
O Daft Punk lançou sem a menor cerimônia o disco de remixes feito em cima de seu terceiro álbum, Human After All. É o trabalho mais mecânico da dupla, mas conta com clássicos de seu repertório que hoje são indistinguíveis à sua própria sonoridade, como “Technologic”, a faixa-título, “Make Love” e “Television Rules the Nation”. O disco de remixes não é inédito – foi lançado apenas no Japão em uma edição em CD limitada (veja acima) -, mas finalmente chega aos consumidores do mundo todo via iTunes. Só bordoada, saca só aí embaixo:

O Spoon talvez esteja chegando a seu ápice criativo – seu novo They Want My Soul disparou para os primeiros lugares da minha lista pessoal de melhores discos de 2014. E basta ouvir pra entender o porquê – ouça-os no Morning Becomes Eclectic, da rádio KCRW, tocando “Inside Out” e “Rainy Taxi”, abaixo:

É isso aí: um porco que surfa!
Que mundo doido esse. Ainda bem.

E o segundo semestre está cheio de novos discos brasileiros à vista: o próximo é o de Romulo Fróes, batizado Barulho Feio, que ofereceu o clipe da música “Ó”, feito com imagens de San Francisco em 1906, com exclusividade para o Trabalho Sujo. Saca só:

Fui voltar a ouvir o produtor alemão Munk graças ao robusto remix que ele fez para “West Coast”, da Lana Del Rey, e dei de cara com a deliciosa “Happiness Juice”, gravada com vocais de Mona Lazette. Ficou demais.

E o Little Joy do Camelo funciona bem. Ele montou uma bandinha bem despretensiosa com a mulher Mallu Magalhães e o amigo Fred Ferreira, seguindo os passos de Rodrigo Amarante em seu exílio norte-americano ao lado da trupe de Devendra. A diferença neste caso é o ar tarantinesco dado pela guitarra surf music que pontua as duas faixas que o trio já mostrou, “Hey Nana” e “Mais Ninguém”, ambas bem sussa, saca só:

Ramon linka uma história relacionada ao filme Boyhood (aquele em que o Richard Linklater acompanhou os mesmos atores por 12 anos, para registrar o crescimento dos personagens sem maquiagem nem efeitos especiais) que tem um microspoiler do filme, mas nada que, acredito, atrapalhe a história do filme. Se não quiser saber, não leia mais a partir de agora.
Ele conta que em dado momento da história, o personagem do pai dá ao personagem do filho uma coletânea com músicas da carreira solo dos Beatles. A coletânea de fato existiu, quando o intérprete do pai, o ator Ethan Hawke (eterno alter ego do próprio Linklater) reuniu faixas dos Beatles depois de 1970 e entregou para a filha junto com uma longa carta que o Ramon traduziu lá no Vitralizado. Separei um trecho, mas vale ler a íntegra:
“Li uma história sobre a morte da mãe do John:
Ele era um adolescente revoltado – com um canivete no bolso, cigarro nos lábios e sexo na cabeça. No funeral da mãe desequilibrada e recém-falecida (que ele havia acabado de ficar mais próximo), ele – bêbado e puto – socou um membro da banda e deu o fora. Alguns anos mais novo, o Paul – um moleque que ainda não ligava muito pra garotas, ainda UNCOOL e presente na banda graças às suas habilidades com a guitarra apesar de ser meio infantil – correu atrás do John na rua dizendo: “John, por quê você está sendo tão babaca?”.
O John respondeu, “Minha mãe acabou de morrer, porra!”
E o Paul disse, “Você nunca perguntou sobre a minha mãe.”
“O que tem ela?”
“Ela também está morta.”
Eles se abraçaram no meio da rua. Aparentemente o John disse, “Podemos por favor começar uma porra de banda de rock’n’roll?”.
Essa história respondeu a dúvida presente no meu cérebro ao longo de todo minha vida como ouvinte de música: Se os Beatles estiveram juntos ao longo de apenas 10 anos e os membros da banda eram tão novos ao longo desse período, como eles conseguiram escrever “Help!”, “The Fool on the Hill”, “Eleanor Rigby”, “Yesterday” e “A Day in the Life?” Eles eram apenas caras de 25 anos cercados por garotas em frente aos seus hotéis e com direito ao tanto de champagne que um moleque consegue beber. Como eles conseguiram desenvolver suas mentes para feitos artísticos tão grandiosos?
Eles conseguiram pois estavam sofrendo. Eles sabiam que o amor não dura pra sempre. Eles descobriram isso ainda muito novos.”
Abaixo, a coletânea feita por Hawke que o Ramon reuniu em três playlists do YouTube. E repito: vale ler o post original.
Paul McCartney & Wings, “Band on the Run”
George Harrison, “My Sweet Lord”
John Lennon feat. The Flux Fiddlers & the Plastic Ono Band, “Jealous Guy”
Ringo Starr, “Photograph”
John Lennon, “How?”
Paul McCartney, “Every Night”
George Harrison, “Blow Away”
Paul McCartney, “Maybe I’m Amazed”
John Lennon, “Woman”
Paul McCartney & Wings, “Jet”
John Lennon, “Stand by Me”
Ringo Starr, “No No Song”
Paul McCartney, “Junk”
John Lennon, “Love”
Paul McCartney & Linda McCartney, “The Back Seat of My Car”
John Lennon, “Watching the Wheels”
John Lennon, “Mind Games”
Paul McCartney & Wings, “Bluebird”
John Lennon, “Beautiful Boy (Darling Boy)”
George Harrison, “What Is Life”
John Lennon, “God”
Wings, “Listen to What the Man Said”
John Lennon, “Crippled Inside”
Ringo Starr, “You’re Sixteen You’re Beautiful (And You’re Mine)”
Paul McCartney & Wings, “Let Me Roll It”
John Lennon & The Plastic Ono Band, “Power to the People”
Paul McCartney, “Another Day”
George Harrison, “If Not For You (2001 Digital Remaster)”
John Lennon, “(Just Like) Starting Over”
Wings, “Let ‘Em In”
John Lennon, “Mother”
Paul McCartney & Wings, “Helen Wheels”
John Lennon, “I Found Out”
Paul McCartney & Linda McCartney, “Uncle Albert / Admiral Halsey”
John Lennon, Yoko Ono & The Plastic Ono Band, “Instant Karma! (We All Shine On)”
George Harrison, “Not Guilty (2004 Digital Remaster)”
Paul McCartney & Linda McCartney, “Heart of the Country”
John Lennon, “Oh Yoko!”
Wings, “Mull of Kintyre”
Ringo Starr, “It Don’t Come Easy”
John Lennon, “Grow Old With Me”
Wings, “Silly Love Songs”
The Beatles, “Real Love”
Paul McCartney & Wings, “My Love”
John Lennon, “Oh My Love”
George Harrison, “Give Me Love (Give Me Peace on Earth)”
Paul McCartney, “Pipes of Peace”
John Lennon, “Imagine”
Paul McCartney, “Here Today”
George Harrison, “All Things Must Pass”
Paul McCartney, “And I Love Her (Live on MTV Unplugged)”

O Whitest Boy Alive acabou (uma pena), liberando seu líder e vocalista para seguir em carreira solo. E o primeiro sinal de vida fora do WBA dado pelo músico norueguês Erlend Øye é a faixa “Garota”, que mesmo que tenha seu clipe filmado na Coréia do Sul, é de inspiração claramente brasileira, sente só:
E o disco ainda se chama “Legao” e foi gravado com o Hjálmar, a banda de reggae mais popular da Islândia (sério!). E será lançado em outubro.

E o processo de reabilitação da reputação oficial de Alan Turing está começando bem. Ao escalar nosso amigo Benedict Cumberbatch (o Sherlock) para atuar como o pai da computação moderna, o filme The Imitation Game já marca pontos de saída rumo à canonização de um dos dois ingleses a importar na história do mundo digital (o outro é o Sir Tim Berners-Lee). Turing é mais conhecido pelo teste que leva seu nome, feito para reconhecer se um computador pode se passar por um ser humano em um diálogo), mas tornou-se um personagem histórico ao ajudar os aliados a ganhar a Segunda Guerra Mundial quando decifrou o Código Enigma, usado pela Alemanha nazista para comunicações secretas.
Seus feitos matemáticos e estudos sobre inteligência artificial serviram como base para a computação moderna (além de ter criado a primeira versão eletrônica para o jogo de xadrez), mas ele nunca foi reconhecido como tal em vida pois suas realizações foram classificadas como sigilosas. Em 1952 foi condenado por “grave indecência” nos anos 50 por um envolvimento com outro homem, mesma pena recebida por Oscar Wilde no fim do século 19. Como parte da pena, passou a ser submetido a um humilhante tratamento hormonal (para conter seu impulso sexual). Foi encontrado morto no dia 7 de junho de 1954 e alegação à época foi de suicídio, embora a hipótese de envenenamento ainda paire sobre o caso.
No ano passado, o governo inglês finalmente perdoou oficialmente o matemático e passou a celebrar sua importância, também reconhecida pelo público, que organizou um abaixo-assinado que sugeria inclui-lo como personagem da nota de 10 libras. O novo filme, mais um degrau rumo ao reconhecimento global da importância de Turing, está previsto para estrear em novembro deste ano e ainda conta com Keira Knightley, Matthew Goode e Mark Strong no elenco. Veja o trailer abaixo:

Quem podia esperar por essa? Sir Mix-A-Lot apresentou-se com a Orquestra Sinfônica de Seattle – e como se só isso não fosse o suficiente, é claro que ele não iria deixar a oportunidade de cantar sua clássica “Baby Got Back” para uma platéia tão seleta. E pediu para as damas subirem ao palco, afinal…
“Meu intuito com o este trabalho orquestral inspirado no Sir Mix-A-Lot era realmente entrar na mente do Sir Mix-A-Lot, entender como seus ritmos, texturas, sons e harmonias funcionam e criar uma composição orquestral contemporânea que fosse fiel à música de Sir Mix-A-Lot”, escreveu o maestro Gabriel Prokofiev (neto do Sergei) em seu blog, explicando o feito.