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classixx-2016

O ano começou agitado para o Classixx. Os produtores californianos abriram o ano com uma versão para “Bird of Prey” de Natalie Prass para o dia dos namorados norte-americano:

Depois, em março, lançaram a faixa “Grecian Summer”, em que anunciavam um novo disco, batizado de Faraway Reach (a capa é a imagem acima neste post):

O disco contudo vem cheio de participações especiais e a dupla liberou a parceria com o grupo How to Dress Well para funcionar como aperitivo:

Além do How to Dress Well, o disco ainda conta com aparições do Passion Pit, T-Pain, De Lux, Alex Frankel do Holy Ghost entre outros. Mas a julgar por esta colaboração mais recente, dá pra sacar que quem dá as cartas é a própria dupla.

Drake-Hotline-Bling-

É surreal.

No final do vídeo a dupla explica sua proposta musical.

marechal

Um dos mais sagazes MCs do rap brasileiro, o carioca Marechal vem adiando seu primeiro disco solo desde os tempos em que ainda fazia parte do mítico Quinto Andar, mas aproveitou o primeiro de abril para mostrar a primeira música deste disco. A faixa “Primeiro de Abril” é genialmente apresentada como um clipe de power point tosco, cheio de memes e piadas de internet, mas flui num jazz com refrão soul e é naturalmente autorreferente, mencionando a espera pelo primeiro disco, o trabalho social que desenvolveu nos últimos, além de saudar parte da cena que o viu crescer (leia a letra abaixo).

Os batidão de Jazz
Estilão quinto andar
Quinze anos depois, ó
Onde eu vim me encontrar
Não sou cantor, não
Mas sou de “vim tentar”
Deixa a tinta andar um tantin no tom
Até ter o dom de te encantar, tá?
Primeiro de Abril, dia da mentira agora acabou
Virou do “puta que pariu, tu viu Marecha fez som, gravou e lançou, carai”
Voltou, os rap que inspira, primo, agradece
Pô, vagabundo cansou de ter que parar pra ouvir esses trap de quem nunca trepou, falou
Estúdio próprio, 4 e pouco
Tô canetando até agora e tenho conteúdo pra mais cinco disco pronto
Se eu quiser conteúdo pra mais cinco, pisco, pronto
Enquanto uns quebram a cabeça pra rimar
Eu com esses riscos, monto
Foda-se o número de views
Antigamente nós contava relevância pelo número de Gabriel, D2 e Bills
Speeds e Gustavo Black
Hoje agradece BK, Síntese e Sant
Cês são o futuro, porra
(Fala pra eles que é o RAP!)
E que só existe um tipo de MC
O “foda-se o ego e vamos nos unir”
Dinheiro não tem nada a ver com vencer
Cuidado com isso aí que se não cês faz o plano do FMI
Vão sofrer com o que o banco mundial reserva pra te foder
Uns acreditam em si, outros acreditam em se
E acredito em um só, mas só se você acreditar em você, menor
Se tu se limitar e acreditar no vi pra ver, é capaz da sua imaginação não conseguir deixar isso acontecer

Vou partir
Quando amanhecer
Vou puxar meu bonde daqui
Meu lugar
Venho agradecer
Música não deixa eu mentir

Não pense como eu penso
Ou aja como eu ajo
Apenas reaja ao senso
Seja capaz de sentir
Cuidado legal com novos amigos é no, no, no, no, no
A chapa tá igual chamou, quen te
Não tente me entender
Quero entender o que quer me tentar
O último que tentou nem tá
Não vou mentir
Faço isso pelos meus filhos
Se vierem me matar
Que a mina que eu confio
Possa entregar pra eles
Tipo ó: “papai deixou isso aí”
País feliz onde o povo pouco lê
E busca mais mostrar nas rede como vive que viver
Não consegue aprender que as rede são pra prender
Tudo é facebook e os livro na cara, cadê? Tu não vê
Igual o logo do carrefour que a parte branca é um “C”, pode crer
“Mas peraê, mané, cê diz o povo pouco lê e as lei do segredo vendeu milhões”
Eu sei, e a primeira vez que eu vi isso vender
Pensei, eles deviam editar livros é sobre os segredos da lei
Continuamo sem entender o sistema
E vivemo essa confusão
Ao invés de ações sociais, se discute tamanho de cordão
(?) de evolução, tudo é foda, foda, foda, fodão
Quer ser o melhor, vai pesquisar
Já falei isso em outro som
“(Haha) Pesquisar a onde, rapa? Cê nem tem CD”
Haha, meu disco é piada antes de sair, valeu
Ditado diz quem ri por último..
Depois de sair não reclama se o que virar piada é o seu

Vou partir
Quando amanhecer
Vou puxar meu bonde daqui
Meu lugar
Venho agradecer
Música não deixa eu mentir

Um dia Vamos Voltar A Realidade (cuja abreviatura em hashtag #VVAR também batiza seu projeto de educação, mostrado no clipe) sai, mas por enquanto só temos este primeiro de abril às avessas.

La vie en rouge

paradis

A dupla francesa Paradis – formada por Simon Mény e Pierre Rousseau – apresenta-se na festinha vermelha do clipe que armou para sua deliciosa “Toi et Moi”. Deixa cair…

Rihanna-kiss-it-better

Rihanna continua aprofundando seu ótimo Anti com clipes de altíssima temperatura – desta vez é a sinuosa “Kiss it Better” que ganha sua versão com imagens.

Mild-High-Club

Mais uma bola dentro da gravadora indie paulistana Balaclava: desta eles anunciam, em primeira mão para o Trabalho Sujo, a vinda do grupo psicodélico californiano Mild High Club para o Brasil. Hoje mesmo está sendo lançado, em versão digital, o ótimo Timeline (tanto no Spotify quanto no Deezer e via iTunes), que o grupo liderado por Alex Brettin lançou no ano passado, e a banda vem em turnê para a América do Sul, com passagens pela Argentina e pelo Chile, no final do segundo semestre, com datas a definir em novembro. O Mild High Club pertence àquela safra de bandas indies psicodélicas que seguem a tradição solar do hippiesmo da costa oeste dos EUA, que desliza em câmera lenta em ondas de eletricidade estática, entre a surf music e os momentos mais claros da carreira de George Harrison. Seguem alguns vídeos do grupo ao vivo, pra quem não conhece:

michael-stipe-man-who-sold-the-world

O vocalista do R.E.M. Michael Stipe anda recluso desde o fim de sua banda, em 2012, fazendo esporádicas aparições aqui e ali. A mais recente delas foi nesta quarta-feira, no programa do Jimmy Fallon, em que ele apresentou uma versão apenas ao piano para o clássico “The Man Who Sold the World”, de David Bowie.

Um Trenzinho Carreta Furacão como você nunca viu…

Vi na página Ian Curtis da Depressão.

ricodalasam

Uma das principais revelações da música brasileira no ano passado, o rapper Rico Dalasam aos poucos prepara o bote para pegar 2016 de jeito. “Sem dúvida, 2015 foi um ano muito bom e importante para mim: recebi elogios do Gilberto Gil, abri o show do Criolo no Circo Voador, me apresentei no Royal Vauxhall Tavern em Londres, e ainda fui citado pela Vogue NY como uma referência de moda. Além de ter ficado feliz com essa repercussão, vejo o trabalho com o EP Modo Diverso completando o seu ciclo e o início de uma nova etapa. Foi um momento importante e agora estou com o foco nos próximos passos”, me explicou em entrevista por email.

E sua primeira novidade de 2016 é algo que tanto fecha o ciclo do ano passado quanto acena para o novo estágio: um remix para a excelente “Riquíssima“, feito pelo Mahal Pita, do BaianaSystem, que você ouve em primeira mão no Trabalho Sujo.

Mahal Pita é um dos produtores do primeiro álbum de Rico, que já está sendo gravado e que deve sair entre maio e junho deste ano.

A atenção ao redor de Rico foi para além de seu inegável talento, muito pelo fato de ele ter sido um dos primeiros rappers brasileiros – talvez o primeiro? – a assumir sua homossexualidade, tema que aos poucos deixa de ser tabu no meio do hip hop. Mas ele não teme cair num estereótipo: “O rótulo ajudou sim, mas sempre calculei que ele teria uma vida útil e duraria durante uma fase da carreira. Hoje, vivo essa curva onde a música equilibra com o comportamento. Assim, o estereótipo vai perdendo força.”

Ele é otimista em relação à atual cena rapper paulistana: “Vejo alguns artistas numa busca de estar em dia com o amanhã. Acho isso positivo, somos maiores quando prezamos pelo cantar para o máximo de pessoas, sem criar música com a presunção de que ela vai atingir o perímetro das nossas intenções.” O rumo do próximo disco ainda está em aberto, mas será que dá pra ter alguma previsão do que vem por aí a partir do que Rico tem ouvido? “Tenho escutado Punjabi e música indiana, que eu me identifico demais. Também ouço várias nuances do forró, arrocha, baião, xote e os de sempre, como como Mary J. Blige e Djavan…”

A vez do Fióti

fioti-2016

O sucesso de Emicida é uma parceria fraterna: enquanto Leandro rima e dá a cara a tapa pelos palcos da vida, seu irmão Evandro Fióti administrava sua carreira, construindo as fundações de seu escritório a partir de CDs vendidos de mão em mão no metrô. Hoje o escritório Lab Fantasma é um pequeno império, que administra as carreiras de Emicida e Rael e se tornou uma distribuidora digital, além de referência para uma nova geração de rappers pelo Brasil que viu que é possível ser bem sucedido artisticamente e nos negócios ao mesmo tempo. Como Emicida, Fióti sempre esteve envolvido com música e além de habilidoso violonista agora começa a colocar suas mangas artísticas de fora, ao anunciar o lançamento de seu primeiro EP ainda essa semana. Já gostei de cara por causa do título do trabalho: Gente Bonita (que era o mesmo nome da festa que eu fazia com o Luciano Kalatalo entre 2006 e 2010). Ele já mostrou o teaser do novo trabalho:

“​​Foi tudo orgânico”, me conta o novo artista: “Antes de montarmos a Lab, eu e o Leandro sempre se encontrava pra fazer algumas coisas. Mesmo trabalhando, quando eu fazia a produção de estrada, eu levava o violão e íamos compondo quando dava, mas as coisas foram ficando cada vez mais apertadas e isso deixou de ser possível. Porém, duas das parcerias que tenho com ele nesse disco já existem aproximadamente há oito anos,​ e eu até insisti algumas vezes pra ele lançar ‘Gente Bonita’ porque todo mundo a quem eu mostrava a música gostava. É um outro lado do Emicida como compositor que acho que vai surpreender o público. Mas na verdade Deus escreve certo por linhas tortas, ainda bem que ele não me ouviu e deixou mesmo para eu gravar porque essa música é linda.”

A música acabou batizando o novo disco: “O projeto não tinha nome no começo, mas depois me dei conta de que essa faixa sintetizava tudo o que eu queria passar, acho que é uma das letras mais fortes do trabalho. Dentro do estúdio, com os músicos, me veio esse nome. Tem a ver com a ideia que quero transmitir e até com o momento que eu estou vivendo, de um exercício de me apegar mais às coisas boas e positivas. E tem a ver também com uma coisa de enxergar o melhor nos outros; gente bonita são todas as pessoas que toparam estar comigo no projeto, colaboraram para que eu chegasse a este ponto. E num contexto mais amplo espero que sirva como uma mensagem positiva para todos que se identificarem com a faixa, para o povo da periferia, nosso povo, que todo dia precisa buscar motivação para levar a vida do jeito que ela é. Mesmo com todas as adversidades, continua sendo um povo alegre, feliz e bonito.”

Mas não é um disco de rap, já adianta: “Quem espera um disco de rap vai dar com os burros n’água!”, ri o compositor-empresário. “É um disco para que ouçam e pensem, reflitam e se divirtam. Ficou bem fincado nas raízes da música brasileira, está bem brasuca e isso reflete o meu gosto musical, me vejo nele inteiro, quem me conhece de longa data também vai compreender isso mais facilmente. Quem só conhece o Emicida vai ter a oportunidade de conhecer esse lado mais compositor dele também. Esse disco é vida que segue. Eu senti a necessidade de gravar essas músicas e fazer algo que as pessoas me cobravam há muito tempo, fui lá e fiz, sendo público do Emicida ou não, espero que as pessoas sintam e se identifiquem com a mensagem musical do trabalho. Estamos passando dias tão difíceis que vejo neste disco a possibilidade de as pessoas verem como nosso povo e nossa música são ricos e lindos e que isso sirva de combustível na luta diária de cada um. Se conseguir isso, já estou satisfeito. E quem não gostar não precisa falar nada, pode ir ouvir o que gosta.”

Também gravei a primeira vez que Fióti apresentou uma música ao vivo deste novo disco, quando juntou-se ao Rodrigo Ogi, ao Kiko Dinucci e ao Thiago França para tocarem o samba “Vacilão”, que estará no EP, num show de Ogi na Casa de Francisca.

“Gente Bonita”, a primeira faixa de trabalho, será lançada oficialmente nesta sexta-feira, dia 1° de abril. Não é mentira. O disco todo aparece em maio.