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Tatá Aeroplano e Bárbara Eugenia caem na estrada. Esse é o mote de Vida Ventureira, o road album que a dupla lança esta semana, gravado e produzido ao lado dos parceiros Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque, banda que acompanha Tatá desde seu primeiro disco solo. O filme sonoro tem influências dos épicos sentimentais automobilístico e viagens intimistas dos cinemas norte-americano e europeu, mas raízes debruçadas sob as rodovias estaduais curvilíneas do nosso país, pelo interior de Minas, Paraná, São Paulo e Bahia, entre São Tomé das Letras e a Serrinha. É um extensa mas ágil crônica sobre um relacionamento tênue e inusitado como a própria estrada e utiliza a faixa cinzenta de asfalto como ponto de partida para uma viagem física e metafórica que, mesmo com doses consideráveis de psicodelia, deixa transparente sentimentos que ficam à flor da pele como o sol e o vento no rosto, neste que é o disco mais bonito tanto de Tatá quanto de Bárbara.

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Vida Ventureira já pode ser ouvido nas plataformas digitais e eu pedi para que os dois dissecassem o álbum e quis o destino que os dois estivessem num carro quando gravaram as respostas:

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Ex-líder do Supercordas, banda que encerrou as atividades no ano passado, Pedro Bonifrate anuncia o lançamento de novo EP pela Balaclava Records com o single “Lady Remédios”, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo. “A música é a faixa-título do meu novo EP, com 5 faixas que trazem diferentes perspectivas sobre a cidade onde eu cresci e onde voltei a morar há cinco anos, a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty”, explica o cantor e compositor. O clipe usa imagens antigas da cidade e a utiliza como metáfora para as transformações impostas pelo capitalismo a comunidades de todos os tamanhos: “Sudoeste armou sobre os sobrados num shopping histórico”, canta sua letra, que ainda fala de “jazigos de uma memória semântica”, “terras que algum rei grilou” e da “patota do cinema novo”. O tom de psicodelia grave é solene e o teclado ao final faz as vezes de metais melancólicos como “The Fool” do Neutral Milk Hotel.

Perguntei para o Pedro se era o prenúncio de um novo disco solo, o primeiro depois que sua banda original pendurou as chuteiras. “Talvez no que diz respeito ao processo de gravação, que mudou um pouco, passou a trazer mais elementos analógicos. Essas gravações não deixaram de ser um estudo, como todas são. Mas ‘Lady Remédios’ é um disco redondo por si só, uma obra de pouco mais de 17 minutos, mas com uma relação bem forte entre as faixas e uma ideia que as permeia. Neste sentido, ele mesmo é mais como o terceiro disco solo, ou mesmo o quarto, quiçá o quinto. Levo esse projeto como sempre levei, na prática. Mas no momento não tenho mais as canções que eu levaria aos Supercordas, então todas vem pra cá. Algumas delas entraram aqui em ‘Lady Remédios’ e outras vão entrar no próximo disco” – o próprio Lady Remédios ainda não tem data de lançamento: “Em breve”, diz Bonifrate.

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Em plena turnê europeia, o trio pesado lança EP com músicas que não entraram em sua colaboração com o grupo Corpo, batizado de Gira, que aborda o orixá Exu. “‘Odara Elegbara’ e ‘Ajalaiyé’ são canções que citam o orixá Exu, conhecido no panteão como um Deus primordial, mensageiro entre os demais deuses e os mortais, a força dinâmica que move mundo e todos os seres que nele habitam”, escreve o guitarrista Kiko Dinucci na apresentação do disco. O EP pode ser baixado no site da banda e também ouvido abaixo. E se essas são as músicas que ficaram de fora…

O Grupo Corpo apresenta o espetáculo Gira em São Paulo entre os dias 4 e 6 e 9 e 13 de agosto, no Teatro Alfa (mais informações aqui).

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O galego pernambucano Otto começa a finalmente revelar seu Ottomatopeia, disco em que vem trabalhando desde The Moon 1111, de 2012, e o primeiro fruto do novo trabalho é a ótima “Bala”, que compôs com Pupillo, baterista da Nação Zumbi.

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É boa a faixa “Sinais Do Sim” que batiza o próximo disco do grupo brasiliense Paralamas do Sucesso, cuja produção é assinada por Mario Caldato. É a primeira música inédita do grupo em oito anos.

Sinais do Sim sai no início de agosto e esta é sua capa, feita pelo Barrão, o mesmo artista plástico carioca que fez a capa do disco Hey Na Na, que o grupo lançou em 98:

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Mais um clipe d’O Terno cheio de metalinguagens, “Nâo Espero Mais” é uma crítica e uma sátira à onipresença digital e ao excesso de informação dos dias atuais, além de divertido pacas:

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É muito boa essa música nova do Far From Alaska, “Cobra”, que prenuncia que a banda potiguar está prestes a dar um salto considerável ao lançar seu segundo disco, Unlikely. Olha o clipe dela aí:

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O grupo canadense Arcade Fire passou pelos estúdios da BBC na semana passada e gravou uma boa versão para o primeiro single do novo disco da cantora neo-zelandesa Lorde, “Green Light” (embora o agudo que a cantora Régine Chassagne solte antes do refrão doa na alma).

E é claro que Lorde amou: “estou com um enorme sorriso idiota vendo minha banda favorita cantar uma música minha – a vida é selvagem às vezes”, twittou.

Régine é a estrela do clipe de mais uma música do disco Everything Now que o grupo acaba de lançar, com a boa “Electric Blue”:

Com isso já conhecemos cinco músicas do disco novo da banda: “Everything Now“, “Creature Confort“, “Signs of Life” e um trecho de “Chemistry” – o conjunto até agora dá um bom disco pop, mas não convenceu ainda… Vamos ver se eles têm alguma carta na manga até o disco sair.

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Metade de Araguari, metade de Uberlândia, a banda mineira Lava Divers segue uma tradição clássica do indie rock brasileira – a de bandas barulhentas e melódicas que cantam em inglês e saem de cidades sem tradição roqueira – e está prestes a lançar seu primeiro álbum, batizado de Plush. “É o resultado desses três anos de existência da banda. O disco possui canções compostas em todas as fases, desde o início, quando ainda estávamos nos identificando com o nosso som, assim como tem músicas compostas pouco tempo antes de entrarmos em estudio”, me explica a baterista da banda, Ana Zumpano, que também canta em algumas músicas.

Pergunto para ela quais estas fases e ela explica: “‘Love Is’, ‘Natural Born Liar’ e ‘Inside His Eyes’ estão na primeira leva de canções compostas por nós, juntamente com as músicas que entraram no nosso EP de estreia. Essa primeira fase remete ao tempo em que nem tínhamos feito shows fora da nossa região e a sonoridade da banda ainda estava sendo definida. Já canções mais recentes que entraram no disco, como ‘Forbidden Steps On Hearts’, ‘I Feel You’, ‘Gasoline’, mostram a gente experimentando mais sem perder nossa característica principal, música pop barulhenta. A banda adiantou o clipe do primeiro single, “Tearsfall”, a capa e a ordem das faixas do álbum (que sairá no dia 27 em todas as plataformas digitais pelo selo Midsummer Madness) em primeira mão para o Trabalho Sujo. “O clipe do single é um vídeo-arte feito pelo guitarrista Eddie Shumway, que tem formação acadêmica em cinema e costuma filmar, dirigir e montar a maioria dos nossos clipes”, explica Ana.

“A gente queria que a primeira música de trabalho do disco desse uma ideia da estetica sonora da banda. ‘Tearsfall’ tem tudo nosso, é rápida, enérgica, com ganchos pop, letra triste em contraste com a felicidade das melodias. O single foi escrito por mim, que, além de baterista e vocalista da Lava Divers, também trabalho com as mídias sociais da banda e estou iniciando uma cooperativa de produções culturais encabeçada por mulheres chamada Rock das Aranhano Triângulo Mineiro. Nesse single, além de tocar bateria, canto em primeira voz, acompanhada de backing vocals dos meus companheiros de banda. A escolha coletiva da banda foi que eu tivesse mais voz e maior participação nesse lançamento que antecede o primeiro disco da banda, que até o momento havia lançado um EP com 4 músicas, sendo que em todas toco bateria, uma delas canto em primeira voz e faço backing vocal nas três restantes. Essa decisão visa salientar o protagonismo e a representatividade da mulher na música e na produção independente, para mostrar que nós podemos, temos capacidade e direito de ocupar o lugar que quisermos.”

Aproveitei para perguntar para ela como anda a cena da região do triângulo mineiro, de onde vem a banda. “A cena underground de onde vem a Lava Divers tem se mostrado ativa e a cada dia mais estruturada graças a coletivos que trabalham em prol dos artistas da região. Coletivos como o Rock das Aranha, Cena Cerrado e Mexe o Doce têm criado eventos que estimulam a produção dos artistas da região, com a realização de festivais e feiras”, explica a baterista.

Lava-Divers-Plush

“I Feel You”
“Tearsfall”
“Love Is”
“Inside His Eyes”
“My Boy”
“Eddie Shumway Is Dead”
“Hash And Weed”
“Natural Born Liar”
“Gasoline (Time Is Not On My Side)”
“Great Mistake”
“Forbidden Steps On Hearts”

Ave Papisa

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Ex-integrante das bandas Cabana Café e Parati, a cantora Rita Oliva assumiu a carreira solo no ano passado, quando se reinventou como o nome de Papisa: “Papisa surgiu a partir de uma investigação pessoal, e ela se relaciona com o universo feminino pela simbologia, o próprio nome representa um arquétipo”, ela me explica, falando de um projeto que soa igualmente místico e pop. Depois de lançar um EP e fazer shows que chamaram atenção, ela agora prepara-se para entrar em um novo estágio da sua carreira, começando a trilhar o caminho para o primeiro álbum. “A concepção e gravação do EP foi uma experiência nova para mim, já que inaugurei meu projeto solo e gravei a maioria dos instrumentos, e os shows que tenho feito em formato solo também são. Estou trabalhando no disco, mas sigo fazendo shows paralelamente. Quero que os shows moldem a concepção do disco, e vice-versa”, continua. É assim que ela lança o clipe de “Intuição” em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

“Meu plano de fazer o clipe de ‘Intuição’ coincidiu com o convite da Tatá (Leon), que é professora e produtora de moda e fez o figurino no clipe, depois que ela viu um show da Papisa e propôs que fizéssemos um vídeo junto com a Manoela (Chiabai), uma das diretoras”, conta Rita. “A gente desenvolveu o conceito junto com a Renata (Chavs), a artista que pintou a mandala na parede do estúdio onde o projeto nasceu. O processo todo foi muito baseado em sensibilidade, em quais sensações a música causa na gente, e em como poderíamos trazer essas sutilezas para a linguagem de vídeo. E seguimos nessa linha no clipe, nos inspirando em deusas da mitologia, partindo do princípio que elas se manifestam na psique feminina como arquétipos. Como a ideia era que eu incorporasse as figuras, chamamos o Johnny pra fazer a preparação de corpo. Ele trouxe uma espécie de meditação guiada que me despertou memórias, e conforme eu contava minha percepção e como eu me sentia a respeito delas, fomos estudando como as deusas se manifestavam no corpo. Foi uma experiência bem interessante que mexeu bastante comigo. Em paralelo, buscamos caracterizar e ambientar essas personagens com figurinos, ângulos de câmera e cenários diferentes. A equipe toda que participou do clipe foi fundamental, e o clima das filmagens também criou um campo pra que a gente pudesse trabalhar de um jeito intuitivo, deixando as cenas fluírem.”

É um rumo que ela deixa que trilhe seu próprio sentido: “A experiência, no sentido de explorar os sentidos e as percepções, é um ponto que me interessa muito e é um caminho que busco com a Papisa”, conclui a cantora, que tem shows marcados para este fim de semana – toca nessa sexta em Petrópolis (mais informações aqui), no sábado em Vitória (mais informações aqui) e domingo no Rio de Janeiro (mais informações aqui).