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Catatau chama Odair José para abrir seu cânone romântico

, por Alexandre Matias

Fernando Catatau mostrou outra faceta de seu trabalho nesta quinta-feira no Bona, quando estreou o show Cancioneiro em que, apenas com seu violão, repassa a parte mais emotiva de seu próprio repertório com novos e velhos clássicos da canção romântica brasileira. O líder do Cidadão Instigado já explora este cânone há tempos, seja em apresentações intimistas e ou de forma épica como fez no espetáculo Pra Falar de Amor, que fez há dois anos com Ava Rocha e Curumin. Nesta nova apresentação, Fernando toca apenas seu violão e, para este primeiro show, chamou um nobre convidado desta tradição cancionista para dividir algumas de suas músicas com ele no palco. E que maravilha poder assistir Fernando Catatau e Odair José no mesmo palco, felizes de estarem juntos mais uma vez e repassando alguns clássicos de Odair – como “Vou Tirar Você Desse Lugar” e “Cadê Você?” – e uma menos conhecida, escolhida por Catatau, “Mundo Feito de Saudade”, além de fazer o convidado despedir-se dividindo sua “Lá Fora Tem”. Além destas, Fernando passou sozinho por hits de sua banda em versão introspectiva (“Perto de Mim”, que só vi tocada ao vivo uma única vez, no lançamento do disco Fortaleza, “Te Encontra Logo”, “O Tempo” e “Como as Luzes”, esta última num bis improvisado a pedido do público) e tocou algumas novas (como “O Velho Sonhador”, que compôs para o filme Centro Ilusão, em que também atuou) e inéditas (como uma que compôs com Manu Julian para o primeiro disco solo da vocalista dos Pelados e outra em que canta “te amo e você nem tchum…”), além de músicas de outros compositores e foi muito bom vê-lo enfileirando músicas de autores tão distintos que falam em “abro o celular no gravador, finjo que é você a me ligar e que tu voltou pra me dizer que estava afim de conversa” (do conterrâneo Mateus Fazeno Rock, em “Rec.ordações”), “já faz tanto tempo que eu não sou o que na verdade eu nem cheguei a ser” (da mítica Kátia, em “Lembranças”), “não é nada disso, embora eu não saiba dizer mais nada” (Jards gigantesco em “Sem Essa”) e se acaso de madrugada chegar algum ‘volta para mim’, hackearam-me” (Marília Mendonça cada vez maior). E numa noite de pura emoção, o momento mais atravessador foi sua leitura da pesadíssima “O Divã”, do pai de todos deste cânone sagrado, Roberto Carlos.

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