Phoenix – “1901”
Rômulo Fróes – “Nada Disso é Pra Você”
Mos Def – “Casa Bey”
The Pains Of Being Pure At Heart – “Young Adult Friction”
Little Boots – “New in Town”
Lariú acabou de forwardear o seguinte email do Francisco Kraus, ex-baixista do Second Come, sobre a morte de um dos fundadores da banda que, no Rio de Janeiro, ajudou essa tal “cena indie” que hoje habitamos a começar a andar. No assunto do email, o título da música que abre o disco-chave da banda, You, “I Feel Like I Don’t Know What I’m Doing”:
Estranho isso, mas neste momento, realmente não sei o que faço.
Acabei de receber uma notícia extremamente triste e a única frase que me veio foi o nome desta música.
Hoje, lá pelas três da tarde, faleceu o Fábio Leopoldino. Fábio L., como na época do Second.
Segundo informações de um amigo comum, que foi avisado pela mãe do Fábio, ele teve um infarto e não chegou sequer a receber socorro. Apenas pediu a mãe que ficasse com ele. Poético, como foram suas composições.Durante alguns anos, após o final do Second Come, fiquei sem falar com ele.
Vários foram os “motivos” que me levaram a acreditar que eu estava certo.
E vários foram os motivos que me levaram a acreditar, depois, que estava errado.
Quando voltamos a conversar foi ótimo. E libertador.Mas agora não valem mais as palavras.
Apenas peço que os que o conheciam, pessoalmente ou por suas músicas, desenhos, contos, etc. lembrem dele agora de uma forma boa, com aquele pensamento bom que poucas vezes temos na vida. E que essa luz o ajude nesta passagem.
—
F. Kraus
Era uma época em que bandas covers que tocavam fantasiadas como os artistas que imitavam eram levadas a sério e quando o rock dos anos 80 começou a dar sinais de velhice precoce. Passada a lambada, três gêneros que dominariam os anos 90 (pagode, axé e sertanejo) começavam a por as manguinhas de fora e fagocitar todo o espaço conquistado pela música pop da década anterior. A MPB já se autocelebrava e a MTV Brasil ainda estava tateando rumo ao rock alternativo quando o Second Come existia. Era a versão carioca de um movimento que, em São Paulo, era encabeçado pelo Pin Ups, Killing Chainsaw e Mickey Junkies, mas que aos poucos encontraria eco em todo o Brasil. Cantando em inglês quase como provocação (depois de um tempo, o gênero tornaria-se bilíngüe), essas bandas abriram, na marra, o caminho que depois foi pavimentado pela geração Raimundos, Pato Fu, Chico Science & Nação Zumbi, Skank, Planet Hemp e Graforréia Xilarmônica, e plantaram a semente deste mesmo indie brasileiro que levou o Cansei de Ser Sexy ao estrelato no exterior, criou a Abrafin, alimenta a TramaVirtual e o MySpace Brasil e movimenta discussões sobre o futuro da indústria da música. Tudo era muito adolescente, impulsivo e intuitivo, mas nem por isso menos importante. Claro que não vai ter matéria no Jornal Hoje, nem um espaço maior do que uma notinha num caderno de cultura, embora pudesse render. Mas Fábio não estava preocupado com esse tipo de repercussão.
Pra quem quiser conhecer mais o trabalho dos caras, o Lariú está colocando toda discografia do grupo em MP3 na página deles do Midsummer Madness.
Second Come – “I Feel Like I Don’t Know What I’m Doing“
É o que conta o blog 2 na Rede, de Vitória:
Às vezes eu queria que esse Mickey Gang fosse uma grande armação, um misto de Spinal Tap com Jonas Brothers pra ver até onde pode ir um hype…
Cortesia da banda Return of Simple. Fodaço.
É, pelo jeito o Beirut vem pro Brasil esse ano, parece que não é só especulação. Pelo menos foi isso que o próprio Zach Condon disse pra Julia Petit – que virão no segundo semestre e passam pelo Rio, São Paulo e Recife.
Em rota de colisão com o paradoxo
Antes de começar a falar sobre “Follow the Leader” em si, vale perguntar: essa é a última vez que veremos Daniel Faraday? A própria mãe – grávida dele mesmo (aaah, Lost…) – deu-lhe um tiro fatal e fechou-lhe os olhos encerrando a participação do físico no mundo dos vivos. Mas tem tanta pergunta pra ser respondida sobre o Faraday que eu aposto que sua participação não terminou ali. Lembram-se de sua namorada fritando na cama? Lembram da rata batizada em homenagem à mãe, que não agüentou viajar no tempo? Lembram do estado frágil e tenso que o próprio Faraday ficou em determinado tempo da série (antes de ir para a ilha no cargueiro)? Algo me diz que o caderninho mágico da senhora Hawking vai fazer com que nos encontremos mais uma vez com Daniel – pois ele pode ter conseguido viajar no tempo mesmo antes ou mesmo depois de chegar na ilha, ainda em Oxford ou em… Ann Arbor. Minha aposta é que depois de testar com Theresa, sua namorada, ele resolve fazer a viagem por conta própria mas já conhecendo a lógica da constante – e consegue fazer algumas viagens no tempo, uma deles, a que ele grava o vídeo abaixo ao lado do dr. Chang (outro ponto em aberto – percebam como Faraday reconhece Chang rapidamente e o aborda na primeira vez que o vê, sem apresentações). Eloise ainda conta que a estação Dharma construída em Los Angeles foi feita por “alguém muito especial” – o que me leva a crer que Faraday pode ter voltado para antes de 1954 e criado a estação sob a igreja, ajudado o exército americano a encontrar a ilha e mandar tropas para sua tomada (tropas que foram mortas pelos Outros). Ele pode ter conhecido Chang em 1981, depois do “incidente” e passado as informações que assistimos no vídeo abaixo. E talvez tenha encontrado consigo mesmo em 2007, ciente do que tinha de fazer e contou-lhe toda a história do avião, da ilha e do próprio sacrifício que teria de fazer para que ele passasse por isso. Isso talvez explicasse até mesmo as crises de choro de Daniel, que o acompanham desde sua estréia na série.
Dito tudo isso, que episódio! Follow the Leader está às vésperas de fazer mais engrenagens narrativas de Lost se chocarem e, em vez de causarem atrito, se encaixarão perfeitamente, nos deixando bestas de novo, como já fizeram neste mesmo episódio. Mais do que um preâmbulo para o último episódio da quinta temporada, este décimo quinto capítulo funcionou como um pequeno conto fechado em si mesmo, uma jóia delicadamente lapidada para mostrar aos fãs do seriado que esta quinta temporada não foi em vão.
Afinal, tivemos diversas perguntas respondidas, embora muitas delas tivessem sido criadas apenas para ganhar tempo (quase tudo relacionado à volta dos Oceanic 6 à ilha). Os temas clássicos de Lost seguiram intactos – talvez a maior revelação desta temporada talvez tenha sido o vínculo da ilha com o Egito antigo e, claro, a apresentação do universo Dharma para os espectadores. Mas nada foi dito sobre o monstro, os números, o por quê do vôo 815 ou se Kate vai ficar com Sawyer ou Jack. Em compensação vimos as relações de Widmore e Ms. Hawking, de Charles com a ilha, de Faraday com os pais, a história de Charlotte, uma aparição de Walt, a história da jovem Rousseau e a chegada de sua equipe à ilha, a morte e ressurreição de Locke, uma estátua vista de corpo inteiro (ainda que de costas), quem é quem na Dharma e estamos prestes a ver o incidente que causou a gravação de todos os vídeos de orientação das estações que descobrimos na segunda temporada.
Follow the Leader veio repleto destes momentos, mas meu favorito foi a aparição de Richard Alpert para Locke sendo esmiuçada como um plano do próprio Locke. A cena que antecede a chegada do careca correndo baleado na perna transcende o que eu me acostumei a referir como “Lost clássico” (aquele momento do “oooooh” que fica entre o clichê de revelação e uma reviravolta considerável na trama). Todo o diálogo de Locke com Richard e as observações feitas entre Locke e Ben dão à cena uma profundidade extra, uma camada narrativa surge de forma que estamos assistindo a um making of de uma cena dentro de uma cena. A beleza quase mística da cena – filmada no escuro, à luz de tochas – é refletida por todo o episódio e sublinha um aspecto: talvez toda a trama de Lost tenha sido motivada pelas pessoas que foram suas vítimas. O motivo de cada um daqueles passageiros estar naquele avião que caiu no início da primeira temporada talvez seja justamente esse: são eles que fazem o próprio avião cair na ilha, entre outras coisas.
Após a morte de Faraday e a constatação que Eloise faz que aquele casal – Jack e Kate – veio mesmo do futuro, resta a Jack concluir o plano de Daniel para, quem sabe, mudar a história. O fato de Eloise perceber que eles falam a verdade através da própria caligrafia é um toque de mestre – eles podiam ter trazido um vídeo ou fotos, descrito cenas que iriam acontecer em minutos no futuro, explicarem o funcionamento de aparelhos que ainda nem existem em 1977, mas quaisquer explicações destas seriam subjetivas comparadas ao reconhecimento da própria letra cursiva. Quando ela pergunta como ela não se lembra ter escrito o que está no caderno e ouve o “é porque você ainda vai escrever” – eis um “momento Lost” de ouro. Em outro acontecimento crucial do episódio, vemos Jack se transformar em um homem de fé, cujo credo é piamente racional – ele quer destruir a construção da estação Cisne, para evitar a criação da escotilha, para onde Desmond irá e que será responsável por causar a queda do Oceanic 815. Há lógica nisso, não é simplesmente o papo “a ilha que quis” que Locke sempre saca da cartola.
O problema é que ele quer fazer isso com uma bomba atômica – e quero ver sobrar vila Dharma pra contar a história. Acho mais provável que o Radzinsky e sua turma apareçam no lugar em cima da hora e, antes que Jack brinque de fim do mundo, eles o impeçam mas causem, sem querer, algum vazamento radioativo – o que explicaria inclusive o fato de mulheres não poderem ter filhos na ilha após o tal incidente. Há quem diga, no entanto, que depois de mais de duas décadas de hidrogênio vazando, a explosão da bomba terá um impacto menor do que o original. O submarino já se foi levando Kate, Sawyer e Juliette (em outra ótima cena, desta vez do departamento novela das oito do seriado, quando o casal Dharma reata seus votos de amor e a fugitiva reaparece em cima da hora), que outros se salvarão? O que tem afinal de contas no case de guitarra do Hurley e por que ele se convenceu a voltar no vôo Ajira 316? Sayid ou Jack se sacrificarão para detonar a bomba Jughead?
Em outra grande cena do episódio, Hurley, Jin e Miles são interrogados por Chang sobre sua procedência temporal e, depois de um diálogo hilário entre Hurley e Chang, Miles não apenas confessa que eles vieram do futuro como explica ao pai como proceder com ele mesmo e sua mãe, ele mesmo se tornando o causador de toda a dor que ele carregava pelo pai tê-los abandonado. É uma relação semelhante à decisão de Jack, embora o médico queira a ruptura e não a confirmação do que já aconteceu no passado.
Misture isso ao fato que Locke agora quer “matar Jacob” – seja lá o que isso signifique – e que, provavelmente, ainda veremos no capítulo final referências ao culto da sombra da estátua de Bram e Ilana. E o que Richard Alpert estava fazendo com aquele barco dentro de uma garrafa? Lembrando do Black Rock ou que a ilha em si é como um barco dentro de uma garrafa? E Desmond? Lembrem-se que a ilha ainda não acabou com ele – e a última vez que o vimos foi num hospital. Fora Bernard e Rosie, Vincent, Claire e, claro, o próprio Jacob.
A quinta temporada encerrará nesta semana e revelará uma série de respostas, inevitavelmente. Abrirá, claro, outras tantas perguntas – além de uma grande pergunta, a ser respondida nos primeiros minutos do primeiro episódio da sexta temporada. A impressão que dava é que essa temporada poderia ser resumida em menos capítulos do que 16, mas depois de Follow the Leader, percebemos que, mais do que nunca, algumas cenas fúteis e lentas, serão revisitadas para que, finalmente, saberemos o que há por trás delas.
Meu palpite é que o incidente será causado por Jack (ou quem for) realmente abrirá uma realidade paralela e que o avião da Ajira 316 já caiu nesta versão modificada de 2007 (em que o avião da Oceanic não caiu na ilha) – e a sexta temporada será dedicada a reajustar estes desalinhamentos no espaço-tempo. Toda história de viagem do tempo necessariamente confronta-se com o momento paradoxo e parece que, só agora, já o temos em nossa rota de colisão.
Sim, essa é o resultado da decana banda paulistana com o produtor dos Mamonas Assassinas e do CPM 22. É triste ver esse que já foi um dos grupos mais importantes da história do rock brasileiro chafurdando-se na lama alheia com tanto gosto. Vai tocar no rádio? Claro, porque é música da novela. Os caras vão ganhar dinheiro? Sim, essa é a especialidade da música produzida por Bonadio (não todas, afinal seu toque de Midas – um toque de merda, na minha opinão – funciona na base de atirar pra todos os lados, vai que pega em algum alvo).
Fico pensando no trabalho psicológico que cada titã deve fazer individualmente para continuar tocando músicas desse naipe – algo que deve ter começado na época do deprimente Acústico (lançado há DOZE anos): “A música é uma merda, mas eu estou nessa desde o começo, sou um titã, esse é o meu trabalho, não posso largar isso agora”. E isso bem depois da banda ter lançado um documentário coberto de elogios e tom nostálgico, A Vida Até Parece uma Festa.
Acredito que os Titãs poderiam lançar um disco bom (embora irrelevante – e aí está a chave do problema), mesmo sem Arnaldo, Nando e Frommer – se não fossem tão inseguros como foram ao chamar o Jack Endino para fazer o “disco grunge” dos caras, Titanomaquia. Mas nenhuma música do disco de 93 consegue ser tão deprimente quanto essa música nova. Eles vivem um dilema entre ser uma banda conhecida, rentável, popular e adolescente ao mesmo tempo. Se optassem por um esquema lo-profile, poderiam até lançar algo que preste. Mas, desse jeito, segue a teoria do Vlad de que o Titãs é tipo aquele tio gordo que, nas festas de família, grita “ah, eu tou maluco” e canta “Robocop Gay” no karaokê. Uma espécie de Márcio Canuto do rock.
Vale aquele papo de que um dos problemas do Brasil é que as bandas não sabem a hora de acabar.
O velho capitão Kirk vem acompanhando, de longe e online, os desdobramentos da recriação que J.J. Abrams fez da série que encabeçou por toda vida. Até que se submeteu a assistir ao trailer do filme e registrar sua reação no próprio canal do YouTube.
Acho que sua reação talvez tenha sido mais essa:
Essa semana, o velho Kirk encontrou-se com Chris Pine, o ator que faz o novo Kirk, e de novo postou a notícia em seu canal de vídeos:
Não duvide se J.J. Abrams não tiver armado isso com ele e garantir sua participação no próximo filme mesmo após essa rusga em público.
Notícia velha (em parâmetros de internet), mas a cara de felicidade do Bá abrindo a caixa com os brinquedos inspirados nos desenhos que ele fez não perde a validade.
Curumin – “Mal Estar Card”
Lily Allen – “Not Fair”
Passion Pit – “The Reeling”
PELVs – “Keep Your Music Away”
Eminem – “We Made You”





