Já já tou no YouPix de novo, pra mediar um papo sobre como a internet matou (matou?) a música eletrônica como nicho de uma galerinha só:
* 19:00 – 20:00 > AS REDES SOCIAIS ESTÃO MATANDO A MÚSICA ELETRÔNICA? (música)
A música eletrônica não é mais nicho. Ganhou público, mas, dizem os puristas, perdeu sua essência. Resultado disso é a superlotação das pistas dos principais clubes de São Paulo, com público mais interessado no local como ponto de encontro transformado em uma extensão das redes sociais do que como um ambiente pra ouvir boa música. Alexandre Matias (Vida Fodona e Trabalho Sujo) tem a missão de pilotar uma mesa que conta com a presença de Facundo Guerra (empresário da noite, dono dos clubes Vegas e Lions, e dos bares Carniceria Z e Volt), Claudia Assef (DJ, autora do livro Todo DJ Já Sambou, diretora de conteúdo do Vírgula, colunista do Estadão), Flavia Durante (editora dos sites Trip e TPM, DJ e ativista cultural), Camilo Rocha (DJ e editor do Vírgula Música), Lalai Luna (publicitária, produtora de festas e DJ) e Bruno Tozzini (publicitário e produtor de festa).
Bora?
O “jornal do futuro” esqueceu de publicar em sua versão online ao cartum que o Rafael Campos da Rocha reagia à descrição que eu fazia de seu trabalho num post natalino do fim do ano passado (essa eu curti, Rafael, ficou engraçado). Tive de esperar a publicação no blog do artista para não ter que reproduzi-la numa foto tirada com celular (Helô até sugeriu tirar foto com Instagram, mas eu sou menino, uso Android). Irônico esse lapso acontecer na edição em que o caderno que publica a polêmica sobre o livro do Nicholas Carr, que outro Rafael, o Cabral, entrevistou no Link no ano passado (e também publicamos o artigo de Steven Pinker citado no texto do caderno da “concorrenssa”).
E a minha coluna de ontem no 2 foi sobre aplicativos, antecipando o especial que fizemos nesta segunda-feira no Link…
Outros programas
Vivemos a era dos aplicativos
Houve um tempo em que dizia-se que o celular não era só um telefone móvel, mas também um dispositivo portátil de acesso à internet. Esse tempo já era. Estamos vivendo uma fase de transição que culmina com a extinção do computador pessoal, mas que começou justamente com a possibilidade de conectar um aparelho portátil à internet, inaugurado para as massas quando Steve Jobs apresentou o iPhone para o mundo, em janeiro de 2007.
O clichê que chamava o aparelho de “supertelefone da Apple” levava a crer que a revolução acontecia no hardware do celular, enquanto na verdade a grande novidade era seu sistema operacional, que funcionava online. Assim, seus programas ofereciam muito mais do que se fossem apenas instalados no próprio aparelho. Online, esses programinhas – chamados aplicativos – deixavam de fazer tarefas simples para ganhar funções impensáveis até mesmo para tradicionais programas de computador.
Fácil entender o porquê. Uma vez móvel, o aparelho ganhava qualidades impossíveis de serem aproveitadas num computador de mesa. Para começar, a mobilidade do aparelho permitia usar programas em que sua localização – e, portanto, de quem o usa – pudesse ter alguma utilidade. O mesmo pode ser dito aos sensores de movimento, que fazem o celular perceber se, por exemplo, você está o segurando com a tela na vertical ou horizontal. Una isso à câmera que filma e fotografa, microfone, sensores de luminosidade, a tela sensível ao toque e o fato de caber no bolso e, voilà, os programas de celular são muito melhores que seus companheiros dos velhos PCs.
Vivemos uma era em que o celular não é mais só um aparelho para fazer ligações ou conectar-se à internet. Com programas específicos, ele se metamorfoseia em todo tipo de ferramenta. Há aplicativos para achar o carro no estacionamento, que traçam o percurso que você precisa percorrer para chegar a algum lugar, que diz quais constelações estão acima de sua cabeça, que convertem medidas e moedas, que permitem edição de fotos e vídeos, entre um sem-número de opções.
A chegada dos tablets, que também usam esses aplicativos, e a popularização dos smartphones (celulares que acessam a rede) tornam esses programinhas cada vez mais onipresentes. E para quem quer saber por onde começar e quais os mais úteis e fúteis (afinal, lazer também está na agenda do celular móvel), basta ler a edição desta segunda do Link, o caderno de tecnologia e cultura digital do Estadão, que traz um guia para quem quer entrar nessa nova realidade móvel.
Na edição da semana do Link, pedi pra equipe do caderno comentar sua relação com os aplicativos e não poderia fugir de comentar meu vício portátil favorito, as enfezadas aves kamikazes e os malditos porcos verdes!
Nada vale mais que um pássaro voando
Depende do ângulo da borracha do estilingue e da hora do tapinha na tela. Tem também o tipo de pássaro arremessado e o material de que é feita a parede que ele tem de atravessar para matar o maldito porco verde. Morra!
“Opa, chefe, chegamos”, o taxista me tira do transe de explodir pássaros em cima de porcos. Calma, Ibama! Os bichos que explodem nas pontas dos meus dedos são os protagonistas de Angry Birds, um dos aplicativos mais populares do mundo. Tento conter o uso desses pequenos programas para não cair numa espiral de uso contínuo típica do meio digital – o “loop de tecnologia” descrito na série Portlandia. Mas eis que o celular me transporta para os Game Watch da minha infância e os Nintendinhos da minha adolescência, dragando mais energia vital que o player de MP3, checar e-mail ou tirar fotos.
Participo do YouPix hoje em uma mesa que vai, er, discutir “a importância dos trolls”. Sério. Olha o briefing:
18:32 – 19:30 > POR QUE OS TROLLS SÃO IMPORTANTES? (debate)
Gostando ou não, a trollagem é um dos pilares da cultura de internet e tem uma função saudável no desenvolvimento da rede. Por que os trolls existem? Qual a motivação e contribuição desses provocadores para a cultura de internet e a democratização da crítica? Mediados por Alexandre Matias (Link – Estadão), Demi Getschko (coordenador do NIC.br), Bruno Tozzini (Head of Social Media da DM9), Wagner “MrManson” Martins (sócio-criativo da Espalhe, ex-Cocadaboa), Eden Wiedemann (Gerente de Conteúdo e Mídias Sociais da F.biz) e Ana Brambilla (jornalista e editora de social media).
Lá no Ibirapuera. Vamo?
Ah, os anos 70…
Mas a parte que ele fala de telefones como terminais de computadores, em 1976, é sinistra…
Você lembra? Havia quase uma inocência (além dos clichês idiotas convencionais ao telejornalismo) na internet daqueles dias… E isso não tem nem 10 anos.
No final do ano passado, David Lynch deu uma entrevista ao Guardian através do Twitter e, no meio do papo, foi desafiado a resumir seus filmes na quantidade máxima de caracteres permitidos pela rede social do passarinho. Mestre da autopromoção, o melhor topete da história do cinema, esmerilhou:
Inland Empire:
I told Laura Dern during Wild at Heart that I wanted to make a 3-hour DV tribute to her face, but she thought I was joking 🙂Mulholland Drive:
Began as documentary about bum behind LA diner carrying odd box. He was gone the next day, so I guessed how it would’ve turned out.The Straight Story:
An old man makes a long journey by tractor to mend his relationship with an ill brother.Lost Highway:
The key to the entire film is during the scene where Bill Pullman wails on the sax. That’s f*cking crazy man! LOL!Twin Peaks: Fire Walk With Me:
About America’s dependence on TV and benefits of meditation. Thought this was obvious in the scene with Bowie.Wild at Heart:
For some reason I think about Nicolas Cage every time I watch The Wizard of Oz. He won’t leave my head! This film was therapeutic.Blue Velvet:
Kyle MacLachlan = me, Dennis Hopper = The Producers of Dune who wouldn’t give me final cut. It is a film about good and evil.Dune:
Actually this was a very explicit summary of my thoughts on God, the human condition and the meaning of life. But that cut wasn’t released.The Elephant Man:
A metaphor for inhumanity of ivory trade. Thought the title made this clear?Eraserhead:
People think this film is oppressive, but I say that it is the most spiritual movie I’ve made, and I’m going to tell you why. It’s because w
Gênio, gênio. Seu cinema é quase um detalhe.
Minha coluna de ontem no Caderno 2 foi sobre formas de rir por escrito, em tempos digitais.
“Kkkk”, “rs” ou “AHAHAH”?
Como é que você ri na internet?
Como você ri na internet? A pergunta parece não ter sentido se pensarmos na pessoa que está utilizando a rede sendo vista do lado de fora. Mas, uma vez online, o sorriso, o riso e a gargalhada pouco têm de biológico e são traduzidos em versões por escrito – e, não custa lembrar que, mesmo com vídeo, áudio, animações e links, a internet ainda é um meio primordialmente escrito. Assim, em e-mails, bate-papos por MSN, comentários em blogs, redes sociais e onde mais a conversa por escrito possa ser travada informalmente, a informação que avisa que o interlocutor está rindo ou brincando é sempre uma palavra, um emoticon ou uma sigla.
No fim do mês passado, o tradicional dicionário britânico Oxford incluiu algumas dessas siglas em seu léxico. Termos como “LOL” (acrônimo em inglês para “laughing out loud”, que quer dizer “gargalhando”), “BFF” (“melhores amigos para sempre”), “OMG” (“Oh meu Deus!”) e IMHO ( “na minha humilde opinião”) já faziam parte do vocabulário inglês até mesmo antes de a internet existir, mas foram popularizados, consagrados e oficializados naquele idioma graças à sua onipresença no diálogo por escrito.
(Cabe um parêntese aqui: o fato de o texto por escrito não permitir inflexões emocionais é um dos principais fatores do uso desse tipo de recurso e, portanto, de sua popularização. É muito fácil confundir o que está sendo escrito por alguém do outro lado da tela. Sutilezas podem passar despercebidas se vierem escritas exatamente como se fala. Um simples emoticon – aquela carinha feita com dois pontos e um parêntese, por exemplo – já agiliza bastante o lado de quem lê.)
Mas em português, ou melhor dizendo, no Brasil, essas siglas não são tão comuns. Há até quem ria escrevendo “LOL” no fim da frase. Mas eles são poucos e, em geral, vêm de gente que é bilíngue ou tem hábitos digitais mais frequentes que a maioria das pessoas.
E é aí que volto à pergunta inicial do texto: como você ri na internet? Eu rio “AHAHA”, mas há quem ria “KKKK” ou usando apenas uma abreviatura pálida para o termo “risos” (“rs”). E essas palavras não entrarão para o Aurélio ou para o Houaiss tão cedo, como já sabemos da resistência dos linguistas da língua portuguesa a esse tipo de “invencionice”.
E há quem se comunique por escrito apenas usando esse tipo de linguagem. Uma das formas mais comuns de texto escrito na internet brasileira é tida como assassinato do idioma para os puristas. Batizado de “tiopês”, esse português mal escrito surgiu de erros de digitação comuns e da agilidade exigida pela conversa por escrito – o nome veio do excesso de vezes que a palavra “tipo” é escrita e, portanto, mal digitada (virando “tiop”). Consagrada por novos humoristas como Misto Eleazar e Cersibon, esse português tosco não é utilizado por gente que não sabe escrever – mas sim como código territorial, idioma próprio, para afugentar quem é de fora, funcionando como uma enorme piada interna. Como as formas de rir na internet também o são.






