
A segunda noite da temporada BNegron Convida que o compadre BNegão está apresentando no Centro da Terra também foi a estreia de um mago das teclas e das produções no palco. Freelion, pseudônimo usado pelo baiano Sandro Mascarenhas para fundir sua mescla de ritmos caribenhos, reggae e pagodão eletrônico baiano, brilhou em sua primeira apresentação, misturando sozinho levadas primas em diferentes instrumentos, seja a escaleta, os sintetizadores, a MPC e até o piano do teatro – tudo para uma celebração de ritmo e groove que fez o público levantar-se das poltronas no final da apresentação. Ele ainda convidou o MC Dante Oxidante e o anfitrião da noite para subir no palco e fazer alguns números, entre elas a irresistível “Essa é Pra Tocar no Baile”, que fez com que todos dançassem no teatro. Estreia de responsa!
Assista abaixo: Continue

Quando o Cure estava prestes a encerrar seu contrato com a gravadora Fitcion no início do século, Robert Smith sugeriu que o grupo lançasse uma nova coletânea, com a única condição que o próprio líder da banda escolhesse todas as músicas. A empolgação com o novo lançamento levou Smith a puxar uma gravação desta mesmo repertório em formato acústico e o grupo anunciou que finalmente disponibilizará este disco, lançado origtinalmente em 2001, nas plataformas digitais no próximo dia 9 de agosto – e vêm soltando clipes de versões em vídeo de algumas músicas, como “A Forest”, “The Lovecats” e “Close to Me”. O disco ao vivo, que é tocado pela formação do Cure que inclui Simon Gallup no baixo, Jason Cooper na bateria e percussão, Roger O’Donnell nos teclados e Boris Williams na percussão – além do próprio Bob, claro -, também será relançado em vinil (duplo, já em pré=venda) na mesma data de relançamento da versão online. Assista aos clipes abaixo: Continue

Dá gosto ver um projeto musical tomando forma. Não faz nem um ano que Manu Julian assumiu seu projeto solo ao topar um convite que fiz para que se apresentasse no Centro da Terra e ela vem desenvolvendo uma ótima sincronia com seu dupla musical, o guitarrista Thales Castanheira. A apresentação deste sábado aconteceu no Mamãe, ali na Barra Funda, e mesmo com a plateia cheia de convidados ilustres, a vocalista não perdeu a pose, cada vez mais à vontade com o repertório que, embora ainda tenha composições de suas outras bandas (Pelados e Fernê) e versões que faz desde aquele primeiro show em outubro do ano passado (como “Você Não Vai Passar” eternizada por Ava Rocha e “Novedades” do grupo argentino El Príncipe Idiota), está cada vez mais autoral, embora algumas músicas, como de praxe, ainda não tenham título definido. Mas já estão aí. Vai Manu!
Assista abaixo: Continue

Sábado teve a primeira das duas apresentações que o duo O Grivo realizou no Sesc Vila Mariana, fazendo trilha sonora para filmes com um século de idade. O projeto experimental fundado pelos músicos e luthiers mineiros Nelson Soares e Marcos Moreira mistura instrumentos eruditos, populares e criados por eles mesmos para superpor camadas sonoras que se complementam de forma ímpar, transformando suas apresentações em instalações sonoras que conversam também com as artes visuais – como teatro e dança. O fim de semana da dupla em São Paulo foi dedicado à sétima arte e se a apresentação do domingo ficou por conta da trilha sonora do clássico do expressionismo alemão O Gabinete do Dr. Caligari, de 1920, a apresentação que vi no dia anterior teve múltiplas facetas, uma vez que os dois músicos optaram por musicar curtas surrealistas daquela década um século atrás, que incluíam obras de Marcel Duchamp (Anemic Cinema, 1926), Man Ray (Emak Bakia, 1926), René Clair (Entr’acte, de 1924), Hans Richter (Rhythmus 21 e Rhythmus 23, ambos de 1921) e Walter Ruttmann (Opus III, de 1924), além de um curta temporão desta geração feito por Orson Welles (The Hearts of Age) em 1934. O clima onírico surrealista das peças pairava sobre músicas tocadas por instrumentos pouco ortodoxos como gongos e outros instrumentos de percussão de orquestra, cordas e teclas superpostas a loops de computador, entre a sinfonia e a sonoplastia e ao casamento reto e direto – mas nem por isso menos vago – quando os dois assumiam guitarra e bateria. Para viajar sem sair do lugar.
Assista a um trecho aqui.
#ogrivo #sescvilamariana #trabalhosujo2024shows 150

Assista a essa aula do professor KL Jay abaixo: Continue

“Tentei fazer uma versão em inglês para essa canção italiana tão importante chamada ‘Bella Ciao'”, escreveu a cantora norte-americana Mitski em sua conta no Instagram. “Claro que não falo nada de italiano então usei o tradutor do Google sem constrangimento e também me inspirei na versão em inglês que Tom Waits e Marc Ribot fizeram para essa música. Mas aí que está: mesmo que você fale italiano, diferente de mim, eu tenho certeza que pode escrever uma tradução melhor que a minha. E se você for um destes, faça isso! Ou ao menos tente! E grave, filme, compartilhe. Eu quero ver”. Veja a versão dela abaixo: Continue

Corri dali pro Porta Maldita, mas não consegui assistir ao show das catarinenses Dirty Grills, mas pelo menos cheguei a tempo de ver o Orange Disaster, a banda do Carlão Freitas – que também toca comigo no Como Assim? – mais difícil de fazer shows pois seu baterista, Davi Rodriguez, não está morando no Brasil. Foi o primeiro show do grupo que vi, com Carlão fazendo as vezes de guitarra e baixo mesmo tocando só guitarra, enquanto o outro guitarrista, Vini F., se joga no noise, mas sem nunca perder a base musical do quarteto, enfiando um blues elétrico na sua cara a poucos centímetros de cair no caos sonoro dos Stooges, matendo a tensão necessária pra manter a paisagem sonora ideal para o vocalista J.C. Magalhães agir como um pregador apocalíptico, de chapéu, óculos e dedo em riste, hipnotizando o pequeno público que encheu o Porta Maldita.
Assista abaixo: Continue

O cearense Mateus Fazeno Rock sentiu o peso da responsabilidade na apresentação que fez nesta quinta-feira na Casa Natura Musical. Reunindo um time de peso para mostrar seu Jesus Ñ Voltará, um dos grandes discos do ano passado, em grande estilo, ele quase escorregou na saída e bambeou quando um problema técnico o fez parar a apresentação para recomeçar do zero. Podia ter atropelado o erro e seguido em frente, mas sabendo da importância da apresentação, preferiu fechar as cortinas e voltar com tudo – invertendo inclusive o repertório para não simplesmente repetir a abertura original. E nestes momentos que você percebe a grandeza de um artista. Visivelmente nervoso na abertura que deu errado, ele voltou com sangue nos olhos e crescia a cada nova música – e a cada novo convidado. E que time: Fernando Catatau, Don L, Jup do Bairro, Brisa Flow e Mumutante, todos eles entrando no universo dramático do autor da noite, mesmo quando cantavam músicas próprias. A vocalista Mumutante era mais que participação especial e esteve durante todo o show com o grupo de Mateus (que ainda conta com os excelentes dançarinos Larissa Ribeiro e Raffa Tomaz e o DJ Viúva Negra), funcionando como segunda voz e calçando perfeitamente com o domínio que Mateus ia tendo do palco, seja só rimando ou tocando guitarra ou violão. E ele segue vindo…
Assista abaixo: Continue

“Dizem que somos os impossibilstas, sonhadores românticos que não crescem, que nossas exigências são ingênuas e tolas, que nossas crenças são uma religião falida”, diz uma voz em italiano ao final do single que anuncia o novo disco do Primal Scream, o primeiro do grupo escocês em oito anos! Come Ahead (já em pré-venda) será lançado no dia 8 de novembro e traz músicas que seu líder, Bobby Gillespie, compôs e gravou ao lado do guitarrista Andrew Innes e do produtor e DJ David Holmes, mas ao contrário do que os primeiros teasers pareciam fazer entender, a dançante “Love Insurrection” parece pender o disco para um lado mais soul e de rock clássico do que a vibe eletrônico-punk que caracterizam seus discos mais políticos. Mas a mesma fala em italiano que encerra o single não diminui o teor do disco, falando que “o espírito humano não pode ser derrotado! Viva o amor! Não passarão!”. Ouça a nova música abaixo, além de ver a capa do disco (que traz uma foto vintage do pai de Bobby, Robert Gillespie Sr., estampada na capa) e o nome das músicas: Continue

Banda fundamental tanto no cânone do indie rock mundial quanto na tradição nova-iorquina de fundir melodia e ruído, o Galaxie 500 anunciou o seu primeiro lançamento em quase 30 anos. Formado pelo guitarrista e vocalista Dean Wareham, pela baixista e vocalista Naomi Yang e pelo baterista Damon Krukowski, o grupo teve uma vida curta entre os anos de 1987 e 1991, gravou três discos essenciais (Today de 1988, On Fire do ano seguinte e This is Our Music de 1990) e até hoje influencia gerações inteiras de aficionados por noise atmosférico e canções perfeitas. O novo disco, a coletânea de lados B, versões para músicas do New Order, do Velvet Underground e dos Rutles e canções arquivadas Uncollected Noise New York ’88-’90 chega para o público no próximo dia 20 de setembro (e já está em pré-venda) e traz oito músicas do grupo que nunca foram lançadas, entre elas “Shout You Down” e “I Wanna Live”, que o grupo adiantou para mostrar o material que vem por aí. Ouça as novas músicas abaixo, além de ver a capa do disco e o relação com todas as 24 canções lançadas na nova coletânea: Continue