Dos grandes nomes do jornalismo cultural deste século, o pernambucano GG Albuquerque sempre misturou crítica musical, reportagem e edição, aos poucos afunilando sua produção ao redor da cultura periférica, primeiro de sua cidade-natal, e depois para o resto do Brasil. Dono dos blogs O Volume Morto e do podcast Embrazado, ele está prestes a dar um importante passo em sua carreira, ao liderar um portal de notícias batizado a partir de seu podcast, que, por sua vez já foi uma festa. E na semana em que ele sobe um degrau considerável em sua biografia, o chamo para conversar sobre música, jornalismo, vanguarda e o Brasil em 2020.
O Yo La Tenbo, nosso trio indie favorito, libera mais uma faixa do EP de versões que lançarão no mês que vem. Sleepless Night foi gravado para uma exposição do artista japonês Yoshitomo Nara, fã do grupo nova-iorquino, que escolheu com eles versões de músicas para tocar em sua exposição de retrospectiva no Los Angeles Country Museum of Art este ano. E além de músicas de Dylan, Flying Machine, Delmore Brothers, Ronnie Lane e dos Byrds (a primeira faixa que eles já mostraram do disco, “Wasn’t Born To Follow”), o grupo gravou a inédita “Bleeding”, que eles acabam de tornar pública.
O disco será lançado no mês que vem e já está em pré-venda.
Que maravilha essa versão para “Waving, Smiling” que nossa musa Angel Olsen gravou quando passou pela capital francesa no ano passado para o canal La Blogothèque, música que ela só revelou esse ano quando mostrou as demos de seu ótimo All Mirrors no frágil e poderoso A Whole New Mess que lançou há algumas semanas.
Angel Olsen, Paris e um violão – que mais, né?
A tristeza é inerente aos nossos dias ou ela nos foi imposta como uma grande mensagem subliminar nas últimas décadas? Na nova edição do Altos Massa, eu e Pablo mergulhamos na transformação das metas de nossas vidas, falando sobre como a felicidade deixou de ser um horizonte possível para abrir espaço para sua negação como regra e assim lembramos dos tempos da hiperinflação, falamos da diferença entre gerações, da descoberta da internet, da cultura do cancelamento e outros assuntos de alguma forma correlatos a essa sensação melancólica que atravessa nossos dias.
O papo sobre cinema adolescente do programa passado fez que eu e André Graciotti voltássemos para um novo clássico: Scott Pilgrim contra o Mundo, que Edgar Wright lançou há dez anos. Com um elenco irrepreensível, uma adaptação nada óbvia e uma direção a rédea curta, o filme inspirado no quadrinho do canadense Bryan Lee O’Malley é um filme que melhora a cada nova visita e motivo para nos empolgarmos para celebrar a obra-prima de seu diretor.
O mago da microfonia Lee Ranaldo volta a colaborar com os Cribs treze anos depois de seu lendário spoken word sobre uma das melhores faixas do grupo, “Be Safe“, gravada em 2007. Gravando seu novo disco, a banda inglesa dos irmãos Jarman aproveitou a quarentena para retomar o contato com o velho Sonic Youth, que desta vez preferiu empunhar seu instrumento em vez de soltar a voz. E deixa sua guitarra rugir por toda a extensão de “I Don’t Know Who I Am”, a primeira faixa do disco Night Network, programado para ser lançado em novembro – e já em pré-venda.
Aliás, o disco foi anunciado em junho, quando o grupo liberou sua primeira gravação ao vivo em dois anos justamente se reunindo – à distância – com o próprio Lirra, regravando a faixa que os uniu pela primeira vez.
Ficou demais – e não tire o olho da participação do filho do baterista Ross.
Partimos de um tema objetivo – as novas regras para concorrer ao Oscar do ano que vem – para aquela discussão aleatória que tanto apraz a mim e ao Dodô Azevedo, a deixa para falarmos sobre a publicidade como magia, Gramado decolonizada, a transformação do teatro no Rio de Janeiro, o melhor filme do Tim Burton, redes sociais, o fim do Vídeo Show, Picasso e a África, a liberdade de esquecer, o Dog Day Afternoon negro, como a geração anos 80 não se impôs, a terceira temporada do CliMatias, a garota do Tang, macropolítica e micropolítica, sem destilar ódio e sem milhões de views – tudo sem necessariamente sair do tema.
Produtor visionário e compositor sem fronteiras, Brian Eno traçou uma carreira paralela compondo músicas para filmes, passeando entre os limites da canção e da trilha sonora original, enquanto compunha para filmes tão diferentes quanto o Duna de David Lynch, Trainspotting, Fogo contra Fogo de Michael Mann, Além das Nuvens do Antonioni e De Caso com a Máfia, do Jonathan Demme. Agora este flanco de sua carreira é reunida na coletânea Film Music 1976-2020, que será lançada em novembro e já está em pré-venda. Para anunciar o disco, Eno pinçou “Ship In A Bottle”, do filme de Peter Jackson Um Olhar do Paraíso.
Abaixo, a capa da coletânea e a ordem das músicas:
“Top Boy (Theme)”
“Ship in A Bottle”
“Blood Red”
“Under”
“Decline and Fall”
“Prophecy Theme”
“Reasonable Question”
“Late Evening in Jersey”
“Beach Sequence”
“You Don’t Miss Your Water”
“Deep Blue Day”
“The Sombre”
“Dover Beach”
“Design as Reduction”
“Undersea Steps”
“Final Sunset”
“An Ending (Ascent)”
Lembro que quando Luiza Lian me chamou para escrever o texto de apresentação de seu ótimo Azul Moderno, ela já estava produzindo os clipes para o álbum – e o primeiro que começou a ser produzido, que sabia-se que não seria o primeiro da fila (escolhendo o subaquático curta da faixa-título para mostrar o disco), foi o da deliciosa “Geladeira”, todo feito a partir de fotografias analógicas. E é muito sintomático que tenha sido ele o escolhido para fechar o ciclo do disco, ainda mais que sua letra ainda acaba refletindo a sensação estranha deste 2020, e agora finalmente ela lança essa última página de seu disco, dois anos depois de seu lançamento.
Agora é saber o que ela fará a seguir…
Às vésperas do lançamento da versão deluxe para o clássico Pleased To Meet Me dos Replacements, a gravadora Rhino repete uma graça que o grupo fez há tempos ao lançar o clipe de “Can’t Hardly Wait” com as mesmas cenas feitas para um vídeo da faixa “The Legder”, que seria lançado ainda em 1987, mas que foi engavetado porque a música não foi aprovada pela MTV, sendo reutilizado no clipe de “Alex Chilton”, do mesmo disco, que a banda lançaria anos mais tarde. Primeiro, a nova versão, que também ganhou uma remasterização visual.
Depois as duas versões anteriores:
A nova versão de Pleased to Meet Me chega ao público no próximo mês e já está em pré-venda.










