
Depois de ter visto o BK’ no palco ao lado de outros artistas como MC convidado finalmente pude vê-lo ao vivo apresentando seu show na primeira ds duas datas esgotadas que fez no Sesc Pompeia. E faz jus por merecer o título de um dos melhores rappers do Brasil atualmente: movimenta-se de forma contida no palco e conversa pouco com o público, pois tudo que precisa fazer está em suas letras e suas rimas, que passeiam por diferentes sentimentos e sensações, descrevendo situações que acontecem dentro e fora de qualquer um e tirando as conclusões a partir destas sobreposições. Seu flow é impressionante: ao mesmo tempo em que entregar versos gigantes num mesmo fôlego, o faz como quem tivesse dando um conselho, um toque, uma consideração, rimando naturalmente, como quem conversa. Auxiliado de um DJ, um MC e um trio de backing vocals impressionante, ele passou por músicas de seus quatro grandes discos (Castelos & Ruínas, Gigantes, O Líder em Movimento e Icarus) e chamou toda a responsa pra si mesmo, segurando a apresentação inteira sem sair do holofote central, fazendo todo mundo cantar letras quilométricas juntos em canções relativamente curtas. Pesado.
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Uma das heroínas mais simpáticas da história do rock, nossa querida Kim Deal nunca lançou nenhum disco solo – até agora, quase quarenta anos depois de iniciar sua carreira fonográfica. Afinal, ela sempre foi mais afeita a trabalhar em conjunto, seja no grupo seminal dos anos 80 que tornou possívell para o rock independente atingir um público maior na década seguinte (os Pixies, quem mais?), no grupo que montou com sua irmã gêmea Kelley e com quem compõe, toca, grava e viaja até hoje (as Breeders tavam abrindo a turnê da Olivia Rodrigo até outro dia) ou o feliz mas breve encontro batizado de Amps. Desde o início da década passada ela começou a trabalhar com seu próprio nome, primeiro ao fazer um show solo no festival inglês All Tomorrow’s Parties de 2012 e depois ao lançar uma renca de singles (“Walking with a Killer”, “Hot Shot”, “Are You Mine?”, “The Root” e “Biker Gone”, todos com seus respectivos lados B), entre 2012 e 2014. As Breeders voltaram a tocar em 2017 (participando inclusive do álbum de Courtney Barnett do ano seguinte, Tell Me How You Really Feel) e ela deixou quieto essa história de lançar suas próprias músicas. Até o meio deste ano, quando lançou o single “Coast” para, nesta quarta-feira, não apenas lançar mais um single (“Crystal Breath”) como para anunciar que seu primeiro álbum, chamado Nobody Loves You More, sairá em novembro pela gravadora inglesa 4AD. Parte do disco foi gravado pelo falecido Steve Albini e conta com várias participações especiais, como integrantes das Breeders (a irmã Kelley, Jim Macpherson e Britt Walford), um Raconteur (Jack Lawrence), um Teenage Fanclub (Raymond McGinley) e duas Savages (Fay Milton e Ayse Hassan). A capa, o clipe do novo single e a ordem das músicas podem ser vistos abaixo: Continue

Produtor, cantor e compositor contemporâneo da geração do Lira Paulistana, Robinson Borba trabalhou com Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, entre outros e lançou seu único álbum, chamado Rabo de Peixe, em 1984. Quarenta anos depois ele volta ao disco cercado por uma banda composta por Ricardo Prado, Estevan Sinkovitz e Guilherme Kastrup e começa a mostrar o novo trabalho, chamado Cauda da Galáxia, em que convidou vários nomes da cena contemporânea que habita São Paulo para levantar o disco. “Última Vez”, single que será lançado nas plataformas nessa sexta-feira e já pode ser ouvida em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, reúne dois destes convidados: o paulista Tatá Aeroplano, que também produziu o disco, e a paranaense Bruna Lucchesi. A aproximação com Tatá é recente e embora Robinson já o conhecesse de nome desde os tempos do Jumbo Eletro, só o conheceu quando fez uma oficina sobre produção independente oferecido pelo mister Aeroplano. “Eu achei muito interessante, ele tem uma cabeça espetacular e comecei a admirá-lo, porque ele consegue se autofinanciar”, explica o produtor, lembrando que ele bancou os discos que produziu – entre eles o clássico Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé – com os próprios recursos, que ele conseguia a partir de seu trabalho como engenheiro. Além de Tatá e Bruna, também participam do disco outros artistas da cena paulistana atual como Malu Maria, Guilhermoso Wild Chicken, Guizado, além de sua própria esposa, Cristina Borba. O disco está previsto para ser lançado no próximo dia 13 e Robinson pretende fazer o show de lançamento ainda este ano, mas sem data ou local definido.
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Nosso produtor canadense de música eletrônica favorito começou a lançar algumas músicas de seu principal projeto há alguns meses, marcando território para a volta do Caribou. Sem lançar discos com seu principal projeto desde 2020, quando lançou o excelente Suddenly, Dan Snaith lançou apenas o single “You Can Do It” no ano seguinte e apesar de seguir apresentando-se ao vivo, só lançou mais algo com seu pseudônimo instrumental Daphni, quando lançou o ótimo Cherry em 2022. Mas há alguns meses ele lançou o single “Honey”, seguido de outros dois singles, primeiro “Broke My Heart” e depois a irresistível “Volume”, inspirada no hino “Pump Up the Volume” imortalizado pelos M/A/R/R/S nos anos 80. Como pra bom entendedor um pingo é letra, tudo levava a crer que ele não ia parar só nos singles e em breve lançaria um novo disco. Dito e feito: ao lançar mais um single, “Come Find Me”, nesta quarta-feira, Snaith confirmou que seu próximo álbum sairá no início de outubro. Batizado com o nome do primeiro single, Honey também marca o início de mais uma turnê que começa no Japão, passa pela Holand, depois Canadá e EUA entre outubro e novembro para voltar à Europa no início do ano que vem. Seria demais pedir pra vir pro Brasil? Abaixo a capa do disco, a ordem das faixas e os clipes das músicas que já foram lançadas: Continue

E as pistas deixadas nas mídias sociais do trio The Smile durante o fim de semana levaram para o caminho certo e o grupo paralelo do Radiohead acaba de anunciar o lançamento de Cutouts, seu terceiro álbum e o segundo lançado em 2024. O novo disco é composto de músicas que ficaram de fora do disco lançado no inicio do ano, mas não vale dizer que é o Amnesiac do Kid A deles (mesmo porque Wall Of Eyes tá longe de ser um Kid A). Programado para ser lançado em outubro, teve mais duas músicas reveladas nesta quarta “Zero Sum” (bem fase clássica dos Talking Heads) e a ambient “Foreign Spies”, ambas lançadas com vídeos feitos pelo artista audiovisual Weirdcore. Confira abaixo: Continue

Imagine que você está em Glasgow, na Escócia, curtindo o show foda de praxe do Yo La Tengo quando dois dos principais representantes da música local sobem ao palco para dividir uma música, transformando o trio em quinteto. Foi isso que aconteceu nesta terça-feira, quando, no meio do show que o grupo nova-iorquino fazia na casa de shows SWG3, os dois guitarristas fundadores do Teenage Fanclub, Norman Blake e Raymond McGinley se juntaram ao guitarrista Ira Kaplan, à baterista Georgia Hubley e ao baixista James McNew para tocar uma versão fabulosa da clássica “I Heard You Looking”, um dos momentos mais transcendentais do show do Yo La Tengo. Por sorte tínhamos uma heroína na plateia que registrou esse acontecimento, confira abaixo: Continue

O Set que Paola Ribeiro armou nesta terça-feira no Centro da Terra fez os espectadores seguir o rumo que os artistas propunham no palco, abrindo um caminho para que a consciência possa perder-se em si mesma. A noite começou com Paola, sozinha, fora do palco, atrás do público, filmando sua boca que era projetada por Laysa Elias na performance “Ah!”, em que estendia a vogal entre a fala e o canto até ela tornar-se tão abstrata quanto a boca sem rosco que aparecia em frente à plateia. Depois, no palco, juntaram-se a ela, primeiro Douglas Leal e depois Panamby que, passeando por instrumentos, acompanharam a voz de Paola que, por sua vez, desconstruía um berimbau, ora tocando-o apenas como instrumento de corda, ora apenas como instrumeto de percussão. O transe abstrato tomou conta do público, que assistiu calado aos sentimentos crus expostos em sua frente – tudo isso iluminado pela luz discreta e intensa de Charlie Ho, que trabalhou apenas com as cores primárias, para preservar a aura elemental da noite.
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E Gabriel Thomaz encerrou sua temporada Eu Nem Era Nascido no Centro da Terra atualizando o título para as próximas gerações e finalmente colocando em prática uma ideia que carrega há quase duas décadas, data de uma das primeiras músicas que compôs pensando no público infantil e que só agora pode mostrá-la pela primeira vez num palco (“Papagaio Quequeco”). A primeira apresentação dos Autoraminhas – o mesmo grupo Autoramas, só que tocando músicas para crianças – começou com a música-tema do seriado do Batman nos anos 60, passeou pela trilha sonora da Vila Sésamo (ao visitar a inesquecível “Abecedário”, escrita por Marcos Valle), pelo repertório da primeira banda do Gabriel, Little Quail (com “O Sol Eu Não Sei” e “1-2-3-4”), e pela new wave de Portugal (“Robot”, do grupo Salada de Frutas, que o grupo já toca em seu show para adultos). Mas o ouro da apresentação está nas músicas feitas para esse novo formato, com músicas que explicam-se em seus títulos, como “Hora do Recreio”, “Cosquinha no Dedão”, a genial “Ornotorrinquinho” (descrita como uma versão infantil do Devo), a irresistível “Ritmo do Algoritmo” (falando em “faça o que seu mestre mandar”), a explosiva “Energia Atômica” (berrada por duas fãs mirins do grupo) e uma música com uma única sílaba (“ba”) repetida ad infinitum. Antes do show terminar, Gabriel chamou BNegão ao palco, que cantou sua “Dança do Patinho” naquele contexto inusitado – e funcionou! A apresentação não teve bis e sim uma extensa hora do recreio, quando o grupo chamou as crianças presentes no público para brincar com as baquetas na bateria, tocando teclado, tentando tocar guitarra e fazendo vocais improvisados e dancinhas, tornando o final do primeiro show do Autoraminhas num happening. Esse final caótico e fofo começou sobre a mesma base do tema de Batman que abriu a noite e que transformou-se numa mistura de improviso livre com playground que divertiu tanto as crianças, a banda e o público, numa pequena demonstração do que o mundo da música pode oferecer pra essa molecada – afinal, segue sendo rock mesmo sendo pras crianças! Pé na tábua, Autoraminhas!
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O fim de semana viu nossa majestade Joyce mostrar um de seus discos mais emblemáticos apenas empunhando seu violão em duas datas no Sesc Vila Mariana. Ela não é apenas uma das maiores cantoras do Brasil, mas um dos maiores nomes da dita MPB e só não é reconhecida como tal porque o machismo vigente não louva mulheres que também compõem e tocam instrumentos, além de cantar. Neste fim de semana, no entanto, ela dedicou-se a um clássico disco de intérprete que, como fez Chico Buarque anos antes em seu Sinal Fechado, reuniu músicas alheias para retratar a trágica situação que o país se encontrava no tempo da ditadura empresarial militar. Passarinho Urbano, gravado em 1975 na Itália e lançado no Brasil no ano seguinte, deixa claro suas intenções a partir do título – deixando clara a iminência da gaiola para pássaros que teimam em voar na cidade -, mas ao enfileirar estandartes do samba (“Pelo Telefone”, “Opinião”, “Chora Doutor”, “A História do Samba”, “O Trem Atrasou”, “Radiopatrulha”) com novos clássicos compostos por seus contemporâneos (“Quatorze Anos”, “De Frente Pro Crime”, “Pede Passagem”, “Marcha da Quarta-feira de Cinzas”, “Mudando de Conversa”, “Pesadelo”, “Viola Fora de Moda”, “Jóia”, “Fado Tropical” e “Acorda Amor”, que Chico mostrou no disco que mencionei há pouco), ela pinta um cenário que falava por si – mas não provocou a censura da época, passando despercebido como mero disco de intérprete. Quase meio século depois, o disco segue atual e não precisa de bulas ou notas de rodapé, além de tristemente conversar com os dias de pesadelo que atravessamos nessa terceira década do século 20. Além das faixas do disco, ela pinçou outras igualmente drásticas, como “Saudosa Maloca” de Adoniran Barbosa, “Mudando de Conversa” eternizada por Lucio Alves, a infelizmente sempre atual “Querellas do Brasil” de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, a vocacional “O Cantador” de Nelson Motta e Dori Caymmi, e suas próprias composições, “Mulheres do Brasil”, “Forças D’Alma” e sua única obra no disco original, “Passarinho”, em que musica o clássico poema de Mario Quintana. Antes de encerrar o show, ela ainda buscou o épico triste “Amor À Natureza” de Paulinho da Viola, em que o mestre cantava “relembro momentos de real bravura dos que lutaram com ardor em nome do amor à natureza, cinzentas nuvens de fumaça umedecendo os meus olhos de aflição e de cansaço, imensos blocos de concreto ocupando todos os espaços daquela que já foi a mais bela cidade que o mundo inteiro consagrou com suas praias tão lindas, tão cheias de graça, de sonho e de amor, flutua no ar o desprezo, desconsiderando a razão que o homem não sabe se vai encontrar um jeito de dar um jeito na situação”. Voz intacta e violão leve e complexo ao mesmo tempo levaram o público a um espaço mental único, que ecoa os anos de chumbo do século passado nos pesados anos cinzentos atuais, especificamente neste fim de semana de queimadas apagando o brilho do céu brasileiro, e Joyce quase não falou entre as músicas, deixando, mais uma vez, elas carregarem suas mensagens. Ela só voltou a falar no bis, quando puxou “Queremos Saber” de Gilberto Gil após ironizar da inteligência artificial e terminou pedindo para todos cantarem com ela, já sem o violão, a implacável “Juízo Final”. O sol há de brilhar de novo, mestra!
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Vocês ficam aí ouriçados com a volta do Oasis e nem sacaram que o Smile está aos poucos preparando o lançamento de mais um disco em 2024. No início deste mês, o projeto paralelo do Radiohead encabeçado por Thom Yorke e pelo guitarrista Jonny Greenwood lançou um vinil direto nas lojas, sem nenhum anúncio prévio, contendo duas canções inéditas, “Don’t Get Me Started” e “The Slip”. Poucos dias depois, o lado A do single apareceu nas plataformas digitais de áudio e ganhou um clipe, mas o que parecia ser apenas uma idiossincrasia temporária ganhou contornos criptográficos nas redes sociais do trio. Começou na sexta, quando o Twitter do grupo simplesmente escreveu “BOJUTZMKZSKYZGXZKJ” sem dar a menor explicação. Outros posts igualmente cifrados começaram a aparecer no Facebook, no Instagram, no YouTube, no TikTok, no Threads e no canal na banda no Discord. Até que um usuário do Reddit chamado ManInCloak (o “Homem de Capa”) começou a decifrar estes posts a partir de chaves clássicas de criptografia e aos poucos foi ordenando o que seriam os nomes e a ordem das músicas do novo álbum, ainda sem título (pelo menos ainda não craqueado). Tirando a primeira e a nona faixa, que ainda não há pistas sobre elas, o próximo disco do grupo teria a seguinte lista de músicas, veja abaixo: Continue