O produtor norte-americano Gregg Gillis, mais conhecido como Girl Talk, ressurge depois de anos sem lançar nada com um single ao lado do rapper novato Bas. “Fallin'” é um rap quase clássico, melancólico e bluesy, bem distante dos mashups que o tornaram conhecido.
Mas isso não o impede de faturar com o passado – e ele acaba de colocar seus dois discos mais recentes (All Day, de 2010, e Feed the Animals, de 2008) em pré-venda para o lançamento pela primeira vez em vinil. Queria mesmo era o Night Ripper e o Unstoppable… Será que ele lança?
A vocalista inglesa Romy Madley-Croft pisa fora da igreja indie que fundou para mostrar seu primeiro trabalho solo. O clipe de “Lifetime”, a primeira música que ela mostra fora do Xx, cai na pista de dança com gosto e com estilo, num trabalho surpreendentemente astral, avesso à linha triste e cool de seu grupo original.
Que bela surpresa.
A relativização dos valores morais que está acontecendo no mundo hoje reflete-se inevitavelmente no cinema, quando assistimos a filmes – e também séries e games – que buscam entender as motivações do antagonista ao mesmo tempo em que busca falhas éticas no protagonista. Sem distinguir bem e mal, a produção cinematográfica recente parece dissipar estas fronteiras à medida em que personagens outrora vilanescos ganham contornos de herói. Eu e André Graciotti discutimos esta tendência e nos perguntamos sobre como isso se reflete de volta na sociedade como um todo.
Ouça Janis Joplin cantando “Me & Bobby McGee” em uma versão demo gravada meses antes de ela morrer, sozinha, apenas cantando e tocando violão, para lembrar-se porque ela é uma das maiores cantoras de todos os tempos.
Que mulher!
A sensação indie filipino-britânica Beabadoobee mostra mais uma música de seu próximo álbum Fake It Flowers, que sairá em duas semanas, a delicada “How Was Your Day?”. Sem a pegada mais rock dos singles anteriores, a balada se sobressai justamente por sua fragilidade, mostrando apenas com voz e violão, todo o senso pop que já havia exibido com riffs e refrões.
Os Beastie Boys liberaram a íntegra de seu último show, quando encerraram o festival norte-americano de Bonnaroo em 2009, apenas para este fim de semana, por isso aumente o volume. E ao contrário da maioria dos últimos shows, este não tem uma vírgula de melancolia – o grupo está com a energia no talo e o característico altíssimo astral, sem fazer ideia que um deles, MCA, não estaria mais entre nós em poucos anos, encerrando prematuramente a carreira do nosso trio favorito. O show repassa toda a carreira do grupo, que vai do hardcore ao soul jazz, passando por pedradas clássicas de rap (boa parte delas recriadas por Mix Master Mike, também afiadíssimo) e a participação inesperada do mano Nas. E quantas bandas conseguem fazer um bis tão forte quanto com “Intergalactic”, “Three MC’s and One DJ” e “Sabotage” e incluindo uma versão folk para um semihit punk deles mesmos? Que banda!
“The Biz vs. The Nuge”
“Time for Livin'”
“Super Disco Breakin'”
“Sure Shot”
“No Sleep Till Brooklyn”
“Shake Your Rump”
“Gratitude”
“Sabrosa”
“Egg Raid on Mojo”
“Body Movin'”
“Pass the Mic”
“Root Down”
“Too Many Rappers”
“Paul Revere”
“Ricky’s Theme”
“Something’s Got to Give”
“Tough Guy”
“Remote Control”
“So What’cha Want”
Bis:
“Intergalactic”
“Three MC’s and One DJ”
“Heart Attack Man” (com Country Mike)
“Heart Attack Man”
“Sabotage”
O canal isolado da guitarra de David Gilmour na clássica faixa “Echoes”, épico de 23 minutos que define o rumo da segunda e mais importante fase do Pink Floyd, revela as sutilezas e forças do instrumento elétrico no que vão muito além do solo apaixonado, do riff incisivo ou dos sons de gaivotas alienígenas do final. Gilmour exibe todo seu domínio do instrumento e pode-se ouvir, er, ecos do resto da discografia de seu grupo apenas nesse momento único: o lirismo do Dark Side of the Moon, a tristeza de Wish You Were Here, o ritmo de Animals, o peso do The Wall.
Guitar hero é pouco.
O grupo indie Shins lança “The Great Divide” com um clipe épico dirigido por Paul Trillo que viaja anos-luz pelo espaço sideral para atravessar eras geológicas na Terra. Bem bonito.
Mas erá que tem disco novo da banda de James Mercer vindo aí?
O grupo indie norte-americano Grandaddy libera mais uma faixa da versão de quarentena de seu The Sophtware Slump, que completa 20 anos em 2020. The Sophtware Slump…..on a Wooden Piano faz parte de uma edição comemorativa do disco, que ainda inclui demos, sobras de estúdio e dois EPs que nunca saíram em vinil, além do disco original remasterizado, que sai em novembro (e já está em pré-venda). E depois de mostrarem “Jed’s Other Poem (Beautiful Ground)”, agora é a vez do hit “The Crystal Lake” ser reinventado por Jason Lytle nesta versão solitária.
De chorar.
Não bastasse ter feito seu melhor disco em décadas em 2020, o mestre Bob Dylan ressuscitou seu programa Theme Time Radio Hour nesta semana para falar de uísque – uma vez que ele mesmo está lançando sua própria marca da bebida, chamada de Heaven’s Door. “Eu não vou criar uma confusão sobre isso, porque se eu ficar falando em como ele é bom, é como se eu tentasse fazer cócegas em mim mesmo, não funciona! Você tem que prová-lo e ele fala por si”, vende bem o apresentador. O programa tem a introdução feita por Diana Krall e pega um Dylan inspiradíssimo, super tranquilo e com uma voz macia, feliz por comentar as histórias de cada música – é tão bom que me faltam palavras. O programa foi transmitido pela rádio norte-americana SiriusXM na segunda passada e já caiu na internet (contando, inclusive, com seu texto inteiro transcrito em duas partes). Sem contar a sonzeira que Dylan coloca pra tocar… Willie Nelson, Tom Waits, Frank Sinatra, Van Morrison, Lotte Lenya, Rod Stewart, Louis Armstrong, Thin Lizzy, Stanley Brothers, Julie London, Alfred Brown, Laura Cantrell, Charlie Poole e a lista segue só com músicas sobre a melhor bebida alcóolica que existe.
E o programa ainda tem participações de John C. Reilly, Sarah Silverman, Liam Clancy, Allison Janney, Jenny Lewis e o Penn da dupla Penn & Teller. Podia ter um desses toda semana, né? Todo mês, vai!









