A banda californiana Deerhoof anuncia para setembro seu novo disco, Mountain Moves, e lança o primeiro single, a faixa “I Will Spite Survive”, que conta com a participação de Jenn Wasner, líder do Wye Oak, nos vocais:
Não é a única participação especial do disco, que ainda conta com as presenças da ex-vocalista do Stereolab Lætitia Sadier, da multiinstrumentista Xenia Rubinos, da compositora argentina Juana Molina e da jazzista Matana Roberts, entre outros, além de versões para músicas de Bob Marley, Staple Singers e Violeta Parra, num disco de forte teor político. “Vivemos simultaneamente em dois mundos, uma monocultura maníaca inclinada ao inferno que está guiando a humanidade rumo à extinção e um movimentado submundo lotado de ideias e cheio de otimismo e de vontade de continuar e sobreviver. Mountain Moves recusa o primeiro ao celebrar o último em êxtase”, escreveram na apresentação do disco, cuja capa e ordem das músicas vem abaixo (e o disco já está em pré-venda).
“Slow Motion Detonation (feat. Juana Molina)”
“Con Sordino”
“I Will Spite Survive (feat. Jenn Wasner)”
“Come Down Here And Say That (feat. Lætitia Sadier)”
“Gracias A La Vida (Violeta Parra Cover)”
“Begin Countdown”
“Your Dystopic Creation Doesn’t Fear You (feat. Awkwafina)”
“Ay That’s Me”
“Palace of the Governors”
“Singalong Junk (feat. Xenia Rubinos)”
“Mountain Moves (feat. Matana Roberts)”
“Freedom Highway (The Staples Singers Cover)”
“Sea Moves (feat. Chad Popple, Devin Hoff)”
“Kokoye”
“Small Axe (Bob Marley Cover)”
A primeira vez que o Cure apareceu em um programa de TV foi num show filmado ao vivo em Paris, no dia 3 de dezembro de 1979, com Robert Smith ainda de cabelo curtinho – de onde saiu essa versão incrível da emblemática “A Forest”.
Clipe novo de Kendrick Lamar, “Element” não é estiloso apenas por estética. Dirigido pelo próprio Kendrick e pelo fotógrafo alemão Jonas Lindstroem, o vídeo emula o olho clínico e social do fotógrafo Gordon Parks, uma das assinaturas visuais do movimento pelos direitos civis nos EUA nos anos 50 e 60.
E o Radiohead voltou ao topo do festival inglês Glastonbury vinte anos após ter tocado na mesma posição pela primeira vez na história do evento com um showzaço que pode ser ouvido na íntegra na BBC (a partir do trigésimo minuto, quando a transmissão da rádio dedica-se ao show, registrado ao vivo). As câmeras da BBC também registraram parte do show no vídeo abaixo, que infelizmente começa lá pela metade do show (a partir de “Idioteque”). Se alguém encontrar uma versão na íntegra em vídeo manda o link aí…
Watch live video from GlastonburyFestival on www.twitch.tv
Olha o setlist, que maravilha:
“Daydreaming”
“Lucky”
“Ful Stop”
“Airbag”
“5 Step”
“Myxomatosis”
“Exit Music (For A Film)”
“Pyramid Song”
“Everything In It’s Right Place”
“Let Down”
“Bloom”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“Idioteque”
“You And Whose Army?”
“There There”
“Bodysnatchers”
“Street Spirit”
Primeiro bis
“No Surprises”
“Nude”
“2+2=5”
“Paranoid Android”
“Fake Plastic Trees”
Segundo bis
“Lotus Flower”
“Creep”
“Karma Police”
Que banda! Que show!
O produtor nova-iorquino Andy Butler está aos poucos reativando seu projeto de disco-house Hercules & Love Affair, que não lança disco novo desde 2014. E depois do ótimo single que lançou no início do ano com os vocais de Faris Badwan, do Horrors (ouça “Controller” no final deste post), agora ele se junta à querida Sharon Van Etten para a faixa-título de novo álbum, Omnion, que deverá ser lançado em setembro – e cuja capa do single (acima), disfarça a melancolia da capa do disco (abaixo, junto com a ordem das músicas):
“Omnion (feat. Sharon Van Etten)”
“Controller (feat. Faris Badwan)”
“Rejoice (feat. Rouge Mary)”
“Are You Still Certain? (feat. Mashrou’ Leila)”
“Running (feat. Sísý Ey)”
“Fools Wear Crowns”
“Lies (feat. Gustaph)”
“Wildchild (feat. Rouge Mary)”
“My Curse and Cure (feat. Gustaph)”
“Through Your Atmosphere (feat. Faris Badwan)”
“Epilogue (feat. Gustaph)”
Participei ao vivo, nesta sexta, da edição da semana do programa Cult 22, que eu nunca mais tinha ouvido desde que saí de Brasília. Marcos Pinheiros e Carlos Marcelo criaram o programa em 1991 e por dois anos foi um das fontes que eu tinha de música nova naqueles tempos pré-históricos antes da chegada da internet para os meros mortais. Por isso, tenho a maior satisfação de voltar ao programa agora como entrevistado – e sabendo que ele segue sendo transmitido pela rádio Cultura de Brasília, agora apenas com o Marcos no comando, mesmo depois de turbulências nestas duas primeiras décadas. Segue abaixo o live que eles fizeram direto do programa, que tem a participação de vários artistas que vieram ao PicNik, quando bato um papo ao lado do Lucio Ribeiro – também convidado do programa e do festival – sobre cena independente, o legado de Kid Vinil e rock e mainstream.
Mais um single do próximo disco das irmãs californianas, “Little of Your Love” parte de uma pesada batida soul rumo a algo que já podemos chamar de Haim clássico.
Hit instantâneo, é só acrescentar gente.

O antigo Hotel São Pedro, inspirador do quinto disco do Cidadão, Fortaleza, visto da varanda do hotel entre pancadas de chuva, fumaça e planos mirabolantes
Renata Simões, que fez a mediação da primeira edição do Spotify Talks desse ano, é minha comadre velha de guerra e pediu licença para publicar aqui no Trabalho Sujo mais um de seus Rolezinhos, a série de matérias que retratam cidades e lugares e sua relação com as pessoas e com a cultura – como ela explica melhor aqui. Desta vez o destino foi Fortaleza, quando do acontecimento do cada vez mais importante festival Maloca Dragão, que, na edição deste ano, recebeu show do BaianaSystem, homenagem-relâmpago ao recém-falecido Belchior (a notícia, como conta Renata, chegou no meio da edição), da primeira celebração do Cidadão Instigado de seus 20 anos de travessia, em sua cidade-natal e do projeto Praia Futuro. E eu sou besta de não deixar? Fala Renata!
Fortaleza te recebe com 27 graus de temperatura às duas da manhã. O mar do outro lado da janela do hotel promete um frescor que o clima não entrega. Estou na cidade para o Maloca Dragão, festival de artes integradas do Centro Cultural Dragão do Mar (melhor nome de lugar ever).
Os shows, gratuitos, acontecem em palcos montados pelas ruas do bairro da Praia de Iracema, semelhante à Virada Cultural paulistana, mas ao redor do tal Dragão do Mar, que normalmente é o centro de atividades culturais na região da capital. Atrações locais, nacionais e internacionais, da música eletrônica ao teatro experimental, se espalham por vinte palcos. Na lista do “quero ver” o show que celebra os vinte anos do Cidadão Instigado, BaianaSystem, As Bahia e a Cozinha Mineira, Horoyá, Nego Gallo, e mais umas coisas que a turma local indicou. Certeza da vontade de ouvir Praia Futuro, projeto instrumental lançado pelo selo Nublu que não vi no Sesc, ano passado.
Caminhando pela orla, de longe dá para ouvir a guitarra, o baixo, a bateria. De perto, Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Dengue (Nação Zumbi) os dois de bermuda e chinelo de dedo, passam o som junto com Kalil, o sexto integrante do Cidadão. Praia Futuro, o disco, foi gravado na cidade, no estúdio Totem, “em janeiro ou fevereiro de 2016, acho, foi antes do Maloca (do ano passado)”.
Kalil estreia nos palcos depois de assinar gravação e mixagem de discos e shows do Cidadão Instigado, Otto, Arnaldo Antunes, entre outros. “Toco bateria desde os onze anos. Quando fui pra São Paulo estudar áudio, vi a possibilidade de estar com todos os instrumentos na minha mão, de sair do ritmo para ter uma banda inteira.” Dengue, pilar do Praia Futuro, convenceu Kalil a tocar: “Foi muito simples, fui enchendo o saco dele e ele foi tocando”.
https://soundcloud.com/nublu/sets/praia-futuro-1
O projeto começou sem nome, depois do show do Central Park nova-iorquino que comemorava os vinte anos do disco Afrociberdelia, da Nação Zumbi. “Eu conheço o Ilhan (Ersahim, músico e dono do selo Nublu) desde 2000. A gente sempre se falou e nunca falou de trabalho. Nesse dia surgiu esse assunto, e sobre como seria, algo de dub. Acabou que Praia Futuro não tem nada de rótulo, tem coisa de praia”, conclui Dengue.
Formatado como um trio com Pupilo, também da Nação, Dengue e Ilhan, o grupo sofreu alterações na escalação porque o baterista da Nação Zumbi estava envolvido com produção do disco Tropix de sua parceira Céu, e a direção musical do show de Gal Costa. Kalil foi para a bateria e Catatau escalado na guitarra para reforçar as melodias: “Cheguei dentro do estúdio, gravando. Caí de paraquedas e fui cortando as tiras do paraquedas. A gente é amigo, se entende mentalmente tirando som, sempre tocou junto”, explica o guitarrista.
O nome veio de Kalil: “Isso aqui é uma coisa muito louca, é meio relax, o clima é meio praia, e aí foi a minha inspiração: a volta pro início. Voltei pra praia, voltei a tocar bateria como tocava na adolescência na praia do Futuro (em Fortaleza).” Ilhan, que chegaria na cidade às dez e meia da noite, não passou som, perdeu as ondas batendo na orla e o cheiro do mar que invadia o palco.
Eles seguem para o hotel para se trocar, enquanto no Centro Dragão do Mar acontece o Conexões Maloca: produtores, artistas, contratantes, jornalistas, empresários brasileiros e gringos são convidados pelo festival para conhecerem a cena local. Numa espécie de speed date, cada artista apresenta seu trabalho em três minutos para os responsáveis do Circo Voador (no Rio), do Lincoln Center (em Nova York), e de festivais como o Psicodália (em Santa Catarina), a SIM (de São Paulo) e o BR 136 (no Maranhão). O Ceará é o terceiro estado do Brasil em geração de empregos na área da cultura, segundo o IBGE, atrás apenas de São Paulo e do Rio, e com o esquema do Conexões, todas as atrações se favorecem.
Circulando pelos shows, a responsável pelo festival de Cabo Verde assistiu BaianaSystem e articulou uma possível visita da banda ao país. A trupe visitou também o Totem Estúdio para uma audição de Praia Futuro com direito a comidinhas do Uhuuu, restaurante de Marcelo Diógenes que além de rangos incríveis (e do nome inspirado no terceiro disco do Cidadão), produz os melhores discos de Fortaleza.
No primeiro dia de festival deu pra ver Isabel Gueixa, Nego Gallo e Fortal La Mafia representado o hip hop local, e a cantora Nayra Costa. Na Praça Verde, dentro do Centro Cultural, o palco aberto com parte de arquibancada de arena abrigou a celebração dos vinte anos do Cidadão Instigado. A banda está pela primeira vez acompanhada de naipe de metais, com trompete, sax e trombone. Catatau entra sem a guitarra a tiracolo, numa pequena performance. Vinte anos apresentados em uma viagem cronológica pelos álbuns da banda que segue em turnê pelo Brasil.
O hotel é próximo. Sou alertada, pela terceira vez no dia, que melhor não voltar andando, mulher, sozinha e com equipamentos. “Fortaleza tem muito assalto, é muita desigualdade”, repetiam. Da desigualdade e da violência, nós em todas as grandes cidades, sabemos como é. Aceitei a carona de volta entre inesperadas trombas d’água.
Desse tipo de viagem o melhor é o que não está no cronograma: um monte de gente junta que gosta de música na praia falando besteira. Um cachorro deita embaixo do guarda-sol e disputa a sombra com a responsável pela programação do Lincoln Center e nosso ponto de referencia pela tez branca. Melhor coisa de ter gringo no rolê é que você nunca perde o grupo.
Na segunda noite, depois da apresentação d’As Bahia e a Cozinha Mineira e um pedaço do show dos trinta anos da Tribo de Jah, ficamos sabendo que Ilhan ainda não tinha aterrissado em Fortaleza. O show previsto para uma da manhã, atrasa. Quando todos sobem ao palco, começa a viagem instrumental que tem momentos diversos. “É um som astral, tem as partes abertas que a gente pode improvisar bastante”, começa Catatau. “A gente gira ao redor dos temas, olha um no outro, se dá o espaço, é uma coisa muito educada musicalmente falando “ completa Dengue. É surpreendente e leve. “É meio relax, o erro está valendo”, define Kalil. No show, além dos artistas convidados, Lenna Beauty Gadelha, mulher do baterista e bailarina profissional, fez duas participações dançando.
Praia Futuro é também psicodelia visual. Lenna Beauty Gadelha dança no meio da apresentação da banda
Findo o show seguimos para o Canuto, mais conhecido como “o bar do reggae”, um lugar sem portas que não fecha nunca e abriga com música, bebida e pastel. O bar vai enchendo sem hora para esvaziar. Na manhã seguinte, a cidade acorda com a notícia da morte de Belchior. Correria para montar uma homenagem ao filho pródigo do Ceará, para fechar o festival depois de (mais um) avassalador show do BaianaSystem. Nayra Costa voltou para cantar “Como Nossos Pais”, Soledad fez “Apenas um Rapaz Latino-Americano” e João do Crato “Hora do Almoço”. O público dança, chora, e canta a plenos pulmões.
Naquela noite novamente o célebre Bar do Reggae recebe músicos, técnicos, jornalistas `a medida que acabam as atividades. Esticam ao máximo à noite, até ela virar dia. Fortaleza tem um frescor encantador no jeito de levar a vida, mesmo que o calor abafe a temperatura.
“Tenho visto e ouvido coisas emergentes na música e no cenário onde a praticamos. Novos grupos revelando novos caminhos. Outras atitudes. Outros ângulos sonoros. A música em si será como sempre foi; feia ou bonita dependendo de quem a ouve. Mas a maneira de ser dessa tribo que está ocupando espaços, traz um ar novo, animador e importante: conteúdo com a qualidade alguns pontos acima” – quem descreve este cenário é Renato Teixeira, ícone vivo da música de raiz brasileira, que acaba de encontrar-se com a banda de rua Mustache e os Apaches para um encontro ao redor de uma de suas canções, “Rio Abaixo”.
A conexão entre as duas gerações foi feita pela filha de Renato, Antônia, amiga pessoal do grupo. “‘Rio Abaixo’ é uma das músicas do Renato que a gente mais gosta”, explica o vocalista da banda, Pedro Pastoriz. “E chegamos nela em uma conversa muito rápida. A princípio é uma música que o Renato não toca muito nos shows, é de um repertório antigo e a composição é de Geraldo Roca e Paulo Simões.”
Renato continua: “A música por ser invisível e inodora, repousa na gravidade da terra eternamente. As clássicas, por exemplo, continuam soando mais belas a cada dia enquanto gerações inteiras vão passando por ela. Reinventar, renovar-se, ampliar horizontes, qualificar a vida dos humanos, são missões musicais. Ouvir música, qualquer uma, é praticar auto ajuda. Os tempos mudam o comportamento conforme a humanidade evolui e é dentro dessa lógica que a arte se orienta para também avançar. Sem ter que ser obrigatoriamente um caleidoscópio de possibilidades nunca vistas de sonoridades inimagináveis, a arte musical jamais se comprometeu com qualquer tendência para ser eficiente. Basta ser do agrado de todos e o assunto estará resolvido. Uma banda como Mustache e os Apaches, a canção do Roca e do Simões, aquele arranjo certeiro que o Sergio Mineiro criou lá nos porões dos anos oitenta mais a vivencia que as canções adquirem com o passar dos anos, tudo isso somado, possibilitou que descontraidamente a gente revisitasse a canção numa manha sol na serra da Cantareira e nos divertíssemos muito com ela.”
“‘Rio Abaixo’ tem lá uma certa ironia, como quase tudo que passa pelo Roca. Tem também um que de deboche que o Simões gosta de camuflar nos seus dizeres. Quando ouvi pela primeira vez, achei que Elis iria gostar; marquei uma visita do Roca na casa dela. Elis ouviu mas não se ligou; então eu gravei no meu disco Garapa. Ficou lindo. Espero que esse numero musical venha agora trazer uma gostosa reflexão filosófica sobre a vida vivida nesse pais tropical onde ‘Rio Abaixo’ é o nome de uma determinada afinação da viola e serve também de dizer popular, quando a gente vê a viola em cacos e nao pode mais deter a evolução dos fatos”, empolga-se o velho compositor.
“Renato é uma figura engraçada, cheio de histórias”, continua Pastoriz. “Ele tava muito curioso pra saber como funcionava essa coisa nossa de tocar na rua, enfim, passamos um dia muito gostoso entre amigos. No final do dia gravamos a música num por do sol incrível com todas aquelas araras, micos e tucanos da Cantareira. Espero que a gente toque juntos algum dia ao vivo, seria legal no futuro gravar mais algumas coisas, veremos!” O próprio Renato vai além e já traça planos: “Pensei inclusive em regravar um dos meus primeiros discos, o “Paisagem” com os Mustaches.”
A terceira temporada de Twin Peaks já é uma das melhores coisas de 2017 e é nítida a sensação de que David Lynch está espalhando as peças de um quebra-cabeças em nossa frente para montá-lo subitamente, incluindo pedaços das duas primeiras temporadas e do filme Twin Peaks – Fire Walk with Me, mas não só. Repare nestas duas cenas dos episódios 1 e 3, sincronizadas por um espectador detalhista.
Como é? Repara:
Aposto que tem muito mais pra acontecer – e bem debaixo do nosso nariz… Como eu já disse, tente não entender – assim o efeito do passe de mágica vai ficar mais incrível.













