E esse outro que resolveu mostrar a casa que construiu no Minecraft num vídeo – e quis tirar onda com a lareira. Até que…
Minecraft é um jogo que permite que você construa modelos 3D de qualquer coisa – até mesmo uma versão em “tamanho real” da Enterprise.
Esses trekkies…
Dedico este post à Ana, que publicou a entrevista que ela fez com o Dodson enquanto eu estava de férias.
Assisti semana passada – e é tudo isso mesmo.
Foi com ceticismo que interrompi minhas férias por três horas, na semana passada, ao entrar em uma sala de cinema nos EUA para assistir ao filme sobre o Facebook. Líder nas bilheterias daquele fim de semana, A Rede Social também recebeu aplausos e elogios de quase todas as publicações norte-americanas – citar uma lista só com os veículos que lhe deram cotação máxima em suas avaliações enumera nomes que vão de carros-chefe da indústria como Hollywood Reporter e Variety a revistas como Time, Rolling Stone e New Yorker e jornais como Washington Post, Wall Street Journal e Los Angeles Times.
Para completar, o filme reúne um time exemplar: dirigido por um dos melhores cineastas de sua geração (David Fincher, de Clube da Luta e Zodíaco), escrito pelo mesmo Aaron Sorkin que deu ao mundo West Wing (o seriado sobre a Casa Branca que spoilou a realidade ao antever a eleição de Barack Obama) e protagonizado por Jesse Eisenberg (herói dos melhores hits discretos de 2009, Zombieland e Adventureland), além do cantor Justin Timberlake e dos bons novatos Andrew Garfield e Armie Hammer. Enquanto escrevo, surgem notícias apontando o filme como forte candidato ao Oscar de 2011. Mas como o excesso de expectativa costuma ser fatal para qualquer obra, fui sem esperar nada.
E me impressionei. A Rede Social, que chega aos cinemas brasileiros no início de dezembro, é o filme mais importante de 2010. E antes que os cinéfilos venham atirar pedras, vale lembrar que “mais importante” não é sinônimo de “melhor” (este posto continua com Um Homem Sério, dos Irmãos Coen). A Rede Social é o filme mais importante do ano por fazer que Hollywood saia do casulo sem assunto em que se fechou no início do século, quando preferiu recriar universos mitológicos – seja de super-heróis ou de livros clássicos – para voltar a falar de algo que faça sentido para a vida de seu público, reassumindo um papel que já foi seu mas que, nos últimos dez anos, foi substituído pela TV.
Mas não é irônico que, para isso acontecer, o cinema norte-americano tenha de falar da criação de um site de internet?
Não. E não apenas pelo tema do filme ser um site com meio bilhão de cadastrados, mas pelo fato de o cinema finalmente reconhecer a importância do meio digital para a história contemporânea. Hackers eram tratados como seres mágicos, prontos para quebrar barreiras de segurança sempre que o herói do filme, frequentemente avesso às novas tecnologia, se via diante de um computador.
Mas se antes isso era exceção, agora não é mais: vivemos em um mundo digital e é ridículo pensar que a única obra cinematográfica feita sobre este universo seja um filme feito para a televisão (Piratas do Vale do Silício, de 1999, sobre a rusga de Bill Gates e Steve Jobs).
A Rede Social parte do princípio de que o Facebook é tão importante hoje quanto os jornais foram no tempo em que Cidadão Kane foi feito por Orson Welles – a comparação é do próprio Fincher, que chama o filme de “o Cidadão Kane da geração John Hughes” – e para entender as motivações por trás desta nova mídia, foi preciso entrar na mente de seu criador. Mas ao contrário de Welles, que pintou seu William Randolph Hearst (o Kane original) com tons amarronzados de jornalismo barato, Fincher preferiu fixar-se no paradoxo de que a ferramenta mais popular de interação em tempos de internet ter sido criada por um hacker antissocial.
Juntos, diretor, roteirista e ator criam um Zuckerberg frio, robótico, ríspido, automático; um ser humano falho, mas uma máquina de programar – e programar tudo. E, como havia feito em Zodíaco, prefere não desvendar o mistério, apenas ampliá-lo. Quando o filme termina ao som de “Baby You’re a Rich Man” dos Beatles, com Zuckerberg dando reload em uma página do Facebook, sabe-se tanto sobre o Cidadão Zuck quanto se sabia antes do início do filme.
E não pense que A Rede Social é um caso isolado. Um filme sobre o Google já está sendo produzido e não duvide que, em breve, possamos assistir à vida de Steve Jobs no cinema. Com Tom Hanks, como sugeriu minha mulher ao final da sessão, no papel do pai da Apple.
Minha coluna no Caderno 2 voltou das férias ontem.
Uma música só para você
A solução do Belle & Sebastian
Ícones do indie rock desde seu primeiro álbum – If You”re Feeling Sinister, e lá se vão 12 anos desde seu lançamento -, o grupo escocês Belle & Sebastian acaba de soltar mais um disco no mercado. Write About Love é seu sétimo lançamento (sem contar os EPs) e, numa época em que qualquer disco pode ser baixado e ouvido com apenas uma busca no Google, a banda inventou uma forma interessante de fazer com que seus fãs comprassem a versão física – o CD – de seu novo álbum.
Muito já foi dito sobre este assunto: uma vez que a música perdeu seu valor comercial ao se tornar facilmente encontrada para download online, como os artistas podem fazer que seus fãs voltem a pagar por música? A primeira resposta já virou lugar-comum: o fã paga para ver o show (que abre uma discussão enorme sobre o que acontece com o artista que não faz apresentações ao vivo, mas isso é outra conversa).
Outros vieram propor mais soluções radicais. Já é clássico o exemplo do Radiohead, que liberou seu In Rainbows para download gratuito e propôs que os fãs pagassem quanto queriam para ter o disco (mesmo que não pagassem nada). A banda Nine Inch Nails transformou seu disco Year Zero em uma plataforma com diferentes versões para download. Quem quisesse ouvir o disco, podia baixá-lo gratuitamente. Se a opção fosse baixar o disco com uma qualidade sonora superior, havia um preço. Outra versão vinha com faixas extras, a um preço maior.
O baterista da banda, Josh Freeze, inspirado neste plano, lançou um disco em que ofertava várias versões com preços diferentes – e as opções mais caras incluíam desde um telefonema pessoal do músico para o fã em agradecimento à compra até um show particular feito para quem pagasse o valor máximo que ele pedia,US$ 20 mil.
O Belle & Sebastian, que se apresenta no Brasil no início de novembro, foi além e acaba de lançar uma promoção junto de seu novo disco que é simples e convincente o suficiente para fazer seus fãs comprarem o pedaço de plástico com as músicas gravadas. Cada cópia de Write About Love vem com um código único que, ao ser digitado no site da banda, permite que o fã participe de uma promoção.
Nela, a banda pede para que o fã escreva em 300 palavras porque o Belle & Sebastian deveria gravar uma música sobre ele mesmo. Quem conseguir convencer os escoceses ganha um senhor prêmio: a banda vai para a cidade do fã, passa uma tarde com ele para, depois, ouvir uma música composta sobre ele. Simples, não? E ainda há quem se pergunte sobre como ganhar dinheiro com música em tempos digitais…
Minha coluna para o Caderno 2 que eu fiz antes de sair de férias…
A arte de recombinar
Remix: Parte da cultura popular
“Tudo é remix”, diz o diretor nova-iorquino Kirby Ferguson no título da série de minidocumentários que lançou online nesta semana, Everything Is a Remix. “O ato de remixar sempre fez parte da cultura popular, independentemente do tipo de tecnologia usada”, explica o diretor no site do projeto, everythingisaremix.info. “Mas coletar material, combiná-los e transformá-los são ações que fazem parte de qualquer nível de criação.”
Mas antes que você torça o nariz achando que Ferguson está se referindo às intervenções que DJs fazem em músicas alheias, tome tento. O próprio diretor começa o primeiro capítulo de seu documentário explicando isso: o remix de músicas é só a parte mais conhecida de um evolução criativa que acompanhou a história da humanidade e, devido às leis de direitos autorais criadas durante o século 20, foi interrompido pois ficou impossível usar partes de obras alheias sem que isso significasse
pagamento ao artista original. Mas o pequeno filme conta duas situações que ocorreram no século passado que ajudaram a arte a se livrar da proibição que passou a pairar sobre o processo de criação.
Primeiro, ele cita o escritor beat William Burroughs, que, no início dos anos 60, em Paris, inventou um novo método para escrever livros. Ele datilografava páginas e páginas, depois as recortava e grudava umas nas outras, fazendo nascer, desta forma, novas palavras, frases e expressões – muitas sem sentido, mas e daí? Ferguson sai de Paris em direção a Londres, no final da mesma década, quando surge a banda Led Zeppelin. Incensada em seu país de origem, o grupo, no entanto, demorou para ser
levado a sério nos Estados Unidos porque boa parte de suas músicas “pegava emprestado” riffs, letras e melodias de clássicos do blues. Everything Is a Remix mostra as semelhanças entre velhos blues e músicas do Led Zeppelin.
E frisa que a diferença entre o que a banda de Jimmy Page fazia e o conceito de remix atual é que hoje a recombinação e recontextualização das obras quase sempre apontam quem é o autor original – ao contrário da banda inglesa. Que, por sua vez, teve trechos de suas músicas usados à exaustão por diversas bandas de hip hop – citados no filme.
O Rraurl completa treze anos neste fim de semana e devido às minhas férias (hehe, “adooooro”) não vou poder comparecer. O site é uma das melhores iniciativas tanto em relação à cena cultural brasileira quanto como veículo de comunicação nativo da era digital. Acompanhei essa história desde o começo, quando ainda era só um fanzine do Camilo e da Gaía e tive até uma coluna – de curta duração, só três edições – em que indicava treze MP3s para download por vez. Sim, treze – a idade que o Rraurl completa hoje e, justamente, o nome da minha coluna. Aproveitando o gancho, pedi pra Gaía me mandar uma lista com os treze momentos mais importantes, para ela, da história do site. É uma lista bem pessoal – e eu preferi que fosse assim. Parabéns, Rraurl! Que venham outros tantos treze anos!
1) Uma reunião com Camilo e Gil no gramado de uma rave no começo de 1997 foi o começo da história.
2) A entrada minha e do Gil na lista de emails (quem lembra disso?) chamada br-raves, também em 1997. Era lista irmã de outras do mundo, como uk-raves ou ar-raves, mas aqui era mais focado em techno, depois house. Foi importantíssimo pro site crescer, sabendo que tinha tanta gente legal tocando música e fazendo festa longe de Rio e São Paulo, e nós fizemos amigos que amamos até hoje.
3) O inesperado troféu Noite Ilustrada, pela Erika Palomino, como “melhor iniciativa da cena”. Ajudou a chamar a atenção pro site. E o troféu é lindo e enfeita minha casa até hoje.
4) O primeiro Skol Beats, no Autódromo. Lembro de ficar emocionada vendo tanta gente numa festa de música eletrônica. Mal sabia eu que a coisa ainda ia crescer muito mais que isso.
5) As festas em Brasília, onde se tocava house music de primeira e o povo dançava até de dia, num clima amistoso e simpático muito diferente do que reinava em SP na época. Coisas da br-raves.
6) As entrevistas feitas pela jornalista Jamille Pinheiro, de Belém-PA, que fez o site enxergar um outro nível de conteúdo.
7) As festas Circuito e Colors, que dominaram o mundo techno/house no começo dos anos 00 e com as quais o rraurl se envolveu muito.
8)A festa de 10 anos do rraurl, no Clash Club, com o Tittsworth, vindo de Baltimore, tocando uma mistura de booty techno com electro e rock. Até Bon Jovi tocou. Era 2007. Os puristas odiaram, a gente teve uma das noites mais divertidas da vida.
9) A Giuliana Viscardi, minha “Emily” como a gente brinca, que apareceu para colocar ordem na casa e teve uma passagem longa pelo escritório que se transformou numa amizade que mantemos até hoje.
10) A cobertura do Coachella 2008, minha primeira (!) ida pra festival na gringa, pra ver o Justice despontar como a coisa mais empolgante da música na época.
11) A “fase Jade” no rraurl, que eu considero a melhor época do site, com ele, Marcus Brasil (hoje na Época SP – n. do Matias – o Marcus passou pelo Link, hein!), Alisson Gothz e Raphael Caffarena na redação, além dos blogs em ótimas fases do Camilo Roch), Clau Assef e João Anzolin.
12) O apoio ao núcleo Crew, que fez os leitores da facção “eletrônica de verdade” torcerem tanto o nariz mas que ajudou a gerar uma nova geração de artistas da eletrônica nacional. É muito feliz ver que o núcleo ganhou tantos apoios ao longos desses anos e que as festas continuam cheias e divertidas.
13) O fechamento do QG do rraurl para um esquema home-office e o patrocínio da SKYY Vodka, já em 2010, uma relação profissional muito bacana que esperamos ver crescer com o tempo.





