
Foto: Thaís Mallon (Divulgação)
“Que noite mais sem fim”, lamenta Gaivota Naves em “Sobressaltos”, música que a banda brasiliense Joe Silhueta lança nesta quinta-feira e que antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo, “é a mais longa estrada por qual já passei”. A faixa, um lamento andarilho que mistura sonoridades ciganas e sertanistas à levada de rock psicodélica característica da banda, é o segundo single que o grupo lança de seu segundo trabalho, Sobre Saltos y Outras Quedas, outro daqueles discos previstos para ser lançado em 2020 e que só agora começa a ver a luz do dia. De alguma forma, o clima do disco, já sentindo o peso da sombra fascista desde antes de sua gravação, também reflete o pesadelo pandêmico dos últimos anos. “Compus ‘Sobressaltos’ em 2018, pouco depois que o Bolsonaro foi eleito e ela acaba traduzindo muito do mal estar e do assombro que isso provocou na gente, a perspectiva terrível de ter que passar quatro anos com toda a corja autoritária e reaça no poder, frustrando qualquer expectativa de saúde mental nacional”, explica o vocalista, guitarrista e compositor Guilherme Cobelo. “Foi algo que literalmente tirou o sono de muita gente, perturbou mesmo. Ficamos cheios de sobressaltos e essa música acabou sendo um grito no meio de todo esse caos, dessa longa noite. Quando a banda começou a criar os arranjos foi muito no sentido de expressar esse peso e essa agonia numa atmosfera sombria, com a Gaivota cantando nas alturas, pairando sobre uma paisagem sonora de semitons e ritmos quebrados.” O disco está previsto para ser lançado no fim do mês que vem e a banda não vê a hora de voltar a cair na estrada. “Produtores, produtoras, galera que programa festival: chama que a gente tá na seca pra tocar”, intima Cobelo. Ouça a faixa abaixo. Continue

Lindo demais o show que Anaïs-Sylla fez esta segunda-feira no Centro da Terra, revelando um pouco do disco que está fazendo com Caê Rolfsen, que tocou na apresentação ao lado de Bruno Prado e Eddu Ferreira, durante a pandemia. Entre as joias da noite, que contou com viagens musicais ao Mali, ao Haiti e ao Senegal, ela ainda apresentou uma versão maravilhosa para “Lugar Comum”, de Gilberto Gil e João Donato.
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Que benção essa terceira apresentação de Kiko Dinucci no Centro da Terra, mais uma vez explorando diferentes possibilidades em sua temporada Pocas. Nesta segunda, ele dedicou-se à sua terra firme, o samba, e convidou os bambas Henrique Araújo, Xeina Barros e Alfredo Castro para desfilar seu repertório sem usar nenhum instrumento de corda, apenas o gogó e um ocasional instrumento de percussão. Visitou clássicos do Metá Metá, “Luz Vermelha” que fez para Elza Soares, uma homenagem ao Barba dos Barbatuques, a faixa-título de seu disco mais recente e músicas de seus mestres, tudo remixado ao vivo pelo mesmo Bruno Buarque que registrou seu Rastilho. Casa cheia para assistir a uma celebração mágica. Haja axé!
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Depois de gravar seu primeiro disco solo, em 2019, o ex-vocalista e guitarrista da banda Ventre, Gabriel Ventura, lança seu primeiro disco solo, Tarde, mais de dois anos depois de conclui-lo. E depois de retornar aos palcos, puxo uma conversa com o cantor e compositor em mais um programa da minha série sobre música brasileira, Tudo Tanto.
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Tocante a apresentação que Nina Maia e Chica Barreto fizeram nesta terça-feira no Centro da Terra. Depois de passar por composições próprias e clássicos que as influenciaram (de Gershwin a Milton Nascimento), as duas largaram os instrumentos e convidaram Luiza Villa para encerrar a apresentação com uma belíssima versão para “Serenata do Adeus”, de Vinícius de Moraes.
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Uma das novas autoras mais festejadas dos últimos anos, Aline Bei é a convidada desta edição do meu programa de entrevistas Bom Saber, quando conversamos sobre processo criativo, o papel das redes sociais na literatura atual e como o trágico momento atual que vivemos fala sobre perda, tema que atravessa os dois livros de Aline, O Peso do Pássaro Morto e o recém-lançado Pequena Coreografia do Adeus.
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Na segunda segunda-feira de sua temporada Pocas no Centro da Terra, Kiko Dinucci visitou paisagens desconhecidas em seu próprio violão, indo do norte da África ao Japão medieval, passando pelo sertão brasileiro e por desertos na Lua, usando seu instrumento como cajado e facão, abrindo picadas e marcando caminhos. À sua cola, Gustavo Infante levava seu violão para galáxias distantes ou para viagens intracelulares, aumentando ou encolhendo timbres em gravadores de fita analógica, enquanto Maria Cau Levy explorava cores e texturas filmando obras que espalhara pelo palco, acompanhada de Karime Zaher, que fitava tudo da coxia. Uma hora tão fantasmagórica quanto espiritual e extrassensorial – tudo ao mesmo tempo.
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O que o Peninha tem em comum com o Tio do Aço? Em mais um rendez-vous de nosso Jornalismo-Fumaça, eu, Tomate e Vladimir Cunha embarcamos uma trip descontrolada em busca da essência das conversas que realmente importam, enfileirando as patentes do quartel do Recruta Zero em busca do possível alvo correto do míssil disparado sem querer querendo pelas FFFFFAAAAA. Enquanto Patópolis nos funde a cuca (não a do sítio) com questionamentos existenciais, cogitamos um festival composto apenas por artistas que usam siglas e uma camiseta do popstar Nesta, enquanto lembramos da conexão entre o Kiss e o Teenage Fanclub e as previsões econômicas das ciganas.
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O convidado desta semana do meu programa sobre música brasileira é o produtor Diogo Strausz, que está saindo deste período pandêmico lançando seus primeiros trabalhos autorais desde que lançou seu disco de estreia, há quase dez anos. No papo, conversamos sobre o aprendizado deste período de reclusão, do que falam os discos que está lançando em 2022 e da fronteira entre músico, produtor e DJ que ele ocupa, tanto do ponto de vista de seus trabalhos quanto do trabalho de outros artistas com quem eventualmente colabora.
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A cantora curitibana Betina começa a mostrar como será seu terceiro álbum a partir de uma música que fez com os Boogarins em plena fase vermelha da pandemia, no ano passado – e “Polaroids”, que você pode ouvir abaixo, estreia com vídeo dirigido pela própria cantora, com a participação de três quartos do grupo goiano (Dinho, que produzirá o disco, tocando guitarra, Fefel tocando synth e Ynaiã fazendo o beat), além de Bonifrate no baixo e Jojo Augusto da Silva (que toca com Filipe Catto) na outra guitarra. “Demos início a esse processo depois que desenvolvi alguns beats num laboratório meu que já andava fazendo sozinha e dividindo as letras com o Dinho, enquanto Diogo (Valentino, ex-Supercordas, que também produz o disco) botava sempre ordem nas ideias para soar bonito e coeso”, lembra a cantora. “Nesse processo percebemos que uma música que já havia sido iniciada com Lucas Moura, da Glue Trip, teria espaço nesse disco, então ele é um dos convidados. ‘Polaroids’ dentre as músicas do álbum é anterior a tudo isso, mas faz muito sentido ser a primeira por ter sido de fato aquela que amarrou essa construção de mãos para disco, que dá o tom da soma que tivemos”. O disco ainda não tem previsão de quando será lançado, mas outra convidada do álbum é a cantora Luiza Lian.
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