
Nem comentei aqui o golpe de mestre dado pela Disney ao chamar ninguém menos que J.J. Abrams pra tomar conta dos três últimos episódios de Guerra nas Estrelas.

Ao assumir a grife Jornada nas Estrelas, em 2009, J.J. conseguiu fazer ir até que ninguém havia ido antes: tornou a série de Kirk e Spock em uma aventura divertida, sem perder a essência de sua mitologia – principalmente ao escolher um elenco cinco estrelas, talvez o melhor da história da franquia (Shattner e Nimoy inclusos). A direção frenética (repleta com os brilhos do efeito lens flare) e a brincadeira com as linhas do tempo também ajudaram o bom desempenho do filme ao mesmo tempo em que mantiveram a assinatura visual do autor. Agora J.J. prepara-se para lançar seu segundo título Star Trek (Into Darkness, que teve novo trailer lançado neste fim de semana), que conta com o astro da vez Benedict Cumberbatch no papel do vilão. E, pelo jeito, o filme deve ser seu Império Contra-Ataca – aquela seqüência pessimista que muitos temiam. Olha o trailer:
Resta saber como é que J.J. conseguirá equilibrar as duas mais clássicas grifes de ficção científica ao mesmo tempo – sem contar seus inúmeros projetos pessoais, que não param de aparecer.

E é claro que as piadas já começaram a aparecer: Já o chamaram de Jar Jar Abrams e lembraram que ele sempre é bom pra começar, nunca pra terminar séries – e como os episódios de Guerras nas Estrelas que irá dirigir serão os 7, 8 e 9, isso pode provocar um desequilíbrio na Força (com certeza não pior do que o causado pelo próprio George Lucas nos episódios 1 e 2).
O que me lembra que tenho de falar sobre o final de Fringe.

Confesso que também parei na imagem acima, o preview do vídeo Brazil Without Makeup, feito pelo humorista carioca Rafucko. Mas cedi ao impacto inicial e resolvi dar uma chance – felizmente. O que assiste-se abaixo é uma crítica em inglês ao final das Olimpíadas de Londres no ano passado, quando Rafucko disseca o verdadeiro significado do trecho em que o Rio de Janeiro, sede dos próximos Jogos Olímpicos, é celebrado com garis sambistas, Marisa Monte Iemanjá e um grupo de índios. Excelente, veja abaixo:
Quando achei que Rafucko fosse desconhecido para mim, lembrei que já o havia visto no URBe, parodiando os três candidatos a prefeito no Rio em esquetes memoráveis (veja aqui). Ele não só escreve como atua e é um senhor autor de personagens, uma fama brasileira que havia sido esquecida. Caio em seu site para descobrir um manancial de ótimos vídeos com boas audiências, alguns deles construídos colaborativamente, como o ótimo Ditadura Gay abaixo, feito a partir de uma série de tweets com a hashtag #ditaduragay:
O vídeo sobre a cerimônia do final das Olimpíadas é o primeiro de uma série em que Rafucko decidiu contar a verdade sobre nosso país em um inglês carregado de sotaque brasileiro – o Brasil Without Make-Up tem seu próprio site e página no Facebook. Talvez tenha sido a melhor hora para conhecer um talento em ascensão. Só lamento ele não ter posto uma versão em português (mesmo legendas em nosso idioma) no vídeo, porque tem muita coisa que ele diz que ainda tem de ser ouvida por nós mesmos. E como nosso complexo de vira-lata nos faz prestar atenção melhor em algo quando é dito em outro idioma…
E no fim você até esquece a maquiagem bizarra que o deixa com cara de caricatura da Annie Lennox no primeiro vídeo para constatar que também foi guiado pela cultura de aparências e inversões de papéis tão cara à cultura do nosso país e descobre que há parte do futuro do humor brasileiro já está entre nós. Bom trabalho, Rafucko, vai na fé.

Kevin Barnes e companhia tocando nos Tiny Concerts da NPR:
Demais :~

E por falar em Guerra nas Estrelas…

O vídeo abaixo só foi liberado agora e é de um show que aconteceu há um ano…
A foto é do LA Weekly.
Cenas fortes:
Carnaval tá chegando… Hora de rolar um…

Vai lá!
No fundo, no fundo, música pop é tudo igual e a gente fica caçando motivo idiota pra se achar melhor que o outro. E a rapeize do Golpe Baixo Vídeos tá de parabéns!

Como uma linha de baixo deu origem a um clipe foda. Eis o making of de “Mind Mischief”:
É incrível como eles conseguem ser retrôs e modernos ao mesmo tempo…
O vídeo original segue abaixo:
Minha coluna desta semana no Link foi sobre a segunda temporada de Black Mirror, que foi anunciada na semana passada.

Se a tecnologia é um vício, quais são os efeitos colaterais?
‘Black Mirror’, série critica efeitos da tecnologia na sociedade
Uma voz monótona repete frases sem emoção: “Viva mais. Conecte-se mais. Viaje mais. Compartilhe mais. Procure mais”. Pessoas sorriem em situações cotidianas com seus tablets ou celulares. A iluminação é perfeita, a fotografia é de publicidade. Todos são lindos.
De relance, um outdoor eletrônico transforma empolgação em ameaça – “O futuro que você merece” – e seguem os imperativos: “Consuma mais. Pense mais. Experimente mais. Lembre mais. Veja mais. Compartilhe mais. Aprenda mais. Faça mais. Lute mais. Faça mais. Conecte-se mais”. As imagens mudam, os sorrisos tornam-se falsos e celulares filmam cenas violentas – confrontos, espacamentos – vistas por uma criança debaixo de seu cobertor.
“Deixe de ser você”, diz a voz robótica antes de surgir uma avenida tomada por pedestres que filmam, sem reação e com seus celulares, uma enorme nuvem de poeira que vem em sua direção. É inevitável a associação com a mórbida nuvem que tomou as ruas de Nova York depois da queda do WTC.
“O futuro está quebrado.” É o trailer da nova temporada de Black Mirror (espelho preto), do jornalista inglês Charlie Brooker, anunciada semana passada. Eu já havia comentado sobre a série em uma Impressão Digital no fim de 2012, mas apenas comentei a força de seu título, mais do que seu tema.
Black Mirror não é um seriado, mas três pequenos filmes exibidos pela Canal 4 da BBC inglesa. Seu autor, Charlie Brooker, é um notável crítico de mídia conhecido por sua abordagem nada sutil e pela franqueza agressiva que usa para expor suas opiniões, uma espécie de Michael Moore menos bonachão. É um inglês cínico cujo sotaque é tão pesado quanto a forma como ele trata os temas que escolhe. Ele explora como burrice, vaidade, ganância e banalidade derretem nossa civilização ao tratar inteligência como excentricidade e aparência como lastro de confiança.
O que une os três primeiros episódios de Black Mirror, exibidos no fim de 2011, é um dos principais alvos das críticas de Brooker – a tecnologia. Sua abordagem é simples: a tecnologia é a droga mais consumida do mundo hoje e estamos todos viciados nela. Todo o ecossistema criado pela internet e novos aparelhos não apenas nos permite consumir conteúdo em qualquer lugar como também faz que nossas vidas possam ser transformadas em conteúdo para ser consumido. A partir desta constatação, Brooker quer descobrir quais são os efeitos colaterais desse vício.
Em três episódios, três choques: no primeiro (Hino Nacional) o primeiro-ministro inglês vê-se chantageado para fazer sexo com um porco em cadeia nacional. No segundo (15 Milhões de Méritos), um operário de uma fábrica do futuro – que parece uma academia de ginástica – tenta ajudar uma desconhecida a comprar sua vaga em um programa de reality show. No terceiro (Toda a História de Você) uma tecnologia permite que você grave e reveja as próprias lembranças e isso pode ser catastrófico para as nossas relações.
Black Mirror ainda é inédita no Brasil e o canal BBC HD, recém-lançado no País, poderia nos presentear com sua exibição (como já fez com a excelente série Sherlock, adaptada pelo bamba Steven Moffat), antes de os três episódios da próxima temporada – que começam a ser filmados no mês que vem e ainda não têm data de exibição – irem ao ar no Reino Unido.
Do pouco que se sabe dos próximos episódios, num deles o namorado de uma viciada em redes sociais consegue voltar a ter contato com ela depois de sua morte graças à internet; no outro, um personagem de programa infantil concorre a um cargo político e começa a soar menos estúpido que seus concorrentes; e no último, uma mulher acorda numa casa em que não conhece para descobrir que as pessoas se tornaram voyeurs sem motivo, filmando os outros o tempo todo e não fazem mais nada.
Não parece tããããão diferente da nossa própria realidade…

Sem lançar disco desde 2009, o Flaming Lips anunciou que seu próximo álbum se chamará The Terror – um disco “sombrio e perturbador” segundo o líder da banda, Wayne Coyne – e será lançado no início de abril. Antes disso, o grupo lança uma nova faixa, que não entrará no novo lançamento, chamada “The Sun Blows Up Today”, uma brincadeira bubblegum que em vez de psicodélica torna-se apenas repetitiva. Reflexo do que vem acontecendo com o grupo há uns cinco anos, pelo menos.
Vi no Pitchfork e o vídeo na Rolling Stone.