Depois de duas pedradas – uma dedo na cara, outra mais branda -, Emicida revela um lado mais leve de seu terceiro disco, batizado com o extenso título Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa. A faixa “Passarinhos”, dueto com Vanessa da Mata, é daquelas que vão se esgueirar no inconsciente brasileiro de até de quem não gosta de rap.
Não é culpa sua se você acha às vezes que está assistindo a um videogame e não a um filme de ação ou ficção científica, como o pessoal do StoryBrain explica neste vídeo (em inglês):
Mais um clipe do sensacional Multi-Love, o disco que o Unknown Mortal Orchestra lançou no início do ano e que é meu top 1 deste ano até então. O agora quarteto liderado pelo geninho Ruban Nielson escolheu a escorregadia e deliciosa “Ur Life One Night” – uma das melhores músicas deste ano – pra ganhar uma versão audiovisual, que mantém o clima pós-psicodélico oitentista do clipe da faixa-título, mas o alvo agora são mágicos caleidoscópios indianos do mundo dos sonhos de Maya, temperados com efeitos especiais de anime.
Em menos de meio século, a Industrial Light & Magic, produtora de efeitos especiais de George Lucas mudou completamente a cara do cinema, saca só:
Enquanto a cinebiografia de Steve Jobs escrita por Aaron Sorkin e dirigida por Danny Boyle não chega aos cinemas, um documentário vem arranhar a aura de líder espiritual do fundador da Apple ao sublinhar que toda seu carisma de popstar e magnetismo visionário eram apenas a fachada de uma pessoa sem amigos e obcecada por trabalho e dinheiro. As credenciais do diretor do filme, Alex Gibney, não são fracas – ele dirigiu documentários sobre a empresa que causou uma crise financeira nos EUA (Enron: Os Mais Espertos da Sala, de 2005) sobre o escritor e jornalista Hunter Thompson (Gonzo, de 2008), sobre o site WikiLeaks (We Steal Secrets, de 2013); sobre o músico africano Fela Kuti (Finding Fela, de 2014) e sobre a cientologia (Going Clear, lançado este ano). Mas mesmo assim muitos fãs da Apple vão reclamar do filme. Fã é foda…
E a segunda parte do filminho que está nos apresentando ao novo disco do Disclosure traz o hoje popstar Sam Smith, dividindo os holofotes mais uma vez com a dupla que o revelou para o resto do mundo com a irresistível “Latch“. A música “Omen” é a segunda de um filme de ficção científica dividido em três partes.
Além de “Restless” ser a primeira música do novo disco do New Order a vir a público, ela também marca o reencontro da tecladista Gillian Gilbert, fora da banda desde o início do século, com os fãs. A música segue apenas o que se espera da banda, sem nenhum arroubo de hit mas sem soar apenas como repetição da própria fórmula. Mas se o disco todo for nesse tom, será só mais um motivo pra banda continuar viva do que propriamente um álbum relevante. A esperança está na combinação de personalidades, uma vez que Music Complete traz músicas com Iggy Pop, Brandon Flowers e La Roux.
Casper Christensen, aquele dinamarquês do Filmnørdens Hjørne que fez aquela montagem com as melhores aberturas de filmes, reuniu cenas espetaculares de perseguições de carros de filmes clássicos – novos ou modernos Operação França, Bullit, Os Irmãos Cara de Pau, um monte de James Bond e outro tanto dos filmes Bourne, Drive e até o quase sempre esquecido C’était un Rendez-Vous foram reunidos nessa montagem de tirar o fòlego.
E espere até tocar o Erik Satie. A partir dali que a montagem fica boa mesmo – e os carros começam a bater uns nos outros.
Essa montagem de tapas dados em frente às câmeras junta tanta bofetada que o rosto sai doendo só de ver.
Dona de um dos melhores discos desse ano, Ava Rocha volta ao palco da Serralheira nesta terça e quarta, repetindo um dos grandes momentos da música brasileira em 2015 quando ela deixou embasbacada uma plateia que reunia músicos, artistas e cabeças da atual cena paulistana. Acompanhada de uma banda afiadíssima (o sambista noise Marcos Campello, o guitarrista experimental Eduardo Manso, o baixista harmonizador Felipe Zenícola e a bateria precisa de Thomas Harres), Ava domina o palco sem o menor compromisso, dona de uma presença tão expansiva e intensa quanto a personalidade exposta no disco que leva seu nome completo, Ava Patrya Yndia Yracema.
“No palco eu procuro não reproduzir o disco mas aproveitar alguns elementos que compõem a poética sonora, isso tem sido transcriado pelos músicos que estão tocando comigo ao vivo”, me explica a cantora. “Esse é o show que eu tenho feito por agora, de lançamento do disco, experimentando o repertório do disco e o do show que contempla varias outras músicas e experimentações. Também tem um viés performático, então o palco é um espaço onde eu estou experimentando e desenvolvendo também um pensamento cênico.” Além das músicas do disco, ela ainda cantou músicas anteriores como “Oloruzui” e “Canção de Protesto”, o poema musicado “Spring” e versões para clássicos brasileiros como “Iracema” de Adoniran Barbosa e “Canoa Canoa” de Milton Nascimento, todas registradas nos vídeos que fiz, abaixo:
Pergunto a ela sobre como anda esta nova cena carioca que viu nascer seu novo disco e ela disse que é “uma zona cheia de muros, mas há vontade para derrubá-los e serão”, disse com a convicção de quem mistura experimentalismo free com canções que tocariam numa rádio AM do meio do século passado. “Nenhum ambiente cultural pode fluir pleno numa cidade que vive tantas injustiças, dentro desse sitema corroído”, continua, “há, no entanto, muito desejo e um fortalecimento do ambiente por conta da rede das pessoas que integram esse ambiente: artistas, músicos, compositores, produtores, gestores, críticos, público etc. Enfim há muita explosão criativa, muita experimentação, muita coisa linda acontecendo mas tem essa dificuldade, o espaço social totalmente deteriorado. O ambiente é por tanto de resistência e ardor.” O Rio tem características específicas, mas ela também está falando sobre o resto do Brasil.









