
Não tinha visto essa: no dia 27 de julho de 2022, a Billie Eilish foi convidada para participar de um show tributo a Frank Sinatra e Peggy Lee que aconteceu no Hollywood Bowl e, acompanhada pela Count Basie Orthestra, ela cantou uma versão fodona para a clássica “Fever” emendando uma versão para “Is That All There Is” com ninguém menos que Debbie Harry. Sente o drama: Continue

Como uma espécie de aquecimento psicológico para a primeira turnê em que subirá sozinho ao palco, Thom Yorke vem compartilhando em sua conta no Instagram a série de vídeos que publicou entre 2018 e 2019 tocando três músicas da trilha sonora que fez para o remake de Suspiria dirigido por Luca Guadagnino (“Suspirium”, “Unmade” e “Open Again”) e uma do Radiohead (“Bloom”) gravada no estúdio nova-iorquino Electric Ladyland, somente ao piano e ao violão. Lindo demais, confere abaixo: Continue

Como de praxe, Bob Dylan vem mexendo no setlist de sua atual turnê ao seu bel prazer, mas está aproveitando para desenterrar músicas que não tocava faz tempo. Na primeira noite da última etapa da Outlaw Festival Tour, que aconteceu neste sábado, o maestro não só desenterrou a ancestral “Silvio”, gravada em 1988 e tocada ao vivo pela última vez vinte anos atrás, como ressuscitou um clássico da maioria de seus shows que não era tocado desde 2019, “It Ain’t Me Babe”. Assista às duas abaixo: Continue

“Stockholm Syndrome” é um dos pontos focais do mágico I Can Hear The Heart Beating As One, disco de 1997 do Yo La Tengo que é certamente o disco mais consensual do trio de Nova York – e sua beleza e simplicidade (temperada pelo solo noise de Ira Kaplan) estica o disco para o polo mais indie-pop e menos experimental do disco clássico. Não por acaso foi a escolha de Jessica Dobson, líder da veterana banda de Seattle Deep Sea Diver, para ser incluída na coletânea Every Possible Way, que o selo 3Sirens, de Nashville, nos EUA, organizou para levantar fundos para o Everytown For Gun Safety Support Fund, que tenta resolver o problemaço que os Estados Unidos têm com a facilidade de acesso a armas de fogo. A compilação reúne artistas revivendo sucessos dos anos 90 (como o White Denim tocando “Connection” do Elastica, Coco tocando “Holiday” do Weezer e os Grahams tocando “Waitin’ For A Superman” dos Flaming Lips) e lançará semanalmente cada uma das dez canções, até disponibilizar a íntegra do disco em dezembro. E a versão deste primeiro single ficou tão certinha quanto inquieta, como o original (mantendo inclusive o solo barulhento). Saca só: Continue

A gravadora Rhino segue a feliz missão de abrir o baú da Joni Mitchell para entregar suas melhores pérolas a nós meros ouvintes e adianta uma das joias da próxima caixa de discos sobre a discografia da cantora canadense que está prestes a lançar. Joni Mitchell Archives, Vol. 4: The Asylum Years (1976-1980) reúne o material que compôs quando começou a se envolver mais com o jazz no final dos anos 70, época em que gravou quatro de seus clássicos pela gravadora Asylum: Hejira (1976), o duplo Don Juan’s Reckless Daughter (1977), o disco que gravou comk o veterano Charles Mingus, chamado apenas de Mingus (1979) e o disco ao vivo que encerra esta fase de sua carreira, Shadows And Light (1980). A caixa com 6 CDs (ou 4 LPs) reúne as participações de Joni na turnê Rolling Thunder Review, de Bob Dylan, versões alternativas em estúdio, demos dos discos e versões ao vivo em turnês do período. A caixa (já em pré-venda) deve ser lançada no dia 4 de outubro e a gravadora Rhino acaba de antecipar a demo de “Traveling”, música que depois se tornaria a faixa que batizaria seu disco de 1976. Ouça abaixo, além de ver a capa e o conteúdo completo da caixa, com todas as músicas e um livro de 36 páginas com fotos e pinturas de Joni e uma conversa dela com seu amigo, o direotr Cameron Crowe. Continue

A maior edição do Inferninho Trabalho Sujo, que aconteceu nesta quinta-feira, também foi uma experiência auditiva. Se nas outras edições privilegiávamos o calor humano de um espaço pequeno em que bandas poderiam aquecer ainda mais a noite com o volume de seu som, desta vez trazendo para o palco de pé direito alto da Casa Rockambole optamos por uma edição celestial em que a sensibilidade e a delicadeza estivessem em primeiro plano, sem que isso diminuísse a temperatura da noite. E o crescendo musical e energético que começou com voz e violão e acabou com uma banda de rock fez o público subir a expectativa cada vez a cada nova apresentação, devidamente saciada após cada um dos shows.
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Ao lançar um dos melhores discos de 2024 num espaço pequeno como o Auditório do Sesc Pinheiros, nesta quarta-feira, Thiago França sublinhou que seu novo disco (trinta e quantos?) é reservado para audições menores e mais intimistas, mas sem isso se confunda com mais leve ou mais delicado. Logicamente que há momentos de sutileza e sentimento, mas o forte da apresentação tinha peso, força e intensidade, especificamente por Thiago ter escolhido o formato de trio de jazz para conduzir o repertório da vez. E ao lado dos velhos comparsas Welington “Pimpa” Moreira e Marcelo Cabral, ele aproveitou para explorar todos o espectro possível daquela formação em cima dos temas registrados no novo disco. Uns deles (como “Luango” ou a faixa-título do disco, “Canhoto de Pé”) são velhos conhecidos de quem acompanha o trabalho do saxofonista e pontos de partidas para verdadeiras tours-de-force instrumentais, seja coletivamente ou em hipnóticos momentos solo. Mas no terço final do show, Thiago expandiu ainda mais sua paleta sonora, ao começar pelo “Bolero do Desterro”, faixa do segundo disco de seu projeto Sambanzo, que transformou-se num momento solo em que Pimpa e Cabral o deixaram só no palco, quando mostrou o motocontínuo de sua respiração circular, antes de receber Juçara Marçal para a versão dilaceradora que os dois registraram no novo disco de Thiago, quando visitaram, sax e voz, a preciosa “Dor Elegante”, de Itamar Assumpção. Aproveitando a presença de Juçara, encerrou o show com uma mistura (ou “um remix analógico e orgânico”, como ele mesmo brincou) de “Fear of the Bate Bola” do disco da vez com “Bará” que Juçara compôs quando o grupo Metá Metá foi convidado para fazer a trilha sonora de um espetáculo do grupo Corpo. O público pediu bis e Thiago encerrou a noite com a imortal “Cabecinha no Ombro”, de Paulo Borges, tocando sozinho e pedindo pro público cantar o eterno acalanto junto com seu sax. Que noite!
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Aproveitando o auê ao redor da segunda volta do Pavement, a clássica gravadora indie norte-americana Matador, que acompanhou toda a fase adulta do grupo liderado por Stephen Malkmus nos anos 90, encomendou um filme sobre a banda ao diretor Alex Ross Perry. Pavements estreou pela primeira nesta semana durante o festival de Veneza, trazendo Joe Keery, que interpreta o valentão Steve Harrington no seriado Stranger Things, como o vocalista e guitarrista da banda californiana. Um pastiche irônico de biografia romantizada com documentário feito para a TV (como deveria ser, afinal, eram os anos 90), o filme teve sua primeira cena mostrada em público nessa semana, quando a revista Vanity Fair antecipou um trecho do filme em que um Malkmus fictício faz pouco da excitação dos dois donos da gravadora (Chris Lombardi e Gerard Cosloy, vividos pelo ator Jason Schwartzman e pelo comediante e músico Tim Heidecker) quando estes anunciam que sua banda será o número musical do programa humorístico Saturday Night Live. E a reação foda-se de Keery como Malkmus consegue ser mais convincente em poucos segundos do que o Dylan de Timothée Chalamet no trailer do próximo filme sobre Dylan, A Complete Unknown (e olha que eu gostei desse último!).
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Cuca Ferreira pisou firme em sua estreia como artista solo em sua apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira. Embora ainda se escondendo sob o pseudônimo de Cuca Sounds, ele deixou sua marca explícita em toda a apresentação, desde o desenho da formação musical que reuniu à escolha do repertório até a forma como ele foi apresentado. A deixa inicial foi a primeira apresentação ao vivo do EP que lançou no primeiro semestre que batizava o espetáculo, Música em Busca de um Filme, mas esse foi só o mote inicial da noite, resolvido na primeira faixa. Dali em diante, Cuca e o exército de sopro e ritmo que organizou mergulharam no mar das memórias do saxofonista, passando por músicas que foram importante em sua carreira, como “Algo Maior” da Tulipa Ruiz, “Pomba de Gira do Luar” de Luiza Lian e “Saudade de Casa” e “Ngm + Vai Tevertrist” de Giovani Cidreita, um dos convidados da noite, com quem Cuca vem trabalhando ao vivo; e faixas autorais, como as do disco que lançou há pouco tempo, uma da segunda parte deste projeto, ainda inédita, e uma música em homenagem ao compositor Philip Glass, chamada “Glass Key”, esta última coreografada por sua filha, a dançãarina Beatriz Galli que, como o próprio pai disse antes da apresentação, mostrou que não estava ali por nepotismo. A banda, sem instrumentos harmônicos ou bateria, contava com velhos e novos cúmplices de Cuca, como o baixista Fábio Sá (com quem sempre tocou em projetos temporários), a flautista Marina Bastos (com quem ele tocava pela primeira vez), a percussionista Valentina Facury e o trombinista Doug Bone (ambos integrantes de uma de suas bandas, o decano Bixiga 70). Longe do palco, Bernardo Pacheco e Paulinho Fluxus, outros velhos camaradas de Cuca, cuidavam respectivamente do som e da luz, provocando intervenções cirúrgicas. E escondido atrás das cortinas estava o agente oculto Marcos Vilas Boas, que projetava imagens durante toda a apresentação – até chegar ao ápice da noite, quando a banda – e a dançarina – improvisou a partir de imagens que Vilas Boas projetava sem ter combinado nada previamente, invertendo o título da noite e mostrando o quanto essa formação é orgânica e próxima, num delírio em preto e branco. Agora é colocar essa turma na estrada, seu Cuca!
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A primeira apresentação da temporada do grupo vocal Gole Seco no Centro da Terra subiu a régua lá no alto quando a cantora Niwa voltou para seus tempos de intérprete celebrando cantoras e compositoras num espetáculo que chamou de Disruptivas. E já começou a noite com a fabulosa “Feminina” de Joyce, passando por canções de Dona Onette (“No Meio do Pitiú”, quando reforçou sua ascendência paraense), Fátima Guedes (a deslumbrante “Cheiro de Mato”), Tetê Espíndola (“Cunhataiporã”), Lila Downs (“Yunu Yucu Ninu”, poema mixteca musicado pela cantora mexicana), Urias (a excelente “Foi Mal”) e Ná Ozzeti (“Ultrapássaro”, canção composta por seu irmão Dante e José Miguel Wisnik), cercada pela banda que a acompanhava no início de sua carreira (formada por Ivan Liberato na guitarra, Pedro Canales no baixo e Felipe Rezende na bateria) e de João Antunes (produtor de seu primeiro disco, tocando violão e guitarra). No meio da apresentação ela chamou suas amigas de Gole Seco (Giu de Castro, Loreta Colucci e Nathalie Alvim) para duas músicas, uma versão linda para “Jóga” da Björk e “Me Chamou de Feia”, canção da própria Niwa que o grupo gravou em seu primeiro álbum. A banda voltou para acompanhá-la por duas músicas próprias (“Mulessa” e “A Justiça de Tupã / Yo’i Tüna Pogü”) antes que ela chamasse o último convidado da noite, o paraibano Pedro Índio Negro, que dividiu os vocais com a dona da noite em duas das maiores tour de force vocais da história do rock: “Barracuda” do Heart e “Wuthering Heights” da Kate Bush, essa última com direito à citações da coreografia do clipe. Foi de tirar o fôlego!
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