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Eis os 25 melhores discos do primeiro semestre de 2026 segundo do júri de música popular da Associação Paulista de Criticos de Arte

Segue abaixo a lista com os melhores discos brasileiros lançados no primeiro semestre de 2026, segundo o júri da APCA, da qual faço parte ao lado de Adriana de Barros (Mistura Cultural), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea e Podcast VFSM), Guilherme Werneck (Canal Meio e Ladrilho Hidráulico), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Tem Um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto).

Veja a seguir:  

Catatau chama Odair José para abrir seu cânone romântico

Fernando Catatau mostrou outra faceta de seu trabalho nesta quinta-feira no Bona, quando estreou o show Cancioneiro em que, apenas com seu violão, repassa a parte mais emotiva de seu próprio repertório com novos e velhos clássicos da canção romântica brasileira. O líder do Cidadão Instigado já explora este cânone há tempos, seja em apresentações intimistas e ou de forma épica como fez no espetáculo Pra Falar de Amor, que fez há dois anos com Ava Rocha e Curumin. Nesta nova apresentação, Fernando toca apenas seu violão e, para este primeiro show, chamou um nobre convidado desta tradição cancionista para dividir algumas de suas músicas com ele no palco. E que maravilha poder assistir Fernando Catatau e Odair José no mesmo palco, felizes de estarem juntos mais uma vez e repassando alguns clássicos de Odair – como “Vou Tirar Você Desse Lugar” e “Cadê Você?” – e uma menos conhecida, escolhida por Catatau, “Mundo Feito de Saudade”, além de fazer o convidado despedir-se dividindo sua “Lá Fora Tem”. Além destas, Fernando passou sozinho por hits de sua banda em versão introspectiva (“Perto de Mim”, que só vi tocada ao vivo uma única vez, no lançamento do disco Fortaleza, “Te Encontra Logo”, “O Tempo” e “Como as Luzes”, esta última num bis improvisado a pedido do público) e tocou algumas novas (como “O Velho Sonhador”, que compôs para o filme Centro Ilusão, em que também atuou) e inéditas (como uma que compôs com Manu Julian para o primeiro disco solo da vocalista dos Pelados e outra em que canta “te amo e você nem tchum…”), além de músicas de outros compositores e foi muito bom vê-lo enfileirando músicas de autores tão distintos que falam em “abro o celular no gravador, finjo que é você a me ligar e que tu voltou pra me dizer que estava afim de conversa” (do conterrâneo Mateus Fazeno Rock, em “Rec.ordações”), “já faz tanto tempo que eu não sou o que na verdade eu nem cheguei a ser” (da mítica Kátia, em “Lembranças”), “não é nada disso, embora eu não saiba dizer mais nada” (Jards gigantesco em “Sem Essa”) e se acaso de madrugada chegar algum ‘volta para mim’, hackearam-me” (Marília Mendonça cada vez maior). E numa noite de pura emoção, o momento mais atravessador foi sua leitura da pesadíssima “O Divã”, do pai de todos deste cânone sagrado, Roberto Carlos.

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Cidadão à toda!

Fernando Catatau inaugurou a nova fase do Cidadão Instigado neste fim de semana em São Paulo, quando tocou o recém-lançado disco homônimo em duas datas no Sesc Pompeia. Como pude ver a estreia desse show na cidade-natal do guitarrista há exatas duas semanas é inevitável comparar os shows e notar como a apresentação paulistana foi mais tensa que a cearense – sem que isso comprometesse a performance. Enquanto em Fortaleza o público conterrâneo cantava inclusive as músicas novas, deixando todos – fãs e artistas – completamente entrosados e animados, em São Paulo havia uma tensão natural do público paulistano que queria ver o que era aquele novo Cidadão Instigado ao vivo com certaa desconfiança. E foi sintomático que ele começasse em São Paulo com a faixa que parece simbolizar essa mudança de fase, única gravada com os integrantes da formação e que mais se assemelha à sonoridade rock que associamos ao grupo – e que não foi tocada em Fortaleza. “Tudo Vai Ser Diferente” trouxe Catatau de blazer e óculos escuros para abrir o show e, como no Ceará, optou por uma dose cavalar do novo disco logo de saída, mas o público de São Paulo ainda está assimilando as novas canções e formato do show, que traz uma banda que une diferentes fases da carreira de Fernando, com Dustan Gallas e Clayton Martins representando a antiga encarnação do grupo, Samuel Fraga tocando a bateria eletrônica que também tocava nos shows solo de Catatau e Anna Vis e Rubi Assumpção como novas integrantes do Cidadão. E, como no show de Fortaleza, é Rubi quem faz a primeira conexão do passado com o futuro do grupo ao rimar na segunda parte do clássico dance-prog “Os Urubus Só Pensam em Te Comer”. Recomeçando duas músicas em dois momentos distintos, Catatau foi ficando mais tranquilo à medida em que o show progredia, ainda mais quando entregou-se aos seus clássicos e à sua guitarra – e além das que tocou em Fortal, o show de sexta-feira contou com “Doido” e “Homem Velho”, tornando a apresentação ainda mais ampla que a anterior. Showzaço.

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Fortal ferve!

Estive em Fortaleza neste fim de semana para cobrir o festival de comemoração do aniversário do Centro Cultural Dragão do Mar e segue um aperitivo do que rolou no evento abaixo:  

Celebração no Dragão do Mar

Passei o fim de semana em Fortaleza, quando pude assistir ao festival de aniversário do centro cultural Dragão do Mar, um dos mais importantes do Brasil, que completa 27 anos que fez do grande evento um novo momento. O festival também aconteceu junto do 300º aniversário da capital cearense e do aniversário de 60 anos da secretária de cultura estadual, que gere o aparelho, e calhou também de ter como principal atração o show de lançamento do novo disco do Cidadão Instigado, que também fazia aniversário, com 30 anos de banda. Fernando Catatau trouxe ao palco uma formação novíssima de sua banda, incluindo os veteranos Dustan Gallas (baixo) e Clayton Martin (bateria), o baterista eletrônico Samuel Fraga (que vinha tocando nos shows solos de Fernando) e as novatas Anna Vis (sample, guitarra e vocais) e Rubi Assumpção (vocais e percussão) e tocou quase todas as músicas do recém-lançado álbum. O fato do show ter sido em Fortaleza trouxe uma carga emocional forte e o público que lotou a Praça Verde se jogou na apresentação, cantando tudo. A escolha de específicas músicas anteriores (como “Urubus”, ‘Contando Estrelas”, “Lá Fora Tem” e “Te Encontra Logo”, entre outras) ajudaram o público a entender ainda mais o salto do novo trabalho. O festival ainda contou com a primeira apresentação do recém-lançado novo disco de Buhr, Feixe de Fogo, que, como o Cidadão, priorizou as músicas novas (incluindo uma participação soberba de Moon Kenzo, que cantou “70 Cigarros” com Buhr e sua “Não é Carnaval”) e trouxe músicas dos dois discos anteriores (como “Pic Nic” e “Dragão”) para equilibrar a apresentação fulminante. O festival ainda teve o projeto Iracema Sounds, que trouxe novas vocalistas cearenses, como Ayla Lemos, Joana Lima, Zabeli, Di Ferreira e Mumutante (esta o destaque da apresentação). E entre os vários outros shows do festival, vale falar da apresentação da pernambucana Priscilla Senna, ex-vocalista da banda Musa do Calypso, que trouxe o hino da sofrência “Alvejante” para delírio do público que lotou o Dragão do Mar. Em breve falo mais.

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Um papo com o Catatau sobre o novo Cidadão Instigado

Bati um papo com o Fernando Catatau para o Toca UOL sobre como uma série de gravações feitas sem propósito durante a pandemia se transformaram no novo disco do Cidadão Instigado, lançado nesta quarta-feira.

Assista abaixo:  

2026 está começando!

Cidadão Instigado, Buhr e Letrux transformam essa semana no início efetivo de 2026 pra cena independente brasileira. O primeiro acaba de lançar seu fantástico quinto álbum, batizado com o próprio nome, e que reúne, além da formação clássica (mesmo que em apenas uma canção, a absurda “Tudo Vai Ser Diferente”, que já entra instantaneamente no panteão do grupo), colaborações com nome como Juçara Marçal, Yma, Kiko Dinucci, Ava Rocha, Jadsa, Mateus Fazeno Rock, Anna Vis e Edson Van Gogh, consagrando o líder da banda, Fernando Catatau, como seu centro criativo. A segunda abandona o prenome para ficar apenas com o sobrenome e compartilha o primeiro sinal do próximo álbum, o curto, tenso e elétrico single “Ânsia”, que conta inclusive com guitarras do próprio Catatau. Já Letrux está às vésperas de lançar o ótimo SadSexySillySongs, seu quarto disco, que já está referindo como S4 e sai nessa sexta-feira, um disco de fossa e de recuperação de fossa, cheio de baladas irônicas como só Letícia poderia fazer, com participações de Jadsa, Mahmundi, Bruno Capinan, entre outros. Somam-se aos três lançamentos, saindo quase que ao mesmo tempo, outros discos que já foram anunciados ou estão em vias de ser de vários outros artistas desta safra que nos referíamos como midstream – gente que não pertencia ao vale-tudo do mainstream mas não precisava ter um outro emprego para sobreviver como grande parte do underground -, faixa do meio que foi dizimada com a pandemia. Parte dos artistas deste meio (como os três citados, entre dezenas de outros) ficou completamente à deriva após a tragédia do início da década mas, aos poucos, conseguiram se erguer e retomar o que acredito que seja o início de uma nova fase no pop brasileiro. E por esses três primeiros lançamentos, tudo indica que vem uma safra de ouro por aí, parecida com a que consolidou essa geração há dez anos, com os discos lançados entre 2015 e 2016 (faça as contas e perceba: só clássicos). E isso sem contar a nova geração, que também está preparando seus primeiros álbuns. 2026 promete…

O Cidadão Instigado está de volta!

Bem que essa movimentação do Cidadão Instigado nas redes sociais estava indicando e agora, nesta terça-feira, Fernando Catatau anuncia mais um disco de seu grupo batizado apenas com o nome da banda. Cidadão Instigado, o disco, chega ao público no dia 25 deste mês e mexe no cerne original da banda, expandido-o não só para além do rock como para além de sua formaçao clássica. O primeiro indício é a curta “Consciência”, lançada neste mesmo dia, em que o líder da banda pega-se no meio da dúvida logo na entrada da canção: “E eu não sei como é que eu vim de tão longe e agora estou aqui”. O novo disco conta com vários novos colaboradores, inclusive na formação do grupo que tocará o disco ao vivo, que reúne os já veteranos de banda Dustan Gallas (no baixo, synths e vocais) e Clayton Martin (vocais) com os novatos Rubi Assunção (vozes e baixo synth) e Samuel Fraga (bateria e bateria eletrônica), além de participações que entram em diferentes shows, variando inclusive a cada cidade. Bem que 2026 tava prometendo…

Ouça “Consciência” abaixo: