Acertando as medidas

Com apenas cinco shows (todos bons) e poucas horas de duração, o Índigo Festival, que aconteceu neste domingo no Parque Ibirapuera, conseguiu acertar as medidas para que um festival de música não se tornasse nem sinônimo de maratona nem de perrengue. Claro que tem coisas pra se corrigir (uma atração brasileira? O som poderia estar mais alto e a duração poderia ser ainda menor), mas para uma primeira edição, o festival fez bonito, ainda mais encerrando em grande estilo com o Weeze. Escrevi sobre o festival em mais uma colaboração para o Toca UOL.
Com Weezer e Mogwai, Índigo acerta ao fugir do festival megalomaníaco
Três atrações internacionais de médio porte (e outras duas menores) voltadas para um público mais velho fizeram a primeira edição do Indigo, que aconteceu neste domingo (2) no Parque do Ibirapuera, uma bela amostra de que é possível fazer um bom evento de música sem apostar na escala megalomaníaca.
Reunindo o grupo escocês de pós-rock Mogwai, o grupo de pós-punk inglês Bloc Party e o hard rock indie dos norte-americanos do Weezer à novata espanhola Judeline ao punk japonês das Otoboke Beaver, o evento fez bonito num domingo que, ao contrário do que se esperava, não foi tão afetado pela chuva.
Fora a má ideia de fazer um festival ao ar livre no dia de finados (dia que, tradicionalmente, atrai chuvas), o Indigo Festival acertou nessa veia que já estava evidente para o mercado de shows internacionais no Brasil, fugindo das hipérboles associadas a eventos desta natureza, que parecem mais se importar em empilhar números e artistas do que proporcionar boas apresentações ao vivo.
Assim, mirando no médio, também acertou ao restringir o número de atrações. Em vez de vários dias com dezenas atrações, meras cinco bandas apresentavam-se numa única data, fugindo dos dias intermináveis de festivais de maior estatura. Sem crescer os olhos, o festival recebeu bem o público, que não tinha problemas para pegar filas tanto para comer, beber ou ir ao banheiro, deixando tudo bem agradável, mesmo no final do dia, quando o público todo já estava no local.
Um dos pontos negativos do festival foi sua duração. Para fazer valer o dia, esticaram as atrações das duas da tarde às dez da noite, o que fez com que a enorme maioria do público – entre seus 40 e 50 anos de idade – chegasse perto do horário do pôr do sol. Uma iminente tempestade que se avizinhava – e felizmente não caiu – também foi responsável pelo atraso do público, que fez os bons shows de Judeline e das Otoboke Beaver terem uma audiência bem baixa, ainda mais se comparada a dos outros shows.
A partir do show do Mogwai – primeiro veterano da noite, que tocou quando o sol começou a se por -, o público compareceu em peso e outro ponto negativo da noite tornou-se evidente – pois o som estava bem mais baixo do que o de outros eventos que aconteceram no parque neste mesmo ano (como os festivais C6 Fest, Popload e Best of Blues and Rock). A realização do festival consolida a volta dos shows ao ar livre no Ibirapuera, que ainda estava engatinhando após a pandemia e a privatização do Parque.
O som baixo ainda foi pior no caso do Mogwai, grupo conhecido e reconhecido pelo enorme volume de som contrapostos a momentos delicados, que ainda perdia força pelo fato de ser um show ao ar livre, o que fazia a chegada do som diminuir ainda mais ao dissipar-se a céu aberto. O som baixo não chegou a prejudicar os shows, mas deixou-os todos com um impacto menor do que poderiam ter.
A ausência de artistas brasileiros foi compensada com a participação de DJs daqui (em sua enorme maioria mulheres), mas não foi suficiente. Ainda mais quando falamos de um evento de médio porte, faixa em que vários artistas brasileiros frequentam, seria interessante incluir participações nacionais inclusive em shows depois dos shows estrangeiros.
São detalhes importantes, mas ainda assim detalhes. Não diminuem a chegada desse festival, que pode não ter criado uma expectativa gigantesca no público, mas entregou o que os presentes queriam: poucos e ótimos shows, num lugar agradável e com serviços funcionando bem. É um jeito de mudar a ideia de que festival de música é sinônimo de maratona e de perrengue e, fora essas ressalvas (som baixo, duração que poderia ser mais curta e ausência de artistas brasileiros no palco principal), o Índigo começou bem.
Ainda mais se levarmos em conta que não é uma marca criada apenas para um festival anual e sim para realizar shows de artistas deste porte sob uma mesma grife, como será o caso dos shows da inglesa Nilüfer Yanya (que acontece dia 12 no Cine Joia) e dos papas do trip hop Massive Attack (dia 13 no Espaço Unimed), ambos assinados por essa nova marca.
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