
Mais uma segunda-feira ao lado de Lulina dentro de sua temporada Decantar e Decompor no Centro da Terra e mais uma vez ela nos leva para este lugar entre a infância e o sonho que suas canções apontam a partir desta formação que ela criou. Conduzida pelo baixo do maestro Hurso Ambrifi (perseguido de perto pelos beats de Bianca Predieri), essa atmosfera ganha cores e texturas noturnas e oníricas graças aos synths de Chiquinho Moreira e Katu Haí (que adiciona uma camada extra de sonho quando toca flauta ou flugelhorn) e pela guitarra delicada de Lucca Simões, que espalha notas delicadas sobre as bases tocadas pela compositora pernambucana. A noite ainda teve um momento pistinha, quando Lu conseguiu fazer o povo levantar-se das cadeiras para dançar, e contou com a presença de Fabrício Corsaletti cantando e recitando um poema, ajudando a elevar a atmosfera sensível de mais uma segunda dessas…
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Imagine um festival reunindo Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethania, Elis Regina, Jorge Ben, Gilberto Gil, Nara Leão, Wilson Simonal, Vinícius de Moraes, Toquinho, Raul Seixas, Jair Rodrigues, Wilson Simonal, Erasmo Carlos, Jorge Mautner, Jards Macalé, Sergio Sampaio, MPB4, Wanderléa, Odair José e muitos outros artistas no auge da ditadura militar dos anos 70 — e também da chamada MPB? O Phono 73 aconteceu há 50 anos, quando, nos dias 11, 12 e 13 de maio de 1973, o Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, foi inaugurado com este elenco estelar, que fazia parte da principal gravadora do gênero à época, a Phonogram, liderada pelo visionário André Midani. Foi ele que vislumbrou um festival em que os artistas nao competiam e sim colaboravam, gerando encontros históricos como o que fez Gil e Chico criar o hino antiditadura “Cálice” (que nao foi tocado por censura prévia, fazendo com que o baiano mostrasse a música dias depois no histórico show que fez na USP, poucos dias depois), que reuniu Caetano Veloso e Odair José para cantar a polêmica “Eu Vou Tirar Você Deste Lugar” (um dos primeiros hits do segundo, sobre prostituição) e colocou Gil e Jorge Ben para tocar juntos pela primeira vez a clássica “Filhos de Gandhi”. O festival foi registrado para se transformar em filme, mas infelizmente pouco mais de meia hora sobreviveu ao tempo. Felizmente esse pouco que sobrou foi parar no YouTube, para nossa alegria. Saca só.
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Enquanto a China chega no topo, um confronto direto na Europa e a recessão nos Estados Unidos faz todo mundo voltar a falar sobre Guerra Fria, eu e Tomaz Paoliello aproveitamos esse gancho para falar sobre o que é este tipo de conflito e porque ele é melhor caracterizado pelo clima que vivemos entre o fim dos anos 50 e o começo dos anos 90 em nosso programa sobre política internacional. E a partir desta reflexão jogamos a luz em 2023 para tentar entender se o que estamos vivendo é uma reedição requentada deste período original ou se pode ser chamada de outro nome…
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Mais uma quarta-feira de cinema no Centro da Terra, graças à parceria que fizemos com o festival In Edit, que acontece no mês que vem! Neste dia 10, a sessão de cinema no teatro do Sumaré exibe o filme de Helder Lopes e Cláudio Bezerra que conta a história de um dos grandes nomes do baião. Onildo Almeida – Groove Man mostra a vida de seu principal personagem, que foi parceiro de Luiz Gonzaga e Gilberto Gil, sempre atuando no meio artístico. O filme começa a ser exibido a partir das 20h, os ingressos podem ser comprados neste link e o trailer pode ser visto abaixo.
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A estreia do projeto Rotunda – formado pelos cariocas Bella, Thiago Nassif e Cláudio Britto – aconteceu em São Paulo pois os dois primeiros vieram morar na cidade depois do período pandêmico. Criado durante a turnê que Nassif fez pela Europa no ano passado, quando foi acompanhado de Bella e Cláudio como integrantes de sua banda, o trio mistura as origens musicais de cada um de seus integrantes a partir da conexão entre células de som – boa parte delas vindo do samba, devido à presença de Brito, percussionista analógico e digital. A guitarra de Thiago, que por vezes pega o violão, também cai no samba, mas em muitos momentos trabalha no território oitentista em que afiou seu instrumento, entre o noise, a música latina, o pós-punk e o funk. Ligando os dois vêm as texturas sonoras de Bella, que também deixa cair no suíngue quando puxa seu synth bass completando o trio – e ela inclusive chega a cantar. Este primeiro show que aconteceu na terça no Centro da Terra marca a reta final da gravação do primeiro disco do grupo e contou com a participação de Negro Leo, que começou tocando um piano dissonante no escuro e logo assumiu o violão para engatar essa improvável – e contagiante – roda, ou melhor, rotunda, de samba.
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Lulina começou sua temporada Decantar e Decompor no Centro da Terra revirando um baú de inéditas – e fez isso com uma formação inédita que parece sempre ter sido a banda com quem ela se apresentou: os synths do mombojó Chiquinho Moreira (com quem a cantora gravou um disco de ficção científica durante a pandemia) se misturavam com os teclados de Katu Hai (que por vez tirava uma flauta transversal ou um flugelhorn milimetricamente inserido em algumas canções), criando uma cama de textura sonora que encaixava-se perfeitamente à base formada pelo baixo sinuoso de Hurso (com quem, por sua vez, Lu gravou um disco de amor no mesmo período) e pelo ritmo mínimo e preciso da baterista Bianca Predieri. Salpicando discretas notas de eletricidade, o guitarrista Lucca Simões deixava Lu livre para reger a banda apenas com os acordes claros de sua guitarra e suas apaixonantes, doces e irônicas canções – não sem antes brincar com a estreia de uma guitarra eletrônica com quem tocou duas músicas. O convidado desta primeira noite foi o cantor paraense Bruno Morais, com quem Lulina tocou uma de suas primeiras canções (“Outra história de Shan Lao”, do disco Acoustique de France, de 2001), a canção de Lulina que ele gravou em seu Poder Supremo (“Cores”) e finalizando com uma versão deslumbrante pra uma das músicas mais bonitas desta compositora pernambucana que tanto amamos, “Nós”.
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Redondinho os shows que os Pelados fizeram neste fim de semana no Sesc Avenida Paulista. Tocando na ordem e na íntegra seu disco mais recente, o sensacional Foi Mal, o quinteto paulistano entregou-se ao delírio idílico indie encapsulado no disco do ano passado, mostrando todas as cores de pérolas como “Coquinha Gelada After Sex”, “A Linha Tênue Entre Gostar e Não Gostar”, “Foda Que Ela Era Linda”, “Julho de 2015”, “Música de Término” e “Yo La Tengo na Casa do Mancha”, tocadas com o entrosamento típico de uma banda de garagem: Manu Julian completamente entregue à canção, Vicente Tassara deixando baixar a vibe de guitar hero anos 90, enquanto a bateria e o baixo de Theo Cecato e Helena Cruz estavam completamente sintonizados, temperados pelos timbres retrô do moog Lauiz Orgânico. Entre piadas infames e diversos pedidos de desculpas que ecoavam o nome do disco, o quinteto foi acompanhado pelo guitarrista Thales Castanheira, aumentando o volume e a parede de microfonia, sem que isso tirasse a doçura e a complexidade de canções-chave. Entre as faixas do disco (incluindo uma versão Pixies para “Ser Solteiro é Legal!!!”), eles ainda tocaram uma música do disco anterior, uma versão para uma música do disco solo de Lauiz e uma inédita, aos poucos apontando os próximos passos. Com pouca conversa entre as músicas – papo que quase sempre ficou a cargo seu humor larrydavidiano do tecladista Lauiz e -, o grupo mostrou que está cada vez mais coeso musicalmente, funcionando como um mesmo organismo com a pressão e ruído necessários (e consequentes leveza e melodia) para uma banda de sua estirpe. Fico imaginando essa apresentação num inferninho…
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Estava devendo essa conversa com a Sara Não Tem Nome há um tempo, desde antes de seu disco mais recente, A Situação, ter sido lançado. Sempre conversei com ela sobre seu processo criativo depois do ótimo Ômega 3 e tentamos algumas vezes gravar esse papo para o meu programa sobre música brasileira Tudo Tanto. Só conseguimos nos acertar depois do disco ter sido lançado – e ela fala sobre a conclusão deste processo e como isso se deu durante o período pandêmico e num governo de extrema-direita. Ela também aproveita para falar sobre seu mestrado, sobre mulheres multiartistas, e como isso influenciou este seu trabalho.
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ALERTA DE SPOILER sobre o show do Cidadão Instigado tocando o Dark Side of the Moon do Pink Floyd na íntegra que o grupo está apresentando nessa sexta e sábado no Sesc Ipiranga.
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Nesta quinta-feira teve mais um show solo da Sophia Chablau, mas antes de comentar sobre a apresentação, queria dar os parabéns ao novo Bona. A intimista casa de Pinheiros mudou de endereço e de proporção devido à especulação imobiliária e por mais que as novas instalações (120 pessoas sentadas, com direito a mezanino e um pé direito gigante) pareçam dar outra escala para a aura original, o casal Manu e Kiko conseguiu manter a aura original, que vai desde a luz indireta à decoração do palco, que agora tem dezenas de metros de largura, mas ainda mantém-se próximo. Longa vida ao novo Bona, que ajuda a minha vizinhança a ficar ainda melhor. Sophia foi a segunda atração desta nova fase da casa e cantou várias músicas que está compondo em sua recente carreira solo ao mesmo tempo em que não abandonou parte do repertório que apresenta com sua banda, a Enorme Perda de Tempo. E por mais que tenha feito todo o show praticamente sozinha, ela trouxe participações que levaram o show para outra dimensão, a começar pela participação do pai Fabio Tagliaferri, passando pela improvável (e deliciosa) dupla com Bebé Salvego, que inclusive tocou uma música inédita de seu próximo disco e um hit do Negro Leo, e por Ana Frango Elétrico, que produziu o primeiro disco da banda de Sophia, transformando uma apresentação solitária numa imensa demonstração pública de afeto.
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