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Durante muitos anos, adaptações de outras mídias, continuações e refilmagens minaram a criatividade e as histórias originais dos filmes mais comerciais do mundo, mas isso acabou vilanizando um dos principais exercícios cinematográficos que existem: o remake. Recriar um filme em outra época é da natureza do próprio cinema e vai para além das simples citações e referências. Refilmagens nos mostram clássicos antigos, releituras autorais e filmes que passaram batido sobre contextos novos e mais desafiadores – e é claro que tem muita bomba no meio, não dá pra mentir. Mas entre Scarface e Vanilla Sky, Gaiola das Loucas e Os Infiltrados, Bravura Indômita e Oldboy, Cabo do Medo e Robocop, mostramos que há vida inteligente na recriação de títulos do passado.

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Sharon Van Etten mostra a “Let Go”, canção que fez para o documentário Feels Good Man, que acaba de estrear na PBS norte-americana (veja o trailer aqui) e que conta a trágica história de Pepe, um sapo personagem de quadrinhos que há dez anos começou a ser utilizado como símbolo da extrema-direita. Melancólica e densa na mesma medida, “Let Go” tem várias camadas e é sua primeira composição inédita que lança desde Remind Me Tomorrow, o ótimo disco que lançou no ano passado.

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“Eu sonhei com essa música cantada por um coro, desses característicos de terreiros de candomblé, acompanhado por tambores vibrantes, uma coisa linda”, lembra Zé Manoel ao falar sobre “Adupé Obaluaê”, single que antecipa seu próximo álbum, Do Meu Coração Nu, que chega às plataformas digitais na próxima sexta. “Acordei com a música reverberando… ‘Adupé meu pai Obaluaê… ‘ Na mesma hora peguei o celular e gravei a música, já acompanhando com o piano da forma que toquei na gravação do disco.” A faixa, como o disco, tem produção do baiano Luisão Pereira, que também toca o baixo da música e conta com arranjo de sopros escrito pelo maestro Letieres Leite. “É a faixa mais importante do disco”, conta o pianista pernambucano, “por isso resolvemos abrir os trabalhos com ela”, conta Zé Manoel.”

Salve!

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Eis a íntegra da apresentação do Metá Metá, a melhor banda do Brasil, dentro da programação do Sesc Ao Vivo, sexta passada. Não tem o apuro visual da direção da live que fizeram na Casa de Francisca, mas é Juçara e um microfone, Thiago e seu sax, Kiko e seu violão – não precisa de mais que isso pra que eles estremeçam o chão, sempre.

“Exu”
“Vale Do Jucá”
“São Jorge”
“Ossanyn”
“Atoto”
“Samuel”
“Trovoa”
“Sozinho”
“Let’s Play That”
“Na Multidão”
“Tristeza Não”
“Vias De Fato”
“Obá Iná”
“Obatalá”

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O guitar hero da banda sergipana The Baggios, Julico Andrade, está quase lançando seu primeiro disco solo, Ikê Maré, que sai no final do mês. Além das três músicas que já mostrou, ele lança “São Cristóvão Via Niger”, o último single antes do lançamento do disco, este em parceria com a cantora conterrânea Sandyalê, em que reforça a transição do rock para o groove brasileiro dos anos 70, com uma pitada de soul gringo e outra de psicodelia, que já tinha sido sinalizada no single em parceria com Curumin (“Todo Dia É Santo”).

Ele aproveita para antecipar em primeira mão para o Trabalho Sujo tanto a capa do novo disco (que ilustra o post), como a ordem das faixas (abaixo).

“Ikê Maré”
“Nuvens Negras”
“Aonde Viemos Parar”
“Todo Dia É Santo” (com Curumin)
“Eu São / Curtis Says”
“Surfista DeTrem”
“Caípe Novo”
“Outrora”
“Paramopama / Vaza-Barris” (com Winnie)
“Rosimari”
“Pelejamor”
“São Cristóvão Via Niger”(com Sandyalê)
“Caípe Velho”

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A bela balada “Via Láctea” o primeiro registro fonográfico de Céu, um ano após o lançamento de Apká!, seu disco mais recente, e também o primeiro registro de Liniker sem os Caramellows, uma vez que ela tirou 2020 para se lançar em carreira solo. A produção da faixa reúne Pupillo e Márcio Arantes.

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Que maravilha esse Fake it Flowers que a sensação indie inglesa Beabadobee acaba de lançar – cumprindo exatamente o que prometia desde que apareceu em nosso radar querendo ser Stephen Malkmus. Ela reúne a doçura e o peso que os anos 90 tão bem juntaram, fazendo-os voltarem a fazer sentido juntos 20 anos depois – longe dos arremedos passados de cenas tão diferentes quanto os emos e os nu metal. E a perspectiva histórica mistura Alanis Morrissette, Hole, Smashing Pumpkins, Pavement, Foo Fighters, Sugar, Verucca Salt e Elastica como um mesmo caldo musical histórico, que funciona maravilhosamente sobre suas doces e inquietas canções. O show que ela fez ao vivo para comemorar o lançamento do disco – com suas flores de plástico espalhadas entre a banda lembrando o Acústico do Nirvana e uma garota no baixo – só reforça essa sensação.

Quem estava esperando a volta dos anos 90 mesmo? Tá aí. Não vejo a hora de ela encontrar com a Courtney Barnett…

radiocast

Fui chamado pelo pessoal do Radiocast, podcast do festival baiano Radioca, para fazer uma provocação para os convidados da edição de sexta passada, quando Caio Braz, Josyara e Martín Giraldo discutiram a relação entre música e redes sociais nesta virada de década. Minha fala rola aos 54 minutos, mas o papo inteiro, com mediação de Carol Morena e Ronei Jorge, vale à pena ser ouvido.

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Em 2014, o grupo sueco The Knife fez a trilha sonora para o espetáculo de dança Europa Europa, apresentado pelo conterrâneo grupo FUL, um protesto grandioso contra as políticas antiimigração e contra a xenofobia que, se já era uma realidade no velho continente há seis anos, estão ainda mais presentes neste tenso 2020. Justamente por isso, o grupo resolveu abrir as fronteiras digitais do clipe da canção “För Alla Namn Vi Inte Får Använda” (que pode ser traduzido livremente como “Pelos nomes que não podemos usar”), que estava antes restrito ao YouTube sueco. Cantada no idioma do grupo, é mais uma bordoada ao mesmo tempo pop e estranha, como é característico da dupla dos irmãos Karin e Olof Dreijer.

Oi Lana Del Rey

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Mal lançou seu áudio-livro Violet Bent Backwards Over The Grass e nossa querida Lana Del Rey já começa a mostrar trabalho – na verdade, ela anunciou logo que lançou o festejado Norman Fucking Rockwell no ano passado que já tinha outro disco pronto e que iria lançá-lo em 2020. Eis que agora, sem antecipar nada, ela saca a bela balada “Let Me Love You Like A Woman”, mais uma vez produzida por Jack Antonoff e começa a mostrar Chemtrails Over the Country Club.

Não duvide que venha outro discão por aí…