
E quem diria que ouviríamos uma música nova do Black Future, um dos principais nomes do pós-punk brasileiro, em pleno 2024? A culpa é do diretor Paulo Severo, que dirigiu o documentário Black Future: Eu Sou o Rio, que esteve na edição deste ano do festival In Edit, e usou uma música inédita do grupo, gravada depois do período em que banda estava em atividade, para encerrar seu filme. “Eu Quero Tocar a Lapa” já existia, mas só foi registrada em 2006, quando o grupo se reuniu para tentar relançar seu único LP, Eu Sou o Rio, de 1988, com produção de Thomas Pappon, algo que nunca aconteceu, até hoje. Não conseguiram chegar a um acordo com a gravadora multinacional que detém os direitos do disco e gravaram a música inédita, que finalmente vai ser lançada nessa sexta-feira, em todas as plataformas digitais, e que você ouve em primeira mão – com direito a assistir ao clipe divulgado pelo diretor – aqui no Trabalho Sujo. “Essa música surgiu com a ideia de reunir a banda em estúdio, depois de muito tempo sem se apresentarem juntos, e acabou virando o videoclipe que encerra o documentário”, explica o diretor. “E está valendo pois a música do Black continua atual 38 anos depois.” Severo reforça que Eu Sou o Rio nunca foi lançado em nenhum outro formato desde seu lançamento original. “Nem em CD e também não está em nenhuma das plataformas de streaming de música, continua existindo apenas em vinil e só é encontrado em sebos e na mão de colecionadores – e não são baratos”, continua o diretor, que anima-se com a possibilidade de um novo interesse no grupo permitir não apenas o relançamento do disco, mas também dos clipes que fizeram nos anos 80. “Nada está descartado, nem a volta da banda, nem músicas novas.” Tomara que role!
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Imagina você chegando em Paris e o Air está tocando “Playground Love” com o vocalista do Phoenix em pleno terminal? Mais um vídeo fodaço do Blogothèque, que filmou esse encontro – que não acontecia ao vivo há 20 anos – no terraço do aeroporto parisiense. Assista abaixo: Continue

Eis o que esperávamos: finalmente o gostinho de Bob Dylan que teremos da interpretação do fenômeno pop Timothée Chalamet, escalado para viver o menestrel norte-americano em sua primeira cinebiografia, no primeiro trailer de A Complete Unknown, de James Mangold, que estreia no final deste ano – e ele vem com música. Depois de vagar de óculos escuros na noite nova-iorquina do início dos anos 60, passando por lugares-chave do período com o Café Wha? e o Chelsea Hotel, o Dylan de Chalamet sobe ao palco para cantar o início de “A Hard Rain’s a-Gonna Fall” e… não faz feio. Não é nada estarrecedor, no entanto, mas não compromete nem a imagem de Dylan para as novas gerações nem a reputação do ator como talento em ascensão. É claro que poucas cenas não fazem um filme, mas o pouco que é mostrado neste primeiro aperitivo faz a aguçar a expectativa para um outro tipo de filme… Muito bem…
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Luiza Villa voltou ao palco do Blue Note nesta terça-feira para celebrar sua reverência a Joni Mitchell e algumas pequenas mudanças no show mudaram completamente a dinâmica da noite. O primeiro veio por um problema técnico, que impossibilitou que o jovem maestro Pedro Abujamra usasse seu teclado, deixando-o à vontade com o piano da casa, dando uma súbita elegância que os timbres elétricos do teclado ofuscam dos arranjos da compositora canadense. O outro detalhe foi caso pensado, quando Luiza passou a tocar menos guitarra ou violão – embora ainda siga tocando-os em momentos-chave da noite -, deixando-a mais solta para improvisar com sua voz e sua presença de palco. Os dois estavam o tempo todo próximos do resto da Orfeu Menino – a banda que os cinco têm juntos, completa pela guitarra de Tomé Antunes (que decidiu tocar de pé desta vez), o contrabaixo solista de João Pedro Ferrari e a bateria de Tommy Coelho, agora com congas -, deixando o show ainda mais elétrico e direto no ponto, na melhor apresentação que vi do grupo até agora.
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O público que foi ao Centro da Terra foi hipnotizado pela mistura de sensações propostas pelo projeto Onira, que contou com participações especiais que aprofundaram ainda mais o estado de sonho encapsulado pela dupla formada por Jovem Palerosi e Tatiana Nascimento. Enquanto a contrabaixista Lea Arafah dava uma dimensão mais orgânica e grave às texturas sonoras, a dupla formada por Daisy Serena e Bruna Isumavut transformavam o escuro do teatro em uma viagem visual para dentro. À frente, o produtor paulista criava texturas eletrônicas e andamentos de guitarra, enquanto a poeta brasiliense conduzia todos a um estado de vigília em que cânticos ancestrais e conversas triviais misturavam-se sem rumos definidos, criando um híbrido de confusão com perda que aumentava ainda mais a intensidade da noite.
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Morreu o último Four Top. Abdul Kareem “Duke” Fakir, de ascendência etíope e bengalesa, foi ele quem seguiu o chamado do amigo Levi Stubbs, que queria ser cantor, ainda na adolescência, motando a base do grupo, que depois seria completo com Renaldo “Obie” Benson e Lawrence Payton, uma das principais estrelas da constelação que era o elenco da gravadora Motown nos anos 60. Os Four Tops estavam no topo daquele panteão, ao lado das Supremes, dos Temptations e de Marvin Gaye e manteve-se em atividade – e com a mesmíssima formação – até 1997, quando Payton morreu de câncer no fígado. Depois foi a vez de Benson (em 2005) e Stubbs (em 2008), deixando Duke, a bela voz rascante que fazia músicas como “Baby I Need Your Loving”, “Reach Out I’ll Be There”, “Standing in the Shadows of Love” e “I Can’t Help Myself (Sugar Pie Honey Bunch)” atingir o céu da soul music. Morreu do coração, aos 88 anos. Obrigado pela música! Continue

A segunda noite da temporada BNegron Convida que o compadre BNegão está apresentando no Centro da Terra também foi a estreia de um mago das teclas e das produções no palco. Freelion, pseudônimo usado pelo baiano Sandro Mascarenhas para fundir sua mescla de ritmos caribenhos, reggae e pagodão eletrônico baiano, brilhou em sua primeira apresentação, misturando sozinho levadas primas em diferentes instrumentos, seja a escaleta, os sintetizadores, a MPC e até o piano do teatro – tudo para uma celebração de ritmo e groove que fez o público levantar-se das poltronas no final da apresentação. Ele ainda convidou o MC Dante Oxidante e o anfitrião da noite para subir no palco e fazer alguns números, entre elas a irresistível “Essa é Pra Tocar no Baile”, que fez com que todos dançassem no teatro. Estreia de responsa!
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Quando o Cure estava prestes a encerrar seu contrato com a gravadora Fitcion no início do século, Robert Smith sugeriu que o grupo lançasse uma nova coletânea, com a única condição que o próprio líder da banda escolhesse todas as músicas. A empolgação com o novo lançamento levou Smith a puxar uma gravação desta mesmo repertório em formato acústico e o grupo anunciou que finalmente disponibilizará este disco, lançado origtinalmente em 2001, nas plataformas digitais no próximo dia 9 de agosto – e vêm soltando clipes de versões em vídeo de algumas músicas, como “A Forest”, “The Lovecats” e “Close to Me”. O disco ao vivo, que é tocado pela formação do Cure que inclui Simon Gallup no baixo, Jason Cooper na bateria e percussão, Roger O’Donnell nos teclados e Boris Williams na percussão – além do próprio Bob, claro -, também será relançado em vinil (duplo, já em pré=venda) na mesma data de relançamento da versão online. Assista aos clipes abaixo: Continue

Dá gosto ver um projeto musical tomando forma. Não faz nem um ano que Manu Julian assumiu seu projeto solo ao topar um convite que fiz para que se apresentasse no Centro da Terra e ela vem desenvolvendo uma ótima sincronia com seu dupla musical, o guitarrista Thales Castanheira. A apresentação deste sábado aconteceu no Mamãe, ali na Barra Funda, e mesmo com a plateia cheia de convidados ilustres, a vocalista não perdeu a pose, cada vez mais à vontade com o repertório que, embora ainda tenha composições de suas outras bandas (Pelados e Fernê) e versões que faz desde aquele primeiro show em outubro do ano passado (como “Você Não Vai Passar” eternizada por Ava Rocha e “Novedades” do grupo argentino El Príncipe Idiota), está cada vez mais autoral, embora algumas músicas, como de praxe, ainda não tenham título definido. Mas já estão aí. Vai Manu!
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Sábado teve a primeira das duas apresentações que o duo O Grivo realizou no Sesc Vila Mariana, fazendo trilha sonora para filmes com um século de idade. O projeto experimental fundado pelos músicos e luthiers mineiros Nelson Soares e Marcos Moreira mistura instrumentos eruditos, populares e criados por eles mesmos para superpor camadas sonoras que se complementam de forma ímpar, transformando suas apresentações em instalações sonoras que conversam também com as artes visuais – como teatro e dança. O fim de semana da dupla em São Paulo foi dedicado à sétima arte e se a apresentação do domingo ficou por conta da trilha sonora do clássico do expressionismo alemão O Gabinete do Dr. Caligari, de 1920, a apresentação que vi no dia anterior teve múltiplas facetas, uma vez que os dois músicos optaram por musicar curtas surrealistas daquela década um século atrás, que incluíam obras de Marcel Duchamp (Anemic Cinema, 1926), Man Ray (Emak Bakia, 1926), René Clair (Entr’acte, de 1924), Hans Richter (Rhythmus 21 e Rhythmus 23, ambos de 1921) e Walter Ruttmann (Opus III, de 1924), além de um curta temporão desta geração feito por Orson Welles (The Hearts of Age) em 1934. O clima onírico surrealista das peças pairava sobre músicas tocadas por instrumentos pouco ortodoxos como gongos e outros instrumentos de percussão de orquestra, cordas e teclas superpostas a loops de computador, entre a sinfonia e a sonoplastia e ao casamento reto e direto – mas nem por isso menos vago – quando os dois assumiam guitarra e bateria. Para viajar sem sair do lugar.
Assista a um trecho aqui.
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