
Há uma movimentação incomum acontecendo no território do Radiohead. Primeiro Thom Yorke anuncia um disco em parceria com o produtor eletrônico inglês Mark Pritchard (o disco Tall Tales, que será lançado dia 9 de maio pela gravadora Warp). Depois a banda comemora o aniversário de 30 anos de seu segundo disco The Bends, desenterrando vídeos daquela época (como a íntegra de um show gravado em VHS no Horseshoe Tavern, em Toronto, no Canadá em março de 1995, veja abaixo) e abastecendo sua Radiohead Public Library ao mesmo tempo em que compila uma playlist dedicada ao disco. Mas uma discussão paralela mexe com a banda inglesa para além de efemérides e carreiras solo. Primeiro foi a descoberta de que seus cinco integrantes – Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Philip Selway – acabaram de abrir mais uma empresa batizada com a nada sutil sigla RHEUK25, que até alguém mais desatento consegue ler o nome da banda, seu país e continente de origem e o ano em que estamos. Não é a primeira vez que seus integrantes fazem algo do tipo. Trabalhando fora do esquema das gravadoras grandes desde seu Hail to the Thief, em 2003, a cada novo disco eles criam uma nova entidade jurídica que acaba funcionando como a empresa que gere não apenas o lançamento de um novo álbum como sua respectiva turnê. Foi assim com In Rainbows em 2007 (quando fundaram a empresa Xurbia Xendless), com A Moon Shaped Pool em 2016 (quando criaram a Dawn Chorus LLP), com a reedição dos discos Kid A e Amnesiac que tornou-se Kid Amnesiac em 2021 (ao fundar a empresa Spin With A Grin LLP) e até quando Thom e Johnny lançaram o primeiro disco de sua banda The Smile em 2022 (quando os dois fundaram a Self Help Tapes LLP). O caldo engrossou depois que o site Resident Advisor recebeu uma pista que um leilão feito para arrecadar fundos pela escola norte-americana Palisades High School, em Los Angeles, tinha um item anunciado como quatro convites para “um show do Radiohead na cidade em que você escolher”, que foi retirado do site da escola logo após a informação ter sido vazada pelo site (que guardou os prints da tela por precaução). Juntando lé com cré fica bem fácil supor que o grupo está planejando pelo menos uma turnê no segundo semestre, se é que não tem um disco gravado guardado na manga. E se você perceber que a música nova que Thom lançou com Pritchard chama-se “Back in the Game” (“de volta ao jogo”), tudo fica mais fácil de entender… Continue

E a Dua Lipa que começou a turnê de seu disco Radical Optimism nesta segunda-feira em Melbourne, na Austrália, chutando a porta ao homenagear os heróis locais AC/DC numa versão bem foda de “Highway to Hell”? Se ela continuar nesse rumo, essa turnê vai render mais que o disco… Assista abaixo: Continue

Neste ano, Djonga retomou sua tradição de lançar discos no dia 13 de março (iniciada em 2017 e interrompida em 2021) quando pintou com Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto!, que entre suas doze faixas traz parcerias com Samuel Rosa, Dora Morelenbaum, Coyote Beatz, Rapaz do Dread e sample de Los Hermanos (“Último Romance” abre “Melhor que Ontem”), mas a joia da coroa do novo álbum do rapper belorizontino é a participação do sumo pontífice da mineirice Milton Nascimento, que canta o refrão de “Demoro a Dormir”, música que ainda cita o filme Ainda Estou Aqui:
“Tipo, assisti e achei triste Ainda Estou Aqui
Mas não fiquei surpreso com Ainda Estou Aqui
Já que se eu olho da janela ainda tão ali
E ces tão daí jurando que eles não tão mais aqui”
Muito bom.
Ouça a faixa abaixo: Continue

A turnê internacional de Clairo passou nesta quinta-feira por Londres, onde a cantora norte-americana disse que mostraria uma surpresa – e esta aconteceu quando ela cantou pela primeira vez ao vivo a música “Steeeam”, um dos dois singles que seu grupo Shelly, que montou durante a pandemia com a artista indie Claud e dois amigos de faculdade, Josh Mehling and Noa Frances Getzug. Sempre uma beleza: Continue

O mundo anda tão bizarro que o anúncio da nova temporada de Black Mirror, normalmente um momento de calafrios e desconfortos causados por uma ficção científica incomodamente próxima da nossa realidade, passou quase sem repercussão. Mas o fato é que a antologia de paranoias cogitadas pelo inglês Charlie Brooker mostra mais uma leva de seus episódios – a sétima – com direito à continuação do clássico capítulo U.S.S. Callister, da quarta temporada, paródia da série Jornada nas Estrelas em que o criador de um jogo online cria uma nave espacial naquele universo em que ele pode tripudiar de clones digitais de seus colegas de trabalho. A nova temporada de Black Mirror estreia no dia 10 de abril e terá seis episódios. Entre os atores que participarão desta temporada estão nomes como Paul Giamatti, Awkwafina, Issa Rae, Peter Capaldi, Rashida Jones, Cristin Milioti e Tracee Ellis Ross. Assista ao trailer abaixo: Continue

E as Haim lançaram o que é sua introdução para seu quarto álbum, o single “Relationships”, que elas vinham atiçando nos últimos dias. Mas a balada dance suave sobre a necessidade de se manter um relacionamento não me parece ter a presença que um primeiro single do primeiro disco em cinco anos, soando quase como uma sobra de seu ótimo Women in Music Pt. III, lançado no meio do primeiro ano da pandemia, ainda mais que elas criaram uma expectativa sobre sua volta que soa mais como um aceno à distância do que o pé na porta que esperávamos. Elas ainda não falam nada sobre o disco novo – data, título, se tem outro single antes – e pelo menos essa sensação de surpresa pode ajudá-las neste novo momento. Mas em uma entrevista à revista i-D disseram que uma das músicas terá o sample de “Freedom ’90”, do George Michael.
Assista ao clipe abaixo: Continue

E sem o menor alarde três gravações inéditas da Gal Costa em seu ano miraculoso (1972) surgem nas plataformas de áudio. São três faixas gravadas após a turnê Até 73 que ela fez com Gilberto Gil naquele mesmo ano acompanhada de uma banda de cair o queixo – afinal esse era o nível da cantora naquele período -, formada por Tutty Moreno (bateria), Lanny Gordin (guitarra), Perna Froes (piano e teclados) e Novelli (baixo). São três versões: “A Morte” (de Gil, que ele nunca gravou), “Vale Quanto Pesa” (de Luiz Melodia) e “O Dengo que a Nega Tem” (de Dorival Caymmi, esta última com inacreditáveis sete minutos) que mostram um dos grandes nomes da nossa cultura no auge, tinindo trincando. Para ouvir de joelhos. Ouça abaixo: Continue

Não sou propriamente fã de Sabrina Carpenter, mas é inegável seu senso pop. Além de ter emplacado um hit e tanto com a irritantemente memorável “Espresso“, ela mostrou um tanto de sua versatilidade ao convidar Dolly Parton para dividir uma nova versão de sua “Please Please Please” e agora, no show que fez domingo passado em Londres, na Inglaterra, resolveu mostrar uma face mais britânica de sua sensibilidade pop e em vez de recorrer às versões que faz em sua Short N’ Sweet Tour (como “Mamma Mia”, “Super Freak” ou “Material Girl”) pinçou um hit adormecido em nosso inconsciente para conquistar a plateia inglesa, ao fazer uma versão literal da imortal “Come on Eileen”, maior sucesso dos Dexys Midnight Runners. E desceu bem, saca só abaixo: Continue

Como se só o show de Lauryn Hill não fosse suficiente, imagine na hora em que ela canta um de seus maiores hits (“Doo Wop (That Thing)”, claro) a diva chamasse ninguém menos que a novata sensação da vez, a gigantesca Doechii. Pois foi o que aconteceu neste sábado, no encerramento da primeira noite do festival Jazz In The Gardens Festival, em Miami, nos EUA, quando ela apresentou a sensação ao palco. E por mais que ela segurasse a onda como era de se esperar, a cantora estava em frangalhos com a realização daquele sonho e tuitou logo em seguida que “Nunca fiquei tão nervosa em toda a minha vida 😭 ela é uma RAINHA”. O show ainda teve participações de Wyclef Jean, Busta Rhymes, Yg Marley, Zion Marley, Samara Cyn, entre outros. Assista à integra do show abaixo (a participação de Doechii começa em 1h31): Continue

Desta vez nem demorou tanto. Logo depois de subir no palco com seus ex-compadres de banda Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry, Michael Stipe mais uma vez entra no show que Michael Shannon e Jason Narducy estão fazendo para celebrar o aniversário de 40 anos do disco Fables Of The Reconstruction para cantar a mesma “Pretty Persuasion” que cantou no mês passado. Só que dessa vez não foi num pequeno clube em sua cidade-natal e sim no Brooklyn Steel, em Nova York. Eu não quero falar nada, mas e se o R.E.M. voltasse só pra mais alguns shows, hein? O vídeo é da @nicoletishaa, assista abaixo: Continue