Lee Ranaldo e a canção da resistência

leeranaldo

Tocando apenas com o violão e pedais, Lee Ranaldo passou pelo repertório de seus três discos solo nesta quinta-feira, no Sesc Bom Retiro, mas não deixou de desconstruir o instrumento acústico como fazia com a guitarra nos tempos do Sonic Youth, tocando-o com um arco, efeitos, ecos e distorções. No centro de tudo estavam as canções, guiadas por sua voz, cada vez mais firme, bem como sua intimidade, agora sozinho, com o palco e com seu novo instrumento, nitidamente setentista mas obviamente pós-punk. E a beleza de suas composições, realçadas pelo violão, dão o tom de toda a noite. A única vez que fugiu desse tom foi quando tocou “Thrown Over the Wall”, comentando sobre a política nos EUA, no Brasil e no mundo antes de começar a tocar a música. “Não é onde eu vivo, nem onde você vive, está em todo o lugar”, ele falou, “a ideia é olhar para frente – é isso que eu tenho frisado. Vamos olhar para daqui a cinquenta anos, setenta e cinco anos, não vamos ficar olhando pra trás, setenta cinco anos pra trás, para 1950, 1920 ou 1939…”

Você pode gostar...

1 Resultado

  1. Cassiano disse:

    Foi basicamente a mesma coisa no show a que assisti no interior de sp. Ranaldo utiliza muitos efeitos e o resultado reitera a importância da musicalidade dele na construção do som do Sonic Youth. As dissonâncias, afinações alternativas, vários momentos remetiam à sua importância no som da banda nova iorquina, porque soavam como Sonic Youth sem tanta distorção. Mas com ênfase nas canções, de estrutura bem simples, nem por isso menos belas. Não por acaso, estava lá o roadie com a camiseta do Husker Du. É exatamente isso. Lee Ranaldo voz e violão traz ecos de Neil Young, R.E.M., filtrados pela simplicidade de quem forjou sua abordagem pela ótica do punk rock e tudo o que resultou dele. A conversa sem empáfia com os espectadores depois do show reiterou essa escolha.