
“Happy”, John Oliver, “Fancy”, o desafio do balde de gelo, “Let it Go” – o YouTube fez sua retrospectiva 2014 e misturou seus grandes hits num enorme vídeo (no final tem uma bula com links para todas as referências citadas).
Você já deve ter ouvido falar nesse podcast sensação chamado Serial, né? A Gi Ruaro tá tão viciada no programa que pediu pra escrever sobre ele pra cá – afinal, faltam apenas dois episódios pro fim da primeira temporada. Fala Gi:

“Support for Serial comes from Mailchimp. Mailchimp. Mail-kimp?” Todas as quintas-feiras mais de um milhão e meio de pessoas ao redor do mundo esperam ansiosamente o iTunes atualizar e ouvir a frase acima. É o começo do podcast-fenômeno Serial, que em dois episódios chegará ao final da primeira temporada. O equivalente ao “Previously, on Lost” de 2014.
Dos mesmo produtores de This American Life, Serial é um podcast sobre um crime que aconteceu em 1999. Hae Min Lee, estudante na cidade de Baltimore, Estados Unidos, foi encontrada morta e seu ex-namorado, Adnan Syed, foi considerado culpado e condenado a prisão perpétua. A jornalista americana Sarah Koenig investiga o que aconteceu no dia da morte de Hae e como que Adnan foi sentenciado.
A construção da narrativa, sem utilizar imagens, apenas vozes, entrevistas e storytelling no seu momento mais cru, é hipnotizante. Como se fosse uma amiga te contando uma história, Sarah compartilha sua investigação, conclusões e dúvidas em tempo real.
Em uma internet que está migrando para o vídeo, o podcast Serial faz parte de um novo movimento de storytelling. Alguns chamam de a Renascença do Podcast. Não importa o meio, o que nos fascina mesmo são as histórias de gente como a gente. E nenhuma história é mais fascinante do que a de um rapaz, preso em prisão perpétua, que jura que não cometeu o crime. Que tinha 17 anos. Que era que nem eu e você: estudava, tinha namorada, bebia de vez em quando, fumava de vez em quando, aprontava, mas era uma pessoa boa, tinha família e amigos que o amavam. Que não tinha motivo para matar a ex. Que jura que não a matou. E mesmo assim, acabou na prisão. Como?
São várias os envolvidos em Serial. São várias as versões do dia em que Hae Lee morreu. Temos Adnan, Jay, Asia, Jenn… Mas depois de 15 anos, é difícil lembrar o que aconteceu em uma época em que não existia mídias sociais, celulares eram raros, pagers eram o meio de comunicação mais popular. Quando Adnan foi preso, seis semanas tinham se passado desde o crime. Você lembra o que fez seis semanas atrás? Com quem falou no telefone? Qual caminho fez ao trabalho? Com quem falou no caminho do trabalho? Sobre o que falou? Mas lembra mesmo? Tem certeza? Poderia contar o seu dia em detalhes na frente de um júri? Difícil.
Outro motivo que ajudou Serial e virar fenômeno foi o reddit. Envolvido em outros casos controversos de detetivão da internet, o subreddit /r/serialpodcast se tornou o ponto de encontro dos fãs Serial e também o local ideal para postar e discutir as mais variadas teorias sobre o caso. A maior parte das discussões são sobre Adnan ser culpado ou inocente. Tem usuário ali que está achando pêlo em tartaruga, mas a popularidade do reddit chegou até a família de Hae e de amigos de Adnan. Todos querem dar seu pitaco e contar a sua versão dos fatos.
O podcast não é mais de SK (como reddit chama Sara Koenig), mas de todos. A história já era pública, os detalhes não são de posse somente dos produtores, a internet virou o grande e incontrolável fórum de debate. Somos todos SK, todos queremos saber o final, todos queremos saber se Adnan é culpado ou inocente. No episódio nove e dez de Serial, SK fala que com ajuda de e-mails e novas informações, ela pôde tirar dúvidas da narrativa. Serial precisa dos detetives reddit tanto quanto a recíproca.
Outro motivo da popularidade de Serial é a conexão que podemos fazer com outros fenômenos da cultura pop. Você sabia que os detetives que investigaram o crime também trabalharam como consultores da série The Wire? E a cena em que Bunk e Lester procuram por corpos no meio da mata foi filmada no mesmo local em que o corpo de Hae Lee foi encontrado. Outra coincidência é que o filme Blair Witch Project foi filmado no mesmo parque. Coincidência? Para alguns redditors, é motivo para mais uma teoria de conspiração.
Há vários artigos contra Serial, contra os artigos contra Serial, mas a maior verdade que podemos tirar desta história é: a vida não é, nem nunca será preto no branco. Acho difícil que SK chegue a uma conclusão satisfatória no último episódio, que saberemos finalmente se Adnan é inocente ou não. E teremos que viver com isso, para sempre. Que nem o final de Lost.
(Mas graças ao Mailchimp e uma vaquinha online, teremos uma segunda temporada. Novo caso, novos personagens. Eu estou mais empolgada com a segunda temporada de Serial do que True Detective!)
Acompanho o trabalho da Juliana de Faria mesmo antes de ela lançar o site Think Olga, que faz parte de um novo movimento feminista no Brasil que aos poucos consegue voz usando a internet como plataforma. Foi através do Think Olga que a Ju fez a pesquisa Chega de Fiu Fiu, sobre a tênue linha entre a cantada e o assédio sexual, mostrando como esse tipo de abordagem é mais frequente do que imaginávamos e transformando a pesquisa em campanha. Há menos de um mês ela lançou um convite via crowdfunding para transformar o resultado da campanha em um documentário e em menos de 24 horas conseguiu bater a primeira meta – mas ainda há outras metas pela frente.
Conversei com a Ju por email sobre o Think Olga, o Chega de Fiu Fiu e sobre jornalismo.
Queria que você começasse falando de como começou o Think Olga e como vocês chegaram à conclusão que deu origem à pesquisa do Chega de Fiu Fiu.
Wow! Essa é uma longa história. Hehe. Vou tentar resumir. Sou jornalista e me especializei em jornalismo feminino. Em determinado ponto da minha carreira, senti que minhas ideias de pautas já não tinham mais espaço nos veículos femininos tradicionais. Decidi então criar a Olga não apenas para publicar as matérias que tinha vontade de escrever, mas também queria criar um espaço para discutir o espaço da mulher na sociedade, o feminismo e, principalmente, a forma como a representatividade na mídia. Bem, e como falei minhas propostas de pautas eram rejeitadas por não conversar com a linha editorial das revistas. E uma delas era sobre assédio sexual. Eu havia até mesmo sugerido criar, gratuitamente, a Chega de Fiu Fiu para uma revista. Como foi rejeitada, achei que valia a pena tocar por conta própria mesmo.A internet foi crucial para a divulgação e realização da pesquisa, mas vocês esperavam a resposta do jeito que ela aconteceu?
Ao longo de toda a jornada da Olga e da Chega de Fiu Fiu, fui constantemente surpreendida por reações cada vez maiores e mais engajadas das participantes. No entanto, quando você para para pensar, não é tão surpreendente assim. Estamos atacando um problema que atinge muitas mulheres, mas que sempre foi tolerado. E conectar em torno de um mesmo problema, de uma mesma questão é basicamente a essência da internet.Queria que você falasse um pouco também de como os temas começam a ser postos de forma extrema quando discutidos textualmente na internet. Presumo que vocês tiveram que lidar com radicais de todos os tipos. Como é lidar com isso?
Pessoalmente, sempre é muito difícil. Você tenta fazer um trabalho que pode de alguma forma mudar a situação da violência contra as mulheres e precisa enfrentar pessoas, algumas delas conceituadas, que distorcem sua mensagem e muitas vezes te ofendem. Mas é claro que você não vai conseguir tirar o privilégio de milênios de alguns grupos sem incomodar algumas pessoas. O interessante é ver como homens supostamente inteligentes e liberais se transformam rapidamente em conservadores ao perceber que há sim gente batalhando para equiparar os privilégios de uma minoria com o da maioria em que estão inseridos.Por que fazer um documentário?
Foi o desenvolvimento natural da campanha. Acreditamos que o documentário pode ser uma chance de nos aprofundarmos no tema, assim como usa-lo, quando pronto, como ferramenta de informação acessível e gratuita para a população.E depois do documentário feito, como vai ser sua divulgação?
Queremos que o documentário seja uma ferramenta acessível a todos. Nossa ideia é disponibilizá-lo gratuitamente na internet, de forma a ser exibido por escolas, universidades, ONGs e instituições públicas. Queremos também que ele seja utilizado em formações de advocacy. Além disso, já há canais de TV interessados também em exibi-lo. 🙂Vocês já ultrapassaram a cota sugerida. Quanto tempo demorou para isso ser atingido entre a divulgação e o cumprimento da meta?
Em 19 horas, batemos nossa meta. Nosso financiamento coletivo para o documentário foi o 4º projeto que mais arrecadou nas primeiras 24 horas de existência em toda a história do Catarse – e o 1º no ranking da categoria Cinema & Vídeo. É uma conquista enorme, pois se trata de um projeto feminista, que fala sobre violência contra a mulher — tópicos que normalmente geram polêmica, não geram o interesse que merecem ou causam uma resposta extremamente violenta por pessoas mais, digamos, conservadoras. Além disso, oferecemos pouquíssimas recompensas materiais. Ou seja, as pessoas estão apoiando, pois sabem que é um assunto que deve ser debatido e solucionado com urgência. Ficamos muito felizes!Quais os próximos projetos do Think Olga?
Nosso próximo passo é começar a trabalhar com empresas, ONGs e instituições governamentais para aumentar a representatividade das mulheres. Sentimos que em todos os meios de comunicação a mulher costuma ser retratada de uma maneira tradicional que não condiz mais com a realidade.Isso é jornalismo? Como você vê o jornalismo que está sendo produzido no Brasil hoje, dentro e fora das redações?
A Olga lida com colaboração, comunidades online, conteúdo em várias midias e com um propósito muito honesto e bem definido. Sem dúvida, pro público que a segue, é uma publicação relevante e confiável. Não sei se é o futuro do jornalismo, mas acredito que podemos tirar boas lições disso que estamos fazendo 🙂
Além de fazer shows pelo Brasil, Paul McCartney vem experimentando as novas fronteiras para o futuro da música – e tirou 2014 para mergulhar no mundo dos games. Ao lado da Activision, ele compôs uma música para o game Destiny e agora lança a música como single e um clipe em que foi inserido como um holograma no universo do jogo (além de aproveitar a experiência de transmissão em realidade virtual de um de seu shows nos EUA, no Candlestick Park, em São Francisco, em agosto).
Vi na Wired.
Mais uma adaptação de uma clássico infantil para as superproduções cinematográficas, esta versão para O Pequeno Príncipe parece que promete.
Parece ter sido uma boa idéia criar uma história que faça o espectador entrar dentro da história principal através de um livro, além da variação do estilo de animação entre os dois ambientes. Vi no Brainstorm9.
Assisti ontem ao novo filme de Jason Reitman, Homens, Mulheres & Filhos e gostei. Talvez porque tenha ido com baixa expectativa (principalmente depois de ler a resenha da Gi Ruaro), mas a leitura que o diretor de Juno, Obrigado por Fumar e Amor Sem Escalas faz de nossos relacionamentos em tempos de internet não é propriamente crítica nem muito superficial. Ela apenas retrata a camada artificial que criamos entre nós e a realidade e como nos refugiamos nela para não termos que confrontar com a vida offline.
O filme será exibido hoje gratuitamente às 20h, numa pré-estréia no cinema do Shopping Frei Caneca e após a sessão, que começa às 20h, haverá um debate sobre o tema do filme que eu participo ao lado do Pablo Peixoto (do canal Quatro Coisas) com mediação do repórter Guilherme Genestreti, da Folha de S. Paulo. As senhas para assistir ao filme de graça podem ser retiradas a partir das 18h, nas bilheterias do shopping (que fica na Rua Frei Caneca, 569).Atenção: o evento foi cancelado por motivos técnicos – em breve aviso quando acontecerá a nova edição.
Entrevistei o físico Randall Munroe, também conhecido como Xkcd, para a capa da Ilustrada de hoje – falei com ele algumas horas antes de ele acompanhar o pouso da nave no cometa, assunto que dominou o final da conversa. Meio tímido e meio sem graça, ficamos quase meia hora falando sobre cultura pop, quadrinhos, internet e ficção científica. Um dia eu publico a íntegra dessa conversa.
Eureka!
Ex-funcionário da Nasa e um dos principais autores da era da internet, o físico e quadrinista Randall Munroe conversou com a Folha sobre o livro em que responde, usando ciência, a perguntas inusitadas enviadas por seus leitoresFaltavam poucas horas para o módulo Philae desconectar-se da sonda Rosetta e pousar no cometa Churyumov-Gerasimenko e Randall Munroe, 30, não conseguia disfarçar sua animação. “Vou ficar acordado à noite toda para assistir a isso, quero ver se tudo vai dar certo”, disse em entrevista por telefone com a voz tímida e quase sem graça, como se fosse apenas um sujeito qualquer assistindo a um evento corriqueiro.
E isso o físico e quadrinista mais conhecido como Xkcd, que acaba de lançar seu E Se? – Respostas Científicas para Perguntas Absurdas (Companhia das Letras, R$ 39,90) no Brasil, não é. Seu traço é simples até o limite do conceitual, reduzindo minimanente tudo a bonequinhos de palitinhos, mas ele lida com temas de escopo épico, medindo tudo com a grande régua da ciência.
Suas tirinhas – publicadas no site xkcd.com a cada dois ou três dias – compilam comentários ácidos e diálogos perspicazes sobre assuntos correlatos à ciência, como a cultura da internet, nossa relação com a tecnologia, linguagem e a natureza da ficção científica. Em uma delas, observou que tweets sobre terremotos chegavam mais rápido que as próprias ondas sísmicas a regiões ao redor do epicentro do tremor, sendo possível ler sobre o terremoto antes de senti-lo – e o comentário foi comprovado cientificamente pouco depois da publicação do quadrinho.
A tira começou em 2005, quando Munroe ainda trabalhava na área de robótica da Nasa, a agência espacial norte-americana. “Meus primeiros quadrinhos foram desenhados ainda na escola, quando deveria estar prestando atenção nas aulas, sempre rabiscava algo nos cantos dos meus cadernos. Depois de um tempo resolvi escaneá-los, mas não sabia o que fazer com eles e os coloquei em meu site”, explica.
O nome do site foi inventado a partir de uma observação que ele havia feito quando ainda era criança, de que um nome poderia perder seu sentido com o tempo: “Então inventei uma linha de texto que não significa nada e que seria só minha. E também um nome curto, pois achei que seria mais fácil se precisasse digitá-lo bastante no futuro.”
Não demorou muito para o quadrinho autodescrito como “um webcomic sobre romance, sarcasmo, matemática e linguagem” começasse a fazer sucesso, atingindo em poucos meses um público mensal de 70 milhões de pessoas, como registrou a revista Wired no final de 2007. Foi quando Munroe começou a explorar as possibilidades do formato quadrinho na internet.
A seção E Se? (What If) foi um dos primeiros experimentos com a interatividade digital. Reunidas pela primeira vez em livro em 2014, as respostas elaboradas visualmente por Munroe vinham de perguntas absurdas enviadas por seus leitores. No livro, ele responde a perguntas inusitadas como “se minha impressora conseguisse literalmente imprimir dinheiro, o impacto no mundo seria muito grande?”, “quanto espaço físico a internet ocupa?”, “se um asteroide fosse bem pequeno mas superdenso, seria possível morar nele como o Pequeno Príncipe?” e “de que altura você teria que soltar um bife para ele chegar ao chão cozido?” Mas a inspiração veio na sala de aula.
“Há um programa no MIT em que qualquer pessoa pode ser voluntária para dar aulas num fim de semana sobre qualquer assunto para estudantes de segundo grau”, lembra. “Eu nunca havia dado aulas antes e vi como é difícil manter os alunos interessados naquilo que você está querendo ensinar. Então pensei numa questão sobre Guerra nas Estrelas e quanta energia que Yoda conseguiria produzir através da Força e de repente todos começaram a ficar interessados. E seguiram a lógica, fazendo perguntas do tipo sobre outros filmes e logo em seguida sobre coisas da vida real. Eles ficam bem mais interessados quando as perguntas não são abstratas.”
Ele adaptou essa lógica para o seu site e começou a receber uma avalanche de perguntas improváveis. “Não consigo ler todas, são muitas”, confessa. Alguma delas são bizarras o suficiente para que ele nem pestaneje em pensar na resposta (“Dá para impedir uma erupção vulcânica depositando uma bomba (termobárica ou nuclear) debaixo da terra?”) ou que nem comece a cogitar a possibilidade de respondê-las (“A que velocidade um ser humano teria que correr para ser cortado ao meio, na altura do umbigo, por um arame de cortar queijo?”).
Depois da seção E Se?, Randall começou a experimentar cada vez mais em escala (o quadrinho “Money” trabalha proporcionalmente todo o dinheiro que existe no mundo), com geolocalização (certa vez publicou uma brincadeira de primeiro de abril que variava de acordo com a localização geográfica de cada leitor), com espaço (no vasto universo digital de “Click and drag”, um desenho interativo que se fosse impresso ocuparia uma área de 14 metros de largura), culminando na contemplativa “Time”, que ganhou o prêmio Hugo, maior reconhecimento na área de ficção científica, deste ano (leia abaixo).
Atualmente ele descansa da turnê de lançamento de seu livro na Europa e cogita conhecer o Brasil: “Nunca fui ao Hemisfério Sul, mas sei que tenho muitos fãs aí.” Ele não detalha projetos para o futuro pois faz muitas coisas ao mesmo tempo (“sou muito desorganizado”), mas antecipou que quer fazer algo com os “3.2 GB de dados do genoma humano”, que baixou no início do ano.
Logo depois da entrevista, ele transmitiu o pouso do módulo Philae no cometa Churyumov-Gerasimenko através de seu próprio site, publicando um quadrinho a cada cinco minutos, criando uma animação que reunia as informações que conseguia conectar enquanto acompanhava as informações que obtinha no site da Esa (agência espacial europeia).
Projetos recentes ampliam ideia de interação entre público e obra
Dois dos projetos mais ambiciosos de Randall Munroe exploram as possibilidades de interação entre a obra de arte e o público de formas bem distintas. “Click and drag” (“clique e arraste”, que pode ser visto em http://xkcd.com/1110/), por exemplo, é o ápice de seu trabalho com mapas e tabelas, como já havia feito ao criar o mapa da internet ou do sistema solar. A obra de 2012 é uma tira cujo último quadrinho permite que o leitor explore dimensões improváveis dentro de um único painel. “Quando você está num videogame de carro e olha no horizonte, você vê algumas montanhas, mas se tenta dirigir o carro para fora da pista, há uma espécie de parede invisível que não permite que você chegue às montanhas. É um universo que parece ser muito grande, mas é muito pequeno. Eu queria fazer um quadrinho que tivesse o efeito oposto, que parecesse muito pequeno mas que fosse muito grande”, conta seu autor.
A obra também foi inspirada em um passatempo comum em nossa rotina digital: passear por mapas através da internet. “Eu achava um rio perto de casa e começava a clicar e arrastar o mapa para seguir o rio até o oceano e isso levava meia hora, passava por várias cidades e dava uma sensação de estar explorando. Mas eu não queria que você pudesse dar zoom para fora, pois isso seria como trapacear”, explica.
“Time” (que pode ser lida aqui http://xkcd.com/1190/) era um experimento com tempo e nele Randall convidava o leitor a acompanhar uma história que teria um novo quadrinho publicado a cada meia hora por 123 dias. “Era como se fosse algo entre uma tira na internet e um filme. Porque uma tira de internet é atualizada uma vez por dia ou por semana enquanto um filme é uma espécie de tira de internet que é atualizada 24 vezes por segundo. Eu queria contar aquela história, que era sobre o tempo, e achei que seria uma forma interessante e única de contá-la”, conclui. “Time” ganhou o prêmio Hugo de “melhor história gráfica” deste ano e a premiação foi aceita pelo escritor Cory Doctorow que, a pedido de Munroe, disse que iria ler o discurso de agradecimento falando uma palavra por hora.
P: Quanta Força o Yoda consegue gerar?
R: É óbvio que vou ignorar as prequels. A maior demonstração de força de Yoda na trilogia original se deu quando ele ergueu a X-wing de Luke do pântano. No que concerne a movimentar objetos fisicamente, esse foi sem dúvida o maior dispêndio de energia através da Força que vimos em qualquer momento da trilogia. A energia necessária para erguer um objeto até certa altura é igual à massa do objeto vezes a força da gravidade vezes a altura a que se queira erguer. (…) Por fim, precisamos saber da força da gravidade em Dagobah. Aqui fico sem ter para onde ir, pois mesmo que os fãs de ficção científica sejam obcecados, não tem como existir um catálogo das mínimas especificações geofísicas de cada planeta que aparece em Star Wars, né? Não. Subestimei os fãs.A Wookieepedia tem esse catálogo e nos diz que a gravidade superficial de Dagobah é de 0,9 g. (…)
(O resultado de 19,2 kW) é potência suficiente para energizar um quarteirão de casinhas no subúrbio. Também é equivalente a 25 cavalos-vapor, que é quase a potência do motor do Smart Car elétrico. Aos preços atuais de energia elétrica, Yoda valeria aproximadamente dois dólares por hora. (…) com o consumo de eletricidade mundial na faixa dos 2 terawatts, precisaríamos de 100 milhões de Yodas para cumprir a demanda. Somando tudo, adotar “Yodanergia” não ia valer a pena — mas é incontestável que seria energia verde.P: Quando, se é que um dia, o Facebook terá mais perfis de mortos do que de vivos?
R: Vai ser ou nos anos 2060 ou 2130. Não tem muito morto no Facebook. A razão principal é que tanto a rede social quanto seus usuários são jovens. O usuário médio do Facebook envelheceu com o passar dos anos, mas o site ainda é mais utilizado — e com frequência bem maior — pelos mais jovens. Com base na taxa de crescimento do site, e na estratificação etária de usuários ao longo do tempo,2 cerca de 10 a 20 milhões de pessoas que criaram perfis do Facebook já morreram.P: Dá para construir um propulsor a jato (jetpack) usando metralhadoras que atirem para baixo?
R: Eu fiquei meio surpreso quando descobri que a resposta é positiva! Mas para fazer direito, você vai ter que conversar com os russos. O princípio é bem básico. Se você atira uma bala para a frente, o coice empurra você para trás; então, se atirar para baixo, o coice vai lançar você para cima. A primeira pergunta a responder é: “Tem como uma arma erguer seu próprio peso?”. Se uma metralhadora pesa 4 kg mas o coice dela ao disparar é de 3 kg, ela não vai conseguir se erguer do chão, muito menos erguer ela mesma mais uma pessoa. No mundo da engenharia, a razão entre a potência de um veículo e o peso é chamada de, veja só, relação peso-potência. Se for menor que 1, o veículo não consegue se erguer. O Saturno V tinha uma relação peso-potência, para a decolagem, de aproximadamente 1,5
Apesar de eu ter crescido no sul dos Estados Unidos, não sou especialista em armas de fogo. Por isso, conversei com um conhecido do Texas para ajudar na resposta.
Aviso: por favor, POR FAVOR, não tente fazer isso em casa.
Randall Munroe, o criador da tira Xkcd, passou a madrugada acordado acompanhando a conclusão da Missão Rosetta, que conseguiu fazer um módulo espacial pousar em um cometa. Mas assistir não foi o suficiente e, aos poucos, ele foi desenhando sua própria transmissão, ajudando seu público a entender o que estava acontecendo na madrugada deste histórico dia 12 de novembro de 2014. O resultado final gerou esse gif:
Dois dos principais nomes da música pop em 2014, Taylor Swift e Kendrick Lamar têm se aproximado lentamente um do outro. Primeiro foi o Kendrick que declarou sua paixão pelo hit do verão de Taylor Swift, “Shake it Off”, em entrevista à Fader, chegando inclusive a cantar o refrão grudento:
Depois foi Taylor Swift que apareceu em seu próprio Instagram dublando “Backseat Freestyle” para comemorar o fato de que seu 1989 foi o único disco de 2014 a vender mais de um milhão de cópias – e garantir o único certificado de disco de platina do ano. Ela postou:
“Experts da indústria predisseram que 1989 venderia 650 mil na primeira semana. Vocês foram lá e compraram 1.287 milhões de discos. E EU FIQUEI ASSIM:”
E um passo maior nessa aproximação foi dado pelo pessoal do Hood Internet, que fundiu “Backseat Freestyle” com “Shake it Off” – e ficou demais.
Será que eles vão terminar fazendo algo juntos?









