Prepare-se para ficar de cara – pois postei no meu blog no UOL a versão sem pós-produção do vocal de Britney Spears em seu clássico “Toxic”, ouve só.
Controverso software que “conserta” falhas nos vocais dos artistas pop, o Auto-Tune é o equivalente sonoro do Photoshop, retocando digitalmente qualidades (ou defeitos) da versão analógica original. Mas ao mesmo tempo em que é alvo de críticas por pasteurizar e padronizar timbres nas músicas mais ouvidas do mundo (embora já venha sendo utilizado como efeito estético, suas qualidades artificiais deliberadamente assumidas), ele também criou gerações de artistas que cresceram com a desconfiança do público em relação a seus talentos naturais justamente por conta deste excesso de recursos sintéticos.
E uma das artistas que melhores se enquadram neste parâmetro é a grande popstar da década passada, Britney Spears. Mas eis que uma versão de seu já clássico hit “Toxic” aparece online sem os retoques do Auto-Tune. E o resultado surpreende:
Esse outro vídeo ajuda a comparar os vocais processados no estúdio pelo software em questão aos vocais puros dos mesmos artistas em versões ao vivo. Na ordem, Ariana Grande, Demi Lovato, Justin Bieber, Taylor Swift, Katy Perry, Meghan Trainor, Rihanna, Selena Gomez, Lady Gaga, Adele, Miley Cyrus, Nicki Minaj e Shawn Mendes.
O que achou?
Lá vem o Toro y Moi de novo. Chaz Bundick resolveu sua crise de identidade (que o fez lançar discos com diferentes nomes e dentro de categorias específicas) rebatizando-se de Chaz Bear e começando esta nova fase com um novo disco, chamado singelamente de Boo-Boo. Ele explicou essa fase em um texto publicado junto à pré-venda do álbum, que deve ser lançado no início de julho:
“Depois de sete anos fazendo shows e gravado, me vi me tornando autoconsciente sobre minha postura na vida como uma pessoa ‘famosa’ ou pelo menos na minha versão do que quer que isso seja. Meus sonhos se tornaram minha realidade, ainda que eu ainda não conseguisse aceitar este novo ambiente. Eu não pude fazer outra coisa a não ser cair em algo que pode ser descrito como uma crise de identidade. Um ciclo repetitivo de pensamentos temerários me deixavam confuso. Eu me sentia como se eu não mais soubesse o que é que eu realmente queria ou precisava da vida e algumas vezes tinha dificuldades em dizer o que era realidade.
Durante este período de turbulência pessoa, usei a música como uma forma de terapia e ela me ajudou a lidar com a dor que eu sentia. Ouvia a mesma canção ambiente várias vezes seguidas, tentando me isolar da realidade. Me apaixonei com o espaço novamente.
Na hora em que vi que estava pronto para gravar um novo disco, sabia que esta ideia de espaço dentro da música poderia ser algo que impulsionasse meu novo trabalho adiante. Os artistas que influenciaram o que eu estava fazendo incluía todo mundo, de Travis Scott ao Daft Punk, Frank Ocean ao Oneohtrix Point Never, Kashif ou Gigi Masin. Decidi que queria fazer um disco Pop com estas ideias em mente. Esta ideia de um disco finalmente se transformou em Boo Boo.”
E o som – a começar pela ótima “Girl Like You” – é o bom e velho soul de quarto que conhecemos desde os tempos em que ele era apenas um jovem aspirante de um certo gênero chamado chillwave…
O produtor japonês Cornelius lança mais um clipe de seu próximo álbum, Mellow Waves, o primeiro de inéditas em mais de uma década. E “『いつか / どこか』” / “Sometime / Someplace” segue a linha do single anterior, “If You’re Here”, explorando espaços entre beats e bases, mas com dois instrumentos bem pronunciados – um violão quase brasileiro e um solo de guitarra psicodélico. Sonzeira:
A banda instrumental mais contagiante de São Paulo, o Bixiga 70 parte pro confronto e lança o primeiro single de seu próximo álbum, batizado, sem papas na língua, de “Primeiramente”. E a mensagem não fala apenas do presidente postiço do Brasil, bem como toda situação política em todo o planeta, como dá pra ver no clipe que a banda também lançou:
Abaixo, um papo que tive com o Décio 7, baterista da banda, que também comentou sobre o clima que deu origem a este single:
Por que começar a mostrar o disco novo com “Primeiramente”?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/bixiga-70-2017-por-que-comecar-a-mostrar-o-disco-novo-com-primeiramente
É um disco mais politizado? O que dá pra adiantar sobre o disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/bixiga-70-2017-e-um-disco-mais-politizado-o-que-da-pra-adiantar-sobre-o-disco
O Bixiga sempre teve preocupações políticas, mesmo sendo uma banda instrumental.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/bixiga-70-2017-o-bixiga-sempre-teve-preocupacoes-politicas-mesmo-sendo-uma-banda-instrumental
E a hipsterizacao do bairro do Bixiga, como vocês vêem isso?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/bixiga-70-2017-e-a-hipsterizacao-do-bairro-do-bixiga-como-voces-veem-isso
A música brasileira está voltando a protestar?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/bixiga-70-2017-a-musica-brasileira-esta-voltando-a-protestar
Depois do par de canções (“A Dog Called Money” e “I’ll Be Waiting”) que lançou para reforçar sua turnê pelos Estados Unidos, PJ Harvey segue lançando novas músicas como uma extensão natural de seu The Hope Six Demolition Project, lançado no ano passado. Cada vez mais preocupada com as questões políticas globais, ela vem aos poucos transformando seus discos em uma versão musicada de um jornalismo cada vez mais ausente, jogando luz sobre temas que não são tão discutidos quanto deveriam. É o caso do recém-lançado single “The Camp”, feito em parceria com o músico egípcio Ramy Essam e o colaborador de longa data John Parish sobre a crise dos refugiados no oriente médio, especificamente no Líbano. O clipe é composto por imagens feitas pelo fotógrafo inglês Giles Duley e não tem meios termos em relação ao tema abordado.
E não custa lembrar que o Lucio acaba de confirmar a presença de PJ Harvey em seu Popload Festival, dia 15 de novembro (com Phoenix, Daughter, Neon Indian e Carne Doce).
E esse disco novo do Phoenix, todo italiano retrô… O clipe do single “Goodbye Soleil” só reforça essa vibe…
Soulwax, o grupo belga dos irmãos 2ManyDJs, lança o clipe de uma das melhores músicas de From Dewee, seu álbum lançado no início deste ano, “Do You Want to Get Into Trouble?”
Bárbara Eugenia está nos finalmentes dos trabalhos de seu ótimo Frou Frou, lançado em 2015, e começa a despedir-se lentamente do disco – o último show do álbum em São Paulo aconteceu durante a Virada Cultural e ela tem passagens agendadas para Brasília, Porto Alegre e Florianópolis nos próximos meses – e depois dedicar-se ao disco Vida Ventureira, gravado ao lado de Tatá Aeroplano, que deve chegar às plataformas digitais no início de junho. E para marcar o fim desta fase, ela lança o clipe de “Só Quero Seu Amor”, dirigido por sua amiga Yera Dahora, que estreia com exclusividade aqui no Trabalho Sujo.
Mais uma música de seu próximo disco, “Perfect Places” mostra que Lorde continua sagaz mesmo estando bem – ao contrário do que previam os que achavam que Melodrama poderia ser pior que o primeiro disco só pelo fato de ela estar vivendo uma fase pessoal melhor que a anterior.
Às vésperas de sua apresentação no Primavera Sound de Barcelona, o grupo canadense Arcade Fire começa a dar sinais de que pode estar prestes a lançar seu novo disco. Depois do single “I Give You Power” lançado no começo deste ano, o grupo criou um perfil no Twitter que parecia ser uma conta fake (com textos em russo) que começou a espalhar algumas pistas de que algo estava prestes a ser lançado, além de um tumblr enigmático. E nesta quarta, anunciou que o novo single – batizado de “Everything Now” – irá ser vendido em vinil no festival catalão, junto com novo material de divulgação. Primeiro foi um post em sua conta no Instagram – zerada, como fez o Radiohead ano passado, para lançar o novo disco e um teaser no YouTube.
Em seguida a música apareceu online, tocada dentro de uma loja de discos.
Uma nova linha de material de divulgação já está à venda no Primavera:
New awesome-looking #EverythingNow merch at Primavera Sound this weekend.
: @kimmika pic.twitter.com/oQYMWQKJQr— Arcade Fire tube (@ArcadeFiretube) May 31, 2017
Logo depois o grupo twittou para ficarmos ligados no conteúdo infinto – “conteúdo infinito”, no caso, sendo a tradução para “Infinite Content”, um possível terceiro single – ou talvez o nome do novo disco.
Stay tuned for Infinite Content pic.twitter.com/Q6OW6XCow4
— Arcade Fire (@arcadefire) May 31, 2017
Contas pseudofakes com textos em russo, o símbolo do copyright e a mensagem “tudo agora”… Algo me diz que eles vão voltar ainda mais politizados que antes, como havia comentado antes. Tava na hora…
Atualização: Eis a versão oficial da nova música, com clipe e tudo mais:









