O clássico encontro de Vinícius de Moraes e Baden Powell no mais clássico terreiro da música brasileira ressurge em vinil em seu aniversário de 50 anos. Os Afro-Sambas é uma obra crucial em nossa música por diversos pontos de vista: consagra a autonomia criativa e musical de Vinícius de Moraes, que ainda estava preso ao sucesso da bossa nova; apresenta o mágico violão de Baden Powell em sua obra-prima; eleva magistralmente o universo da cultura africana ao panteão central da música brasileira e consagra a religião afro-brasileira como parte central de nossa identidade. O disco será relançado em edição especial do clube de vinil Noize Record Club (mais informações aqui).
“É uma honra termos esse disco tão relevante pra história da cultura brasileira e tão forte não só na musicalidade, mas também na poesia. Vinicius de Moraes e Baden Powell são referência pra grande parte dos músicos brasileiros que vieram depois, é inegável”, me explica Marília Feix, editora do Noize Record Club e da revista Noize. O clube, que já lançou vinis de Tulipa Ruiz, Curumin, Banda do Mar, Otto e Apanhador Só envereda pela primeira vez rumo ao século passado e a um clássico da música brasileira, mas não necessariamente é uma mudança de rumo do serviço. “A ideia do Noize Record Club é trabalhar com álbuns de qualidade, que valham a pena serem colecionados em vinil”, continua Marília. “Claro que os clássicos acabam sendo sempre álbuns relevantes, pois resistiram ao tempo, e acabam se tornando um conteúdo muito rico também para a revista. Mas temos muitos artistas novos no Brasil que também podem ser considerados, que a gente acredita que poderão ser clássicos no futuro.” Ela diz que o próximo disco do clube já está definido e deve ser anunciado ainda este ano.
E se você nunca ouviu os Afro-Sambas, faça-se esse favor.
O New York Times convidou o Jay Z para narrar aquela velha história que a gente já sabe: como a política de tratar drogas como problema de polícia e não de saúde trouxe mais problemas que soluções. As ilustrações são de Molly Crabapple.
Abel Tesfaye mostra mais uma faixa de seu disco Starboy – e “False Alarm” mostra que o disco vai seguir uma linha menos épica.
Ele também mostrou a íntegra da faixa no Saturday Night Live deste fim de semana…
…além de também mostrar a faixa-título, que revelou na semana anterior e que fez com o Daft Punk.
Pelo visto 2016 vai continuar sem um disco com grandes hits, hein…
E os Simpsons entram em sua 28ª temporada (!) entregando sua clássica abertura ao pessoal do Adventure Time – e mesmo que o criador da série, Pendleton Ward, que cantava a música original da abertura do desenho, tenha saído da produção em 2014, parece que é a voz dele que canta esse tema dos Simpsons, não?
E por falar em abertura dos Simpsons, eu tinha passado batido por essa homenagem que eles fizeram à Disney no ano passado:
Demais. Os Simpsons são demais.
O ex-Sonic Youth lança uma faixa em homenagem à militar que vazou os documentos da segurança norte-americana para o WikiLeaks e foi condenada a 35 anos de prisão. “Chelsea’s Kiss” é um pequeno épico noise típico de sua clássica banda e atua em duas campanhas simultaneamente: a de libertação da soldada trans e a do Cassete Store Day (é, as fitas voltaram mesmo), que acontece dia 8 de outubro.
Uma das bandas mais complexas e completas da história, o King Crimson vem passando discretamente por uma fase inacreditável, que começou como um rumor sobre uma formação com vários integrantes, boatos sobre um possível primeiro show desde anos 70, que materializou-se em não apenas um, mas alguns shows, transformou-se em turnê e agora chega ao disco numa versão da banda com sete cabeças tocando ao mesmo tempo. O guitarrista maestro Robert Fripp reuniu integrantes de diferentes fases da banda (o saxofonista e flautista Mel Collins, o baixista Tony Levin, o guitarrista Jakko Jakszyk e três bateristas, Pat Mastelotto, Gavin Harrison e Bill Rieflin) numa formação dos sonhos que tem revivido alguns dos momentos mais emblemáticos da carreira do grupo ao vivo. A caixa Radical Action to Unseat the Hold of Monkey Mind reúne três discos com gravações da banda do ano passado no Japão, na França e no Canadá e tem versões que trazem registros em vídeo desta apresentação, como a impressionante versão ao vivo para “Starless”. Como o produtor e parceiro de longa data de Fripp David Singleton escreve no encarte do box:
“É uma espécie de truísmo na história do Crimson que qualquer show que seja filmado não será aquele em que o céu encontra-se com a terra e descem os anjos. A presença de câmeras e de operadores introduz um elemento intrusivo na relação entre o artista, a música e o público. Nossa solução foi voltar ao conceito de “TV pirata” e priorizar a música e a performance mais do que as imagens. Tínhamos um único câmera – Trevor Wilkns, que sofreu! – nesta turnê e ele filmava todas as noites com uma série de câmeras escondidas discretamente no palco onde a elas não atrapalhariam nem o artista ou o público. O compromisso portanto não é o visual e sim o da música.”
Aos céticos ou não-iniciados na banda que se convenceram pela balada inicial sugiro que joguem o cursor lá praquele tempo mágico, 4:20 – e boa viagem.
Enquanto nos enrola o lançamento de seu Dear Tommy, Johnny Jewel, dos Chromatics, ainda encontra tempo para fazer a trilha sonora de um filme belga chamado Home, que, para aliviar pro lado dele, é composta de músicas velhas e não-lançadas de suas bandas (Chromatics e Symmetry) e de trilha incidental feita para o filme. Abaixo, o clipe de uma das músicas da trilha, com imagens do filme, chamada “Magazine”.
Inicialmente um desafeto dos Ramones, o ex-vocalista dos Smiths Morrissey logo viu a luz do punk rock e entendeu a importância do grupo para o movimento, a ponto de chegar a organizar a coletânea limitada (9 mil cópias) Morrissey Curates the Ramones sobre a banda lançada pela gravadora Rhino no Record Store Day de 2014. Mas o auge do fanatismo do vocalista pelo grupo aconteceu neste fim de semana, quando em um show no Brooklyn, em Nova York, ele surpreendeu a todos com uma versão fiel e apaixonada para “Judy is A Punk”, do mítico grupo nova-iorquino.
Agora de outro ângulo:
Que beleza.
E a faixa-título do novo disco do Weeknd – sua aguardada parceria com a dupla Daft Punk – não é o hit arrasa-quarteirão que 2016 estava precisando, mas tem toda a manha e a sutileza fria de seus respectivos autores. Mas “Starboy” funcionaria perfeitamente dentro do Random Access Memories que os robôs lançaram há três anos, o que, comparando com a produção musical deste ano, é um senhor avanço. Olha ela ai na íntegra com seu clipe:
A princípio rola só aquele sensação de desconforto pelo contexto completo (uma atriz da Globo homenageando Kurt Cobain ao piano no programa do Jô Soares), mas ela nem sabe a letra da música direito e as coisas vão piorando até você começar a pensar que talvez Seinfeld dublado pelo Eri Johnson não seja a pior notícia do dia…










