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A revista Imprensa publicou um especial sobre jornalismo e tecnologia, para o qual fui entrevistado há seis meses – um semestre antes do Google anunciar que não iria mais lançar o Google Glass pessoalmente, pelo menos por enquanto. A entrevista inteira segue aqui e o especial todo segue neste link.

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Um dos motivos do sucesso de Guardiões da Galáxia é seu roteiro essencialmente simples contando com personagens coloridos e hilários. Nesse sentido, não é de se estranhar que ele funcione tão bem como um jogo do Nintendinho, como sugere o pessoal do CineFix que fez essa adaptação…

Se ligou na trilha sonora, né?

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Esta segunda década do século está assistindo a uma mudança drástica na abordagem digital da Amazon, que começa a investir pesado em conteúdo. Depois de ganhar Globos de Ouro com o seriado Transparent, do ano passado, a loja digital segue apostando em suas próprias produções e anunciou que contratou Woody Allen para desenvolver um seriado. “Eu não sei como me meti nessa. Eu não tenho idéias nem sei por onde começar”, disse o diretor em uma declaração à imprensa.

A notícia pode parecer inusitada mas faz todo sentido. Woody Allen passa por altos e baixos justamente por ser um autor prolífico, que não consegue ficar sem filmar por muito tempo (ele dirige praticamente um filme por ano). Ao deixar a telona por uma temporada, ele pode desenvolver uma de suas deliciosas histórias com vários personagens com mais profundidade, misturando tanto o ar fugaz e informal de grande parte de sua obra com o tom mais sério e existencialista de seus filmes consagrados. Ele pode não apenas se dar bem com o novo formato (bem provável) como aspirar mergulhos artísticos ainda mais ousados (coisa que ele já não faz há uns bons… vinte anos?).

Sem contar que é mais um passo rumo à abolição das diferenças as telas em que assistimos essas histórias audiovisuais – afinal, o que impediria a Amazon de passar a primeira temporada de um seriado de Woody Allen… no cinema?

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2015 começou com uma incrível notícia para quem gosta de Beastie Boys (e quem não gosta? Bom sujeito não é…). Eoin MCL, usuário do fórum digital sobre o trio, descobriu, online, um vídeo nunca lançado para a música “Too Many Rappers”, que os Beastie Boys lançaram com o rapper Nas junto com o disco Hot Sauce Committee Part Two. A descoberta é tão importante – e o clipe, foda – que os próprios Beastie Boys colocaram em seu canal do YouTube. Sacaê:

Um planeta celular

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Não lembro quem foi que falou que nem o pior pesadelo de George Orwell cogitaria uma população inteira carregando localizadores que registram a maior parte dos seus movimentos no bolso que espontaneamente filma-se e fotografa-se por puro prazer narcisista. Mas o fato é que os smartphones se tornaram um acessório inseparável da vida no século 21, como esta galeria de fotos reunida pela Atlantic explicita. Nenhuma novidade aqui: é apenas o choque da onipresença de telas e câmeras portáteis em todos os cantos do mundo.

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Na mesma edição da revista Brasileiros em que falei da nova edição do Neuromancer e do Círculo de Dave Eggers, também escrevi sobre o ótimo novo livro do biógrafo de Steve Jobs Walter Isaacson, que em seu Inovadores voltou no tempo para contar as várias biografias que permitiram o ambiente digital que habitamos hoje.

Inovadores

De volta ao futuro
Livro do biógrafo de Steve Jobs conta a incrível história dos pioneiros da revolução digital

Se o futuro das novas tecnologias parece estar em aberto e difícil de decifrar, o passado da era digital está cada vez mais dissecado. A popularização e a onipresença do computador e da internet deram origem a todo um novo mercado editorial que, finalmente, oxigenou as prateleiras dedicadas à tecnologia nas livrarias do Brasil, antes cheias de livros técnicos ou datados demais.

Nesse novo cenário, surgiram as inevitáveis biografias no estilo autoajuda, contando a história de executivos bem-sucedidos e vários livros ensinando onde estaria o pote de ouro do fim do arco-íris digital. Em 2011, com a morte de Steve Jobs e o imediato lançamento de sua biografia oficial, essa dinâmica editorial começou a mudar mais uma vez.

Escrita por Walter Isaacson, a partir de uma série de longas entrevistas, a biografia do cofundador da Apple apareceu meses após o lançamento do filme A Rede Social, de David Fincher, que conta a história da ascensão do Facebook. As duas obras abriram filões em seus respectivos mercados para outras obras sobre essas empresas inovadoras e seus criadores.

Assim, foram surgindo, em rápida sequência, biografias sobre os fundadores do Google, livros dedicados à era de ouro do computador pessoal nos anos 1980 e às fases áureas do videogame, estudos das transformações nas comunicações e relações pessoais e sobre os novos nerds que tomam conta desse universo.

Mas o grande livro da nova fase talvez seja do próprio Isaacson, Os Inovadores (Companhia das Letras). Ao elencar um grupo de personalidades que, por séculos, criaram dispositivos, lógicas de funcionamento, aparelhos e materiais que permitiram que conseguíssemos chegar a este século digital, o autor conclui que o ambiente forjado pela equação computador e internet é uma criação coletiva.

A história começa no meio do século 19, com dois ingleses (Charles Babbage cogitando uma máquina de fazer contas, que concluiria a revolução industrial, e Ada Lovelace desenvolvendo uma linguagem com a qual poderíamos controlar essa máquina), passa por matemáticos como Claude Shannon (que cria o conceito de bit) e Alan Turing (que decifra a criptologia dos nazistas ao inventar o computador moderno), visita empresas como os laboratórios de telefonia da Bell e das máquinas de calcular da Texas Instruments, para só então chegar na era do reinado de Bill Gates e Steve Jobs, passar pela web criada por Tim Berners-Lee e culminar na criação do Google por Sergey Brin e Larry Page. Não apenas um relato de fôlego, mas um livro inspirador.

Minha última coluna para o YouPix em 2014 é sobre… o ano de 2014 – e as lições que podemos tirar dele, além do oba-oba da Copa e do mata-mata das eleições.

bucoliconarelva

2014: um ano em processo
2014 foi o ano em que desejamos uma choupana num sítio encantado fora dos olhares egomaníacos da internet… o que deu errado?

Que ano! Esperávamos um 2014 turbulento pela inevitável conjunção entre Copa e Eleições que acomete o país a cada quatros anos, mas não esperávamos que acontecesse de forma tão intensa. Mas… será culpa da internet?

Dá essa impressão. E imediatamente imaginamos aquela idílica choupana num sítio encantado nas proximidades da cidade grande, alheia aos comentários enraivecidos, às brigas de foice, à avalanche de remixes e mashups feitos em cima da onda da vez, isolada da ansiedade pelo novo disco, pelo novo filme, pelo novo aplicativo, pela nova rede social. Gente sem Facebook nem smartphone, fazendo refeições que não irão ser fotografadas, que só olha o próprio rosto quando acorda, no espelho.

Acorde: essa vida não existe. As pessoas que moram nessa choupana imaginária gostariam sim de conversar sobre o disco que apareceu sem ninguém esperar, de postar um belo por do sol no Instagram, de não ter que ir ao banco para pagar contas que podem ser pagas online.

Criamos essa ideia de utopia afastada da internet e da intensidade da cidade grande mas não é curioso que nessa casinha tão bucólica tenha eletricidade e água encanada? Ninguém cogita abandonar a cidade grande ou o corre-corre da vida digital para ficar longe da praticidade de termos um supermercado, uma farmácia ou um hospital por perto.

Esse neorromantismo está incutido em todos nós que habitamos o Facebook, o Whatsapp, o Tumblr, o Pinterest, o Flickr, o YouTube, o Tinder, o Waze, o Google, o Twitter. No meio dessa tempestade de imagens, links, pessoas, RTs, notícias, matches, vídeos, likes, fotos e cliques paramos e cogitamos uma vida calma sem trânsito e com flores, com comida saudável e menos compras, menos luz fluorescente e menos monitores. Mas quantos de nós quer, de fato, largar tudo para plantar sua própria comida, limpar a própria fossa ou ter que colocar todo o telhado de volta depois de uma tempestade? Não sei, mas acredito que bem pouca gente.

É porque não precisamos sair da cidade nem da internet para criarmos momentos de paz e de tranquilidade. Porque esse chalé é mental.

E é isso que estamos aprendendo nessa segunda década do novo século – aos poucos constatando que nós mesmos somos parte da fonte de todo esse aborrecimento que nos incomoda e que não é preciso largar tudo para viver uma vida melhor. Uma série de manifestações fora da internet já vêm provando isso – desde a retomada das bicicletas aos alimentos orgânicos, passando pelos protestos na rua e pela retomada do espaço público, seja para festas gratuitas ou para o simples convívio diário.

Mas por mais que esse novo comportamento pareça funcionar alheio à internet, isso é só aparência – ele se conecta em redes sociais, usa Twitter, YouTube e Instagram para divulgar o que está sendo feito e conectar ainda mais pessoas, vive no Google Maps e no Foursquare para demarcar territórios.

Isso é só o começo. A própria vilanizada “gourmetização” é parte desse processo e sofre por ser vista apenas como uma forma de ganhar dinheiro em cima de comidas simples. É claro que tem gente pensando nisso, mas esse fenômeno específico não é meramente isso. Não estou falando de praças de food trucks em shopping centers, isso sim uma aberração. Mas de muita gente que se dispôs a trabalhar com comida e abriu seu próprio e pequeno negócio, não para se tornar a próxima sensação da coluna social da panelinha da gastronomia, mas para ver sentido na própria vida, encontrar pessoas ao vivo, cozinhar a própria comida.

Essa transformação social não diz respeito só a restaurantes e também inclui novos donos de cafés, boutiques, lojas de discos e de livros, casas noturnas, centros culturais, espaços para cursos e também novos estabelecimentos comerciais que fujam só que a gente costuma a rotular como cultura. E, como também estamos falando de internet, não são apenas lojas ou serviços geograficamente localizados, como as milhares de lojas que proliferam dentro ou por causa de sites de e-commerce, fora dezenas de aplicativos criados por dia.
Copa e Eleições serviram para intensificar nosso troca de conteúdo – produzido e reproduzido – além de juntar milhões de pessoas ao redor de um mesmo tema. Algo que antes era regra dissolveu-se em milhares de exceções. Não é que essa foi “a Copa do Twitter” ou “a eleição do Facebook”. Mas também foi a “eleição do Tinder” ou “a Copa do Pinterest”. Ou a “Copa do 99Taxi” ou “a eleição do Disk Cook”. As próximas também serão assim – e também a respeito das próximas manias e ferramentas que inventarem.

Copa e eleição são os últimos espasmos do que a gente já chamou de mainstream, essa massa de interesses coletivos que antes parecia pautar cada centímetro de nossas vidas. Hoje não há mais o grande filme do ano como também não temos a grande revelação, nem a novela ou seriado que todos acompanham ou o jogo que o país para para assistir. Do mesmo jeito dá pra cravar que a avalanche de memes, virais, vídeos da vez, personalidades relâmpago e hits da semana nunca mais vai parar.

Estamos soterrados por conteúdo de toda espécie e cada vez mais gente produz arte, cultura, informação. Todos estamos virando artistas. O Instagram abriu o olho fotográfico de ainda mais gente se compararmos com a explosão da fotografia digital do Flickr há dez anos. O YouTube é a nova MTV, em que todos podem lançar seus videoclipes – e não apenas de música. O Facebook, o Tumblr e o Twitter são os novos blogs para um monte de gente que começou a entrar na internet de vez nessa década. Cada vez mais produzimos arte, cultura e informação – e é inevitável que as consumamos cada vez mais e sem atenção.

É quando lembramos daquele chalé imaginário.

E aos poucos descobrimos que ele não é imaginário – e sim mental. A ascensão do vinil não é só um modismo hipster – é uma forma que muitos fãs de música encontraram para retomar o hábito da audição, de parar para ouvir um disco. Nesse sentido, o momento em que você para pra ouvir o disco e desconecta-se das redes sociais e da internet é o seu chalé mental. É o momento de se desligar do mundo lá fora para dar atenção ao que diz respeito a você.

A longo prazo isso não é apenas o caso de livros, discos, animais de estimação, refeições ou filhos. É preciso aumentar esse chalé mental para além do momento, esticá-lo para o resto da sua vida e é essa motivação que faz com que muitos comecem a querer tomar as rédeas das próprias vidas e depender menos dos padrões do século passado – como salário, patrões, status social, emprego, dinheiro.

No fim deste ano o Guardian publicou um texto em que listava quais as principais maiores mudanças nos últimos mil anos para a história da humanidade, divindindo-as por séculos. Enquanto o século 12 nos deu o conceito de lei e ordem, o 16 viu o declínio da violência pessoal, e o século 19 inventou o conceito de telecomunicações, o século passado foi aquele em que inventamos o conceito de futuro.

Para o Brasil isso é duplamente interessante pois além de sermos eternamente o país do futuro, finalmente, com a chegada do século 21, conseguimos enxergar um futuro para além do salário do fim do mês ou do emprego estável no fim do ano. Natural, portanto, não sermos empreendedores como nação, uma herança cultural portuguesa que ainda nos faz nos sentirmos merecedores de um bom emprego para o resto da vida (daí a febre dos concursos) ou de festejar lamentando os poucos trabalhos que arrumamos.

A segunda década deste século está mostrando que é possível sim pensar num futuro próximo a médio prazo. E enquanto a fuzarca é armada entre petralhas e reaças, entre os vai ter Copa e os não vai ter Copa, há uma parte inteira do país trabalhando em seus projetos, fazendo seus planos, desenhando seu 2015 independentemente de quem ganhar a Copa ou a eleição.

2014 foi, portanto, um ano de rascunho. Muitos já estão com seus projetos na rua, outros estão os colocando na prática na virada do ano e mais uns tantos fazem contas para quando mostrarão os seus. Todo mundo esticando seus chalés mentais para além de seu mundinho, para, aos poucos, melhorar o mundo a partir de casa. É uma mudança cultural gigantesca – e o papel da internet, como começo, meio e fim de muitos desses planos, não pode ser menosprezado.

Afinal, o processo é lento. Mas é um processo – não pode parar.

Feliz 2015 pra gente!

nin

O fundador do site Reflecting in the Chrome, dedicado a reunir todas as gravações de todos os shows do Nine Inch Nails, passou os últimos seis anos arrumando sua coleção digital para oferecer um pacote digital de nada menos que 527 GB de registros ao vivo da banda de Trent Reznor. São áudios de 575 shows retirados de 900 fontes diferentes reunidos em um único torrent que pode ser baixado no próprio site. Um presentaço de fim de ano pros fãs da banda.

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A IBM propôs um desafio ao senhor James Murphy, que até outro dia era o líder do LCD Soundsystem: compor música usando horas de dados extraídos de partidas de tênis do US Open. Foram 400 horas de partidas jogadas que foram decupadas em dados específicos sobre cada jogo, criando algoritmos e padrões que Murphy pudesse transformar em música.

O resultado é o disco Remixes Made With Tennis Data, que reúne doze partidas vertidas em som, que receberam um tratamento musical posterior, tanto na parte de timbres quanto no acréscimo de outros instrumentos. Por vezes o disco parece uma instalação sonora, por outras lembra os efeitos sonoros em uma partida de algum game velho, sempre soando de alguma forma parente do Kraftwerk e de Brian Eno. Saca só: