
Foi só falar no mestre dos magos que ele apareceu com força total. Nesta segunda-feira ele lança seu primeiro single, com a faixa “The Decline of English Murder”, com rendas revertidas para o pessoal do Occupy Wall Street – não custa lembrar que o 5 de novembro (além de aniversário do Fred) também é a data-chave do V de Vingança, obra de Moore celebrada tanto pelos Occupy quanto pelos Anonymous. O Guardian fez um vídeo com a música, usando cenas do grupo em ação – e o Bleeding Cool providenciou as letras, ambos abaixo:

E quando menos se espera, o Foals lança um single…
…e segue sua escalada em ascensão. Muito bom.

O Teté (que o leitor do Trabalho Sujo já conhece como autor daquela tese sobre a ascensão do Emicida) escreveu para o Ilustríssima no fim de semana comentando como foi uma de suas aulas com o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nos tempos em que ele ainda era professor na USP:
Eu era terceiranista quando, em 1998, me matriculei na disciplina Seminários de Teoria Política Contemporânea, oferecida por Fernando Haddad. Já tinha sido aluno dele no ano anterior, quando começou a dar aulas na USP.
Logo vi que tinha entrado numa fria. O debate girava em torno do fim da URSS e dos discursos políticos que se tornavam hegemônicos. Estava na pauta a formulação de uma resposta à tese de Francis Fukuyama sobre o “fim da história”. Líamos Robert Kurz e outros cujos nomes não lembro, marxistas ou não. Não era a minha praia.
Frequentando o curso semana sim, semana não, revi a sinceridade de meus interesses por política. A verdade é que minha boina era sobretudo um elemento de estilo.
Guardo uma só lembrança das aulas: Haddad nos recomendando um filme. Não “O Encouraçado Potemkin” nem “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, mas “O Rei Leão”.
Quem não recorda a épica cena inicial? O dia rompendo nas savanas da África e os animais desfilando em harmonia pré-diluviana ao local onde o rei Mufasa apresentará o herdeiro do trono, o fofíssimo Simba. Tudo ao som da emocionante trilha, com os devidos ajustes étnicos, de Elton John.
Eu tinha visto a animação na estreia, em 1994 –aliás, ano em que o “príncipe da sociologia” foi eleito presidente do país–numa sala do shopping Iguatemi, em companhia de dinamarqueses com quem participava de um programa de intercâmbio. Não parecia algo que interessasse aos leitores de Kurz.
Ainda sem entender como Walt Disney e Elton John poderiam dividir a sala de aula com Trotsky e Rosa Luxemburgo, fiquei eletrizado com a proposta, que li em chave tropicalista. O professor explicou que assistira “O Rei Leão” com seus filhos, então crianças. Ao longo da sessão, tivera um “insight”: havia um discurso ideológico consistente e articulado costurando a narrativa do blockbuster. Uma reatualização da Guerra Fria.
O reino de Mufasa representaria o capitalismo, colorido, abundante e multicultural. O lema da canção “Hakuna Matata”, interpretada por Timão e Pumba, era uma variação do “Don’t Worry Be Happy” –uma ode à futilidade da sociedade de consumo. Do outro lado, depois do Cemitério dos Elefantes (onde Mufasa proibia o filho de ir), encontrava-se a cinzenta terra das hienas –o Bloco Oriental.
Slavoj Zizek tem citado “The Circle of Life”, canção-tema do filme, como algo que naturaliza a dominação capitalista: é normal, leões comem os outros animais.
Mas Haddad ouviu o galo cantar primeiro. Para ele, a cena mais emblemática era aquela em que o vilão Scar mobiliza o exército de hienas para anunciar seu plano: matar o rei Mufasa e seu filho Simba. Outro número musical: “Injustiças, farei com que parem: se preparem! Fiquem comigo, e jamais sentirão fome outra vez!”
Scar está no topo de uma pedra e, enquanto a horda de hienas desfila em fileiras fascistas, a “câmera” faz um travelling. O leão é visto em contraluz, tendo por trás uma lua crescente. Haddad não podia se conter: “Vejam com seus próprios olhos, não estou delirando: são a foice e o martelo da bandeira soviética”.
Muito bom, embora o ponto mais preciso seja a forma como um ditador golpista chega ao poder atiçando as hienas do fascismo (“fiquem comigo e jamais sentirão fome outra vez!”). Se a lua crescente atrás de Scar é mesmo a foice do comunismo, a interpretação está em aberto – mas não há dúvida do que as hienas (marchando como o exército nazista em O Triunfo da Vontade) representam. O vídeo com o trecho citado segue abaixo:
Vale ver até o fim.

Não apenas um, mas dois. O mestre começou a trabalhar no que seria um filme de dez minutos, se animou, e agora está prestes a lançar dois médias metragens, ainda neste mês, ambos em parceria com o diretor Mitch Jenkins. Os filmes fazem parte de uma obra chamada Show Pieces e não duvide se outras partes aparecerem em outros formatos, já que o projeto foi descrito como uma narrativa não-linear em diferentes episódios.

O primeiro, Act of Faith, foi filmado no meio do ano e conta com a atriz Siobhan Hewlett no elenco. O segundo, filmado logo depois, chama-se Jimmy’s End e acabou de ter seu trailer lançado online. Vê se dá pra entender alguma coisa:
E estamos falando de Alan Moore, um dos maiores artistas vivos, que ao mesmo tempo que diminuiu sua produção em quadrinhos, aumentou seu interesse por apresentações ao vivo (além de seus esconjuros pessoais, também ajudou Damon Albarn em sua recente ópera sobre o místico John Dee) e é um notório crítico dos filmes que se inspiraram em suas obras – o que aumenta ainda mais a curiosidade sobre a primeira incursão do mestre no território audiovisual.

Outro dia eu reclamei que o teaser do remake de Carrie – A Estranha mostrava o fim do filme, mas o trailer do primeiro filme, do Brian De Palma, já entregava o ouro, olha só aí embaixo:

Esse disquinho vai melhorando cada vez mais…

Quase duas horas da atual turnê do Radiohead. O setlist vem logo abaixo:

Quem cogitou foi o próprio diretor, em entrevista ao site Total Film:
“Não sei, mas Bastardos Inglórios e Django Livre parecem pedir por uma trilogia. Por mais diferentes que sejam, há uma qualidade que os une. Pode ser que haja um terceiro. Eu ainda não sei.”
E o trailer de Django Livre, você já viu? Dá uma sacada aí embaixo:

O clipe de “O Cabeção”, do Cidadão Instigado, captura a banda em diferentes palcos e condições para montar um clipe com qualidades de áudio e vídeo que variam à medida em que a música é executada.
Psicodelia na ribalta. Bom dia.