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“A gente poderia lançar coisas novas, porque a gente já tem música novas que vão estar no próximo álbum”, explica o fundador do Linguachula, Dê Ferro, sobre a volta da banda campineira com uma música de Paulo Diniz, “I Wanna to Go Back to Bahia”, composta a partir das cartas que Caetano Veloso enviava para o jornal Pasquim quando estava exilado do país na Inglaterra, no início dos anos 70. “Acreditamos que lançar essa versão agora é de certa forma estar contribuído para uma reflexão e clamando por dias mais ensolarados.”

O Linguachula era uma das melhores bandas de Campinas no início dos anos 90, quando o underground do interior de São Paulo movia-se a guitarras e vocais gritados contra a pressão sertaneja vigente em todo o estado. Lançou seu único disco pelo Banguela quando a mítica aventura de Miranda com os Titãs como heróis de uma indústria fonográfica alternativa tinha ido para o saco, fechando a tampa da discografia do selo com o CD batizado com seu nome (disco para o qual escrevi o release – morador de Campinas que era eu). Era um trio que misturava rock e música brasileira com muita desenvoltura, mas que foi engolido pelos contratempos do período e não conseguiu terminar o século.

Seu líder e cabeça, o guitarrista e vocalista Dê Ferro, manteve suas conexões musicais por outras vias. “Nunca me desliguei da música. Nesse período, mergulhei no universo de musicas sagradas e ancestrais ligadas à umbanda, candomblé, capoeira e ayahuasca. Vivenciei a musicalidade dos guaranis, gravando junto com meu amigo o produtor Maurício Cajueiro os cantos sagrados daquela cultura em que tive o grande prazer de receber o batismo Guarani”, ele me conta por email. Marcelo e Nani, baterista e baixista originais, deixaram a banda dando espaço para Adriano Caetano e Victor Coutinho.

“Retomei meu contato com o produtor Caio Ribeiro, que produziu e gravou o CD de 1993 e estávamos desenvolvendo a comunicação do Stage Record, seu novo estúdio em Campinas, quando começamos a tramar produções musicais que culminaram no ‘reativamento’ do Linguachula”, continua Dê, que fala que irá relançar o disco original nas plataformas digitais, além da produção de um novo álbum com o mesmo Caio e dois singles e um clipe que serão lançados em pouco tempo.

Falando sobre rock

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O programa Metrópolis, da TV Cultura, me chamou para falar sobre a importância do rock em uma matéria que fizeram aproveitando a efeméride do Dia do Rock, que aconteceu na sexta passada. A matéria começa exatamente aos dois minutos do vídeo abaixo.

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Dia de barulho no Centro do Rock do Centro Cultural São Paulo, quando as bandas Sky Down (do ABC paulista) e Lava Divers (do interior de Minas Gerais) se encontram no clássico palco da Sala Adoniran Barbosa a partir das 19h, com entrada gratuita (mais informações aqui). O Sky Down ainda aproveita para lançar o clipe da faixa “Low”, todo feito a partir de vídeos verticais do stories do Instagram, que a banda antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“Low” é a terceira faixa do próximo disco da banda, o primeiro com a baixista Amanda Butler na formação (as outras duas são “Wound” e “Wish“, sendo que esta última conta com um clipe feito com imagens da banda Test tocando ao vivo), que conta com produção do Bernardo Pacheco.

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O trio gaúcho Dingo Bells continua rodando com seu disco Todo Mundo Vai Mudar, lançado no semestre passado, e mostra, em primeira mão no Trabalho Sujo, o clipe da faixa “Na Carona”. Filmado no estúdio durante a gravação do álbum, o clipe flagra o trio trabalhando no disco atual, em uma canção que sempre foi pensada em ser registrada ao vivo. “Essa é a música que desde o inicio já sabíamos que teria um registro da banda tocando junta, em oposição à gravação por canais, onde cada um grava seu instrumento separado. E isso se deu por sua natureza soul, bebendo da música negra norte-americana feita nas décadas de 60 e 70, na qual as interações registradas em um take único são mais importantes do que a sobreposição de elementos de forma artificial. É um registro mais íntimo e caloroso, assim como essa música também é”, conta o baterista Rodrigo Fischmann.

Foto: Silvia Costanti

Foto: Silvia Costanti

“Eu acho que este é um disco bastante autoral, onde eu compus quase tudo sozinha e que traz letras bastante confessionais, não conseguia pensar em um nome melhor que sintetizasse o que eu estava dizendo ali”, me explica a cantora paulistana Stela Campos quando pergunto porque seu sétimo álbum leva apenas seu nome como título. “A esta altura da minha carreira, achei que poderia dar o meu próprio nome. É a primeira vez também que eu apareço na capa, embora seja difícil de me identificar”, ri.

Stela Campos, o disco, chega às plataformas digitais até o final do mês, mas já nesta sexta-feira o primeiro single, “Take Your Time”, começa a abrir caminho, mas ela antecipa a bela canção para o Trabalho Sujo revelando o clima invernal do disco. “Foi uma coincidência (lançar o disco na estação), mas acho que sempre pensei nele mais como inverno. Tanto que as imagens que eu fiz na Patagônia que acabaram entrando no clipe e na capa se encaixaram muito bem com a proposta do disco, mesmo depois que ele já estava pronto”, ela continua. “As músicas foram compostas em uma mesma época, logo após os shows do disco Dumbo, então pensei muito na banda enquanto compunha – estou falando de Clayton Martin, Monstro, Diogo Valentino e Felipe Maia -, sabia que ficaria muito legal com eles. As gravações aconteceram em vários períodos, com intervalos grandes entre eles, mas a unidade sempre esteve lá por conta das composições que eram muito fortes para mim e que foram pensadas para esse formato.”

“O clipe foi resultado de algumas filmagens que eu fiz quando fui para a Patagônia e que foram depois editadas pelo Monstro, que ‘psicodelizou’ tudo”, prossegue. “Eu me divido em várias pessoas e pensando na minha vida de profissional, mulher, mãe e compositora, acho que simbolizou muito bem quem eu sou. Tanto que a capa do álbum acabou saindo de uma cena desse clipe. A Patagônia com as suas geleiras, aquela imensidão fria e vazia, sempre me fascinou. Era o lugar que eu mais tinha vontade de conhecer na vida e quando fui não me decepcionei. Um dia ainda quero morar numa cabana por lá. Foi uma viagem simbólica para mim e acho esse cenário fazer parte do primeiro disco que leva o meu nome tem tudo a ver.”

Ela também antecipa a capa e a ordem das músicas a seguir:

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“Take Your Time”
“Cats”
“Lost”
“Move On”
“Long”
“Walk With Me”
“Don’t Give it Up”
“Into the Night”
“Hate”
“Shadow”

Os títulos curtos e as letras em inglês encaixam-se perfeitamente com as influências pinçadas por Stela no disco, embora sua voz esteja firme e com mais personalidade do que nunca, talvez fruto da zona de conforto criada por esta nova banda. “Na época em que estava compondo esse disco, estava ouvindo muito Neil Young, mas vejo também surgirem coisas do passado como David Bowie, Blondie, e tem um lado meio impressionista também, de natureza remota, de Vashity Bunyan, Nick Drake – e até punk rock”, explica. “Acho que musicalmente, ele foi composto com bastante liberdade e conversa com o que eu fazia lá no começo da carreira, só que com mais maturidade, mais sutileza.”

Veterana da cena independente, ela compara seu próprio =amadurecimento musical com o da cena. “Eu comecei com meu trabalho solo no início dos anos 2000 com o disco Céu de Brigadeiro, mas já frequentava a cena indie há um bom tempo. Tive uma banda com o Cadão Volpato, Jair Marcos e o Ricardo Salvagni (os ex-Fellini) em 91 chamada Funziona Sensa Vapore e também tive a minha banda, o Lara Hanouska. A gente fazia panfleto, cartaz, fita cassete – aliás fiz uma para o disco de remix Dumbo Reloaded e estou fazendo outra para o disco novo -, enfim, a divulgação muito era no boca a boca e os shows saiam sem muita infraestrutura. Em Recife, onde fiquei de 94 até 2000, a cena mangue também era feita na raça, shows improvisados nos puteiros, tudo do mesmo jeito. Hoje com a internet a gente consegue dar um alcance maior ao nosso trabalho, mas eu acho que a lógica do gueto e do boca a boca continua. Não adianta você estar em todas as plataformas se as pessoas não te ouvem. As playlists, a panelinha, o mainstream continuam existindo, só que de outro jeito. Não é jabá na rádio mas é quase. As pessoas estão mais seletivas do que antes, porque não são obrigadas a escutar o que toca no rádio, mas se perdem com tanta informação. Elas acabam vivendo no seu próprio mundo paralelo e é difícil se aventurarem por outras esferas para ouvir coisa nova. O mangue era muito abrangente, incorporava vários estilos musicais, hoje não vejo tanto essa mistura entre as bandas.”

“Um artista como eu, nos Estados Unidos, por exemplo, conseguiria se sustentar da música. Existe uma estrutura por trás, lugares para tocar com som bom e cachê, um circuito, a música independente circula. Aqui é tudo muito precário ainda. Você conta nos dedos os lugares com som legal e que respeitam o artista. Os lugares grandes são para artistas grandes, então acho que falta um meio termo”, conclui.

Ela equilibra sua carreira musical com sua vida como jornalista. “Trabalhar dá trabalho”, ri. “Ainda mais hoje quando a gente se preocupa com o futuro do emprego e com tantas questões que abalam a nossa indústria. Eu escrevo sobre carreira, então imagine que eu sofro mais do que todo mundo falando diariamente sobre essas incertezas. A música ocupa um lugar especial para mim, mas sempre conciliei com o trabalho. Talvez hoje por conta de tudo que eu falei seja mais difícil dedicar mais tempo a ela. Mas a música é parte da minha essência e quando eu penso que não quero fazer tudo de novo, ralar para gravar, lançar etc lá vou eu e faço tudo de novo. Ser artista independente não é fácil, custa caro, mas daí começo a compor, os amigos músicos se juntam, incentivam e pronto caio na estrada novamente.”

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O quarto disco da big band paulistana Bixiga 70 está prestes a ser lançado e Quebra-Cabeças, o primeiro disco do grupo que não tem o título numerado e o primeiro que deve ocupar o espaço de um vinil duplo, é o melhor da carreira da banda, por uma série de fatores: com a presença de Gustavo Lenza na produção, o som ganhou o peso e o ataque no estúdio que a banda já apresenta ao vivo, e o clima instrumental é mais pesado e tenso que o clima astral dos discos anteriores, refletindo o teor político do país atualmente e mostrando que até música instrumental pode ser de protesto. A única música do disco que foi lançada pelo grupo, a incisiva “Primeiramente“, dá o tom do que vem por aí.

O grupo já marcou show de lançamento para a próxima semana, nos dias 19, 20 e 21 de julho na choperia do Sesc Pompéia (mais informações aqui).

Foto: Paola Alfamor (Divulgação)

Foto: Paola Alfamor (Divulgação)

O paraense Saulo Duarte vem guardando músicas que não irão para seu grupo A Unidade há quase uma década e no ano passado resolveu assumir sua carreira solo quando aceitou o convite que fiz para ser dono de uma temporada no Centro da Terra. Foram quatro shows e repertórios diferentes – um ao lado dos músicos João Leão e Victor Bluhm, outro com Josyara, Bruno Capinam, Igor Caracas e Giovani Cidreira, outro sozinho e um quarto, mágico, com Curumin e Russo Passapusso – que formaram a temporada Persigo São Paulo, inspirada por Itamar Assumpção, e que ajudaram a depurar estas canções, chegando a uma musicalidade específica, que não foge completamente do trabalho com sua banda, mas tem sua própria personalidade. Ele também expandiu ainda mais suas fronteiras musicais ao assumir o posto de guitarrista de duas bandas incríveis: a de Curumin e a de Anelis Assumpção. Batizado de Avante Delírio, o disco começa a ver a luz do dia com a faixa “Flor do Sonho”, parceria com o poeta cearense Daniel Medina, que ele lança em primeira mão no Trabalho Sujo.

O single dá dicas sobre o disco que vem por aí: além de solar e pra cima, Avante Delírio, também mistura gêneros musicais (o ijexá baiano e o carimbó paraense no mesmo groove) e foi calcado no violão de nylon, instrumento-cerne deste primeiro trabalho solo. Ele está prometido para o meio de agosto, foi coproduzido por Saulo, Curumin e Zé Nigro (que também é a banda-base do show) e a partir da semana que vem o trio embarca para a Europa, para uma breve turnê em que começa a mostrar esta nova faceta.

Foto: Jessica Dias (Divulgação)

Foto: Jessica Dias (Divulgação)

O grupo sergipano The Baggios começou os trabalhos de seu festejado disco mais recente, o pesado Brutown, lançando o single de “Saruê” no Trabalho Sujo, em 2016, e agora voltam ao site para encerrar o ciclo deste álbum com o clipe da mesma canção, que tem a participação de Jorge Du Peixe. “É uma música forte que traduz bastante o mundo doido que vivemos, e foi esse universo que quis descrever no disco. Justamente nesse clipe que chegamos mais próximo de retratar a Cidade Brutal”, me explica o vocalista e guitarrista da banda, Julio Andrade. “A ideia do clipe partiu de quando uma amiga me apresentou o filme paraibano O Matador de Ratos, de Arthur Lins. Logo de cara eu me identifiquei com ambiente sombrio do filme e associei ao clima do Brutown. Guardei a ideia até esse ano, quando colocamos em prática as ideias que tive de somar as imagens do filme com a banda tocando num ambiente similar . A música fala sobre os seres almas sebosas que habita esse plano, seja em forma de politico ou de cidadão, e no clipe existe um personagem que extermina os ratos-humanos, uma especie de anti-herói viciado em pesticida.”

“A cabeça vive fervilhando de ideias, desde o ano passado venho trabalhando em novas músicas e já planejava que gravaríamos um disco neste ano”, continua o vocalista. “A chegada do novo sempre nos anima, é massa pensar ‘o que o povo vai pensar desses sons?’, ‘o que podemos aprontar dessa vez?’ e é justamente esse momento que estamos vivendo. Estamos na gestação de um novo disco, e somos muito gratos por todo reconhecimento que o Brutown teve, e onde ele nos levou. Agora é hora de encarar o novo.”

Brutown também se encerra como um disco em um show no Sesc Pompeia, no dia 14 de julho (mais informações aqui), quando o grupo, que agora é um trio, mostra suas canções acompanhado de um naipe de metais. “Os metais nos acompanham desde o primeiro disco, em 2011 e todos os nossos discos têm metais, mas é raro conseguirmos circular com eles. Fizemos alguns shows pelo Brasil em 2014 nesse formato, mas estamos numa outra época, com outras músicas e acredito que sera ainda mais massa esse show no Pompeia. Traz um clima mais soul para nosso show e eu me amarro em soul.”

Sobre o próximo trabalho, Julio explica que é uma espécie de continuação de Brutown, embora seja “uma outra viagem, um outro conceito”. “É como se o ser cansasse do caos urbano e fosse em busca de sua nova natureza no mato, e essa busca naturalmente influencia na sonoridade das músicas.” O disco será lançado ainda este ano.

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Começando a preparar seu quarto disco, batizado de Tuda, Bárbara Eugenia lança mais um single reforçando a vibe “Brasil Caribe Tropical Bahia Hippie Style” que determinou ao novo disco no início do ano, quando apresentou sua versão para “Sintonia”, de Moraes Moreira. “Confusão”, faixa em parceria com Felipe Cordeiro, e não só produziu a faixa, como fará durante seu próximo disco, como também dirigiu o clipe, reforçando a ideia que irá segurar ela mesma as rédeas do próximo trabalho, prometido para o segundo semestre. A faixa também mostra sua afeição em relação aos timbres eletrônicos, que devem dominar o disco, e que serão sublinhados pela nova aquisição de sua banda, a tecladista Cris Botarelli, que também toca e canta no Far from Alaska.

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Os Chromatics mal lançaram a faixa “Black Walls” e já emendaram uma curta série de lançamentos que nos leva a crer que talvez o tão aguardado Dear Tommy esteja finalmente numa agenda de novas obras do grupo (espero que para ainda esse ano!). Primeiro, a banda de Johnny Jewel lançou o EP Camera, posto à venda apenas em vinil em seu site oficial, com faixas com títulos como “The Taste Of Blood”, “Flashback To Forever” e “Magazine (Club Instrumental)”, todas elas curtíssimas, entre dois e três minutos cada.

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Depois foi a vez do single “Blue Girl”, que veio acompanhado de quatro outras versões, cada uma com seu subtítulo (“Say Goodbye”, “Don’t Say a Word”, “Drumless” e “Instrumental”), posto para audição nas plataformas digitais.

Dear Tommy, o sucessor do maravilhoso Kill for Love, vem sendo prometido há anos e, aparentemente, está sendo recriado do zero depois que Jewel destruiu todas as cópias físicas que vinham com a versão anterior do disco, que deveria ter sido lançado em 2016. Mas, pelo jeito, agora vai…