
E por falar em pista de dança, Calvin Harris está com disco novo na área. Batizado de Motion, o disco tem uma série de convidados, mas quem realmente chama atenção são as presenças de Gwen Stefani e das irmãs Haim. São músicas com aquele astral dance fuleiro que infelizmente se tornou o Calvin Harris, mas as duas participações conseguem salvar-se no meio da mesmice do disco.
Primeiro a das Haim, “Pray to God”:
Depois a da Gwen, “Together”:

As irmãs suecas do First Aid Kit lançaram um clipe lindaço para a faixa-título de seu disco mais recente, “Stay Gold”, saca só:

Além do filme novo do Jason Reitman, a Gi Ruaro também viu outro filme promissor no London Film Festival, The Imitation Game, em que o nosso querido Benedict “Sherlock” Cumberbatch vive o maior nome inglês da história da computação (desculpa, Tim Berners-Lee) – Alan Turing. Eis o trailer e, a seguir, o comentário da Gi sobre o filme:
Sabe o Turing? Morreu. Faz tempo, mas o mundo está redescobrindo o matemático e herói da Segunda Guerra no novo filme The Imitation Game. Benedict Cumberbatch é o jovem Alan Turing, contratado em 1939 para quebrar o código Enigma e salvar a humanidade. Parece coisa de filme de Hollywood.
Colocando em miúdos: os nazistas usavam a máquina Enigma para codificar todas as mensagens na Segunda Guerra. Era até então a máquina perfeita, capaz de encriptar comunicação e modificar o segredo a cada 24 horas com 150 trilhões de regulagens. Os ingleses conseguiam ver as mensagens, sem entender o sentido.
Turing, fã de palavras-cruzadas e desafios lógicos em geral, acreditava que para possamos entender uma máquina temos que criar uma outra máquina. Elas conversam melhor entre si do que conosco.
Depois de três anos construindo uma máquina automática, apelidada no filme carinhosamente de Christopher, Turing conseguiu desvendar o segredo em 1943. Mas, ainda em meio a guerra, este virou o maior segredo. Afinal, se os nazistas soubessem que os Aliados tinham a solução do Enigma, inventariam uma nova versão.
Ou seja, todos os movimentos de Hitler entre 1943 e 1945 estavam sendo interceptados pelos aliados e monitorados. Havia também um grande cuidado de inteligência para justificar ações que vinham das mensagens do Enigma. O Dia D não teria sido possível sem Turing. A Guerra teria se arrastado por mais alguns anos. A blitz poderia ter acabado com Londres. Hitler poderia ter vencido. 150 trilhões de possibilidades de um futuro bem diferente.
A Segunda Guerra acabou em 1945, então era hora de contar pro mundo como Turing salvou a pátria. Mas o medo de uma nova guerra mundial fez os ingleses destruírem todos os registros de guerra de Turing, para que os nazistas não soubessem que Enigma era kaput.
De maneira simplista como o meu texto, é essa a história que The Imitation Game quer contar. E conta de maneira bem Escola Weinstein de Oscar Garantido, tipo O Discurso do Rei. Ruim, não é. É breguinha. Fofinho. Bonitinho.
Mas vamos falar do que o filme quase não fala. Além de quebrar o Enigma, Turing era gay. Christopher era o nome do seu amor de adolescência e o apelido da máquina (será isso real ou invenção do filme?). Turing se encontrava com garotos de programa em Londres e em 1952, foi condenado a dois anos de prisão por sair com um garoto. A alternativa ao tempo em prisão era tratamento hormonal – ou castração química. Turing optou pela castração porque na prisão ele não poderia continuar seu trabalho, e depois de um ano de tratamento, os efeitos colaterais ficaram cada vez mais difíceis de aceitar. Tremores, dificuldade de concentração ou de raciocínio. Turing não aguentou e em 1954, se suicidou.
Nesta época, 49 MIL gays foram condenados a prisão ou castração química por serem homossexuais. Em 2013, a rainha finalmente o perdoou pelo seu crime. Em 2013, ano passado. Ser homossexual era ilegal na Inglaterra até 1967, na Escócia até 1980 e Irlanda do Norte, 1982.
É claro que os direitos LGBT evoluíram muito na última década, mas há ainda 76 países onde ser gay é ilegal. A Europa é o único continente em que nenhum país tem leis contra homossexualidade. O fato de ser ilegal ser gay destruiu a carreira de um dos grandes heróis ingleses e no fim acabou matando-o. Turing tinha 41 anos e muitos anos de estudos pela frente – num mundo que parece tão distante, mas na verdade está tão perto. Nossos pais cresceram neste mundo.
Uma máquina entende outra máquina e apenas uma pessoa pode entender outra pessoa (filosoficamente falando, tipo Samantha em Her). O grande jogo da imitação foi de Alan Turing, que usou seu autismo para criar uma nova maneira de entender o mundo. Imitando colegas, amigos e familiares, conseguiu se ver normal numa sociedade em que não era.
A máquina automática de Turing evoluiu e agora você está lendo este texto dentro dela. Com inúmeros uns e zeros, Turing criou o primeiro computador.
The Imitation Game é um filme mais baunilha pra agradar uma audiência maior e este é o primeiro passo: conhecer Turing e reconhecer seu trabalho.

Acho que vamos ter alguns dias de rusgas e brigas nas redes sociais, provavelmente algum confronto físico isolado nas grandes cidades, seguindo o clima da última semana antes da eleição, além de textos infelizes escritos por fãs dos dois lados e leituras e análises de toda sorte sobre esse momento histórico que estamos vivendo. Mas é importante botarmos a mão na consciência e nos vermos como um país só, deixarmos de picuinhas e torcidas para percebermos que estamos todos no mesmo barco – ricos e pobres, pretos e brancos, arrogantes e humildes, românticos e agressivos. Ontem na Paulista o prefeito paulistano Haddad sublinhou a importância disso no discurso da recém reeleita à presidência Dilma Rousseff.

No aniversáro de primeiro ano da morte de Lou Reed, seu velho parceiro John Cale sente a dor da perda na bela “If You Were Still Around”, lançada com um clipe que mistura imagens de Lou com de outros amigos daquele círculo que já se foram – o guitarrista do Velvet Underground Sterling Morrison, a cantora Nico, o papa Andy Warhol e a modelo Edie Sedgwick. A faixa foi lançada com uma declaração que resume a relação espinhosa entre Lou e John, que brigaram e voltaram a se conversar por várias vezes em suas vidas:
“A Moth and a Candle met. They decided to become friends. Everyone enjoyed watching their discourse – especially the risk takers. Then one day a big rain came. The Moth couldn’t fly and the Candle puttered out. Everyone laughed in bitter awe and blamed the rain. Most however knew the deeper truth – the Candle remains lit and the Moth will stay close.”

Mais um monstro sagrado do rock que se vai: Jack Bruce não era só um terço do primeiro supergrupo da história (o Cream, que fundou ao lado de Eric Clapton e Ginger Baker) e talvez seja o grande virtuoso do baixo na era da psicodelia, pavimentando o caminho aberto pelo baixo de Paul McCartney e pela geração dos blues ingleses elétricos para os anos 70 do heavy metal, do hard rock e do rock progressivo. O fígado de Bruce, fragilizado pelo álcool e pelas drogas principalmente a partir dos anos 70, quando passou por uma fase pesada, quase o havia levado há dez anos, quando sofreu um transplante para conter um câncer no órgão. Mas na época ele recuperou inclusive a ponto de reunir o Cream para apresentações em 2005. Desta vez não rolou e, bem na semana em que foi anunciada a caixa com toda a discografia de sua banda mais clássica, Bruce nos deixa.

O editor norte-americano Jack Martin, da Martin Revelation Films, resolveu trocar a canção original do novo trailer de Vingadores 2 e o resultado é épico. No lugar da versão em câmera lenta da música do Pinóquio, a canção sugerida é a terrível “My Heart Will Go On” – também conhecido com o tema do filme Titanic. A fusão do trailer da Marvel com a balada melosa de Celine Dion dá um minitilt no cérebro, realça as cenas mais trágicas que já foram mostradas e é uma boa desculpa para rever o trailer.
Noel Gallagher subiu no palco de Johnny Marr, no show que o ex-Smith deu na Brixton Academy na quinta-feira passada, para tocar dois clássicos modernos: “Lust for Life”, do Iggy Pop, e “How Soon is Now?” da banda que fez Johnny Marr entrar para a história. Demais:

Assim é o clipe de “Mayokero”, do vocalista Roy Kafri, que coloca vários clássicos da história do rock para cantar uma música tocada apenas no vocal. O clipe acontece de trás pra frente, foi dirigido pelo mesmo Vania Heymann que fez aquela versão interativa para “Like a Rolling Stone” do Dylan no ano passado e é uma crítica à forma como a digitalização da música acabou matando o romantismo de outrora. Assista até o fim:

Era para ter estreado na semana que vem após o episódio de terça da segunda temporada de Agentes da S.H.I.E.L.D. (que começou bem, diferente da temporada anterior, que demorou pra engatar). Mas o trailer do segundo epílogo da segunda fase do projeto de dominação mundial dos estúdios Marvel vazou, saiu do ar em poucas horas, mas devido à brusca reprodução desse tipo de material na internet, a empresa não teve outra saída a não ser antecipar o teaser oficialmente. Ei-lo, direto do canal da Marvel:
Usando a trilha sonora de Pinóquio e o título da canção de Disney como resumo de sua premissa (um robô dizendo “eu não tenho cordas” como a marionete da fábula disse séculos antes), o novo trailer resumo a sequência em cenas-chave que mostram um lado sombrio para o segundo filme, seguindo a escola Guerra nas Estrelas, tão repetida nas franquias recentes, do Batman de Nolan ao 007 de Craig, do Jornada nas Estrelas de J.J. Abrams ao X-Men mais recente. É o escudo do Capitão América quebrado, o martelo de Thor caindo, Tony Stark sendo pego pelo pescoço ao mesmo tempo que vemos, rapidamente, a Feiticeira Escarlate e Mercúrio, e o vilão narra que a vitória do capítulo anterior foi em vão, passageira.
2015 promete.
