
E aos poucos o que era lenda vai ganhando forma: o Cure de Robert Smith lança mais uma música de seu novo álbum, Songs of a Lost World, e também apresenta o título e a ordem das músicas do disco que sairá no início de novembro. “A Fragile Thing” segue o tom denso e melancólico da primeira faixa do disco e faz aumentar a expectativa que talvez o novo álbum faça par com as obras-primas mais épicas do grupo, como Pornography, Disintegration e Bloodflowers. Ouça a música e veja o nome das novas faixas abaixo: Continue

Mais uma bola dentro do C6, que além do Air, também trará os Pretenders de Chrissie Hynde para sua programação do ano que vem, em maio. Quem anunciou foi a Monica Bergamo. Assisti à banda em 2018, quando eles abriram para o Phil Collins no estádio do Palmeiras e o show foi ótimo; Chrissie Hynde segue mandando bem, como de praxe.
Veja abaixo: Continue

Carox e Flávio Particelli estavam animados mas nervosos com o primeiro show do A Ride for Two, projeto que criaram durante a pandemia para compor canções introspectivas e bucólicas distantes das músicas que fazem em seus projetos até então, quando a velocidade e o ruído do hardcore encobre letras e melodias para valorizar a energia da performance. Mostrando pela primeira vez ao vivo o novo duo, eles sentiram o peso de ouvir as próprias vozes e instrumentos sem distorção ou volume, o que a princípio os deixou tensos no começo da apresentação desta terça-feira, no Centro da Terra. Mas à medida em que iam desbravando as canções e se acostumando ao ouvir as respectivas vozes num contexto longe do caseiro iam ganhando confiança e fazendo o show crescer. Amparados por uma banda afiadíssima, formada por Marcelo Crispim (guitarra), David Margelli (baixo), Thales Stipp (bateria) e Luiz Viola (piano), que nunca transbordava o som de forma a sobrepor-se à dupla vocal, os dois entrelaçavam violão e guitarra (era a primeira vez que Carox tocava o instrumento em público) e os dois belos timbres de vocais nas canções que formam o repertório de seu único EP e algumas inéditas, além de contar com duas participações especiais, cada uma delas trazendo uma referência musical diferente: ao lado de Cyz Mendes, do grupo Plutão Já Foi Planeta, os dois cantaram “Wildflower”, do disco novo da Billie Eilish, e ao lado de Cyro Sampaio tocaram “Miopia”, da banda do convidado, Menores Atos. Um show bonito e delicado, que logo livrou-se do clima de batismo de fogo que tensionava a dupla no início para entrar num portal de sutilezas e melodias que, apesar de estranho às carreiras anteriores dos dois, fez muito sentido para ambos – e para o público, que embarcou na carona proposta pelos dois.
Assista abaixo: Continue

E se havia alguma dúvida de que A Complete Unknown, a cinebiografia de Bob Dylan com Timothée Chalamet dirigida por James Mangold, pode ser um bom filme, ela dissipa-se com a revelação de seu trailer principal nesta terça-feira. Não só o astro da vez está convincente como o protagonista- e não apenas cantando -, como algumas cenas e trechos de diálogo mostram que há um compromisso sério com a história de Dylan, mesmo que o próprio não se leve tão a sério – e fala sobre isso até no trailer (“As pessoas inventam seus passados, elas lembram-se do que querem e esquecem do resto!”). O trailer mistura cenas de sua chegada em Nova York, trechos de seu relacionamento com Joan Baez (vivida por Monica Barbaro) e Suze Rotolo (que transformou-se em Sylvie Russo por algum motivo, vivida por Elle Fanning), com seu empresário Albert Grossman (vivido por Dan Fogler) e com seus mestres Pete Seeger (vivido por Edward Norton), Johnny Cash (Boyd Holbrook), Alan Lomax (Norbert Leo Butz) e Woody Guthrie (Scoot McNairy). O filme estreia nos EUA dia 25 de dezembro e deve chegar por aqui em janeiro. Confira o trailer abaixo: Continue

Pélico começou sua temporada Cá com os Meus Botões nesta segunda-feira no Centro da Terra voltando em momentos distintos de seu repertório revistos de forma direta e reta, deixando a força de suas canções de amor soar para além de arranjos meticulosos, silêncios de câmara e várias participações, como pedem seus registros fonográficos. Ao lado de Pedro Regada, que revezou-se entre os teclados e o piano, ele preferiu mostrar suas canções cruas, fossem acompanhadas por seu violão ou conduzidas apenas por sua voz. E assim passou por diferentes momentos de seus três discos mais recentes – Que Isso Fique Entre Nós, de 2011 (representado por “Não Éramos Tão Assim”, “Não Vou Te Deixar, Por Enquanto”, “Sem Medida” e pela faixa-título); Euforia, de 2015 (que também veio com sua faixa-título e “Olha Só”) e por seu disco mais recente, Quem Me Viu, Quem me Vê, de 2019 (que veio com “Machucado”, que abriu o show, “Nosso Amor” e “Amanheci”) -, além de visitar duas pérolas alheias, “Espelhos d’Água” de Dalto que ficou famosa com Patrícia Marx, e “O Que Me Importa” que Cury Heluy fez pra Wanderlea, mas que foi gravado depois por Tim Maia, Ira! e Marisa Monte. Em todas as canções, a intensidade de sua voz reforçava a força das letras e das melodias, que se integravam perfeitamente quando o piano se misturava ao violão, como fizeram na última canção da noite, ao visitar mais uma do disco de 2011, “Recado”. Foi bem bonito.
Assista abaixo: Continue

Dois monstros sagrados da canção norte-americana se reencontraram neste sábado para um sarau elétrico com cargas de nostalgia, quando os ex-companheiros de banda Neil Young e Stephen Stills tocaram juntos no festival Harvest Moon, que arrecada fundos para duas instituições que acompanham o tratamento de crianças com necessidades especiais, a Bridge School, fundada por Neil Young, e a Paint Turtle, fundada pelo ator Paul Newman. O reencontro aconteceu na tarde do sábado passado, quando revisitaram não apenas músicas de suas antigas bandas do final dos anos 60 – Buffalo Springfield (“For What It’s Worth”, “Bluebird” e voltando pela primeira vez em 57 anos “Hung Upside Down”!) e Crosby Stills Nash & Young (“Helplessly Hoping” e “Helpless”)- como abriram a apresentação com “Long May You Run”, da banda de breve duração que os dois tiveram no meio da década seguinte, a Stills-Young Band, que só existiu durante um único disco. Além de canções solo de Stills (“Love the One You’re With”) e do velho Neil (como “Vampire Blues”, “Field of Opportunity”, “Human Highway”, “Heart of Gold” e “Harvest Moon”, as duas últimas com a vocalista Lily Meola), ainda contaram com a presença de John Mayer, que também fez seu show no festival, na última música do bis, “Rockin’ in the Free World”. Veja o setlist completo e as músicas que heróis filmaram da plateia abaixo: Continue

Não sou propriamente fã do disco que o sambista Xande de Pilares gravou ano passado cantando Caetano Veloso porque acho que cai naquele lugar cinzento entre a MPB e o elemento fofo do cenário independente deste século, dois recortes que gentrificam – com meio século de diferença – a música brasileira (e eu que não vou entrar nessas polêmicas caça-clique, que preguiça…), mas entendo a importância do disco ao apresentar diferentes artistas para diferentes públicos, passo crucial rumo à união das duas metades de um país que sempre foi partido. Mas ao regravar “Banho de Folhas” de Luedji Luna, meu xará acerta na mosca em uma veia que precisava ser pressionada há tempos. Pois são dois artistas contemporâneos que vêm da mesma matriz mas saem de cenários distintos e a nova versão para a música de Luedji (com seu belo clipe, veja abaixo), reforça uma beleza sambista que a música original apenas insinuava – e isso sem precisar recorrer à nostalgia. A versão ficou lindona e, com isso, consagra de vez “Banho de Folhas” como um estandarte do repertório da atual música brasileira.
Assista abaixo: Continue

Apesar de conhecido e reconhecido como um dos grandes nomes da cena musical brasileira deste século, Curumin ainda é um talento a ser descoberto. Por mais que tenha hits tatuados no inconsciente coletivo da noite paulistana, ele ainda não é reverenciado como o gênio que é – e por caprichos próprios, que prefere cultivar amizades e a conexão com o público do que fazer o jogo do mercado da música ou dançar conforme o algoritmo das plataformas. Seu Pedra de Selva, um dos grandes discos de 2024 e talvez seu melhor disco, foi lançado quase na surdina há pouco mais de um mês e, mesmo sendo seu primeiro trabalho lançado em sete anos, é mais um exemplo da forma como conduz sua carreira. Como fez em outros álbuns antes, prefere construir uma coleção de canções que conversa entre si do que a ceder para eventuais apelos pop. E os dois shows que fez neste fim de semana no Sesc Pompeia foram ótimas amostras de sua grandeza. Num palco psicodélico-vegetal (cenário maravilhoso de Rodrigo Bueno, iluminado lindamente por Cris Souto), criou uma versão tropical do assalto dos sentidos do Funkadelic com uma banda transnacional da pesada, que reunia os pernambucanos Jessica Caitano e Maurício Badé, a baiana Aline Falcã, a mineira Josy.Anne (dona da irresistível “Mexerica Mineira”), o paraense Saulo Duarte e os paulistas Fred Prince, Funk Buia, Iara Rennó, Arlete Salles e Lelena Anhaia. Pilotando essa usina sonora com sua bateria em primeiro plano, o músico, cantor e compositor hipnotizou o público com pedradas hipnóticas (“Pira”, “Pisa”, “Água Fria em Pedra Quente”, “Meu Benni” e a deliciosa “Estado de Choque”) e levadas macias (“Paixão Faixa Preta”, “Jacarandá”, “Flecha do Dedo”, “Cigana Cigarra”, “Tempo de Sal” e a já citada “Mexerica..”) num show composto quase unicamente pelo disco novo, reforçando a magia deste encontro recente. Abriu exceção para três de suas pérolas imortais: “Selvage”, “Mistério Stereo” (que puxou no bis sozinho à guitarra, sendo acompanhado pelo tamborim de Prince) e “Samba Japa”, esta última fundida com “Não Adianta” do Trio Mocotó (em reverência ao recém-falecido Fritz Escovão), estas últimas cantadas em uníssono pelo público extasiado pela força da natureza que é este band leader. Eu acho é pouco! Vem mais!
Assista abaixo: Continue

Heróis do indie brasileiro, o quarteto carioca Oruã tirou o período pós-pandemia para desbravar o mercado internacional: já fez mais de 120 shows fora do país nos últimos três anos e atualmente atravessa uma residência artística em que passa por cinco diferentes cidades do estado da Califórnia, dentro da turnê que estão fazendo pelos Estados Unidos. Neste período também gravaram mais uma participação na festejada rádio da região de Seattle KEXP, quando mostraram músicas do disco que lançaram esse ano, Passe, em meia hora de programa. Formado pelo ícone do underground carioca Lê Almeida (nos vocais e guitarra), desta vez acompanhado por Phill Fernandes (bateria), João Casaes (sintetizadores) e Bigú Medine (baixo), o Oruã está vivendo o sonho que boa parte das bandas indies brasileiras só cogita e sua participação nesta rádio é só mais um degrau na construção internacional de sua reputação. E é tão foda ver o Lê se explicando em inglês para a apresentadora argentina do programa Albina Cabrera sobre a história e as influências da banda, bem como falando sobre a cena brasileira dos últimos anos – como estava reprimida e como está em plena ebulição, listando bandas como Glote, Economic Freedom Fighters, Tem Mas Acabou, Gueersh, Brita, Caxtrinho, Retrato e outras bandas que estão acontecendo agora. Grande Lê, avante!
Assista abaixo: Continue

Prestes a lançar seu disco de estreia, Muitos Caminhos Prum Lindo Delírio (que sai de forma independente no próximo dia 16), a banda Miragem, daqui de São Paulo, é mais uma integrante da safra promissora de novas bandas que estamos vendo nascer durante esta década. Liderada pela multiinstrumentista. vocalista e compositora Camilla Loureiro, a banda viaja por paisagens bem diferentes de suas contemporâneas ao fundir músicas pop introspectivas com baladas épicas com temperos improváveis como música brasileira dos anos 70, rock progressivo e pós-punk, e começa a mostrar esse disco nesta quinta-feira, quando lança o primeiro clipe, “Não Aguento Mais Sonhar Com Você”, “uma balada ao piano com tema onírico-romântico”, como a própria vocalista explica, e que estreia em primeira mão no Trabalho Sujo.
Assista abaixo: Continue