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Um dos bons segredos da cena indie de São Paulo começa a ser revelado este ano, quando o quarteto Tutu Naná começa a dinamizar ainda mais sua produção musical. Surgido das cinzas da já clássica banda indie chapecoense John Filme (formada pelo guitarrista Akira Fukai e pelo baterista Fernando Paludo), o grupo começou suas atividades em 2019, quando contou com a entrada da flautista Carolina Acaiah e o baixista e guitarrista Jivago Del Claro, e mudaram-se para São Paulo. Passaram o período pandêmico enfurnados na mesma casa, em que tocavam e gravavam sem parar, material que finalmente vem à tona com o disco Itaboraí, que lançam nesta sexta e que eles antecipam, como aperitivo, a última faixa, batizada “Iara”, em primeira mão para o Trabalho Sujo. Trabalhando com texturas sonoras que vão da microfonia ao eletrônico, o grupo se entrega em viagens sonoras que o colocam em algum ponto sonoro entre o My Bloody Valentine, o Yo La Tengo e o Sonic Youth, sempre com letras em português – cantadas por todos seus integrantes. “Esse disco é uma consequência direta do modo que estamos vivendo, ou seja, o fato de estarmos todos morando sob o mesmo teto tem nos presenteado com recortes sonoros bastante satisfatórios”, explica Jivago. “Outro fator determinante é que temos em mãos o mínimo necessário para gravar e finalizar as faixas, no nosso estúdio caseiro improvisado, e o que mais representa a fase atual da banda seria o imediatismo entre gravação e lançamento”. O título do novo álbum é o nome da rua em que eles estão morando, o que reforça o caráter imediatista do novo trabalho. E antecipam que esse ano ainda terão pelo menos mais um single e um novo álbum, que “tiveram processos totalmente diferentes, envolvendo outras pessoas e lugares”, conclui o baixista.

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E como se não bastasse ter convidado Djavan para participar de seu novo show no Rio de Janeiro no sábado, Gilberto Gil materializou a conversa que tinha em gravações em vídeo no novo show ao chamar o próprio Chico Buarque para seu palco e dividir os vocais em “Cálice”, um dos grandes momentos desta nova turnê, que ao subir neste patamar tornou-se histórico. Inacreditável.

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Neste fim de semana Dua Lipa voltou pra fazer mais duas datas na Alemanha, em Munique, e no primeiro show ela preferiu jogar no rasinho e em vez de cantar uma música em alemão, preferiu escolher um hit alemão cantado em inglês (como já havia feito ao pinçar uma dos Scorpions na semana retrasada), ao puxar a baladaça “Forever Young” do grupo Alphaville. Bom, mas podia ser melhor, hein…

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Pavements, o metadocumentário meio fake meio real inventado por Alex Ross Perry para celebrar a história e o legado da banda liderada por Stephen Malkmus, tem operado pequenos milagres. Além de despertar um novo interesse pela banda a partir de sua segunda turnê de retorno, o filme aos poucos está transformando o Pavement na principal banda indie dos anos 90, basicamente porque o peso da tragédia que abateu-se sobre o rock alternativo da época com a notícia do suicídio de Kurt Cobain, fez todos os potenciais concorrentes ao posto saírem correndo na direção contrária: o Sonic Youth radicalizou para um lado ainda mais experimental, os Smashing Pumpkins correu em direção ao rock progressivo, ao industrial e depois até para o metal; o Teenage Fanclub lançou um disco meio soturno para depois abraçar o power pop, o Blur e o Oasis se engalfinharam numa briga besta e os Foo Fighers miraram no mainstream, de onde não saíram desde que lá chegaram, anos depois.

O Pavement percorreu uma trajetória ainda mais bissexta ao negar o rótulo de principal banda da década radicalizando ainda mais no indiesmo – seu terceiro disco, Wowee Zowee (meu favorito), é um Álbum Branco de frustração de expectativas ao mesmo tempo em que explora territórios novos para o grupo, da balada country ao hardcore, e essa guinada ajudou a colocar lenha na fogueira do documentário idealizado por Perry, que é irônico e não é irônico ao mesmo tempo e faz com que o grupo, mais de um quarto de século após seu fim, se prontifique ao posto que ninguém queria. E ao contar a história do grupo misturando com um documentário de mentira sobre a banda, um musical (!!!) no teatro e uma exposição sobre o grupo, o filme conseguiu outro grande feito, ao trazer à tona uma música que o grupo gravou nos ensaios de sua turnê mais recente, quando gravaram, de forma descompromissada, “Witchi Tai To”, canção perdida que o norte-americano de origem indígena Jim Pepper gravou em 1971 a partir de uma música que aprendeu com seu avô, um hino da Igreja Nativa Americana, que celebra o peyote como caminho para o autoconhecimento. A versão do Pavement, lançada pela primeira vez na trilha sonora do documentário que saiu nessa sexta-feira, é a primeira música que o grupo lança desde o EP Major Leagues, de 1999. O sangue do cinema tem poder!

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Finalmente novidades sobre a segunda temporada de Cangaço Novo, excelente série da Amazon Prime cuja primeira temporada só peca na escolha da música que encerra aquela fase, que foi anunciada para 2026 com o lançamento dessa cena inédita, em que os protagonistas Ubaldo (Allan Souza Lima) e Dinorah (Alice Carvalho) começam sua vingança no sertão do Ceará. TENSO.

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Foto: Tiago Baccarin (Divulgação)

“Dos poucos artifícios que ainda posso usar sobrou o sacrifício de não lhe procurar” – assim vem a Lupe de Lupe ressurge anunciando seu próximo disco, programado para ser lançado em breve, com uma pedrada épica de quase dez minutos de guitarradas sobre o término de um relacionamento chamada “Redenção (Três Gatos e um Cachorro)”. Se comentei outro dia que a nova cena de rock de Belo Horizonte poderia chamar-se de indie come-quieto, esta surgiu com a centelha acesa há mais de dez anos pela própria Lupe de Lupe, que, sem fazer alarde, tornou-se uma das melhores bandas de rock do Brasil, mesmo que não toque no rádio, não esteja em grandes festivais ou faça shows no exterior. Na verdade, o mote da Lupe é rock como trabalho, com o guitarrista e vocalista Vitor Brauer vindo à frente de suas redes sociais para falar das dificuldades de ser underground no Brasil, mas sem tom de reclamação – e sim pregando a importância do ofício, mostrando que fazer sucesso quer dizer ser pago pra fazer o que se gosta sem precisar bajular uns ou ter parentesco rico ou célebre . E além de anunciar sua volta com uma faixa espetacular (escrita e cantada por Renan Benini, com a participação de Felipe Pacheco Ventura, da banda Baleia, nos arranjos de cordas), o grupo também acaba de anunciar mais uma extensa turnê, passando por mais de 20 cidades nas cinco regiões do país apenas na raça, como sempre. Ouça a música nova e veja as datas da turnê abaixo: Continue

E Dua Lipa passou pelo desafio tcheco ao cantar uma música local como tem feito em sua turnê, ao fazer duas datas na República Tcheca. Mas duas músicas diferentes seria um pouco demais até pra ela, por isso na segunda vez que ela cantou o hit “Na Ostří Nože”, da cantora local Ewa Farma, ela convidou a própria para dividir os vocais nesta noite.

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“Eu acho que BH, por não ser uma cidade tão imensa quanto São Paulo, acaba tendo uma convergência de público sempre em locais e contextos específicos”, explica Fernando Motta, um dos principais nomes da nova cena indie da capital mineira, que nos últimos dez anos tem passado por uma transformação considerável. “É uma cidade que não entra tão frequentemente na rota dos grandes shows, principalmente shows de rock, que obviamente não tem sido foco principal de grandes produtoras. Minha teoria é de que talvez isso ironicamente acabe fortalecendo os rolês independentes. Quem se interessa por rock uma hora ou outra se encontra.”

A teoria de Fernando, literalmente às vésperas de lançar um novo disco, Movimento Algum, nesta terça-feira, faz sentido – e o próprio disco é fruto disso, como prova na faixa “Elegia”, que gravou com outra atração de destaque da nova cena, a dupla Paira, que ele liberou para ser ouvida em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. E continua: “Há alguns anos isso acontecia nos shows n’A Obra, ou no Matriz, mas hoje temos um local surgindo com muita força, que é o Estúdio Central, onde a galera tem se juntado, montado bandas e inclusive gravado suas coisas com uma qualidade muito superior ao que a gente conseguia fazer há uns 10 anos, quando era tudo na raça.”

Da geração rock triste que estabeleceu-se na cidade antes da pandemia – da qual Fernando pertence – ao novo contexto pós-pandêmico que traz novos artistas como os próprios Paira e a artista Clara Bicho, há uma nova sonoridade pairando na cena mineira, que aos poucos reúne um novo público e faz a cena da cidade tornar-se cada vez mais presente, não só em termos locais como nacionais, fazendo valer a velha fama mineira de comer pelas beiradas, como se ninguém estivesse vendo – o famoso come-quieto. Motta conta como conheceu a conterrânea: “Eu já conhecia o Dedeco de rolês pré-pandemia e a gente até fazia parte de um grupo de estudos políticos juntos; enquanto a Clara era amiga de outros amigos e, por termos muita empatia e interesses em comum, acabamos virando grandes amigos depois da pandemia, quando as coisas voltaram a fervilhar com um público bem jovem colando muito nos shows”, continua. “A gente estava sempre juntos, fazendo karaokê, tocando muito Beatles e Clube da Esquina no violão”, ri ao fazer pouco do que é um clichê da sonoridade desta cena. “Clichês que podem trazer muita afinidade e ser de grande serventia, nsse contexto, vi a Paira se formar e começar a fazer as primeiras demos e por admirá-los e saber que eles curtiam muito meu som também, fiz essa música já pensando na participação deles, com a delicadeza da voz da Clara e com os ritmos que o Dedeco poderia somar.”

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E mais uma vez Dua Lipa passou pela França, desta vez em dois shows em Paris, quando cantou hits franceses no idioma local, como tem feito em todos os shows de sua turnê deste ano. E se nos shows anteriores, que fez perto de Lyon, ela cantou Daft Punk e Indila, desta vez nas duas datas em Paris ela foi ainda mais séria no tema, ao puxar na sexta-feira o hit da diva Alizée “Moi… Lolita” e depois no sábado o hit de outra diva, Vanessa Paradis, “Be My Baby”, que apesar do título em inglês é cantada na língua local. A próxima parada é mais tensa, pois ela fará dois shows… na República Tcheca! Assista às versões em francês abaixo: Continue

Por falar em indie pop dos anos 90, quem acabou de anunciar disco novo – para fechar a tampa da discografia da banda – foi o trio inglês Saint Etienne, que lançará seu décimo terceiro álbum International, dia 5 de setembro, que disseram ser seu último trabalho como banda. O novo disco vem após o álbum quase ambient que lançaram no ano passado (The Night) e é apresentado pela deliciosa faixa “Glad”, coescrita e produzida por Tom Rowlands (dos Chemical Brothers) com a participação do guitarrista do Doves, Jez Williams. O novo álbum também terá participações de Erol Alkan, Paul Hartnoll, do Orbital, e Vince Clarke, do Erasure. Veja o clipe, a capa do novo disco (que já está em pré-venda) e o nome das músicas abaixo: Continue