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É hora de mais uma Sala Criolina nOEsquema TV: meus conterrâneos brasilienses já entrevistaram o baiano Lucas Santtana, o carioca BNegão, os cariocandangos Autoramas e agora chamaram o paulistano Thiago Pethit para falar sobre modernidade e nostalgia, decadência como força-motriz da arte e de uma letra de amor e cigarros – além de, como sempre no final de cada episódio, dar uma dica de música a ser ouvida. Saca só:

tame-impala-2013

Cheguei em cima da hora, peguei uma fila gigantesca (dava até a 23), entrei e o show já tinha começado, nem cogitei ficar embaixo e subi para o mezanino do Jóia. O som tava baixo, mas aumentou logo em seguida e a partir daí… Kevin Parker nos conduziu a um delírio sônico em technicolor que, ao mesmo tempo que apontava para o cânone clássico da psicodelia dos anos 60, abria novos horizontes para a lisergia sonora que conduzia a partir de sua guitarra.

Descalço e muito mais seguro de si do que quando apresentou-se no Brasil há um ano (quando Lonerism ainda nem havia sido lançado e só duas músicas do disco haviam aparecido online, “Apocalypse Dreams” e “Elephant”), Parker tem plena certeza dos rumos que quer levar e conta com músicos tinindo pra isso. Jay “Gumby” Watson (que tocava bateria e foi pra guitarra e sintetizadores) e Dominic Simper (baixista no início da banda e hoje nas guitarras e teclados) funcionam como sombras de Kevin, ecoando solos, riffs e texturas sonoras que o líder da banda joga no ar. Os dois novatos da cozinha, o baixista Cam Avery, que entrou no semestre passado, e o baterista Julien Barbagallo, que entrou no ano passado, fazem tudo funcionar com esmero, forçando os limites de seus instrumentos sem precisar apelar pro virtuosismo – Cam passeia pelas belas linhas de baixo compostas por Parker com tranquilidade enquanto Julien equilibra-se nas viradas lentas como um Ian Paice ou um Ginger Baker.

Mas todos trabalham por Kevin, que mesmo tento espasmos de deus do rock – erguendo a guitarra bem no alto, rodopiando, fazendo poses com o instrumentos – é um moleque que passeia feliz pelo céu de diamantes que resolveu habitar. Sem surpresas no repertório, ele esticou músicas em jam sessions memoráveis, intercalou fraseados com espasmos sonoros que fizeram o público no Jóia ficar de queixo caído. Ele adorou a audiência (que cantarolou riffs e solos), além de elogiar o fato da platéia saber a letra de todas as músicas. Um show memorável, mas que parece ser apenas o começo de uma carreira brilhante.

Fiz uns vídeos abaixo, saca só.

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criolo-2013

E Criolo, como quem não quer nada, lançou duas músicas numa mesma tacada. “Cóccix-ência” (abaixo) já era conhecida dos shows, mas “Duas de Cinco”, com suas superposições pós-tropicalistas (“Um governo que quer acabar com o crack / Mas não tem moral para vetar comercial de cerveja / Alô, Foucault / Cê quer saber o que é loucura? / É ver Hobsbawm na mão dos boy / Maquiavel nessa leitura”) e seu belo sample de Rodrigo Campos, aponta para um segundo disco mais tenso e menos manhoso. Um bom recado sobre o que pode vir adiante:

Resta saber se esperamos ainda pra 2013 ou se já ficou pra 2014.

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ItsPaper

Pingo van der Brinkloev fez esses pequenos loops de cenas cotidianas animadas por computador – “nenhuma árvore foi machucada para a realização deste filme”, ele brinca no vídeo, pois tudo que você vê em seu curta It’s Paper foi feito digitalmente:

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É evidente a influência do cinema noir em Blade Runner, mas o usuário do YouTube Chet Desmond levou essas referências ao extremo, ao recriar o trailer do filme de Ridley Scott como se ele fosse feito nos anos 40. Saca só:

Barcelona 2013

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O fotógrafo russo Alexandr Kravtsov reuniu 24 mil fotos em um time lapse de Barcelona que nos lembra rapidamente porque a cidade catalã é tão encantadora.

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A banda paulistana Labirinto se apresentou em Ljubljana, Eslovênia e o vídeo abaixo, produzido pelo coletivo local Channel Zero, pega o finzinho da apresentação deles no primeiro semestre desse ano.

Coisa fina. Se você não sabe o que é pós-rock mas curte rock progressivo, vai na fé.

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E a presença de Banksy na maior cidade dos Estados Unidos começa a sair das paredes (que já começam a virar fonte de renda para flanelinhas de grafitti, vejam só): no fim de semana passado ele fez um caminhão circular com um oásis na carroceria (veja a foto lá embaixo) e ontem ele botou outro caminhão para circular pelo Meatpacking District – e chamou esta obra de Sirens of the Lambs.

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Veja o vídeo:

Na semana passada o inglês pintou outros muros e ainda divulgou um vídeo direto do Oriente Médio, veja abaixo:

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Eu sei, foi um dos principais assuntos da semana passada, mas quero sublinhar aqui. O escritor mineiro Luiz Ruffato foi o primeiro brasileiro a discursar na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, o maior evento do mercado editorial mundial. No evento, que começou na terça passada, o Brasil entrava com louros de homenageado. Mas Luiz não se fez de rogado e emendou um discurso emocionante e épico, arregalando os olhos dos gringos para a série de problemas que ainda nos afligem no Brasil. Um discurso excessivamente sóbrio e sem eufemismos, que expôs didaticamente – e com números – o rosário de preconceitos, violências e abusos que convivemos diariamente no Brasil, mas com um tom essencialmente otimista, apesar do peso das palavras usadas. Um discurso parente da recente fala do presidente uruguaio José Mujica na Assembléia da ONU.

A velha guarda chiou: Ziraldo gritou, ao final, que ‘não tem que aplaudir! Que se mude do Brasil, então” e Nélida Piñon desconversou que ‘adoto a postura de não criticar o Brasil fora do país, assim como não critico meus colegas”. Conversa fiada. É importante que saibam que, por baixo do chapéu tutti-frutti de país exótico latino-americano e por trás dos olhos injetados de ódio que parecem clamar pela guerra civil há um país muito complexo, cheio de camadas contraditórias e mantido sob a rédea de uns poucos que, à medida em que veem a sociedade crescer, apertam o cabresto com medo das mudanças. E é isso que Ruffato fez em seu discurso, que republico abaixo, com trechos em vídeo registrados por Tânia Maria Rodrigues-Peters. Um texto obrigatório para todos que se interessam minimamente pelo Brasil – e que já tem seu lugar na história pela coragem, postura e mensagem. Faça-se o favor de ler este texto abaixo:

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A história do encontro de Paul McCartney com Fela Kuti é bem conhecida de quem acompanha do artista nigeriano, mas aproveitando a proximidade de seu aniversário – que cada vez mais ganha contornos de celebração global -, o próprio Paul McCartney se dispôs a contar sua versão para o causo:

E essa comemoração acontece tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. A anual Festa Fela paulistana acontece no Centro Cultural Rio Verde, com a presença do Bixiga 70 (afinal, a banda praticamente nasceu para tocar numa Festa Fela dois anos atrás) e discotecagens do Ramiro e do Vini, do Radiola Urbana, da DJ Haru, e de Fred e Tiago Z, do NaveGroove. Enquanto, no Rio, o Fela Day acontece mais uma vez no Circo Voador, com show da Abayomy Afrobeat Orquestra com participação do Otto e do BNegão, além de discotecagem do Lucio Branco e Zé McGill, da Festa Makula.

Groovezeira!