova turnê de Beyoncé para o Brasil em 2024, uma vez que a excursão do primeiro ato não passou por aqui, e ao publicar que a turnê se chamaria Enlightenment | Illuminism Act II em sua conta no Twitter, teve que apagar o tweet devido a partes envolvidas na negociação, embora tenha mantido a especulação sobre a vinda da deusa para o Brasil no ano que vem. E será que o disco sai ainda esse ano? Dez anos atrás ela fez algo parecido, quando lançou seu Beyoncé depois que todo mundo já tinha escolhido os melhores discos do ano, em pleno dezembro. Ah mulher…

2023 nem terminou e as Sleater-Kinney já anunciam 2024: Corin Tucker e Carrie Brownstein adiantaram o sucessor do ótimo Paths of Wellness, de 2021, ao apresentar seu primeiro single, com um ótimo clipe. “Hell” traz a multiartista Miranda July se entregando ao domínio das guitarras da dupla e é a faixa de abertura do disco Little Rope, que está programado para sair no dia 19 de janeiro do ano que vem e já está em pré-venda. E elas já emendaram anunciando 30 datas em menos de três meses logo no início do ano – alguém bem que podia trazê-las pro Brasil, hein…
Assista o clipe abaixo, onde também dá pra ver a ordem das faixas do novo álbum: Continue

Sigo desbravando lugares para fazer shows e dessa vez vamos colocar música no cinema. Retomo a sessão Trabalho Sujo Apresenta no final de outubro ao apresentar uma proposta que a cantora e compositora Luíza Valle me fez, um show para celebrar as canções de Joni Mitchell quando ela completa 80 anos. No show Both Sides Now: Joni Michell por Luíza Valle, ela apresenta as canções da trangressora cantora e compositora canadense em ordem cronológica, tanto tocando solo ao violão quanto acompanhada de sua banda. A apresentação acontece no clássico Belas Artes, no dia 31 de outubro, logo após a exibição do documentário Echo in the Canyon (dirigido por Andrew Slater, 2018), que conta a história da cena californiana na qual a canadense floresceu. Apresentado pelo filho de Bob Dylan, Jakob, Echo in the Canyon conta a história da vizinhança de Lauren Canyon, bairro de Los Angeles que tornou-se polo de atração para toda uma geração de músicos norte-americanos que, influenciado pela psicodelia inglesa dos Beatles, começou a mudar a cara da música pop dos anos 60, reunindo artistas tão diferentes quanto os Beach Boys, The Mamas & The Papas, The Doors e Frank Zappa. O documentário reúne cenas de época e entrevistas com protagonistas desta cena como Brian Wilson (Beach Boys), Michelle Phillips (Mamas & Papas), Stephen Stills (Buffalo Springfield), David Crosby e Roger McGuinn (Byrds), Neil Young e artistas contemporâneos fãs daquele movimento, como Beck, Fiona Apple, Cat Power e Norah Jones. A apresentação dupla acontece no dia 31 de outubro, a partir das 20h30 e os ingressos já estão à venda neste link.

Enquanto o tempo não se decide entre chuva, calorão ou frio, uma coisa a gente garante: a temperatura no Inferninho Trabalho Sujo é sempre quente! E em mais uma edição na sexta-feira, eu e Francesca Ribeiro estamos dispostos a fazer todo mundo se acabar de dançar ao chamado da renascença beyonceística, desbravando todas as fronteiras musicais que façam as pessoas sair do chão. Mas antes disso temos o prazer de começar a noite com o galope desenfreado do Grand Bazaar, hidra de multicabeças que também não deixa ninguém parado, seja canalizando energias dançantes do leste europeu ou do bom e velho rock’n’roll. E você já sabe: chegando antes das 21h não paga para entrar! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, ali no coração de Pinheiros, e a noite sempre vai atéééé altas. Vamos?

Lê Almeida está mudando. O herói indie que estabeleceu um dos poucos portos seguros para o rock independente no Rio de Janeiro – a casa de shows Escritório, centro de um microssistema solar em que diferentes personalidades únicas da cena fluminense orbitavam ao redor -, ele aos poucos está expandindo suas fronteiras. E isso não diz respeito apenas aos limites geográficos, embora estas transposições tenham sido fundamentais para este novo momento. Desde que trabalhou com Doug Martsch do Built to Spill, encontrou caminhos para seu conjunto Oruã passear pelo hemisfério norte em paisagens norte-americanas e europeias que aos poucos foram atravessando sua concepção artística. Com o novo grupo, começou a fagocitar influências musicais que iam para além do indie rock e da música brasileira, alicerces de sua sonoridade até então e absorveu influências de música eletrônica, rock progressivo alemão, hip hop e free jazz, além de incorporar outras disciplinas para além da música. O resultado disso está em seu novo trabalho, I Feel in the Sky, gravado em várias cidades do mundo e que será lançado nesta sexta-feira e pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Essa expansão artística também tem um desdobramento espiritual, que o próprio Lê explica num texto de apresentação do novo trabalho que ele também antecipa aqui para o site. Saca só: Continue

E outubro chegou chegando: a partir do próximo sábado começo mais uma série de aulas do curso História Crítica da Música Brasileira, em que repasso nosso histórico musical do último século – o da música gravada – para mostrar como os cânones e as linhas narrativas que constroem o que chamamos de música brasileira foram criadas. Desta vez o curso acontece no Sesc Pinheiros, sempre aos sábados, a partir das 16h30, e mais uma vez posso contar com a presença dos mesmos queridos intelectuais que ajudaram a tornar a primeira edição tão especial: Bernardo Oliveira, Pérola Mathias, Rodrigo Faour e Rodrigo Caçapa, cada um deles abordando um critério específico da nossa história musical, cultural, social e política. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas neste link. Abaixo, a descrição completa do curso: Continue

O trio sueco Peter, Bjorn & John acaba de confirmar mais uma vinda ao Brasil, depois de mais de dez anos sem dar as caras por aqui. Donos do inevitável hit indie do assobio “Young Folks”, o grupo toca no Cine Joia no dia 17 de novembro e quem fará a abertura do show são os paulistanos do Holger. Os ingressos já estão à venda neste link.

Ave Waly! Celebramos a obra deste monstro da poesia brasileira de forma intensa nesta quarta-feira, quando apresentamos o espetáculo de som e poesia Waly Salomão: Dito e Lido, em que Joca Reiners Terron, Julia de Carvalho Hansen e Natasha Felix despejaram a verborragia sensível e forte do poeta baiano sobre camadas elétricas de textura e melodia cogitadas pelo encontro das guitarras e pedais de Jadsa e Guilherme Held. Cada poeta teve seu bloco, pontuado pelas canções que eternizaram as letras de Waly apresentadas de forma desconstruída: Julia costurou quatro poemas (entre estes uma inspirada e ritmada versão de “Mãe dos Filhos Peixes”) com os versos de “Mal Secreto” para depois, ao lado de Natasha, perambular pelos versos e notas de “Vapor Barato”, logo depois da cascata de prosa poética despejada por Joca, ao ler um trecho de “Self Portrait”. Natasha emendou “Babilaque” e “Balada de um Vagabundo” para arrematar tudo com “Negra Melodia”, deixando, nas três, sua musicalidade nascer entre as palavras. Uma noite inesquecível.
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