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warp-caixa

A gravadora inglesa Warp, uma das principais referências musicais das últimas décadas, anuncia a comemoração de seu trigésimo aniversário lançado uma caixa com dez vinis cheia de raridades, com mixes, documentários, apresentações ao vivo e outras pérolas de um elenco que inclui nomes como Aphex Twin, Flying Lotus, Oneohtrix Point Never, LFO, Bibio, Mount Kimbie, Seefeel, entre outros. E o anúncio vem com uma das raridades mais esperadas pelos fãs: a versão na íntegra da Peel Sessions que o grupo Boards of Canada gravou em 1998 – que virou um EP em vinil lançado no ano seguinte, mas que teve de ser recolhido pois uma das faixas, “XYZ”, teve problemas com a utilização de direitos autorais alheios. A sessão ao vivo na BBC contou com quatro faixas ao vivo – “Aquarius”, “Happy Cycling”, “Olson” e a referida faixa problemática, que agora ressurge inclusive como teaser da caixa, direto no YouTube:

A caixa já está em pré-venda (e custa 150 dólares) e, além dos 10 vinis com raridades dos principais nomes do selo (veja abaixo), ainda traz peças impressas (oito cartazes feitos pela dupla ucraniana de fotógrafos experimentais Synchrodogs, quatro offsets, entre outros) e dez adesivos.

wxaxrxp

Aphex Twin
Peel Session 2
10 de abril de 1994

“Slo Bird Whistle”
“Radiator (Original Mix)”
“p-string”
“Pancake Lizard”

Bibio
WXAXRXP Session
21 de junho de 2019

“Haikuesque”
“Petals”
“All the Flowers”
“Lovers Carvings”

Boards Of Canada
Peel Session
21 de julho de 1998

“Aquarius (Version 3)”
“Happy Cycling”
“Olson (Version 3)”
“XYZ”

Flying Lotus
Presents INFINITY “Infinitum” – Maida Vale Session
19 de agosto de 2010

“MmmHmm”
“Golden Axe”
“Tea Leaf Dancers”
“Drips”

Kelly Moran
WXAXRXP Session

“In Parallel (acoustic)”
“Helix 2 (TransAcoustic)”
“Interlude 1”
“Love Birds (acoustic)”
“Radian (TransAcoustic)”

LFO
Peel Session
20 de outubro de 1990

“Take Control”
“To The Limit”
“Rob’s Nightmare”
“Lost World”

Mount Kimbie
WXAXRXP Session
21 de junho de 2019

“You Look Certain (I’m Not So Sure) (feat. Andrea Balency)”
“Delta”
“Marilyn (feat. Micachu)”
“Made To Stray”

Oneohtrix Point Never
KCRW Session
23 de outubro de 2018

“Love In The Time Of Lexapro”
“RayCats”
“Toys 2”
“Chrome Country”

Plaid
Peel Session 2
8 de maio de 1999

“Housework”
“Kiterider”
“Elide”
“Lazybeams”

Seefeel
Peel Session
27 de maio de 1994

“Rough For Radio”
“Starethrough”
“Vex”
“Phazemaze”

johnny-cash-bob-dylan

Entre os dias 17 e 18 de fevereiro de 1969, Bob Dylan e Johnny Cash estiveram no mesmo estúdio, gravando músicas próprias além de versões de músicas alheias. Era meio que um ensaio para a participação de Dylan no programa que Cash tinha na ABC, que aconteceria meses depois – e o encontro, registrado, nunca havia sido lançado. Essa reparação está sendo feita no décimo quinto volume das Bootleg Series de Dylan, que será lançado no dia 1° de novembro e já está em pré-venda.

Bob Dylan (featuring Johnny Cash) – Travelin’ Thru, 1967 – 1969: The Bootleg Series Vol. 15 ainda mostra que o encontro de Dylan e Cash ainda teve a participação de outro nome ilustre da era de ouro do rock norte-americano – ninguém menos que Carl Perkins (o autor de clássicos como “Blue Suede Shoes”, “Matchbox”, “Everybody’s Trying to Be My Baby” e “Honey Don’t”, entre outras), que participa de cinco faixas, além de incluir gravações dos discos John Wesley Harding, Self Portrait e Nashville Skyline, todos do final dos anos 60, quando Dylan distanciou-se do rock psicodélico e pesado da época para abraçar a country music. O disco ainda traz a gravação do programa de Dylan e Cash, além de um sarau com o tocador de banjo Earl Scruggs, na casa do escritor e jornalista Thomas B. Allen (autor do livro que inspirou o filme O Exorcista). Uma primeira raridade foi revelada com o anúncio do novo volume da série de piratas oficializados, com a faixa “I Pity The Poor Immigrant (Take 4)”.

Abaixo, a capa e a ordem das músicas do próximo disco de Dylan.

bootlegseries-15

Disco 1

17 de outubro de 1967
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco John Wesley Harding

“Drifter’s Escape – Take 1 (Alternate Version)”
“I Dreamed I Saw St. Augustine – Take 2 (Alternate Version)”

6 de novembro de 1967
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco John Wesley Harding

“All Along the Watchtower – Take 3 (Alternate Version)”
John Wesley Harding – Take 1 (Alternate Version)”
“As I Went Out One Morning – Take 1 (Alternate Version)”
“I Pity the Poor Immigrant – Take 4 (Alternate Version)”
“I Am a Lonesome Hobo – Take 4 (Alternate Version)”

Bob Dylan: vocais, guitarra e gaita
Charlie McCoy: baixo
Kenneth Buttrey: bateria

13 de fevereiro de 1969
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco Nashville Skyline

“I Threw It All Away – Take 1 (Alternate Version)” (lançada originalmente no The Bootleg Series, Vol. 10: Another Self Portrait)
“To Be Alone with You – Take 1 (Alternate Version)”
“Lay Lady Lay – Take 2 (Alternate Version)” (lançada originalmente como um bônus para quem comprasse o disco Together Through Life na pré-venda)
“One More Night – Take 2 (Alternate Version)”
“Western Road – Take 1 (Outtake)”

14 de fevereiro de 1969
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco Nashville Skyline

“Peggy Day – Take 1 (Alternate Version)”
“Tell Me That It Isn’t True – Take 2 (Alternate Version)”
“Country Pie – Take 2 (Alternate Version)”

Bob Dylan – vocais, guitarra, piano e gaita
Kelton D. Herston, Norman Blake, Charlie Daniels, Wayne Moss (10 & 12): guitarras
Bob Wilson: piano, órgão
Peter Drake: guitarra pedal steel
Charlie McCoy: baixo
Kenneth Buttrey: bateria

Disco 2

17 de fevereiro de 1969
Columbia Studio A, Nashville
The Dylan-Cash Sessions

“I Still Miss Someone” – Take 5 (por Johnny Cash e Roy Cash, Jr.)
“Don’t Think Twice, It’s All Right”/”Understand Your Man – Rehearsal” (por Bob Dylan e Johnny Cash)

18 de fevereiro de 1969
Columbia Studio A, Nashville
The Dylan-Cash Sessions

“One Too Many Mornings – Take 3”
“Mountain Dew – Take 1” (por Bascom Lamar Lunsford e Scott Wiseman)
“Mountain Dew – Take 2” (por Bascom Lamar Lunsford e Scott Wiseman)
“I Still Miss Someone – Take 2” (por Johnny Cash e Roy Cash, Jr.)
“Careless Love – Take 1” (tradicional, arranjada por Bob Dylan e Johnny Cash)
“Matchbox” (por Carl Perkins)
“That’s All Right, Mama – Take 1” (por Arthur Crudup)
“Mystery Train” (por Junior Parker)/”This Train Is Bound for Glory – Take 1″ (por Woody Guthrie)
“Big River – Take 1” (por Johnny Cash)
“Girl from the North Country – Rehearsal”
“Girl from the North Country – Take 1”
“I Walk the Line – Take 2” (por Johnny Cash)
“Guess Things Happen That Way – Rehearsal” (por Jack Clement)
“Guess Things Happen That Way – Take 3” (por Jack Clement)
“Five Feet High and Rising – Take 1” (por Johnny Cash)
“You Are My Sunshine – Take 1” (por Jimmie Davis e Charles Mitchell)
“Ring of Fire – Take 1” (por June Carter e Merle Kilgore)

Disco 3

February 18, 1969
Columbia Studio A, Nashville, TN
The Dylan-Cash Sessions

“Studio Chatter”
“Wanted Man – Take 1”
“Amen – Rehearsal” (por Jester Hairston)
“Just a Closer Walk with Thee – Take 1” (tradicional, arranjada por Bob Dylan e Johnny Cash)
“Jimmie Rodgers Medley No. 1 – Take 1” (Inspirada em “Blue Yodel No. 1 (T for Texas)”, “The Brakeman’s Blues (Yodeling the Blues Away)” e “Blue Yodel No. 5 (It’s Raining Here)”, todas por Jimmie Rodgers)
“Jimmie Rodgers Medley No. 2 – Take 2” (Inspirada em “Waiting for a Train”, “The Brakeman’s Blues (Yodeling the Blues Away)” e “Blue Yodel No. 1 (T For Texas)”, todas por Jimmie Rodgers)

Bob Dylan: vocais e guitarra
Johnny Cash: vocais e guitarra
Carl Perkins: guitarra
Bob Wootton: guitarra
Marshall Grant: baixo
W.S. Holland: bateria

1° de maio de 1969
Ryman Auditorium, Nashville
Ao vivo no The Johnny Cash Show
Originalmente transmitido pela emissora ABC no dia 7 de junho de 1969

“I Threw It All Away” (inclusa no DVD The Best of the Johnny Cash TV Show: 1969-1971, lançado em 2010)
“Living the Blues”
“Girl from the North Country” (inclusa no DVD The Best of the Johnny Cash TV Show: 1969-1971, lançado em 2010)

Bob Dylan: guitarra e vocais
Johnny Cash: guitarra e vocais
Norman Blake e Charlie Daniels: guitarras
Peter Drake: guitarrra pedal steel
Bob Wilson: piano
Charlie McCoy: baixo
Kenneth Buttrey: bateria

3 de maio de 1969
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco Self Portrait

“Ring of Fire (Outtake)” (por June Carter and Merle Kilgore)
“Folsom Prison Blues (Outtake)” (por Johnny Cash)

Bob Dylan: guitarra e vocais
Fred F. Carter e Norman Blake: guitarras
Charlie Daniels: guitarra e baixo
Bob Wilson: piano
Peter Drake: guitarra pedal steel
Charlie McCoy: gaita e baixo
Kenneth Buttrey: bateria
Delores Edgin e Dottie Dillard: vocais de apoio

17 de maio de 1970
Na casa de Thomas B. Allen, Carmel, em Nova York, com Earl Scruggs

“Earl Scruggs Interview”
“East Virginia Blues” (por A.P. Carter) (inclusa no documentário Earl Scruggs: His Family and Friends, de 1971)
To Be Alone with You
“Honey, Just Allow Me One More Chance” (tradicional, arranjada por Bob Dylan)
“Nashville Skyline Rag” (lançada anteriormente no disco Earl Scruggs Performing with His Family and Friends)

Bob Dylan: guitarra e vocais
Earl Scruggs: banjo
Randy Scruggs: violão
Gary Scruggs: baixo elétrico

jupitermaca

E essa versão arrocha de “Lugar do Caralho”?

Sensacional.

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“Dos instagrams às bancadas politicas, quem é que não está pregando sua ideia?”, me devolve a pergunta o cantor e compositor carioca Castello Branco, quando tento traçar um paralelo entre a situação atual do Brasil e seu terceiro álbum, Sermão, que será lançado nesta sexta e pode ser ouvido em primeira mão no Trabalho Sujo. O disco encerra uma trilogia que ele havia imaginado desde o lançamento de seu primeiro disco, Serviço, de 2013, e continuou com Sintoma, em 2017: “Eu tinha uma ideia de que seria assim. Mas não havia certeza, claro. Ter certeza é delicado.”

“Ao longo dos anos, fui construindo uma narrativa sobre educação através do autoconhecimento”, ele continua explicando. “Um tecer que se deu sempre com palavras-síntese começadas pela letra “S” – Serviço, Sintoma e, agora, Sermão – e sempre em anos ímpares. Uma viagem pelo passado, futuro e presente.” Ele o considera seu disco mais provocativo e, de certa forma, é também seu disco mais pop, que mantém a clareza e simplicidade dos trabalhos anteriores, mas soa menos delicado e mais assertivo, ser perder a sensação de acolhimento. “Compus algumas com meu parceiro Lôu Cascudo, primeiro. Depois, fui pra estúdio com meu produtor musical, o Rubens di Souza, e lá, imersos em amor e devoção para com as canções e idéias, realizamos o que hoje é o disco”, lembra.

Apesar do disco sair já, ele ainda está no processo de transformá-lo em show, o que vai levar um tempo – o show de estreia acontecerá em São Paulo, só em novembro. “Estamos justamente nesse momento de conceber isso (o show)”, ele prossegue. “Não é a mesma banda do Sintoma, então muita coisa vai mudar, mas ainda não sei dizer exatamente o quê, estou nesse processo.” Abaixo a capa e o nome das músicas do disco.

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“No Mires Atrás”
“Geral Importa”
“Powerful”
“Fortaleza”
“De Pouquinho em Pouquinho”
“Juntos com Certeza”
“Eu Ouço”
“Cola Comigo”
“Back to Myself”
“Pãma”
“Uma Flecha Para o Futuro”

Oi Beabadoobee

beabadoobee

Filha de pais filipinos, a inglesa Bea Kristi, que atende pelo pseudônimo de Beabadoobee, já entrou em nossos corações ao dizer que queria ser o líder do Pavement em um single que carrega o nome do mestre Malkmus. Mas não basta citar o nome: o senso melódico, as guitarras relaxadas e uma letra evasiva sobre aquela fase da vida em que tudo parece não importar fazem “I Wish I Was Stephen Malkmus” puxar uma cadeira para que a jovem sente-se na mesa da Courtney Barnett.

Ian Curtis sozinho

IanCurtis

Toda a angústia de Ian Curtis, vocalista do Joy Division e um dos ícones do pós-punk, pode ser sentida neste vocal isolado de seu maior hit, “Love Will Tear Us Apart”.

Angel-Olsen

Angel Olsen lança mais uma faixa de seu próximo álbum, All Mirrors, previsto para o mês que vem – e “Lark” é tão deslumbrante e épica quanto a faixa-título que foi lançada como o primeiro single.

Discão à vista, hein?

daniel-johnston-stela-campos

Estava no metrô quando Stela Campos me mandou uma mensagem. “Matias, beleza? No calor da emoção ontem, escrevi um texto sobre a nossa experiência como banda do Daniel Johnston”, ela me lembrou do show que perdi de nosso recém-falecido ídolo indie e por seu texto, pude reviver o momento que não vivi. Uma das grandes fãs de Johnston no país (autora de um EP em homenagem a ele), Stela havia tocado teclado na banda que acompanhou o show que ele fez em São Paulo em 2013 (organizado e bem lembrado pelo Lucio, no obituário escrito para a Folha). “Lembrei de você. Queria te mandar pra ver se você não anima de colocar em algum lugar. Sei lá… Só uma ideia”. Nenhuma ideia é “só uma ideia”, Stela – ou melhor “só uma ideia” às vezes é tudo isso. Por isso, segue a inspirada e tocante lembrança de Stela daquele encontro há seis anos, bem como o melhor registro daquela noite (o curta Devil Town: Daniel Johnston in São Paulo). Johnston é desses artistas que sua mera lembrança é suficiente para que sua importância siga resistindo. Obrigado.

Uma noite para lembrar- some things last a long time

Por Stela Campos

Estávamos em uma passagem de som, daquelas infinitas, tensa. Fazia uma hora que tocávamos sem a certeza de que nosso herói iria ou não testar o som com a gente. Faltavam algumas horas para fazer a apresentação para a qual ensaiamos por meses, sempre imaginando como seria quando ele assumisse de verdade a voz naquelas canções.

De repente, lá vem ele. Meio desengonçado, descabelado, do jeito que achamos que seria, mas passa reto e sem olhar pro lado. Nós no palco nos olhamos com um misto de excitação e medo. Afinal, ali estava ele se materializando na nossa frente. Ao mesmo tempo, o frio na barriga crescia, pois ele nos ignorou solenemente.

Resolvemos que o melhor a fazer era continuar a tocar. A música foi se espalhando pela casa de shows vazia. Ele sentado lá longe, autografando cartazes, começa a escutar. As notas vêm e vão. Então, ele se levanta e caminha em nossa direção, como se estivesse sendo atraído pela sonoridade da própria obra.

Ele sobe no palco, assume o microfone, ainda sem olhar. Diz que não queria tocar o teclado que a produção tinha conseguido para ele. A tensão se espalha. Ele olha para a guitarra do meu companheiro de banda, Adriano, e a pede emprestada. Com orgulho do mito tocar com seu instrumento, meu amigo abre um sorriso. Ele também.

Depois de cantar e tocar duas músicas sozinho, chega a nossa vez. A tensão continua. O irmão dele avisa que pode ser que ele não queira passar música nenhuma e que isso é normal. Começamos a tocar. Minutos depois, ele fecha os olhos. Pouco a pouco, vamos relaxando. A música acontece. De olhos fechados, meio hipnotizado, parece que gosta. Resolve então fazer um show só para a gente. Tocamos todas as músicas que tínhamos ensaiado para o show e mais algumas.

Uma viagem sonora como sempre sonhamos. Para nosso deleite, a passagem parecia não ter fim. Ficamos suspensos naquela comunicação musical sem intervalos. Acabamos muito emocionados com toda aquela sinergia. O irmão, feliz, diz que nem sempre é assim. Naquela época, em todos os lugares por onde ele passava, era acompanhado sempre por uma banda formada por músicos fãs locais. Um privilégio estar entre eles.

No fim da passagem de som, pego um CD com o EP onde gravei cinco músicas dele, em casa, em uma longa noite em 2005. Nunca pensei que um dia poderia entregar isso pessoalmente para ele. Mas, aconteceu. Ele pegou, olhou, olhou e demorou para entender que naquela arte linda, lá estava ele com fitas cassete saindo da cabeça e que eu tinha gravado suas músicas.

Quando percebeu tudo, me deu um abraço apertado e sussurrou coisas no meu ouvido que eu não consegui entender direito. Não importa, a missão de quase uma vida estava cumprida. Saí muito feliz dali. Na hora do show, foi lindo. Deu tudo certo, ele cantou tudo, trocou a ordem de uma música ou outra na hora, mas tiramos de letra. Já tínhamos estabelecido uma conexão musical com ele. A plateia sorveu cada palavra, cada acorde, com muito amor.

No camarim, ele ofereceu pizza e refrigerante para todo mundo. Pacientemente, autografou o cartaz do show que hoje fica pendurado em cima do meu piano. Some things last a long time….

Daniel Johnston: voz, guitarra
Adriano Mitocondrias: guitarra
Andre Pagnossim: guitarra
Alan Feres: Baixo
Vini Pardinho: bateria
Stela Campos: teclado

Três é demais

Quando foi anunciado que Lana Del Rey, Ariana Grande e Miley Cyrus fariam uma colaboração para a trilha sonora do remake de As Panteras, havia uma enorme sensação de balaio de gatos, algo como se a faixa fosse apenas uma desculpa para colocar três cantoras que são propriamente semelhantes num mesmo patamar.

Na prática, é exatamente isso o que acontece, mas tudo tem uma função específica aí. O principal recorte da música – que é boa, mas esquecível – é que Ariana Grande seria a principal cantora pop da atualidade, uma vez que ela é a figura central do clipe, que canta o refrão e que carrega o comunicador com o qual As Panteras ficam sabendo de suas missões. Miley Cyrus entra mais uma vez para mexer em sua marca pública – depois de passar um ano se fazendo de boa moça, ela volta agora fantasiada de boxer, esmurrando agressividade. Mas o que me chamou a atenção foi a inclusão de Lana Del Rey neste time (bem como todo o alarde ao redor de seu novo álbum, como se ele não fosse exatamente o que Lana tem feito nos últimos anos). Em vez de ela surgir diva do pop botando todo mundo pra dançar – o que seria bem estranho da parte dela -, sua parte desacelera o tempo da música para encaixar-se em seu universo hipnótico em câmera lenta. É a única parte da música realmente interessante – pena que é quase no fim e que logo acaba.

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Depois de algum suspense online, o boato tornou-se realidade no fim de semana: o Supergrass havia voltado. Uma das melhores bandas do britpop, o grupo liderado por Gaz Coombes voltou a se apresentar como atração supresa no festival Pilton Party, organizado pelos mesmos criadores do festival Glastonbury. Um setlist enxuto, mas que contou com os principais clássicos da banda:

O show de sexta passada consolidou a formação (agora o grupo é oficialmente um quarteto, com Gaz na guitarra, Danny Goffey na bateria, Mick Quinn no baixo e Rob Coombes nos teclados) e foi o primeiro de uma turnê de volta que será formalizada em 2020 mas ainda contou com um segundo show em 2019 em Oslo, na Noruega, segunda passada. A partir de fevereiro do ano que vem o grupo começa uma turnê que passa por cidades da Europa e dos Estados Unidos (e os ingressos começam a vender nesta sexta-feira).

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A volta do grupo também traz uma caixa reunindo toda sua discografia, com seis álbuns em CD e vinil picture, quatro CDs que incluem shows ao vivo, participações em programas de rádio e shows acústicos, dois CDs com remixes, lados B e raridades, um CD com demos, sobras de gravação e outras raridades, além de um single com remixes feitos em 2020 para “Caught by the Fuzz” e “Richard III”, quatro pôsteres, oito bottons e um livro de 52 páginas. A caixa, batizada de Supergrass: The Strange Ones 1994-2008, começará a ser vendida em janeiro do ano que vem e também terá uma versão reduzida em um álbum duplo, com os melhores momentos da banda.

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E para fechar com chave de ouro essa notícia, o grupo também transformou “Next to You”, do Police, em uma pedrada, indicando que talvez tenhamos músicas novas (ou, pelo menos, novas gravações) nesta volta do grupo.

Bem-vindos de volta! Tomara que colem no Brasil.