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zizek

O filósofo eslavo fala sobre ideologia em sua análise sobre o ótimo They Live, um dos melhores filmes de John Carpenter: “Você vê a ditadura na democracia, a ordem invisível que sustenta sua liberdade aparente”.

A cena acima é um trecho do filme O Guia Pervertido do Cinema, conduzido pelo filósofo e dirigido por Sophie Fiennes em 2006.

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No lindo forrozinho “Meu Primeiro Amor”, primeiro single de seu próximo álbum, O Céu é Velho Há Muito Tempo (que será lançado no dia 18 de outubro), o baiano Lucas Santtana convida a pernambucana Duda Beat para tentam conciliar as metades separadas do Brasil, uma discreta balada que torna-se um manifesto apaixonadamente político (citando nominalmente Lula) e com os gêneros espertamente trocados entre os dois vocais.

Siba à espreita

Foto: José de Holanda

Foto: José de Holanda

“Quanta violência dá pra fingir que não há?”, nos questiona o jovem mestre Siba Veloso, que saca de sua capanga mais uma obra-prima: Coruja Muda, sucessor (e “disco irmão”, como ele me diz na entrevista abaixo) do forte De Baile Solto, até então seu disco mais contundente, que está sendo lançado nesta sexta-feira. Sua força permanece categórica, mas o disco soa mais macio e fluido que seu antecessor, principalmente pelo trançado cada vez mais firme entre sua guitarra de tons africanos e o andamento manhoso das tradições pernambucanas – e quando bate mais forte, musicalmente, requebra pro lado, dando um sorriso acanalhado que não surgia no disco anterior. “O Baile nasce da perplexidade”, me explica, enquanto “Coruja já nasce na consequência daquilo tudo”.

É um disco vivo e feito pra dançar, mas que pisca cúmplice para o ouvinte seus duplos sentidos, suas analogias animais e seus pés arrastando no chão. Comparando gente e bicho em quase toda sua extensão, recupera-se do susto antevisto com a ascensão do autoritarismo para comentá-lo de forma mais aguda, mas sem cara feia. “Só é gente quem se diz”, Coruja Muda parece resumir-se no título de uma de suas canções centrais, que de alguma forma conversa com uma cena que parece menor do recente fenômeno cinematográfico Bacurau, quando uma personagem ouve a resposta quando pergunta como se chamam os nascidos naquela cidade fictícia. Bati um papo com ele sobre o novo disco e não pude deixar de perguntar se ele havia visto o filme de seu conterrâneo Kleber Mendonça Filho: “Não vi e adorei”, respondeu com um sorriso no rosto. Logo depois ele comenta o disco faixa a faixa.

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“Coruja Muda” – “Foi inspirada em um áudio de Fábio Trummer solicitando ao fotógrafo José de Holanda as condições meteorológicas perfeitas para uma foto a ser feita. Discorre sobre o que por ventura venha a ser uma parte de minha parte bicho nessa história toda. Quem canta no final a voz da Coruja é Chico César e o Pajé é Mestre Nico.”
“Só é Gente Quem Se Diz” – “A música se divide em duas partes. A primeira é uma embolada em décimas, a segunda um arremedo irreconhecível de axé. A bicharada deita e rola superando a humanidade, em coerência e dignidade, ao longo da letra.”
“Tamanqueiro” – “É uma carta real, escrita em ritmo de embolada, com o objetivo de encomendar um tamanco para uso diário. É verdade esse bilête. Na parte instrumental em que o tamanco é fabricado, escuta-se Arto Lindsay, Edgar, Rafael dos Santos e Dustan Gallas trabalhando com dedicação.”
“Daqui Pracolá” – “Fauna e flora de minhas vivências de infância no agreste pernambucano brincam de vida e lutam de morte. Tive essa sorte de ter família com lastro forte no interior, natureza fofinha não é muito a minha…”
“O Que Não Há” – “Dou um passo em direção ao verso não metrificado, embora não chegue longe. Tem muito mais influência das longas canções de Franco com a banda OK Jazz nos anos 70 do que seria capaz de esconder. Fala da violência muda da classe média brasileira.”
“Azda (Vem Batendo Asa)” – “É um atestado definitivo da cara de pau e falta de noção deste poeta em se meter a fazer uma versão de um clássico da música congolesa que sempre o assombrou pela beleza. Antes de desistir descobri que a música era na verdade um jingle de Franco para uma loja da Volkswagen em kinshasa. Nada é tão sério assim, afinal de contas. ”
“Barato Pesado” – “É um frevo abolerado ou o contrário. Panfleto místico de exortação à conversão imediata e absolutamente necessária a qualquer forma de culto à vida e à alegria do presente. Hino da festa como elemento básico de exaltação religiosa.”
“Tempo Bom Redondin” – “É correria inútil contra o tempo que a tudo atravessa. Hino à preguiça e atualização da cansada tese de que não vale a pena levar nada tão a sério. Quem toca synth nela é Dustan Gallas.”
“Carcará de Gaiola” – “Tem bicho que não foi feito pra gaiola. Quando está preso, carrega muitos pra dentro consigo. Não consegui evitar o Baque Solto, nem nesse disco. Na orquestra, Galego do Trombone, Roberto Manoel e Maestro Minuto, da Fuloresta.”
“Meu Time” – “É a segunda faixa extra do disco. Tá aí porque cresceu muito com as versões e os anos de estrada e pra provar que não sou oportunista. Fiquei calado na Copa e relancei a faixa fora de época mais uma vez.”
“Toda vez que eu dou um passo / O mundo sai do lugar (Slight Return)” – “É a versão atualizada desta música que sou obrigado a tocar mesmo quando não quero. Atravessou todas as mutações que meu trabalho sofreu desde que ela existe. É a música que fecha os shows também.”

Foto: José de Holanda

Foto: José de Holanda

O cantor e compositor paraibano Chico César antecipa seu próximo disco, O Amor É um Ato Revolucionário (veja a capa abaixo), com o reggae de protesto “Pedrada”, que chega às plataformas digitais nesta sexta e pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Na canção, Chico não mede palavras para falar contra esse 2019 perverso que estamos assistindo e fala dos “cães danados do fascismo” e do “fruto podre do cinismo”, dando a dica que “a bola incendiária está no ar” e conclamando “fogo nos fascistas! Fogo Jah!”.

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“Eu compus essa canção comprando produtos de limpeza no supermercado. Ao voltar pra casa, no caminho, fui amadurecendo e ao chegar em casa, gravei uma versão dela e soltei nas redes sociais”, explica Chico. “Essa canção não é sobre um governo, um partido, é sobre a sociedade: uma sociedade que foi se tornando violenta e intolerante, uma sociedade que pode chegar ao cúmulo de defender a aniquilação física do outro”. A música foi produzida por Eduardo Bid, que chamou a banda Leões de Israel para acompanhar Chico nessa rara canção de protesto em 2019. Que inspire outras.

neilyoung

O mestre Neil Young e seus fiéis escudeiros do Crazy Horse anunciam o lançamento do disco Colorado, o primeiro desde o épico Psychedelic Pill, de 2012, com a melancólica e forte “Milky Way”.

O disco, que já está em pré-venda, será lançado no dia 25 de outubro. Abaixo, sua capa e o nome de suas músicas – e a torcida pra que pelo menos duas delas tenham mais de dez minutos:

neilyoungpcolorado

“Think Of Me”
“She Showed Me Love”
“Olden Days”
“Help Me Lose My Mind”
“Green Is Blue”
“Shut It Down”
“Milky Way”
“Eternity”
“Rainbow Of Colors” (studio version)
“I Do”

twinshadow2019

O produtor e compositor norte-americano George Lewis Jr., que amamos e conhecemos por Twin Shadow, desculpa-se por não entregar o álbum que havia prometido para o final de agosto ao lançar o belo single “Crushed”.

Ele não precisou a data do próximo lançamento mas o novo single cogita rumos etéreos para seu trabalho, embora com os pés firmes no soul eletrônico.

Luê deixa cair

lue2019

O encontro da cantora e compositora paraense Luê com o produtor Mateo Piracés-Ugarte, da banda Francisco El Hombre, está começando a causar mudanças em sua carreira. Jogando o foco de suas composições para uma atmosfera jamaicana, ela começa a lançar uma série de singles para experimentar formatos e sonoridades a partir desta sexta-feira (dá pra deixar pré-salvo nas plataformas digitais neste link), quando mostra o primeiro destes frutos, o single “Virou o Zoínho (Viciei)”, que ela antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“O single surgiu depois que a gente ouviu uma música do Wesley Safadão chamada ‘Só pra castigar’, onde ele dá a entender que virar os olhos é o momento do gozo”, lembra a cantora, sobre o começo de seu trabalho com Mateo, “rimos disso e começamos a fazer a nossa versão, que era só uma brincadeira, mas virou música mesmo.” A faixa ainda conta com a participação da cantora Luísa Nascim, vocalista do grupo potiguar Luisa e os Alquimistas: “Ela chegou com um poema lindo em espanhol, sobre corpos em conexão e aquela coisa toda, que ela tinha feito há séculos e não tinha onde usar, encaixou certinho!”

Assim, Luê começou a explorar um novo território temático. “Eu nunca tinha falado disso em música e tem sido bem interessante pra mim esse processo, porque enquanto a música ia nascendo, algumas fichas foram caindo, não só pra mim, mas também pro Mateo e Luisa, sobre a relação com o prazer, nossa relação com o nosso corpo e como nos relacionamos com outro corpo. Falando por mim, eu achava que era sexualmente super livre e coisa e tal, mas percebi que tava condicionada a um sexo raso, onde o prazer do homem é o objetivo, onde a maioria dos caras não sabem o que fazer com o corpo da mulher e são preguiçosos. Nem eu conhecia meu corpo e morria de vergonha de me expressar e hoje pra mim um orgasmo é uma revolução pessoal que me enche de poder.”

“Pessoas são sexuais, acho que é da nossa natureza, mas quando a gente fala de prazer mesmo, para as mulheres o buraco é mais em baixo”, ela continua, “50% das mulheres que têm relações sexuais heterossexuais não chegam ao orgasmo. Às vezes nunca na vida. Não é do interesse do plano de dominação patriarcal que a gente goze, porque uma mulher que goza e compreende seu corpo – e está em paz com ele – é extremamente poderosa. Acho que falar sobre isso é importante pra que uma sirva de espelho para a outra. E que homens também consigam se libertar de seus padrões cansativos que ninguém aguenta mais né?”

Ela também comenta sobre a nova fase. “A ideia é continuar lançando singles e tanto nesse novo quanto nos próximos sou eu dando a cara a tapa e experimentando em outras sonoridades. Cada single um passinho além, gosto dessa inquietação.”

modernkid

Exatos dez anos depois de seu lançamento no YouTube, o diretor André Peniche resgata o clipe que fez para “Modern Kid”, do saudoso Júpiter Maçã, que originalmente era em preto e branco, numa surpreendente versão colorida.

Eis o original:

Sdds, Júpiter.

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Lana Del Rey lança seu quinto álbum, Norman Fucking Rockwell!, nesta sexta-feira e já é um de seus melhores discos.

Ela aproveitou para lançar mais um clipe, desta vez para a versão que fez para “Doin’ Time”, do Sublime, em que ela surge como uma mulher gigantesca.

E nem bem ela lançou o novo álbum e ela já está falando sobre outro disco que ela quer lançar até o ano que vem. “Chama-se White Hot Forever. Acho que provavelmente será um lançamento surpresa dentro dos próximos 12 ou 13 meses”, contou ao Times inglês.

FloatingPointsCrush

Com o single de “Last Bloom”, Sam Shepherd retoma a expansão eletrônica do ótimo Elaenia, de 2015 (que havia tomado outro rumo no disco que lançou dois anos depois, Reflections – Mojave Desert), e anuncia o novo álbum de seu projeto Floating Points para outubro.

Crush (capa e ordem das músicas abaixo) já está em pré-venda e também incluirá a faixa “LesAlpx”, que ele lançou em junho sem dar maiores satisfações.

floating_points

“Falaise”
“Last Bloom”
“Anasickmodular”
“Requiem for CS70 and Strings”
“Karakul”
“LesAlpx”
“Bias”
“Environments”
“Birth”
“Sea-Watch”
“Apoptose Pt1”
“Apoptose Pt2”