
E aí, quem tem coragem?

Freaks and Geeks, para quem não sabe, é o átomo partido que deu origem ao universo de Judd Apatow. O diretor e produtor talvez seja um dos melhores retratistas de uma geração norte-americana que, nascida entre os anos 60 e 70, viu ruir uma série de fantasias e ilusões que funcionavam como liga social no século 20, para abraçar, indefesos, a overdose de tudo num século 21 deslumbrado com a própria juventude. É o que une comédias tolas e existencialistas como O Virgem de 40 Anos, Superbad, Pineapple Express, Ligeiramente Grávidos e os recentes Bem Vindo aos 40 (que ainda não estreou no Brasil) e o seriado Girls. Toda a origem deste universo está na única temporada de Freaks and Geeks, uma longa peça de teatro sobre a convivência (e posterior aproximação) de dois grupos alheios ao centro do universo social de uma escola de segundo grau em 1980: os jovens roqueiros que odiavam estudar e os primeiros nerds jogadores de RPG, unidos pela personagem de Lindsay Weir (Linda Cardellini), que, depois da morte da avó, passa a andar com os maconheiros da escola. Com apenas 18 episódios e um final aberto mas conclusivo, Freaks and Geeks mexe com sentimentos eternos reempacotados para um mundo que, em pouco tempo, viraria do avesso justamente à medida em que os freaks e os geeks começassem a se reconhecer uns nos outros, gerando o mundo que vivemos hoje. A revista Vanity Fair reuniu o elenco do seriado para uma longa conversa sobre sua produção, no início da década passada, e aproveitou para fazer retratos do elenco mais de uma década depois, abaixo:

Diferente do normal, essa noite foi bem devagar, com pouca gente na pista – eu e Annix praticamente discotecamos um para o outro. Vai ver foi a ressaca do carnaval, mas tou devendo outra noite pra ela… Sexta agora é a vez do Jesse!
“É estranho twittar sobre isso, porque soa tão épico: eis Neil Gaiman escrevendo Sandman”, postou Amanda Palmer em seu tumblr. Amanda, como vocês sabem, é a esposa de um dos maiores autores vivos, que volta à sua obra-prima. O próprio Gaiman repostou em seu Tumblr e comentou:

“É verdade.
Amanda entrou, olhou na tela do computador, sentou-se e tirou uma foto minha trabalhando. É engraçado: o medo do palco está passando à medida em que começo a vibrar com esses personagens outra vez…”
Ra-paz…

Fernanda nos informa que o icônico roupão vestido por Jeff Bridges no eterno Big Lebowski dos irmãos Coen está sendo leiloado online. Começou a ser vendido por 500 dólares e já está nos US$ 2.400 – sendo que ainda temos oito dias de negociação. Eu aposto que chega nos cinco dígitos.

Kika e Tiberio desceram macio na noite de ontem no Prata da Casa e, para fechar a noite lindamente cantaram juntos pela primeira vez. Foi demais, os vídeos seguem aí embaixo. E hoje é dia de indie rock pra adultos, com Madrid e Silva. Vamos?

Depois não digam que não avisei. Por aqui.

Pernambuco e São Paulo se encontram hoje no palco da choperia do Sesc Pompéia na terceira noite da Mostra Prata de Casa – e o encontro é bem macio. De um lado, a lírica doce e jamaicana musicalidade de Kika; do outro, o canto tranquilo e sossegado de Tibério Azul. Será que os dois tocam juntos no final, como aconteceu nas noites anteriores? O show começa às 21h e os ingressos custam R$ 8,00. Abaixo, o texto que escrevi para o catálogo da Mostra. Kika até descolou um remix dub que o Victor Rice fez para “Sai da Frente”, de seu excelente disco de estréia, ouça abaixo:
Pop sobre tudo
Enquanto África e Pernambuco temperam duas noites diferentes da Mostra Prata da Casa deste ano, uma terceira apresentação dupla reúne dois extremos destes dois universos para mostrar que eles têm mais em comum do que aparentam. Tanto Kika quanto Tibério Azul se apresentaram no final do ano e ambos navegam por mares psicodélicos sem deixar-se levar pelo delírio rítmico ou pelo transe instrumental. Ambos levantam a bandeira da música pop para tocar no rádio, sem deixar para trás características específicas dos universos de onde vieram. A cantora e compositora Kika está bem próxima do centro afropaulistano e gravou seu excelente disco Pra Viagem no mesmo estúdio Traquitana que viu o nascimento da banda Bixiga 70. Já Tiberio Azul pertence à safra de artistas que veio de Pernambuco logo após o fim do mangue beat e depois de passar por diferentes bandas, lançou seu primeiro disco solo no ano passado. Em comum, são dois artistas doces e sinceros, que cantam macio e tranquilamente, com um pé no pop radiofônico e outro num ar hippie sem a conotação pejorativa do termo. Tiberio reforça sua veia nordestina ao subir no palco ao lado de um acordeonista, invocando até Alceu Valença – um dos poucos pernambucanos tradicionais a não ser festejado pela geração de Chico Science – em seu repertório de pérolas que desnudam a fragilidade do macho brasileiro. Kika, presa até as canelas no lodaçal jamaicano do dub mas sem perder o sol de vista, passeia sorridente por canções singelas e aparentemente frágeis, mas que escondem uma visão feminina incisiva e moderna. Dois shows que pareciam apenas corretos e que ganharam novas dimensões principalmente devido à presença magnética de compositores em ascensão..

E na segunda noite da Mostra Prata da Casa, o público recebeu uma dose de eletricidade e humor graças à presença do pilhado Rafael Castro e dos promissores O Terno que, além de fazer seus shows à parte, ainda tocaram juntos no bis (saca só os vídeos aí embaixo). E hoje tem a Kika e o Tibério Azul, vamo lá?

E essa foto do Alex Kapranos enquanto indie-kid, em dois mil e bolinha, quando o Belle & Sebastian ainda era um nome de peso no cenário indie mundial?