Acompanho à distância o trabalho do jovem lóki Rafael Castro – já ouvi quase todos seus disquinhos, mas nunca fui a um show -, sempre intrigado com a feliz colisão de psicodelia iê-iê-iê e brasileirismo foda-se que parece fruto de uma cruza do Júpiter Maçã com o Tatá Aeroplano num programa dos Trapalhões. À frente dos Monumentais, ele pertence a uma cena paulistana ainda sem rumo, posterior à cena de rock garagem da virada do século (Butchers’, Skywalkers, Sala Especial, Momento 68) e paralela à cena Sumaré (a MPB pós-Céu) que, de tanto gravar e fazer show (o cara não para), encontra os próprios trilhos na marra. Mesmo que os caminhos do seu tropicalismo aloprado sejam continuamente improvisados – o oposto do conceito de “trilho”. E depois de seis meses sem lançar nada, ele volta com o clipe de “Ultrapassa, Pai”, descrito como “videoclipe que revela o amadurecimento da banda ao longo dos anos de trabalho, evidenciando a solidariedade para com o descontrole emocional dos jovens latino-americanos”. Parece ironia.
Só não vale assistir o vídeo inteiro – porque senão você fica com vontade de matar o maldito.
Um milagre moderno.
E no capítulo de hoje da saga “chillwave goes mainstream”, temos o primeiro sinal de vida do próximo disco do Neon Indian, gravado em Helsinque. Se você curtiu o Toro y Moi, fica esperto.
Falando nisso, já ouviu o cover que o Alan Palomo fez pro hit do Marc Bolan? Puristas vão chiar.
Phoenix, time-lapse, Portland, câmera tilt: hipster até dizer chega, demais.
Falando em Laerte e Chiquinha, é bom ficar de olho no documentário Malditos Cartunistas, que está para ser lançado (nem sei direito, se alguém souber certinho, dizaê). O doc, como diz o Mini, “supre uma lacuna histórica ao documentar, de forma direta, com uma simples e bem sacada edição de entrevistas, um pedaço fundamental porém pouco valorizado na cultura brasileira”. Ele continua:
Não estamos falando de gente que simplesmente desenha, mas de uma categoria que ajuda a moldar a forma como o país se diverte, se pensa e se enxerga. Quando não é pelas invisíveis cordas das publicações underground, que colocam os malditos cartunistas na posição de influenciadores indiretos da cultura (como a finada revista Animal que pautou editores, diretores de arte, designers, escritores, jornalistas durante sua vida), temos a atuação direta no mainstream, como Angeli e suas 100 mil edições de Chiclete com Banana vendidas em banca, o pequeno império de Mauricio de Sousa, as tiras diárias de Caco Galhardo, Ota, Arnaldo Branco e outros espalhados por jornais brasileiros, o Reinaldo com o Casseta e Planeta na Globo (por sua vez filhotes do Pasquim de Jaguar e Ziraldo) e, claro, não podemos esquecer, da época em que o Laerte e o Adão Iturrusgarai faziam parte da equipe de roteiristas do TV Colosso.
É mais do que uma tradição, é um cânone. Ó o trailer:
Parece foda. E é bom pra esse povo que aprendeu a rir com o CQC e com LOLcats aprender que o buraco, no caso do humor brasileiro, é beeeem mais embaixo…
Post roubado do Stereogum quase todo, na caruda, em que o site compila vídeos de personalidades da cena indie atual nos tempos em que eles ainda estavam tentando um lugar ao sol.
O curta acima é o fatídico Vampire Weekend, filme adolescente feito por Ezra Koenig muitos anos antes de ele ter a idéia de batizar sua banda com o título de seu filme teen de terror.
Depois, Robin Pecknold, bem antes dos Fleet Foxes, manda um cover de Radiohead com um amigo.
Alexis Krauss, hoje no Sleigh Bells, aparece rapidamente nesse comercial da revista do Nickelodeon (ela aparece lendo a revista aos 0m07s e 0m14s).
E o Dan Rossen, hoje no Grizzly Bear e no Department of Eagles, encarnando Elvis aos cinco anos de idade?
E que tal o Arcade Fire, em 2002, tocando no apartamento de um amigo da banda?
Tem também o Ben Gibbard, do Death Cab For Cutie, há quase vinte anos, mandando um Sex Pistols.
O MGMT ainda assinava The Management quando gravou esse cover de Talking Heads.
E aqui temos a Robyn com… 13 anos!
E a Feist que, anos antes de assumir o indiesmo, flertava com, er, electro e fez figuração num clipe da Peaches alisando uma bicicleta?
E a menina de vestido azul nesse comercial de pizzaria é ninguém menos que a Bethany Cosentino, do Best Coast.
Será que tem desses vídeos com artistas brasileiros?
Ah, os anos 90…
Musiquinha nova que ela apresentou no show no Bourbon, no início da semana passada. Na guitarra, Junior Boca.

