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No lindo pesadelo psicodélico do clipe de “The Less I Know the Better” o Tame Impala mistura ciúme, macacos, basquete, bananas e muito tesão reprimido. Cuidado na hora de apertar o play para não estar em um ambiente “família”.

faustao

Ah, o brasileiro… Grande pessoa humana incrível!

mahmundi2015

Acompanho o trabalho da Mahmundi desde os tempos em que ela era só uma promessa começando a sair de algum quarto do Rio de Janeiro, sintonizando Drake no Guilherme Arantes e Kanye West na Marina Lima (até a trouxe pra tocar no Prata da Casa quando fui curador do projeto, em 2012 – grande safra!). Qual a minha felicidade ao descobrir que ela tinha sido a contratação final do selo Stereomono que o grande Miranda está tocando no Skol Music. Havia ao menos a certeza de vir do reconhecimento daquela sensibilidade que, apesar dos ares retrô, reflete mais a ingenuidade pop daquele fim dos anos 70, antes disso que isso que chamamos de “rock brasileiro dos anos 90” tenha engolido uma geração inteira de hitmakers. Marcela Vale adiantou a primeira música de seu novo disco – que deve apenas levar seu codinome como título e só sai em março do ano que vem – com exclusividade para o Trabalho Sujo. “Eterno Verão” é exatamente aquilo que esperaríamos que ela fizesse, uma bela introdução para o seu universo (o “Mah mundi”, sacou? Daí vem o apelido). Conversei com ela sobre a nova fase:

“Disco gravado, tô feliz com o processo, com o resultado”, conta. “Acho que ele é o reflexo da minha vida hoje: a gente faz mil coisas achando que estamos no meio e de repente o jogo zera de novo. Esse disco é o meu início no mundo dos 30 anos!”, ri. O contato com o Miranda aconteceu durante o Prêmio Multishow de Música Brasileira do ano passado, quando ela ganhou o prêmio Nova Canção com a bucólica “Sentimento”. “Quando cheguei em casa, meus amigos falaram que ‘o Miranda te elogiou na TV’ eu fiquei muito muito feliz. era o auge! Depois rolou o convite, eu fui tocar em SP, ele curtiu e foi tudo lindo. Quando ele me chamou pro selo, eu fui e aceitei de olhos fechados. Ele me levou numa lojinha de doces e ficamos lá comendo e falando sobre música. Eu já estava apaixonada por estar vivendo aquele momento. Acredito muito no Miranda e sei que ele sempre se envolve em coisas que acredita.”

Ela está ansiosa com a nova fase mas ainda um tanto cética. “Bicho, eu não sei dizer. os outros EPs são tão legais, sabe? Eu ouço eles até hoje. Acho que é um momento novo mesmo, uma nova era das coisas. Com 26 anos eu queria fazer músicas e colocar na internet; hoje, aos 29 eu quero fazer o melhor disco que posso fazer. Ter a mesma sensação que eu tenho que peço pros taxistas aumentarem uma musica que tá tocando na rádio. Acho que a juventude tem essa de provar pras pessoas e pra voce que voce é bom nisso e aquilo e muita gente se enforca nesse processo. Eu comecei a ver que eu precisava estar onde minha música estivesse, então posso dizer que esse disco é aquele cartão de visitas que voce entrega sorrindo sabendo que a pessoa vai te ligar de volta”, diz, antes de falar que sonha em um dia gravar com Marcos Valle e Hyldon. Um sonho mais fácil do que ela pensa – ainda mais fazendo o som que faz.

horse-melbourne

Há um mês, a gravadora indie australiana Milk Recordings celebrou o quadragésimo aniversário de Horses, o mítico disco da Patti Smith que inaugura a segunda metade da história do rock, que começa com o punk. O foco do show, que aconteceu no Melbourne Town Hall em sessão dupla, era a nossa querida Courtney Barnett, principal estrela do selo, mas também enfileirou apresentações de outros nomes do catálogo deles, como Jen Cloher, Adalita e Gareth Liddiard, todos acompanhados da mesma banda, formada por Dan Luscombe na guitarra, Ben Bourke no baixo, Stevie Hesketh nos teclados e Jen Sholakis na bateria. A gravação do show finalmente apareceu em grande estilo online e vale cada minuto assistido – as apresentações de Adalina, os mais de dez minutos de Gareth Liddiard em “Birdland” ou Courtneyzinha mandando ver em “Break it Up” são especialmente tocantes:

Quem quiser assistir a algumas apresentações isoladas, elas vêm a seguir:


Gareth Liddiard – “Birdland”


Courtney Barnett – “Redondo Beach”


Adalita – “Free Money”


Jen Cloher – “Land”

hotline

O Yanescudo, o mesmo mashupeiro do Hino da Copa das Copas abrasileira o hit “Hotline Bling” do Drake misturando com um trote telefônico recente mas já clássico..

E se você não conhece o trote…

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O único integrante vivo fundador do Velvet Underground, John Cale revisita um dos clássicos de sua carreira solo – Music for a New Society – à luz da morte do comparsa Lou Reed. O disco será reeditado em uma versão dupla, contendo o disco original e a regravação do disco feita este ano. O projeto, batizado de M:fans (que são as iniciais do título do disco), foi apresentado com o clipe da versão atual para “I Keep a Close Watch”, rebatizada agora apenas como “Close Watch” (e com a participação de Amber Coffman dos Dirty Projectors):

É uma versão interessante, mas não chega aos pés da solene versão original, que este ano foi regravada por Courtney Barnett.

Wes-Anderson_Centered

O magistral editor Kogonada nos mostra mais uma obsessão de outro diretor – agora é a vez do TOC de Wes Anderson em dividir a tela em duas metades.

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Essa versão que o Tame Impala fez para “Confide Me” é dessas que justifica artistas regravarem obras dos outros sem cair naquele nível de comparação que sempre conclui que o original é melhor. Kevin Parker escolheu um hit esquecido de Kylie Minogue cuja profundidade soul dance conversa diretamente com o momento em que vive a bordo de sua banda e de seu bissexto Currents – e revela nuances no original que provavelmente fugiu da maioria dos ouvintes à época. A banda mexe pouco no original, mas sobreposta à atual sonoridade do grupo e às texturas instrumentais características desta fase – tanto o entrelaçamento de teclados e guitarras, o vocal cantado apenas sobre a bateria e os agudos no refrão -, a versão é de chorar.

O cover foi feito para o programa australiano Like a Version, onde o grupo já havia regravado aquela música do Outkast.

claricefalcao2015

Em uma época tão intensa de provocações e preconceitos sendo expostos, Clarice Falcão deixa as gracinhas do Porta dos Fundos em segundo plano e lança uma versão acústica para “Survivor” – hit imbatível das Destiny’s Child de onde veio Beyoncé – que pode antecipar o lançamento de seu segundo álbum. O cover apareceu num clipe que superpõe imagens diferentes de todos os tipos de mulheres lidando com o mesmo batom vermelho que incomoda muita gente, num belo manifesto feminista que também está sendo lançado em áudio digital – e cuja renda será revertida para o Think Olga, que está virando fundação.

floatingpoints

O nome que o inglês Sam Shepherd escolheu para trabalhar – o codinome Floating Points – já circula pela cena dance inglesa como uma espécie de Doutor Jeckyll da cena dubstep desde 2009, soltando singles, EPs e músicas isoladas enquanto calibrava sua musicalidade entre um trip hop instrumental mais sombrio – parente torto da linha do DJ Shadow – e um improvável meio termo entre o jazz, a disco, a house e a música de câmara, numa câmera lenta mental que nos aproxima do zen. Estas qualidades chegam ao ápice em Elaenia, uma inesperada obra-prima que toma 2015 quase como um atordôo de nocaute, mas sem dor nem sequer noção de fisicalidade – uma jam session dos sonhos entre o Erik Satie, o Nightmares on Wax e Madlib, com direito andamentos intrincados, cordas românticas, graves pesados, grooves sintéticos, levadas puramente jazzy. Acho que nenhum disco de música eletrônica nesta década merece tanto o rótulo de transcendental quanto este. Separei as quatro primeiras faixas do disco – os clipes de “Nespole” e da versão editada de “Silhouettes” (que no disco tem dez minutos), a faixa-título e, finalmente, “Nespole” de novo e “Argenté” (ao vivo na BBC na semana passada). Sente só: