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Tudo começou num sonho de um Maurício. “A história da Universal Mauricio Orchestra é quase estranha”, lembra o idealizador e guitarrista, Maurício Tagliari. “Eu sonhei que estava tocando Bitches Brew, do Miles Davis, com uns amigos. O som estava ótimo e eu estava me divertindo muito. Quando acordei, percebi que os amigos eram grandes músicos com os quais eu nunca havia tocado. E todos chamavam Mauricio! Antes de qualquer análise freudiana, mandei um email contando o sonho pra eles. Considerei até o fato de não haver mais mauricios crianças e que havia uma quantidade estatisticamente elevada de mauricios na música. O Pereira inclusive fez uma boa reflexão sobre ‘O que é ser Mauricio’.”
e eu vi post dos Mauricios, ficou massa, mas no disco eu toco baixo, flauta, rhodes e hammond e o Bussab toca sintetizadores, rhodes e hammond

São todos Maurícios de renome. Além de Tagliari (que toca guitarras) e Pereira (vocais e sax), os outros Maurícios sonhados e convocados foram Maurício Takara (bateria), Maurício Fleury (teclados, baixo e flauta), Maurício Badê (percussão) e Maurício Bussab (sintetizadores e teclados). “A resposta a esta provocação foi rápida e unânime”, continua Taglari. “Todos toparam na hora marcar uma jam session. Foram três encontros onde nos colocamos absolutamente relaxados e sem pretensões maiores. Em quase 30 anos de vida de produção nunca tive sessões tão divertidas. O processo criativo foi o seguinte: alguém começa um groove ou um motivo melódico, uma linha de baixo ou uma sequencia harmônica e, quase telepaticamente, o grupo seguia. Pode chamar de freejazz ou de funk ou de batucada com notas. Quase todas as faixas só tem um take. Em algumas a gente ouvia e voltava direto, na mesma hora, para fazer overdubs com instrumentos trocados. O Pereira fez overdubs de sax e também gravou vocais depois da jam session. Uma característica que mantivemos foi o frescor da gravação ao vivo. Dá pra sentir o clima. Preservamos alguns vazamentos, risadas e brincadeiras. Mesmo os finais das faixas são claramente não combinados. Foi tudo muito feito na base do olho no olho, ouvido atento e na ‘cabeçada’.” O insólito grupo dá as caras pela primeira vez aqui no Trabalho Sujo, quando estreiam em público com a faixa “Embalando o Obalalá”, aqui em primeira mão.

O som do grupo, como descrito por Tagliari, habita entre o funk, o samba e o jazz – sem perder o bom humor, outra característica do sexteto, em títulos como “No Passo do Billy Paul”, “O Surfista Cigano”, “Decididamente Abalada” e “Pife do Mau”. “Tudo isso aconteceu entre final de 2015 e inicio de 2016. Mas a vida e a agenda do povo fez o projeto ficar na gaveta até que eu resolvesse escutar em meados de 2017. Eu achava que tínhamos nove tracks mas descobri que eram 14… Algumas a gente nem lembrava. Realmente foi algo catártico. Marcamos uma audição com a banda e escolhemos dez. Participamos da mixagem eu, o Bussab, o Fleury e o Pereira. Restava fazer a capa. Alguém considerou chamar o Mauricio de Souza para nos caricaturizar – existe esta palavra?. Mas um dia vi um Mauricio na minha timeline do facebook que me chamou a atenção pois era meu contato e eu não conhecia o nome. Quando fui olhar o perfil vi que não era nem mais nem menos do que o grande ilustrador e DJ que eu só conhecia pelo nome artístico: MZK ou seja Mauricio Zuffo Kulman. Liguei para ele, contei a história e ele entrou no barco imediatamente. Claro que nesse meio tempo apareceram outros mauricios e já temos a ideia de ampliar o projeto. Em breve – ou, pelo nosso ritmo, não tão breve… – Universal Mauricio Orchestra vol. 2.” Eis a capa que MZK fez para o projeto.

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E shows? “Sim, todos queremos tocar ao vivo. Só não sabemos quando as agendas permitirão.” O disco completo será lançado em breve.

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Dona de um dos grandes hits de 2017, a cantora inglesa Dua Lipa visita “Do I Wanna Know?” em uma versão que pega na veia em visita à BBC.

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A pequena escola de samba Paraíso do Tuiuti fez história neste Carnaval 2018 ao dedicar uma ala inteira de seu enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?” ao Brasil pós-golpe, caracterizando Michel Temer como “vampiro neoliberal” (com um cocar de dólares), lamentando a destruição dos direitos trabalhistas e ridicularizando os manifestantes que aplaudiram a queda de Dilma como “manifestoches” (ao mesmo tempo em que calaram culposamente ao vivo os comentaristas da Globo). As imagens falam por si:

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manifestoches

clt

E depois de algumas dicas, o Unknown Mortal Orchestra finalmente anuncia o lançamento de seu novo disco, Sex & Food, ao mostrar a cara do single “American Guilt” num clipe distópico. O disco foi gravado no Vietnã e no México e, segundo o líder da banda, Ruban Nielson, é uma forma de ouvir o “morto-vivo” rock dentro do universo de sua banda.

Sex & Food será lançado no início de abril e já está em pré-venda. Eis sua capa:

sexandfood

chromeo2018

Ainda sem anunciar a data de lançamento de seu próximo disco, Head Over Heels, a dupla de funk oitentista Chromeo lança mais um single, a sinuosa “Bedroom Calling”, que conta com a participação do vocalista The Dream, autor daquela “Yamaha” de 2010.

Deixa cair…

valiengo

A vocalista da Trupe Chá de Boldo e do Frito Sampler Julia Valiengo lança-se em dupla com a cantora Mariana Degani ao compor e gravar o delírio latino da música “De Boca”, cuja origem foi literal, como ela me explica num email: “Uma vez, aqui na pompeia, eu levei um tombo no meio da rua e caí direto com a boca no chão. Não machucou nem nada, mas depois do susto eu levantei e saí andando com uma sensação super nova, que era a lembrança daquele impacto da boca com o asfalto. Aquilo foi tão gostoso, me deu um baita prazer. E assim veio a inspiração pra música”, lembra.

Mariana lembra que soube da música que iria ser parceira pelo celular: “Num dia qualquer recebi uma gravação da Julia, era um registro de whatsapp dela cantando o refrão que dá início à música e um convite pra uma parceria. Assim que escutei já vieram várias imagens na minha cabeça: volta da balada, alterações de percepção, a alegorização da queda e seus significados. Decadence sans elegance, mas ela não está nem aí. Se entrega ao prazer da queda, de boca.”

“Escrevi o refrão e chamei a Mari pra escrever o resto da letra”, continua Julia. “Eu não contei pra ela do tombo num primeiro momento, o que foi massa pois ela fantasiou todo um universo em torno daquela queda. Nós somos amigas de longa data, cantávamos juntas numa banda de reggae no começo dos anos 2000 e sempre tivemos essa vontade de uma criação em parceria. Rolou tão bem que logo empolgamos pra filmar clipe e tudo! Não temos a pretensão de gravar um disco ou lançar um novo projeto, o que a gente queria era mesmo fazer uma música e tocar ela nas pistas! A Mari segue com seu projeto solo rumo ao segundo disco e eu continuo com a Trupe e o Frito”, empolga-se, antes de anunciar que outras novidades virão.

Eis a capa do single:

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E o clipe da música:

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E o Franz vai liberando seu primeiro disco sem o guitarrista Nick McCarthy aos poucos. Always Ascending sai no mês que vem e o grupo já liberou quatro faixas, contando essa novíssima “Lazy Boy”.

Todas seguem o clima noturno e pista de dança que o grupo abandonou após o excelente Tonight, embora o imaginário visual do disco aponte para outro tipo de excentricidade, como podemos experimentar no clipe da ótima “Feel The Love Go”:

gambitos

O jornalista e herói indie Fabio Bianchini estava entretido com uma possível volta de sua mítica banda Superbug, mas resolveu voltar a lançar hinos através de seu alter ego Gambitos. “‘Pop Songs Your Tinder Match Is Too Stupid to Know About’ é a primeira música do terceiro EP dos Gambitos, Politics of Post Modernism Pool Party of One. Quer dizer, talvez vire um álbum, mas provavelmente não, deve ser EP mesmo. Os dois primeiros saíram, simultaneamente, em 2008, e antes disso teve uma faixa isolada, Mik and Honey”, ele me explica por email, antes de dizer que tudo pode ser encontrado em sua conta no Soundcloud. E é com essa faixa nova que ele recebe 2018:

“Como dá para notar, Gambitos é um negócio intermitente, se materializa bem de vez em quando”, explica, resumindo que a banda é basicamente ele e quem estiver a seu lado. “Nas atuais gravações, até o momento os Gambitos são também André Seben, ex-Superbug e talvez o mais clássico dos guitarristas de Florianópolis, Paula Ende, ex-vocalista das Borboletas Acrobáticas e o Menino Isoladinho e mais outras, Márcio Bicado, ex-Motel Overdose, ex-Verano, mais um monte de coisa, toca nuns lances da Camerata também, Cicero Bordignon, ex-Maltines, Casablanca, e Jean Gengagnel, Moebiius, ex-Mottorama. E dessa vez vai rolar também formação pra uns shows ao vivo, mas ainda não dá pra falar.”

umo-american-guilt

Nem bem linkei o áudio que o Unknown Mortal Orchestra publicou no fim do ano passado e agora vem o grupo com a primeira música da nova fase, a pessimista e garageira “American Guilt”, que parece ecoar o cinquentenário do tenso 1968, igualmente barulhento e em espiral descendente, cantando sobre a culpa americana que faz “até os nazistas gostarem dele”.

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Que bordoada essa notícia da morte do Mark E. Smith. Um dos maiores ícones do rock inglês, o dono do Fall era um desses sérios candidatos ao posto de maior inglês vivo (Alan Moore e Charlie Brooker são os outros dois) e sua carreira parecia interminável da mesma forma que parecia existir desde sempre. Dezenas de discos lançados um atrás do outro, influenciando gerações e gerações de artistas em todo o mundo com um único lema: “foda-se tudo”. Era um artista que nunca imaginei que poderia vê-lo ao vivo, até que o acaso me sorriu no ano passado, quando fui pra Liverpool e minha querida amiga Megssa (ex-vocalista dos Fish Lips, quem sabe, sabe) me interceptou para Manchester assistir a um festival que tinha Royal Trux, Swans e… The Fall! Nem pestanejei e peguei o trem em seguida, para presenciar uma apresentação em que Mark mandava tudo à merda, como reza sua lenda: balbuciava os vocais como se tivesse dando um esporro no público, desligava e ligava os amplificadores, deixando os músicos (todos mais novos que ele) putos ou rindo, cantando com dois microfones ao mesmo tempo, tocando a bateria com um dos microfones antes de atirá-lo na plateia. A apresentação ia do humor ao terror em segundos e a sensação de periculosidade no palco era palpável – a qualquer minuto o velho Mark poderia fazer qualquer coisa, como sair do palco do meio do show, forçando a banda a buscá-lo na marra. Eis o vídeo que fiz do histórico show (pelo menos para mim):

Obrigado, Sir Smith. Com sua morte, o mundo fica menos divertido e caótico, mas seu legado é imbatível.