
Equilíbrio constante…
Ouça abaixo: Continue

Vocês ficam aí ouriçados com a volta do Oasis e nem sacaram que o Smile está aos poucos preparando o lançamento de mais um disco em 2024. No início deste mês, o projeto paralelo do Radiohead encabeçado por Thom Yorke e pelo guitarrista Jonny Greenwood lançou um vinil direto nas lojas, sem nenhum anúncio prévio, contendo duas canções inéditas, “Don’t Get Me Started” e “The Slip”. Poucos dias depois, o lado A do single apareceu nas plataformas digitais de áudio e ganhou um clipe, mas o que parecia ser apenas uma idiossincrasia temporária ganhou contornos criptográficos nas redes sociais do trio. Começou na sexta, quando o Twitter do grupo simplesmente escreveu “BOJUTZMKZSKYZGXZKJ” sem dar a menor explicação. Outros posts igualmente cifrados começaram a aparecer no Facebook, no Instagram, no YouTube, no TikTok, no Threads e no canal na banda no Discord. Até que um usuário do Reddit chamado ManInCloak (o “Homem de Capa”) começou a decifrar estes posts a partir de chaves clássicas de criptografia e aos poucos foi ordenando o que seriam os nomes e a ordem das músicas do novo álbum, ainda sem título (pelo menos ainda não craqueado). Tirando a primeira e a nona faixa, que ainda não há pistas sobre elas, o próximo disco do grupo teria a seguinte lista de músicas, veja abaixo: Continue

E a festa passada foi tão boa que decidimos fazer uma segunda edição da Desaniversário neste mês. Nos reunimos mais uma vez no Bubu, dia 24 de agosto, mais um sábado daqueles que todo mundo vai sair de perna bamba de tanto dançar. A festa começa às 19h e vai até a meia-noite – e hoje não tem show do Ney Matogrosso em estádio como desculpa pra não ir, hein…

Noite quente nessa sexta-feira no Picles, mesmo com a temperatura exterior caindo, quando reuni duas bandas que adoro e que já haviam passado pelo Inferninho Trabalho Sujo em momentos diferentes: Monstro Bom e Fernê. A primeira havia tocado no início deste ano (em uma ótima noite ao lado da Schlop), quando mal tinham músicas gravadas na internet. Seis meses depois, o quarteto liderado por Gabrielli Motta volta ao palquinho da Cardeal Arcoverde lançando seu primeiro EP, batizado de Verde-Limão. E é tão bom ver como uma banda envolui em pouco tempo ao dedicar-se ao que deve fazer: gravar músicas e fazer shows. A dinâmica entre as guitarras de Gabi e do guitarrista principal, Felipe Aranha, está cada vez mais afiada, ambos seguros pela cozinha precisa formada pelo baixo de Igor Beares e a bateria de Ian Ferreira. Com público em formação, Gabi não teve dificuldade em fazer as pessoas cantarem suas músicas que são ao mesmo tempo ácidas e cotidianas, equilibrando-se entre melodia e eletricidade, cantadas quase sempre com um sorriso no rosto.
Depois da Monstro Bom, a Fernê subiu no palco do Inferninho Trabalho Sujo em outro momento de sua carreira. Apesar de jovem, a banda já é veterana e habituou-se a fazer raros shows (o mais recente foi há quase um ano, quando os chamei para dividir a noite com o Madrugada), mas dessa vez o quinteto paulistano trouxe novidades, tirando músicas paradas de gavetas do passado (a do farol é excelente!). além da vocalista Manu Julian finalmente estar tocando teclado na banda – um sonho desde que ela tinha 16 anos de idade, como confessou no palco. Mas a essência do grupo segue intacta, a troca de olhares e notas entre os guitarristas Max Huszar e Chico Bernardes e o baixista Tom Caffé caminham entre o Radiohead e o Sonic Youth enquanto a batera esparsa e firme de Theo Cecdato segura tudo para Manu exorcisar em cantos, gritos, sussurros e gargalhadas, abrindo espaço para duas versões: “Hunter”, da Björk, que o grupo já tocava ao vivo e uma versão para “Better than Before”, do Jonathan Richman feita pelo Theo (que tocou violino!) e por sua companheira Maria Carvalhosa, batizando-a de “Mais que Melhor”. Queremos mais! E depois foi só terminar a noite discotecando com a Bamboloki, passando por Television, Gang of Four e Doors e encerrando tudo com a afetiva “Right” do David Bowie, pra deixar a noite daquele jeito…
Assista abaixo: Continue

Na próxima sexta-feira, reúno duas bandas reincidentes no Inferninho Trabalho Sujo, desta vez no Picles, para aquecer o coração indie de qualquer um. Começamos a noite com o quarteto Monstro Bom lançando seu EP Verde-Limão pela primeira vez ao vivo, seguido de mais um dos shows anuais da Fernê, a banda indie favorita de seu artista indie favorito. A noite ainda conta com a Lina Andreosi discotecando entre os shows e comigo e a minha sidekick do mundo invertido Bamboloki incendiando a pista com aquelas músicas tortas que só a gente consegue fazer o povo dançar! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde e abre a partir das oito da noite… Vamos?

Depois do golaço que foi lançar o Stop Making Sense dos Talking Heads em várias salas de cinema no Brasil, a O2 acerta outra ao anunciar a data de lançamento do Megalópolis do Coppola no Brasil – um dos filmes mais aguardados do ano estreia por aqui dia 31 de outubro.

Do Tucana Jam fui correndo para o Mundo Pensante onde apresentariam-se, num show conjunto, os MCs fluminenses Dadá Joãozinho e Joca – e esse encontro dos dois compadres de Niterói, novos na cena rap nacional, resultou um showzaço. Acompanhados de baixo, DJ e percussão, os dois mostraram músicas dos respectivos repertórios e a desenvoltura cênica de quem já se conhece há muito tempo, temperando os próprios flows com a sensação palpável da camaradagem dos dois MCs, cada um com suas características particulares – Joca mais ágil e destemido, tocando MPC, percussão e disparando efeitos enquanto Dadá soa mais relaxado e consciente, esteja ou não tocando guitarra. A noite começou com discotecagem do senhor MP, Paulo Papaleo, e terminou com o mestre DJ Nuts, e o show – que sofreu um apagão devido a um repentino, e logo resolvido, blecaute na rua – ainda contou com a participação da baiana Jadsa, que não só participou das músicas dos anfitriões como puxou suas próprias canções. Foi demais.
Assista abaixo: Continue

Finalmente conheci a Tucana Jam, evento mensal organizado pela Júlia e pela Beta, que assinam a produtora que batiza a noite. Nesta quinta-feira elas trouxeram o tradicional Baile Bão Demais, festa para dançar organizada pelo músico mineiro Bento Sarto, numa noite que recebeu a banda Orfeu Menino em ponto de bala. O evento acontece no Espaço Opalina, uma pequena portinha na rua João Moura que não dá ideia da produção organizada lá dentro, um espaço com vários ambientes, um palco num estúdio transformado em uma festa com telão e um público jovem bem animado. Como o clima da festa era pra dançar, os músicos improvisaram sobre temas clássicos de Rita Lee, Elis Regina, Marina Lima e Tim Maia, entre outros, trocando de instrumentos e recebendo convidados esponteneamente (até a Júlia tocou baixo!). Depois do show começou a jam que batiza o evento, aberta a quem quiser entrar na festa, mas não pude ficar mais tempo porque tinha uma segunda programação ainda naquele dia… Mas devo voltar para próximas edições.
Assista abaixo: Continue

Stop Making Sense, o clássico show dos Talking Heads dirigido por Jonathan Demme, volta mais uma vez aos cinemas brasileiros essa semana, dessa vez em grande escala, com sessões em várias salas no país – e o Cine Belas Artes aqui em São Paulo resolveu aproveitar a deixa para emendar a exibição, que acontece na sexta-feira, dia 30, às 20h, com mais um show apresentado em uma de suas salas, desta vez com o grupo Mariachis Marcianos, que reúne integrantes das bandas Yellow Beatles, Ecos Falsos, Laikabot e Earl Greys para tocar músicas do Talking Heads e de outros grupos contemporâneos da banda nova-iorquina (como B-52s, Blondie e Human League) logo após a exibição do filme. Os ingressos para essa sessão começam a ser vendidos nessa sexta-feira às 11h através do Sympla ou na bilheteria do Belas Artes a partir das 13h. E na outra sexta, dia 6 de setembro, o cinema abre mais uma sessão Ao Vivo no Belas para promover o lançamento do single “Gustavo do Standup”, que a banda Ecos Falsos irá realizar no cinema. Os ingressos para este show já estão à venda.

Há exatos 30 anos, no dia 22 de agosto de 2024, o grupo inglês Portishead lançava seu primeiro disco, Dummy, inaugurando um novo gênero para as massas chamado trip hop. Aquele hip hop lento com referências de jazz, reggae e funk já vinha sendo experimentado do outro lado do Atlântico há alguns anos (há exemplos clássicos do gênero no histórico Paul’s Boutique dos Beastie Boys, de 1989), mas o grupo de Bristol trouxe dois elementos cruciais para tornar aquela sonoridade ainda mais popular: referências de trilhas sonoras de filmes antigos (especialmente as compostas pelos maestros John Barry e Lalo Schifrin) e a voz deslumbrante, dramática, triste e sensual numa mesmíssima medida, de sua vocalista Beth Gibbons. O que poucos sabem é que esta sonoridade foi posta em prática pelo grupo no mesmo ano do lançamento do disco, quando produziram um curta para testar aquela atmosfera musical que estavam produzindo. To Kill a Dead Man foi dirigido pelo amigo Alexander Hemming, escrito pelo trio e conta com a participação dos três (Geoff Barrow, Beth Gibbons e Adrian Utley) no elenco e foi dali que saiu a imagem da capa do disco. “Em 1994, nós concebemos e fizemos To Kill a Dead Man”, escreveu o grupo anos depois, quando o filme foi relançado em um DVD da banda, “percebemos rapidamente que subestimamos grosseiramente como era difícil escrever, conceber visualmente, atuar e realizar um curta. Por isso preparem-se, lá vem…”
Assista abaixo: Continue