
Não é a primeira vez que isso acontece e a gente sabe que o resultado sempre solta faísca, como é o caso desse remix para “America Has a Problem”, do soberbo Renaissance, que apareceu do nada neste fim de semana, colocando Kendrick para rimar no início de uma das faixas mais pontiagudas do disco. Convenientemente, ele surge quando Beyoncé começa a embicar sua turnê para seu país-natal, indicando que Kendrick – e talvez outros artistas – façam aparições em seus shows. Imagina…
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Agora sim o C6Fest disse a que veio. Depois de um primeiro dia irregular (pouco público, atrações que não empolgaram tanto e pouca circulação entre o público de diferentes palcos, o que não valorizava a ótima estrutura do evento), o festival feito pelo time que criou o Free Jazz e o Tim Festival em outras aeons mostrou não só que está disposto a entrar de vez no mapa cultural de São Paulo como superou quaisquer outros festivais realizados por aqui desde os tempos do saudoso Planeta Terra. A utilização dos espaços do Parque Ibirapuera e um elenco ousado e pouco trivial transformou o festival em uma experiência única, que talvez só pecasse pela falta de sinalização entre o Auditório do parque e a área comum em que se localizavam outros dois palcos, maior distância a ser percorrida pelo público – ou será que monitores humanos usando lâmpadas e megafones para apontar o caminho são mais eficazes do que placas bem posicionadas?
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E quem entregou o título de doutor honoris causa da Juilliard School nessa sexta-feira para o nosso Hermeto Pascoal foi Wynton Marsalis, que fez um discurso apaixonado para o bruxo.
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Enquanto rumores cogitam a possibilidade um show do Blur no Brasil esse ano, a banda inglesa anuncia seu nono disco gravado em estúdio. The Ballad of Darren, que será lançado no dia 21 de julho, é descrito por seu vocalista Damon Albarn como “um disco após o choque, que reflete e comenta onde estamos hoje.” O disco foi apresentado com a bela “The Narcissist”, que eles lançaram esta semana.
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Que maravilha poder conversar com um novo baiano! Paulinho Boca de Cantor saiu da pandemia, quando perdeu seu grande irmão Moraes Moreira, com Além da Boca, um disco em que colabora com novos parceiros, reunindo diferentes gerações da música brasileira, como Anelis Assumpção, Gustavo Ruiz, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Luiz Galvão, Curumin, Edgard Scandurra, Pedro Baby, Davi Moraes Manoel Cordeiro, Jorginho Gomes, Tim Bernardes e Biel Basile, produzido por seu filho, o grande baixista e pesquisador musical Betão Aguiar. Aproveitei o papo para pedir para que ele traçasse um paralelo da época sombria em que os Novos Baianos surgiram com os dias trevosos que atravessamos, além de falar sobre o show que fará nesta sexta-feira, no Sesc Pinheiros.
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Apesar de ambos serem octagenários, Jards Macalé e João Donato, que apresentaram-se nessa quinta-feira na Casa Natura Musical, são de gerações diferentes. Gravaram juntos há quase dois anos o sensacional Síntese do Lance completamente entrosados, mas os oito anos que os separam eram uma era geológica quando começaram na música – Jards ainda estava aprendendo a tocar seu violão quando Donato já se esbaldava na vida noturna carioca com seu piano. O ponto em comum, relembrado pelos dois, era João Gilberto: um dos primeiros ídolos de Jards tocava nos mesmos palcos que também se apresentava o tecladista acreano quando nem bossa nova existia e a aura do velho baiano pairava sobre a apresentação que fizeram juntos – num momento central do show, literalmente, quando Jards invocou o fantasma de João quando telefonou para seu velho número e recebeu uma canção postumamente (“Um Abraço do João”) seguido de uma canção de Donato que teve sua letra escrita por João (“Minha Saudade”). O entrosamento dos dois músicos era patente, mas a idade faz com que os dois não atravessem toda a apresentação juntos, fazendo sets solo ao lado dos músicos que os acompanhavam (o baixista Guto Wirtii, o baterista Renato Massa Calmon, o trumpetista José Arimatéia e o trombonista Marco Aurélio Tiquinho). Mas o bom mesmo era quando Jards e Donato estavam no palco ao mesmo tempo, celebrando uma música brasileira que ajudaram a transformar. Foi foda.
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Resolvi falar de cinema no meu programa de entrevistas Bom Saber, mas não especificamente de filmes, produções, clássicos e lançamentos, mas do ambiente da sala de cinema e como ele vem se transformando – mesmo antes da tragédia pandêmica – e para isso convidei a curadora do Cineclube Cortina, Letícia Santinon, para falar sobre hábitos do público, a ameaça do streaming, o conceito de cineclube, a diferença entre curadoria e programação e também de seu trabalho à frente do Cortina, além de falar de sua trajetória no audiovisual e uma novidade que ela apresenta em primeira mão neste papo.
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Dois chuveiros que se encontram sob uma textura retrô. A letra da canção “Banho de Sal” ganha tons surrealistas no clipe que o jovem maestro Bruno Bruni escolheu para encerrar o ciclo de seu segundo disco, Broovin 2, que foi lançado durante a pandemia. “Essa música nasceu num período em que as parcerias musicais só tavam funcionando online”, lembra o músico. “Eu tinha essa música parada e mandei para a Ana Passarinho criar qualquer coisa em cima, meio sem compromisso. E ela acabou criando essa letra, que me pareceu super sincera sobre o momento que a gente tava vivendo – e a melodia que ela criou é foda. Pra mim essa música é sobre a necessidade de dar um banho na alma – e foi daí que o Tom Vouga, que dirigiu o clipe, tirou a idéia da trama entre chuveiros! Eu demorei pra entender até ver a fantasia pronta.” O clipe deste groove jazz funk estreia em primeira mão no Trabalho Sujo, explicando que o clipe foi filmado em VHS para passar uma “camada de verniz festa no McDonalds de millenial” e tornar o resultado final mais afetivo.
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Mais uma quarta-feira no cinema no Centro da Terra, graças à parceria que fizemos com o festival de documentários In Edit que traz, toda semana, uma cena ou personagem clássico ou desconhecido de nossa música para a tela do teatro no Sumaré. A atração desta semana é o filme Pipoca Moderna, de Helder Lopes, que acompanha o último remanescente da formação original da Banda de Pífanos de Caruaru, o lendário Sebastião Biano, que continuava nos palcos à época do lançamento do filme, em 2019, depois de ter completado um século de vida. No longa, o diretor acompanha a atual fase do grupo, formada por familiares do músico centenário, que faleceu em 20222, em viagens pelo interior de seu estado-natal, Pernambuco, entre shows e reencontros com amigos e parentes. O filme começa a ser exibido a partir das 20h, os ingressos podem ser comprados neste link e o trailer pode ser visto abaixo.
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Casa lotada para assistir à primeira apresentação do trabalho solo de Gabriel Milliet, que estreou em público canções que vem reunindo há mais de cinco anos, quando mudou-se para a Holanda. De volta ao Brasil, reuniu-se com a pianista Stephanie Borgani e o baterista Biel Basile para uma noite delicada e sensível, divindo por vezes as canções com seus convidados – por vezes era acompanhado apenas do piano e da linda voz de Stephani e por outras apenas pela percussão sutil de Biel. Na maior parte da apresentação, contudo, ele estava sozinho no palco, cantando músicas que falam sobre a saudade de estar longe dos amigos, de sua zona de conforto e do Brasil, revezando-se entre o violão, a guitarra, o teclado e a flauta, usando o sintetizador como uma forma de acompanhar-se a si mesmo e fazer as transições entre as canções. Um show redondinho, pronto para ganhar corações pelo Brasil.
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