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Catatau chama Odair José para abrir seu cânone romântico

Fernando Catatau mostrou outra faceta de seu trabalho nesta quinta-feira no Bona, quando estreou o show Cancioneiro em que, apenas com seu violão, repassa a parte mais emotiva de seu próprio repertório com novos e velhos clássicos da canção romântica brasileira. O líder do Cidadão Instigado já explora este cânone há tempos, seja em apresentações intimistas e ou de forma épica como fez no espetáculo Pra Falar de Amor, que fez há dois anos com Ava Rocha e Curumin. Nesta nova apresentação, Fernando toca apenas seu violão e, para este primeiro show, chamou um nobre convidado desta tradição cancionista para dividir algumas de suas músicas com ele no palco. E que maravilha poder assistir Fernando Catatau e Odair José no mesmo palco, felizes de estarem juntos mais uma vez e repassando alguns clássicos de Odair – como “Vou Tirar Você Desse Lugar” e “Cadê Você?” – e uma menos conhecida, escolhida por Catatau, “Mundo Feito de Saudade”, além de fazer o convidado despedir-se dividindo sua “Lá Fora Tem”. Além destas, Fernando passou sozinho por hits de sua banda em versão introspectiva (“Perto de Mim”, que só vi tocada ao vivo uma única vez, no lançamento do disco Fortaleza, “Te Encontra Logo”, “O Tempo” e “Como as Luzes”, esta última num bis improvisado a pedido do público) e tocou algumas novas (como “O Velho Sonhador”, que compôs para o filme Centro Ilusão, em que também atuou) e inéditas (como uma que compôs com Manu Julian para o primeiro disco solo da vocalista dos Pelados e outra em que canta “te amo e você nem tchum…”), além de músicas de outros compositores e foi muito bom vê-lo enfileirando músicas de autores tão distintos que falam em “abro o celular no gravador, finjo que é você a me ligar e que tu voltou pra me dizer que estava afim de conversa” (do conterrâneo Mateus Fazeno Rock, em “Rec.ordações”), “já faz tanto tempo que eu não sou o que na verdade eu nem cheguei a ser” (da mítica Kátia, em “Lembranças”), “não é nada disso, embora eu não saiba dizer mais nada” (Jards gigantesco em “Sem Essa”) e se acaso de madrugada chegar algum ‘volta para mim’, hackearam-me” (Marília Mendonça cada vez maior). E numa noite de pura emoção, o momento mais atravessador foi sua leitura da pesadíssima “O Divã”, do pai de todos deste cânone sagrado, Roberto Carlos.

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Odair José abrindo pro Brian Jonestown Massacre

Numa cartada ousada e acertada, Odair José abrirá o show que o Brian Jonestown Massacre fará no Brasil no dia 28 de novembro, no Cine Joia. A ótima banda paulista Ema Stoned também fará parte da programação, abrindo a noite, mas ela de alguma forma está dentro do espectro psicodélico noise da banda dos Estados Unidos. Já o veterano outsider Odair José pode parecer peixe fora d’água aos ouvidos incautos, mas tem tudo para funcionar bem como aquecimento para show, numa aposta tão firme quanto a escolha de chamar o Trio Mocotó para abrir o último show que a mesma banda fez por aqui há dois anos, na mesma casa de shows. Assim que se faz.

Quando Maurício Pereira encontrou Odair José

A quarta-feira teve dose dupla quando saí do Centro da Terra rumo à Casa de Francisca ver mais uma vez Maurício Pereira mergulhar na surpresa com seu parça Daniel Szafran. Mais uma vez o já mitológico disco de 1998 percorreu as paredes do Palacete Tereza Toledo Lara como muitas vezes passeou pelas da antiga Francisca, na Zé Maria Lisboa, que fez o bardo paulistano lembrar de como a redescoberta do disco no velho endereço do tradicional palco da cidade foi crucial para reestruturar sua própria carreira. Bom de duplas (começou numa incrível com André Abujamra e hoje toca outra sensacional, com Tonho Penhasco), a que Maurício criou com Szafran é luxo só, com o pianista dividindo lindamente os vocais com o autor, que sempre tempera suas canções com seu sax soprano. Nessa pequena temporada, convidou Juçara Marçal num dia e ninguém menos que outro bardo da canção, este goiano, Odair José, para dividir o palco e tive o privilégio de assistir a esse encontro. Além das músicas de seu disco, Pereirão ainda dividiu três músicas com o convidado: sua “Truques com Facas” e duas dele, “Nunca Mais” (do ousado O Filho de Maria e José, ópera rock que fez durante a ditadura miliar) e o hino “Vou Tirar Você Desse Lugar”, este puxado no bis da apresentação, que ainda contou com participação surpresa da própria Juçara, que, como nós, apenas emocionava-se com Maurício no público e que foi puxada à fogueira do nada para fazer “Pan y Leche” com citações a canções clássicas da música brasileira improvisadas na hora. Que noite!

Assista aqui:  

50 anos do Phono 73

Imagine um festival reunindo Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethania, Elis Regina, Jorge Ben, Gilberto Gil, Nara Leão, Wilson Simonal, Vinícius de Moraes, Toquinho, Raul Seixas, Jair Rodrigues, Wilson Simonal, Erasmo Carlos, Jorge Mautner, Jards Macalé, Sergio Sampaio, MPB4, Wanderléa, Odair José e muitos outros artistas no auge da ditadura militar dos anos 70 — e também da chamada MPB? O Phono 73 aconteceu há 50 anos, quando, nos dias 11, 12 e 13 de maio de 1973, o Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, foi inaugurado com este elenco estelar, que fazia parte da principal gravadora do gênero à época, a Phonogram, liderada pelo visionário André Midani. Foi ele que vislumbrou um festival em que os artistas nao competiam e sim colaboravam, gerando encontros históricos como o que fez Gil e Chico criar o hino antiditadura “Cálice” (que nao foi tocado por censura prévia, fazendo com que o baiano mostrasse a música dias depois no histórico show que fez na USP, poucos dias depois), que reuniu Caetano Veloso e Odair José para cantar a polêmica “Eu Vou Tirar Você Deste Lugar” (um dos primeiros hits do segundo, sobre prostituição) e colocou Gil e Jorge Ben para tocar juntos pela primeira vez a clássica “Filhos de Gandhi”. O festival foi registrado para se transformar em filme, mas infelizmente pouco mais de meia hora sobreviveu ao tempo. Felizmente esse pouco que sobrou foi parar no YouTube, para nossa alegria. Saca só.

Assista abaixo.  

Os 25 melhores discos brasileiros do início de 2019

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Eis os 25 melhores discos brasileiros do primeiro semestre de 2019 de acordo com o júri de música popular da Associação Paulista de Críticos de Arte, do qual faço parte.

Alessandra Leão – Macumbas e Catimbós
Ave Sangria – Vendavais
BaianaSystem – O futuro não demora
Black Alien – Abaixo de Zero: Hello Hell
Boogarins – Sombrou dúvida
China – Manual de Sobrevivência Para Dias Mortos
Clima – La Commedia é Finita
Djonga – Ladrão
Dona Onete – Rebujo
Douglas Germano – Escumalha
Fafá de Belém – Humana
Hamilton de Holanda – Harmonize
Jair Naves – Rente
Jards Macalé – Besta Fera
Jorge Mautner – Não Há Abismo Em Que o Brasil Caiba
Larissa Luz – Trovão
Nômade Orquestra – Vox Populi
O Terno – Atrás / Além
Odair José – Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio
Pitty – Matriz
Rakta – Falha Comum
Tássia Reis – Próspera
Thiago Pethit – Mal dos Trópicos
Tiago Iorc – Reconstrução
Yma – Par de Olhos

Além de mim, votaram Marcelo Costa (Scream & Yell), José Norberto Flesch (Destak) e Lucas Brêda (Folha de São Paulo).

Tudo Tanto #56: Odair José encontra as Bahia

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Prestes a lançar mais um disco de protesto – Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio -, o “Bob Dylan da Central do Brasil” chamou Raquel Virgínia e Assucena Assucena das Bahia e a Cozinha Mineira para um dueto em “Chumbo Grosso”, primeiro single que ele antecipou para a minha coluna no Reverb, Tudo Tanto
confere lá.

Rumo a Presidente Prudente

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Fui convidado para palestrar sobre cultura independente brasileiro dentro da programação do Thermas do Rock deste ano, festival que o Sesc de Presidente Prudente organiza há dez anos. Falo a partir das 19h e às 20h30 tem show do Scalene do Odair José. Mais informações sobre o evento aqui.

Vida Fodona #555: Máquina do tempo

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Pensativo.

Jorge Ben – “O Filósofo”
Calvin Harris – “Merrymaking at My Place”
!!! – “Heart of Hearts”
Blood Red Shoes – “It’s Getting Boring By The Sea (Blamma! Blamma! Red Shoes Mix)”
We Are Scientists – “Chick Lit (Danger TV Remix Edit)”
Edu K + Marina Vello – “Me Bota Pra Dançar”
Simian Mobile Disco – “Hustler”
Whitest Boy Alive – “The Golden Cage (Fred Falke Remix)”
Mano Brown + Seu Jorge + Dom Pixote – “Dance, Dance, Dance”
Quinto Andar – “Som Pra Pista”
Knife – “We Share Our Mother’s Health”
George Michael – “Freedom ’90”
Happy Mondays – “24 Hour Party People (Jon Carter Mix)”
B-52’s – “Rock Lobster”
Gang 90 + Absurdetes – “Românticos a Go-Go”
Talking Heads – “I Zimbra”
Fall – “Rollin’ Danny”
Erasmo Carlos – “Mané João”
João Donato – “Cala Boca Menino”
Odair José – “Com o Passar do Tempo”
Pink Floyd – “Free Four”
Pavement – “Father To a Sister of Thought”
Bruce Springsteen – “Glory Days”
Isaac Hayes – “By the Time I Get to Phoenix”