
Mais uma vez Dua Lipa agrada ao público de um dos países por onde tem passado, rendendo uma versão de tirar o fôlego para um hit manjadaço. Foi assim nessa sexta-feira, quando, ao apresentar-se em Dublin, na Irlanda, preferiu não ir no óbvio, ao homenagear o U2 e, invertendo as letras, preferiu celebrar o maior hit de, como ela mesma disse antes de cantar a versão, “uma saudosa lenda irlandesa”, ao anunciar sua leitura para “Nothing Compares 2 U” que, apesar de escrita pelo Prince, tem sua versão definitiva gravada por Sinéad O’Connor, que morreu precocemente há dois anos. E, pra variar, Dua Lipa mostrou o quanto canta absurdamente em uma versão para se ouvir de joelhos.
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O show da Lorde não foi o único show surpresa desta edição do festival de Glastonbury, na Inglaterra, nem foi também o único a receber o bastão da Charli XCX pra ser o anfitrião do verão deste ano no hemisfério norte, quando uma atração chamada Patchwork, que ninguém nunca tinha ouvido falar, revelou-se ser o próprio Pulp, tocando há exatos 30 anos e quatro dias após sua clássica aparição na edição de 1995 daquele mesmo festival. Depois de fazer mistério com pessoas com capas de chuva no palco de mãos dadas, quando o telão perguntou para o público se eles estavam pronto para o verão do Pulp, uma das promessas feitas por Charli quando ela começou a despedir-se de seu longo verão Brat no festival de Coachella, nos EUA, deste ano. “O motivo pelo qual tocamos aqui 30 anos e quatro dias atrás foi porque o guitarrista dos Stone Roses, John Squire, quebrou sua clavícula e recebemos o convite apenas dez dias antes do show… Dez dias!”, o próprio Jarvis Cocker lembrou durante a apresentação deste ano. “Estávamos mais nervosos do que nunca. Mas hoje é diferente… Me sinto bem sossegado e vocês?” O show do grupo ainda contou com um rasante da esquadrilha da fumaça inglesa e com ninguém menos que a jovem Olivia Rodrigo (será que era ela mesmo?) curtindo no meio da plateia. Bom demais esse verão Pulp!
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E por falar no Glastonbury desse ano, imagino que vocês não devem dar a menor pelota pra filha do J.J. Abrams (que tem crescido cada vez mais como popstar), mas essa versão que ela fez pra “Just Like Heaven” no festival inglês ficou joia.
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Além de criar o hype pro seu novo disco de forma cirúrgica: escolhendo músicas-chave para abrir o tema de seu novo álbum Virgin e sua sonoridade para o público ao mesmo tempo em que cria a tensão necessária entre aparições presenciais e presença digital que ela aprendeu com o Brat da Charli, de quem ela recebeu o bastão. Virgin, que foi lançado nessa sexta-feira, ainda não é uma obra-prima, mas é ótimo de ponta a ponta, completo e bem resolvido, retomando a promessa que era a artista neozelandesa quando lançou seu primeiro disco, o excelente Pure Heroine, e corrigindo os desvios comerciais que fez ao tornar-se uma artista pop para além do circuito indie (com seu segundo disco, Melodrama, que é bom, mas exagerado) e da fase hippie–chic do disco Solar Power (que a gente perdoa porque era pandemia – e nos deu pelo menos um hit). Fora que, uma vez lançado, o disco ganha uma vida para além da expectativa de sua autora, que mais uma vez, com maestria, soube aproveitar o momento fazendo uma aparição surpresa no festival inglês de Glastonbury, quando abriu os trabalhos na sexta-feira ressignificando o horário das 11h30 da manhã num festival deste porte no que seria a princípio um DJ set, mas que no fim foi um show de verdade, em que ela pode tocar, na íntegra, o recém-lançado álbum, Excelente.
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Morreu a mulher que nos fez chorar só com a voz em uma única música. No mesmo ano da morte do Lynch.
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Há um tempo Letícia Novaes, a senhora Letrux, vem me falando de uma banda catarinense que ela descobriu chamada Nouvella, que conheceu a partir do contato com sua vocalista, Yasmin Zoran. “Conheci Yasmin na pandemia, ela me mandou DM falando da banda e, com aquele tempo elástico fantástico, realmente consegui ouvir tudo e pirei”, ela me conta por email. “Pirei. Achei rock. Achei eu. Achei tudo”, ri daquele jeito que a gente conhece. Yasmin completa, falando do seu lado: “Quem me apresentou a Letrux foi o Gabriel (Viegas), guitarrista da Nouvella, lá por 2020 e eu fiquei chocada, como assim eu não conhecia essa mulher antes? Comecei a mandar DM pra ela, falar que tinha uma banda e dali começamos a trocar bastante, foi nascendo uma amizade”, lembra a vocalista. “Temos muitas coisas em comum na forma de pensar, nos movimentar, performar no palco desde antes de nos conhecermos, é até um pouco impressionante. Ela é uma pessoa que me inspira não só na música, é uma pessoa incrível, humilde, linda. Sinto que ela realmente nos enxergou e dali veio essa parceria.” Desde então a amizade virtual virou parceria de palco, com Letícia participando de dois shows da Nouvella e Yasmin participando de um dos shows da Letrux – e a colaboração musical tornou-se inevitável. “Depois de um ensaio que fizemos esse ano, rolou um jam session meio histórica, de onde saíram esses duas músicas que viraram singles que vamos lançar”, Letícia refere-se a “Vira Essa Boca Pra Cá” e “Dropar teu Nome”, compacto duplo que chega às plataformas nesta sexta-feira e que elas anteciparam em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Não lanço singles desde 2021, e nem nada novo autoral desde 23”, continua a vocalista do Letrux. “Sou muito chamada pra feat, mas minha pira mesmo é compor, então esses singles são xodó total pra mim.” As duas se encontram mais uma vez nesta quinta-feira, quando apresentam-se em Florianópolis em um show que já está esgotado e continuam juntas na semana que vem, quando Letícia traz a Nouvella (que ainda conta com Jenks no baixo e Luna na bateria) para tocar no Cineclube Cortina na próxima quarta-feira em São Paulo, onde ela também discoteca, além de participar do show da banda catarinensse, ao exibir os clipes para as duas músicas, que só serão divulgados no decorrer do mês de julho. Na sexta seguinte as duas seguem para o Rio de Janeiro, quando fazem o novo show de Letrux no Circo Voador, com a própria Nouvella abrindo a noite. E a conexão entre as duas é patente e as duas músicas falam por si, confere abaixo: Continue

No primeiro show que fez em Liverpool, Dua Lipa preferiu fugir da obviedade e fez uma versão para uma música que todo mundo conhecia, mas que poucos sabiam que tinha vindo daquela cidade. No show seguinte, nesta quarta-feira, ela preferiu escancarar a obviedade e foi em uma das músicas mais conhecidas do grupo mais conhecido da história da secular cidade portuária inglesa, pinçando “Hey Jude” dos Beatles em uma versão deslumbrante. Só faltou o Paul aparecer de surpresa, como fez há algumas semanas no show de Bruce Springsteen na mesma cidade, mas nem tudo é perfeito.
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Na primeira apresentação em Liverpool de sua nova turnê, Dua Lipa preferiu não ser tão óbvia e homenageou uma banda que ninguém nem lembra que é da cidade, quando lembram da própria banda em si, que entrou para o imaginário coletivo graças a uma versão acelerada por Amy Winehouse para um de seus hits. No show de terça-feira, no entanto, ela preferiu tocar a versão original de “Valerie” e para isso chamou o vocalista dos Zuttons, Dave McCabe. Ficou massa:
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Apesar de reconhecida como grande dama da canção norte-americana e quase sempre associada à música folk, a carreira de Joni Mitchell sempre esteve próxima ao jazz – e essa proximidade cresceu para além do que parecia ser um flerte no início de sua jornada, principalmente a partir do meio dos anos 70, quando começou a envolver-se com monstros sagrados do gênero, equiparando-se de igual pra igual, inclusive como instrumentista. Pois ela acaba de anunciar o lançamento de mais uma caixa de discos para repassar sua longa relação com o jazz, batizada simplesmente de Joni’s Jazz, que será lançada em setembro deste ano (e já em pré-venda). A caixa, que no formato CD traz quatro discos e em vinil traz oito, passa por toda a carreira da cantora, compositora e instrumentista, começando desde a faixa-título de seu disco mais festejado (Blue, lançado em 1971, mostrando a conexão do álbum com o histórico Kind of Blue, de Miles Davis), passando pelo primeiro disco em que dedicou-se ao gênero (Court and Spark, gravado com o baterista John Guerin e o guitarrista Larry Carlton, em 1974), por sua carta de amor a Charles Mingus batizada apenas com o sobrenome do mestre, o ao vivo Shadows and Light, que gravou com Jaco Pastorius, Herbie Hancock e Wayne Shorter (ambos discos de 1979), suas colaborações tardias com Hancock até a versão que fez de “Summertime”, dos irmãos Gershwin, em sua lendária participação no festival de Newport, em sua volta ao público, em 2022, além de demos e versões alternativas para composições desta vertente. Além de dedicar a caixa a Wayne Shorter (“era uma alegria tocar com ele”, escreveu), ela também deu uma amostra do que vem por aí ao revelar uma demo da faixa “Be Cool”, lançada no disco Wild Things Run Fast, de 1982, em que a toca apenas acompanhada do baterista John Guerin.
Ouça abaixo a nova faixa, além de ver a capa e a relação das músicas de sua nova caixa de discos: Continue

Sem lançar nada desde seus discos de 2023 (quando lançou o ótimo instrumental Five Easy Hot Dogs e o colosso de quase 200 faixas One Wayne G), o herói indie canadense Mac DeMarco finalmente manda notícias e anuncia seu próximo álbum, batizado apenas de Guitar, que será lançado no próximo mês de novembro. “Acho que Guitar é o mais próximo de representar onde está minha vida hoje no que diz respeito ao que eu consigo colocar em prática”, ele escreveu para anunciar o disco (já em pré-venda), que foi todo gravado por ele, em casa, em novembro do ano passado. “Estou feliz em compartilhar essa música e espero tocar essas músicas em todos os lugares que puder”. Para acompanhar o anúncio, ele revelou a capa, o nome das músicas e o primeiro single, a singela “Home”, que também vem acompanhada por um clipe, em que traduz o clima caseiro que parece ser a tônica do disco.
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