Faz tempo que o canal Adult Swim funciona como plataforma para artistas de pequeno e médio porte lançarem singles longe de seus discos oficiais. Desta vez o convidado foi o Washed Out de Ernest Greene, que lançou a bela balada oitentista “Face Up”.
Demais.
Há dois anos cozinhando um novo álbum, os Arctic Monkeys finalmente anunciaram o lançamento do sucessor do ótimo AM: Tranquility Base Casino & Hotel será lançado no dia 11 de maio e felizmente deve manter o aspecto rock de tiozão que o grupo de Alex Turner assumiu nos últimos anos.
Eis a capa e o nome das músicas novas:
“Star Treatment”
“One Point Perspective”
“American Sports”
“Tranquility Base Hotel & Casino”
“Golden Trunks”
“Four Out of Five”
“The World’s First Ever Monster Truck Front Flip”
“Science Fiction”
“She Looks Like Fun”
“Batphone”
“The Ultracheese”
O disco já está em pré-venda.
Depois de muito adiar seu novo disco (e de um súbito acidente que a deixou de molho no ano passado), Melody Prochet volta a acionar seu projeto Melody’s Echo Chamber com o single “Breathe In, Breathe Out”, que conecta as duas pontas de seu trabalho até aqui – a psicodelia guitarreira noise açucarada que a estabeleceu em seu disco de estreia e os experimentos seguintes com folk e música pop que começou a fazer após o lançamento do disco.
A música é o primeiro single do segundo disco da cantora francesa, batizado de Bon Voyage, que foi gravado na Suécia e conta com as participações das bandas Pond e Dungen. Essa é a capa do disco, que já está em pré-venda, seguida das nomes das faixas:
“Cross My Heart”
“Breathe In, Breathe Out”
“Desert Horse”
“Var Har Du Vart”
“Quand Les Larmes D’un Ange Font Danser La Neige”
“Visions Of Someone Special, On A Wall Of Reflections”
“Shirim”
O acidente que lhe tirou de circulação no ano passado também fez que ela cancelasse sua primeira vinda ao Brasil. Será que dessa vez ela vem?

Foto: Facebook da Lorde
“Obrigado Chicago! Deve ser legal ser do mesmo lugar que o Kanye West”. Assim Lorde saudou o público de seu show no Alstate Arena na terça, dia 28, antes de emendar duas homenagem a um de seus ídolos, primeiro cantando o hit “Love Lockdown” sozinha, sem nenhum instrumento acompanhando:
Lorde just went acapella on “Love Lockdown”
“Thanks Chicago! It must be nice to come from the same place as Kanye West.” pic.twitter.com/vSZApBTYql— Corbin Reiff (@CorbinReiff) March 28, 2018
Depois colocando “Runaway” no final de sua “Liability“:
Lorde performing a cover of Runaway. @lorde @TeamKanyeDaily @ComplexMusic pic.twitter.com/Gtn0yJ0bTD
— G•A•V•E™ (@CadillacGabe) March 28, 2018
Ficou bonito.
Um dos nomes mais ativos da cena faça-você-mesmo brasileira, o guitarrista Rafael Crespo vive a doce contradição de ser mais lembrado por seu trabalho mais comercial (ter fundado o Planet Hemp nos anos 90) do que por seus inúmeros projetos e bandas independentes com os quais atravessou a virada do século transformando a cara da cena paulista. Integrou e fundou bandas como Polara, Aspen, Elroy, Deluxe Trio e várias outras, além de também tocar a clássica gravadora Spicy Recs, que lançou pedras fundamentais do rock independente brasileiro recente como Againe, Garage Fuzz e Pin Ups. Sua nova encarnação é o trio Herzegovina, que fundou ao lado de Mario Mamede, ex-baterista do Moptop, e Marcello Fernandes. Lançados com a fita cassete 5AM no ano passado, agora o trio estreia o clipe de “Ego Arcade” em primeira mão no Trabalho Sujo. “A letra fala sobre como as redes sociais viraram jogos de ego, onde um tenta ‘lacrar’ mais do que o outro”, me explica Rafa em entrevista por email. “Usamos como linguagem videogames dos anos 70 e 80, que eram, na época, a expressão máxima da sofisticação e tecnologia do entretenimento, uma analogia para o uso atual das redes sociais, e como elas serão vistas daqui a alguns anos – algo ultrapassado, datado e tosco, assim espero.” Conversei com ele sobre a nova banda e sobre como ele encara a cena que ajudou a construir.
Conte a história do Herzegovina.
Tudo começou quando eu voltei a morar no Rio no final de 2015. Conheci o Mario, que tocava bateria, e conversando descobrimos que estávamos escutando e querendo fazer o mesmo estilo de música. O Mario conhecia o Marcello e chamou ele pra tocar baixo com a gente, e em março de 2016 começamos a ensaiar e compor. Pensamos em um nome, algo que soasse estranho e familiar ao mesmo tempo e que tivesse a ver com a proposta da música, chegamos em Herzegovina. Pra quem está familiarizado com o nome, sabe que é um país com uma longa história de guerras e conflitos, algo que tentamos refletir em nossa música. Não necessariamente conflitos armados, mas todos os tipos de conflitos existentes, e cada vez mais ampliados pelas redes sociais: políticos, existenciais, sentimentais, de ego, de opiniões, etc. Pra quem não está familiarizado com o nome, pode soar como coisa meio “Proust” como Vovó Herzegovina.
Você já atua há muito tempo na cena independente brasileira. Como vê a evolução do rock independente atual?
Não sei, eu vejo, infelizmente, a música independente seguindo os mesmos caminhos e repetindo os mesmos erros da industria musical. Eu vim de uma escola essencialmente punk, não só musicalmente mas em termos de idéias e concepções. Sempre acreditei que era possível criar e se expressar artisticamente livre dos padrões e moldes comerciais impostos pela indústria. Mas era preciso criar e fortalecer esse “espaço” pra que fosse um lugar livre para todos.
O que eu vi, ao longo desses anos, foi muita gente se aproveitando dessas idéias pra se promover, falta um espirito de comunidade. No meu modo de ver, música alternativa, indie, etc, acabou virando uma caricatura, no fundo parece que todo mundo quer fazer parte da indústria e que esses rótulos só servem pra tentar gourmetizar e diferenciar o trabalho do artista. Respondendo sua pergunta, música independente, alternativa, etc, deveria ser algo inovador, desafiador, subversivo e ousado, mas musicalmente, vejo tudo muito chato, igual e repetitivo, embora existam as exceções.
Dá para traçar um paralelo entre as cenas de rock independente de São Paulo e do Rio de Janeiro, já que você conhece bem ambas?
Acho que eu não saberia dizer. Apesar de ser do Rio, 90 por cento da minhas relações e interações são em São Paulo. Sei que tem muita gente no Rio ralando duro e tentando criar um espaço e fomentar uma cena de música independente e eu admiro e respeito muito essas pessoas. Mas existe uma cultura carioca que precisa ser revista e transformada pelo bem da cultura e da cidade. Quando me mudei para lá, lembro que minha primeira impressão foi “como falta uma postura e uma atitude mais punk na cidade”. Explicando melhor o que eu quero dizer com “atitude e postura punk”, não estou falando sobre estilo musical, mas sobre se organizar, ser mais pró ativo, participar mais, apoiar mais os artistas e os lugares. Acho que tem muita gente talentosa e criativa no Rio, mas como a cidade não é tão grande como SP, falta as pessoas se unirem e se aproximarem mais.
MC Carol não deixa barato e mais uma vez volta a botar o dedo na ferida, desta vez com a faixa “Marielle Franco”, em homenagem à vereadora carioca assassinada na semana passada, que transforma em um hino contra “o poder machista branco”.
Pesado – como 2018 vem pedindo.
Nossa querida australiana continua preparando o território para seu novo álbum Tell Me How You Really Feel e lança mais uma música, desta vez com direito a clipe no espaço. “I Need a Little Time” segue o tom irônico de suas composições, cantando sobre coisas tristes com melodias felizes.
Seu segundo álbum sai em maio e já está em pré-venda.
Antes do feminismo do século 21, antes de Beyoncé, Rihanna e Taylor Swift evocarem o girl power das Spice Girls com tons menos coloridos, antes até mesmo do girl power das Spice Girls e da ironia antimachista de Alanis Morrissette havia Liz Phair. Uma das principais artistas da gravadora independente Matador nos anos 90, ela peitou o establishment do rock’n’roll da época lançando Exile on Guyville em 1993, um marco na história do rock, do rock independente e do rock feito por mulheres por responder, à altura, cada uma das faixas de Exile on Main St., dos Rolling Stones. 25 anos depois de sua obra-prima, ela volta a visitá-la em uma edição de luxo do disco com sete vinis e três CDs, além do material que ela lançou antes de assumir seu próprio nome, quando gravava fitas cassetes com o nome Girly-Sound. Nestas fitas ela testou parte do material que viria aparecer em Guyville, entre elas “Divorce Song”, que ela lançou como aperitivo da caixa de discos:
Girly-Sound To Guyville: The 25th Anniversary Boxset reúne as três fitas do Girly Sound (Yo Yo Buddy Yup Word To Ya Muthah, Girls Girls Girls e Sooty) além de uma versão remasterizada para o disco de estreia de Liz Phair e um livro com a história oral desta parte de sua biografia. O box chega às lojas no início de maio e já está em pré-venda. A cantora e compositora também anunciou uma turnê pelos EUA que começa no fim de maio, tocando apenas músicas de sua fase Girly Sound.
A inglesa Lily Allen – a Lorde dos tempos do MySpace, você lembra – começa a dar novos sinais de vida fonográfica ao anunciar seu quarto álbum, No Shame, para o próximo mês de junho. Ela segue sua sina de cronista dos tempos modernos, sintonizando seu pop quase inofensivo com o R&B desta década e letras que falam sobre sua recente crise de identidade após o fim de seu casamento. Ela lançou o primeiro single “Trigger Bang”, uma parceria com o rapper inglês Giggs em janeiro…
…e agora mostra mais duas novas canções, a gostosinha “Higher”…
…e a balada “Three”.
As três mostram que ela ainda mantém sua verve intacta. Resta saber se ela ainda é relevante em 2018.
A banda curitibana Cora anuncia seu primeiro álbum, El Rapto, ao assumir uma nova sonoridade a partir do single “Tulpa”, que elas antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo. É a primeira vez que elas compõem e cantam em português – e, como o nome não deixa de entregar, a letra tem inspiração lyncheana: “Veio do Twin Peaks sim, sempre muito presente nas nossas criações e performances”, explica uma de suas mentoras, a vocalista Kaíla Pelisser. “Quando descobrimos toda a simbologia da Cora, usávamos samples das intros da Log Lady nos shows. Já a Tulpa foi um nome que caiu como uma luva pra essa música, que fala exatamente sobre ser tomado por um alterego que se materializa e toma conta da situação, deixando seu ‘verdadeiro’ eu preso, só assistindo. Esse tipo de distúrbio de despersonalização é bem comum que seja engatilhado por uso de alucinógenos, o que é um paralelo mais uma vez com o mito da Cora, que estava colhendo narcisos ao ser raptada – os narcisos teriam deixado ela doidona e suscetível ao rapto e à cisão dela em duas, Cora e Perséfone.”
Kaíla continua, se aprofundando sobre o mito grego que batizou a banda: “Essa alegoria criada pelos mitos e o que eles simbolizam levam muita coisa que está incrustada na nossa cabeça e a gente nem sabe de onde vem. Foi muito louco descobrir quem era a Cora da mitologia e o que ela significava, foi a verdadeira epifanóia. Ela simboliza exatamente essa busca por entender mais profundamente o que tem dentro, da verdade, da auto-aceitação e da aceitação do outro como ele é, da consciência das próprias limitações e dessa dualidade que acontece no processo de amadurecimento. Você tem um pé cá, outro lá, várias vezes se orgulha da autossuficiência e da própria capacidade, e outras vezes fraqueja e acaba cometendo os mesmos erros de sempre.”
“Quanto mais a gente pesquisa sobre esse mito mais ‘coincidências’ com o nosso trampo vamos achando: ao cheirar a flor, que teria agido como um narcótico – narciso e narcótico tem o mesmo radical grego, a palavra narkés, que significa entorpecido -, ela teria ficado vulnerável à captura”, continua a guitarrista Katherine Zander. “Encontramos muitas coincidências com o Twin Peaks também, por um tempo usamos a Log Lady como nosso arquétipo: louca porém realista e sábia. Tem uns lances com o chão preto e branco também e outras surpresas que você vai encontrar no álbum que foram diretamente inspiradas na série.”
A nova fase da banda chega com uma nova sonoridade, mais obscura e triste que o indie pop com guitarras do EP Não Vai Ter Cora, um dos grandes lançamentos do ano passado. “As músicas que lançamos ano passado no single já são muito antigas, de 2013, 2014. Demoramos muito no processo de gravar e lançar”, explica Kathe. “Já as músicas do disco novo são de 2017/ 2018. Então essa transição foi bem progressiva até.” “Já estávamos caminhando pra chegar nessa sonoridade, que seguiu o mesmo conceito que pensamos para a concepção do disco: o rapto da Cora, símbolo da inocência, e a entrada dela no mundo obscuro do inconsciente. O estalo foi mesmo a descoberta e a vontade de explorar o próprio nome da banda, que vem desse mito grego da Cora, que ao ser raptada se transforma em Perséfone e passa a viver um período no inferno e outro junto da mãe na terra/Olimpo. Seguindo o conceito, pensamos que o som também tinha que parecer mais escuro e denso, com elementos que expressassem esses momentos de inferno e céu, morte e ressurreição, que é todo bem carregado e dramático”, conclui Kaíla.
Pergunto se esta nova fase está ligada à redescoberta do sagrado feminino que tem acompanhado o feminismo do século 21. “Essa questão do sagrado feminino passa perifericamente ao conceito do álbum, então é difícil de responder”, responde Kathe. “Mas com base nas coisas que temos observado, os arquétipos femininos e o que eles representam ganham mais força quando as energias masculinas estão muito intensas, como momentos de guerra e terror. E levando em consideração que estamos passando por um retorno do conservadorismo e totalitarismo, faz muito sentido a consequência de uma nova onda feminista para contrapor essa força masculinista.”












